sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A Vida Secreta das Abelhas (The Secret Life of Bees) - 2008


Toda estante de locadora de vídeo tem um segredo que todo louco por cinema desconhece. Aquele filme que você não tem idéia que exista pode estar lá, recém-chegado ou desgastado e abandonado pelo tempo, e para que o segredo comece a ser revelado basta um olhar fixo e emergencialmente curioso ao contemplá-lo antes possuí-lo por 1 ou 2 dias, ou talvez para sempre.



A vida secreta das abelhas baseado na obra homônima de Sue Monk Kidd apareceu diante de mim como se, no silêncio da locadora, uma abelha zunisse em meu ouvido tirando o meu sossego e ansiosa por contar-me um segredo. Não sabia nem que o filme existia e, ao fixar meus olhos na capa do DVD, tive uma empatia pelo elenco "black show business" de Queen Latifah, Jennifer Hudson e Alicia Keys e, também pela prodígia blond big little girl Dakota Fanning. Gosto do talento delas por diferentes razões. Queen Latifah sempre me pareceu uma rainha do povo, do gueto: Espontânea, simpática, divertida e fora do padrão de beleza comercial com suas curvas bem arrendodadas, aparentemente me transmitindo que ela é bem resolvida com sua auto-estima. Jennifer Hudson e Alicia Keys, divinas vozes do R&B/Soul music dispensam meus comentários pois suas perfeitas vozes já as elogiam por si só mesmo que ainda não as considero "tão" atrizes. Dakota Fanning é uma precoce atriz talentosa, que sempre achei esquisita e com olhos tristes; a atriz que eu sempre quis que permanecesse jovem como Peter Pan por suas inesquecíveis atuações em Chamas da Vingança (Man on Fire) com Denzel Washington e a Força do Amor (I am Sam) com Sean Penn.

Neste filme, Dakota Fanning faz o papel de Lily, uma solitária garota atormentada por uma tragédia familiar ocorrida quando ela tinha 4 anos, traumática tragédia na qual ela matou a própria mãe. Embora a morte foi acidental, o contexto da morte e os seus desdobramentos na vida adolescente deixa marcas e dúvidas profundas pois sua mãe foi morta no dia que voltara para casa para buscar algumas coisas após abandonar o violento e severo marido (Paul Bettany, em uma ótima performance). T. Ray, o pai de Lily, a cria de uma forma fria e hostil , com direito a punições e falta de diálogo. Além da culpa, da falta de amor dos pais, da solidão e tristeza de sua própria fatalidade, Lily é abusada emocionalmente pelo pai que confessa que a mãe dela a abandonou bem antes de morrer e que, no dia da morte, havia voltado para a casa para buscar somente objetos pessoais e não a filha. Lily vive com este peso na consciência, e irritada com a suposta mentira de T.Ray, mais desejosa por descobrir a verdade sobre sua mãe, ela foge de casa com a empregada Rosaleen ( Jennifer Hudson) em direção ao apiário de Nossa Senhora Negra, local cuja referência ela pôde encontrar entre os pertences de sua falecida mãe, numa esperança de resgatar o próprio passado dela.




Lily encontra em August Boatright (Queen Latifah) e suas irmãs June (Alicia Keyes) e May (Sophie Okonedo) uma nova família, um lar amoroso, um ofício na produção de mel e, principalmente, a verdade sobre sua mãe, ainda com as dificuldades e os dramas pessoais da história. Ela também desenvolve certa fé, uma faceta do filme através da figura de Nossa Senhora Negra e tem um recomeço reparador na certeza de que agora tem o amor de pessoas que zelam por ela. Vale lembrar que, sendo branca, ela encontra um lar negro em pleno ano de 1964 nos EUA, época marcada pelo racismo claramente evidenciado no filme, logo, além de descobrir a verdade através de August Boatright que era amiga e ex-babá de sua mãe, Lily vê o seu primeiro amor em um garoto negro, Zach Taylor (interpretado por
Tristan Wilds) e recebe o primeiro beijo, o interracial que diretamente confronta o preconceito da época. Sem dúvidas, ver este enfoque da amizade, tolerância e amor em um período de racismo é um relevante plus para assistir este filme e refletir sobre ele.



Com uma boa atuação de Dakota Fanning e de Queen Latifah principalmente na amizade entre ambas e em um papel mais "maduro" de Fanning, a vida secreta das abelhas é um filme que me faz pensar que nem sempre o lar no qual nascemos é um verdadeiro lar. Lares também podem ser conquistados, também nos abraçam com amor como um surpreendente presente de Deus onde e quando menos esperamos, também podem ter um vínculo maior que o genético. É exatamente isso que aconteceu com Lily: uma família a abraçou com amor e carinho lhe provendo um lar sadio e restaurador e ainda devolveu-lhe um pouco da sua origem, da vida de seus pais, do amor de sua mãe. A vida secreta das abelhas é um filme de esperança pelo amor e pela verdade; é um filme sobre o valor da família , do lar e da união; é um filme para aqueles que merecem uma segunda chance na vida superando infelizes histórias familiares; é um filme para aqueles que, ainda que guardem seus segredos mais íntimos como o segredo de uma abelha, podem despertar para a vida e produzir uma nova história tão doce e saborosa como o gosto de nobre mel.



Por Madame Lumière

Avaliação Madame Lumière:

Título Original: The Secret Life of Bees
Origem:
EUA
Gênero(s): Drama
Duração:
110 min
Diretor(a): Gina Prince-Bythewood
Roteirista(s): Gina Prince- Bythewood, baseado no livro de Sue Monk Kidd
Elenco: Dakota Fanning, Queen Latifah, Jennifer Hudson, Alicia Keys, Sophie Okonedo, Paul Bettany, Hilarie Burton, Tristan Wilds, Nate Parker, Shondrella Avery , Sharon Morris. Créditos das fotos: The Secret Life of Bees

Um comentário:

  1. "A Vida Secreta das Abelhas" é um filme que eu esperava muito mais, não gostei muito do filme, apesar de ter um bom contexto. Eu assisti este filme por Queen Latifah, atriz que eu adoro e como você falou: esbanja simpatia. E, tbm a acho uma ótima atriz!
    Vejo este filme como uma ponte para a Dakota, este é o filme que ela escolheu para provar que "Oi! Agora eu cresci e sou mulher, Ok ?", rs
    No fim, o filme se torna até um pouco bom, mas completamente, esquecível!

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