domingo, 22 de novembro de 2009

Recém-chegada ( New in Town ) - 2009



Para as mulheres que já se viram como sendo a própria Bridget Jones, a atriz Renée Zellweger é, sem dúvidas, uma diva atemporal. Lembrar dela nesta inesquecível série de filmes é como ser amiga íntima e pessoal dela e de suas lamuriantes e engraçadas situações tipicamente de uma mulher solitária bombardeada por problemas de romance, família, dietas, vícios tabagistas, etc, fora representar tão bem o pesadelo confuso cômico depressivo da relação com os homens que fazem de mulheres eternas Bridgets Jones.

Renée Zellweger me conquista pela sua simpática acessibilidade, característica comum em raras atrizes que parecem ter carne e osso, gente normal e que trabalha, tem olheiras e gases como todos nós. Ela não tem a casca do glamour hollywoodiano e seu sorriso enrubescido pelas rosadas bochechas pueris e o espontâneo humor faz dela uma mulher cativante. De tão acessível, ela entra na minha casa pela big screen cinematográfica e fica à vontade.






Recém-chegada é a mais nova comédia romântica da atriz que vive uma executiva de Miami (Lucy Hill) enviada para uma cidadezinha fria e pacata, bem no fim do mundo do estado de Minnesota para gerenciar e reestruturar uma fábrica.Como toda grande mulher de negócios em cidades como Miami, ela colhe os benefícios do padrão de vida e estilo destas executivas - mora em espaçoso e moderno apê, disfruta a beleza da orla da praia com uma corridinha básica pela manhã, um carro do ano, belas roupas e sapatos e uma ótima e emergente carreira. No entanto, a mudança para uma cidade fria, com moradores inicialmente frios e sem os atrativos mudará totalmente seu comportamento e sua vida. No começo, ela tem penosas dificuldades porque as pessoas a ignoram como mais um gerente que não conseguirá sobreviver nem uma semana na cidade, mas no decorrer do tempo ela reverte a situação, começa a gostar das pessoas e vice e versa, ser melhor aceita , se adaptar às condições da cidade e se apaixonar por Ted Mitchell, o chefe do sindidato local representado pelo ator Harry Connick Jr.



Falta ao filme o humor mais escrachado e natural de
Renée Zellweger, além de mais ação no romance, logo o filme me dá a impressão de que Lucy Hill chegou à cidade, mas deixou Renée Zellweger lá para trás, bem distante. São poucas as cenas que ela apresenta a veia humorística e estas cenas são forçadas como se ela não estivesse à vontade com o próprio enredo que lhe foi dado ou impossibilitada de apresentar uma performance melhor. A química entre ela e Harry Connick Jr existe, mas ela é pouquíssima explorada pelo filme o que gera uma frustração clara para o gênero que mistura o romance e a comédia, então avaliando por este lado, não faz a mínima diferença o filme ter sido lançado ou não. Ainda que eu adore estes filmes de fundo romântico pincelados com água e açucar, o filme não me incentiva nem a mais uma sessão.



Sob o ponto de vista da transformação da personagem: uma mulher racional, solitária e muito focada na carreira, acostumada a cidades mais movimentadas em uma mulher amável, apaixonada e, principalmente, preocupada com os funcionários, em manter esta fábrica operante, sem corte de empregados, neste aspecto, o filme provê um importante ensinamento sendo este o pro de Recém-Chegada: A gente muda ao ir à uma cidade menor ou menos urbana que tem outros valores de amizade, família, trabalho e começa a ver que a vida não é só entrar no ritmo das grandes cidades, cujas pessoas muito naturalmente entram em um círculo vicioso de independência, individualismo e dinamismo a qualquer custo. Cidades mais pacatas nos humanizam, ainda que isso não seja uma regra, elas podem ser potencialmente um lugar de cura para os mais agressivos e arrogantes na carreira e na vida.

De fato, eu me mudei de cidade há um tempo atrás e, embora de forma temporária e para uma cidade que não era tão "dentro do nada" , esta experiência foi benéfica para enxergar o mundo de outra forma, romper paradigmas e ilusões; só tive o azar de assumir um trabalho extremamente exaustivo e complicado mesmo em uma cidade fora do eixo muito business, no entanto pelo lado da cidade e das pessoas, com certeza, elas tinham outro ritmo, outras prioridades com relação à própria vida. Elas não se exigiam demais ainda que davam um valor ao trabalho, à família, ao lazer, ao anonimato de não estar sempre à frente com sede ao pote no corporativismo e às vantagens de ser bem sucedido nos moldes urbanos. Existe vida e ela é para ser vivida sem grandes cobranças. Ainda assim, é possível ter sucesso sem afetar tanto a si próprio e, é exatamente isso que ocorre no filme. Tanto Lucy como a própria cidade conseguem vencer suas diferenças e vencer nos negócios, cada um dentro de sua posição, mostrando que todos têm valor, principalmente quando unidos, desta forma, enxergando as pessoas além delas, enxergando uma outra cidade além da delas e, assim, fomentando mais ainda a união entre todos.


Por Madame Lumière

Avaliação Madame Lumière:


Título Original: New in Town
Origem:
Estados Unidos
Gênero(s):
Comédia Romântica
Duração:
97 min
Diretor(a):
Jonas Elmer
Roteirista(s):
Kenneth Rance, C. Jay Fox
Elenco:
Renée Zelweger, Harry Connick Jr, Siobhan Fallon Hogan, J. K. Simmons, Mike O'Brien, Frances Conroy, Ferron Guerreiro, Barbara James Smith, James Durham, Robert Small, Wayne Nicklas, Hilary Caroll, Nancy Drake, Stewart J. Zully, Marily Boyle.


Créditos fotos: New in Town Movie

5 comentários:

  1. Olá madame. Concordo com suas observações. Destaco ainda a bela e espirituosa frase, "Falta ao filme o humor mais escrachado e natural de Renée Zellweger, além de mais ação no romance, logo o filme me dá a impressão de que Lucy Hill chegou à cidade, mas deixou Renée Zellweger lá para trás, bem distante."

    Melhor descrição sobre o filme, e sobre sua protagonista não há.
    Ah, agora fiquei curioso acerca da cidade para qual madame mudou e qual exaustivo trabalho assumiu.
    Bjs madame!

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  2. Olá queridão, me mudei para Salvador e trabalhei em projetos de TI. Quase morri! (viu como rimou!)

    Beijos saudosos!

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  3. Sem querer parecer bajulador... mas vc sempre rima madame!
    Bjs

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  4. Que galante bajulador! Rimas, o que dizer destas linhas? Vícios de uma poetisa, expressando a vida, o amor, a dor...


    Viu como rimou de novo!? beijos da madame.

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  5. Gosto da Reneé ela é simpatica, e consegue alguns bons papéis. Mas o que me chamou a atenção neste filme, foi o rosto de Reneé, que está completamente danificado devido as plasticas, eu sei, que isso está totalmente fora do contexto, mas isso me assustou um pouco, rs
    O filme não é grande coisa, é apenas mais um para a grande seção "comédias românticas", ou seja, no fim acaba sendo agradável.
    Minha mãe por exemplo, amou o filme! rsrs

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