quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O Incendiário (The Incendiary) - 2008

BlogBlogs.Com.Br



Ler sinopse de filme antes de assistí-lo pode ser altamente frustrante, principalmente quando a gente se empolga com uma característica que o filme parece apresentar e só se detêm a um trecho da sinopse, como foi o caso de O Incendiário (The Incendiary), dirigido por Sharon Maguire o mesmo diretor de O Diário de Bridget Jones e A moça com o brinco de pérola. O Incendiário é baseado na obra homônima de Chris Cleave e relata o drama de uma mulher (a atriz Michelle Williams) após um ataque terrorista em Londres no qual seu marido e seu filho foram mortos. A sinopse não parava por aí e continuava relatando o que me chamou à atenção: um tórrido triângulo amoroso entre a viúva e os atores Ewan McGregor e Mac Mattewfadyen, aparentemente tenso, sensual, incendiário. Quando li o título do filme e esta parte da sinopse, todo o meu bom comportamento de madame , meus valores anti-infidelidade e o meu interessse pelo drama de caratér anti-terrorista ficaram em segundo plano.Como em uma fase pré-ovulante, com a libido nas alturas, eu só pensava no trio.

O filme começa com esta abordagem mais extraconjungal. Michelle Williams é uma amável mãe de família que demonstra um amor muito especial e próximo pelo seu filho e tem um marido policial que trabalha na divisão anti-terrorismo desarmando bombas. O marido é ocupado o suficiente com o trabalho trabalhando noturnas horas extras, fato que evidencia que ele não tem tanto tempo para a relação e ela aparenta estar entendiada com esta vidinha. Ela conhece o charmoso jornalista (Ewan McGregor) e, muito rapidamente, traí o marido. Mas o que seria uma "pulada de cerca básica" traz consequências dramáticas para ela e, é exatamente nisto que reside um componente diferenciado e peculiar do filme: o peso da CULPA, do doloroso remorso. No dia em que seu marido e seu filho vão à um clássico jogo de futebol em Londres, ela recebe o amante em sua casa justamente na hora do jogo e, enquanto transam maravilhosamente no sofá da sala com a TV ligada, ela vê ao vivo a explosão do estádio, com um fatal ataque terrorista que assassina sua família. Ponto final, as consequências incendiárias ficarão à espera de sua audiência, elegante leitor.




Imagine como ficou o psicológico desta mulher e, principalmente o da madame que lhes fala quando antes dela atingir o orgasmo, vê a vida se destruir por inteiro com a perda do marido e do filho. Na hora, eu não sabia se eu ria, se eu chorava ou se eu a odiava porque, falando sério, é uma cena forte se pensarmos que é horrível, além da infidelidade, saber que a família estava indo pelos ares na hora que ela estava quase gozando. Confesso: fiquei com vontade de rir e o sentimento foi trágicômico: um mix entre a minha piedade pela tragédia que acontecera com ela mais a comicidade pela situação louca de ver a notícia do atentado na hora que o ritmo sexual estava muito bom. Mas, risos tragicômicos à parte, o filme não é só isso.

O Incendiário se desenvolve em dois planos no psicológico da personagem de Michelle Williams: a) o diálogo mais "externo" com a figura terrorista de Osama para o qual ela se dirige com uma reflexão sobre perda, pesar, etc e a amizade dela com o filho do possível homem-bomba ; b) o diálogo mais "interno" com a culpa e o sofrimento que ela carrega com o infeliz destino, as memórias e alucinações relacionadas ao filho, a posição de afastamento que ela assume com relação ao ex-amante jornalista e o crescente envolvimento com
Mac Mattewfadyen, ex-chefe de seu falecido marido, um tremendo "mala sem alça" na minha gentil opinião.

Complexo, não? Sim, de fato o filme tem que ser assistido na íntegra para ser valorizado em sua complexidade, mas não espere uma super produção porque o filme foi um fiasco de bilheteria e nem foi lançado nos cinemas brasileiros, sendo lançado diretamente em DVD.




Mesmo que eu tenha me frustrado com o triângulo amoroso que poderia ter sido mais explorado na perfeita tensão sensual do adjetivo "incendiário", digo-lhes que o filme tem uma intenção muito superior do que minha incendiária, inicial e temporária taradice; sem dúvidas, é uma razoável produção cinematográfica com uma boa atuação de Michelle Williams dada a complexidade deste personagem e os conflitos que se desdobram com suas perdas intensificados pela culpa e a tristeza. A interpretação dela salva o filme, mesmo que em boa parte do tempo achei trágico eu lidar com o drama dela, o qual deixa o filme dramático, reflexivo e parado demais, sem a fluidez de umas emoções extras e mais intensas dignas de um enredo incendiário.



Por outro lado, é um filme através do qual passamos a questionar os desdobramentos de um ato terrorista, a refletir sobre os sentimentos daqueles que sofreram as sequelas com estes atos, a analisar suas factíveis relações com os terroristas e/ou qualquer pessoa que se relacione (in)diretamente com eles e, principalmente, a perceber o que perdemos em um passe de mágica capaz de mudar nosso destino para sempre. No final, concluo que assumir uma atitude infinita de dor, ódio e destruição pessoal após ser lesado por atos terroristas sejam reais, imaginários,emocionais, mentais, físicos ou de qualquer espécie não vale a pena, por mais que o coração diga "sim, eu preciso sofrer". A gente tem que encontrar vida para continuar vivendo, mesmo no meio da morte, a nossa e a do mundo.


Por Madame Lumière

Avaliação Madame Lumière:


Título Original: The Incendiary
Origem:
Reino Unido
Gênero(s):
Drama, Suspense
Duração:
100 min
Diretor(a):
Sharon Maguire
Roteirista(s):
Sharon Maguire
Elenco:
Michelle Williams, Ewan McGregor, Matthew Macfadyen, Nicholas Gleaves, Sidney Johnston, Usman Khokhar.

Créditos fotos: The Incendiary movie.
Texto por Copyright Madame Lumière

4 comentários:

  1. "Minha inicial, incendiária e temporária taradice" Sensacional. Muito bom o seu artigo. Em que vc relata as suas expectativas, frustrações, o mote do filme e ainda faz uma análise sobre ele.
    Já queria ver esse filme há algum tempo. O triangulo, confesso, não era ponto proeminente na minha vã curiosidade, mas isso foi transformado agora(rsrs).
    Quanto a Michelle Willians, concordo com vc. Ela está se provando uma boa e despudorada atriz. Bem diferente do que sua personagem em Dawsons´s creek fazia supor.
    Beijos madame!

    ResponderExcluir
  2. Olá Reinado, luxuosíssimo seu comentário. Super obrigada pela sua visita! Se você quer disfrutar a atuação de Michelle Willians, o filme tem conteúdo para isso principalmente a performance do próprio drama de perder a família em uma condição como esta. O monólogo direcionado a Osama(rsrs), mesmo que meio forçado, vale a pena para reflexão. Beijos Monsieur Glioche!

    ResponderExcluir
  3. Adorei mesmo este filme, vi no cinema ( em portugal) por acaso e vi em casa. É muito Dramático e tem de ser visto de uma maneiro menos critica em relação ao cinema, fiquei com dores de tanto chorar. Ela está òptima no filme, adorei a personagem e especialmente quando ela "falava" com Osama. Achei que o EwanMcGregor estava fraquinho e às vezes a perssonagem parecia um bocado perdida e sem sentido. Quanto ao trianglo... - no comments hehe. Gostei muito do review, vce é uma pessoa muito critica e consegue analisar os filmes de uma forma engraçada. Grande beijo *

    ResponderExcluir
  4. Oi,
    Obrigada pela sua visita. Que legal que tem um leitor que viu o filme em Portugal, tô ficando chique,rs!
    Incendiário é um filme triste mesmo, deve ser uma dor tremenda interpretar o papel que coube a Michelle Williams e ela o fez bem,com todas aquelas alucinações que não ficaram piegas. Imagine eu se tivesse no lugar dela vendo o filho e o marido falecer enquanto ela está quase gozando, rs! Ai anônimo, eu fiquei sentida por ela mas eu ri também da situação.

    Bjs!

    ResponderExcluir

Prezado(a) leitor(a)

Obrigada pelo seu interesse em comentar no MaDame Lumiére. Sua participação é muito importante para trocarmos percepções e informações sobre a fascinante Sétima Arte.
Madame Lumière é um blog democrático e sério, logo você é livre para elogiar ou criticar o filme assim como qualquer comentário dentro do assunto cinema. No entanto, serão rejeitadas mensagens que insultem, difamem ou desrespeitem a autora do blog assim como qualquer ataque pessoal ofensivo a leitores do blog e suas opiniões. Também não serão aceitos comentários com propósitos propagandistas, obscenos, persecutórios, racistas, etc.
Caso não concorde com a opinião cinéfila de alguém, saiba como respondê-la educadamente. Opiniões distintas são bem vindas e enriquecem a discussão.

Saudações cinéfilas,

MaDame Lumière