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Crítica | O Despertar de uma Vida: A Libertação pelo Caminho

 




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Por Cristiane Costa,  Editora e Crítica de Cinema | Especialista em Comunicação e Projetos



O Cinema revela histórias universais que atravessam terras e oceanos, e a dor de uma personagem na Ásia pode ressoar como os desafios vividos por aqui. Dirigida pela cineasta chinesa Yin Lichuan, O Despertar de uma Vida (Like a Rolling Stone, 2024), distribuído no Brasil pela A2 Filmes, chega ao streaming com um híbrido de drama social e viagem de autodescoberta.



A trama acompanha uma mulher de 55 anos que, após uma vida inteira dedicada à família e ao trabalho doméstico silencioso, decide romper com as amarras da servidão geracional. Ao pegar a estrada sozinha, ela inicia um percurso que não é apenas geográfico, mas um resgate tardio de sua própria identidade, confrontando as expectativas de uma sociedade tradicional que a via apenas como um pilar de sustentação para os outros.




Yong Mei, atriz Chinesa. Divulgação. A2fillmes.



O longa utiliza um didatismo eficiente para contar essa história que, ao longo da projeção, desperta empatia e revolta. A personagem Li Hong, interpretada por Yong Mei, atravessa etapas cruéis de uma violência de gênero que se estende desde os impedimentos para estudar e trabalhar até o casamento com Sun Dayong (Jiang Wu), um homem extremamente acomodado, mesquinho e um agressor psicológico da pior espécie. A narrativa, por vezes irregular, mostra que o aprisionamento social feminino é acompanhado não apenas das microagressões diárias do marido, mas também da herança das tarefas do lar e da maternidade.



Mesmo após os 50 anos, Li Hong não encontra paz. Quando não é o marido e a casa que exigem sua atenção, surgem as memórias da família de origem, como o pai e o irmão, que também a marcaram com expectativas e cobranças. A protagonista carrega um passado de obrigações que nunca lhe deram espaço para ser apenas ela mesma.



Somam-se ainda as novas gerações. Sua filha Su Xiaoue (Janice Wu), grávida e depois em crise de carreira, recorre à mãe para cuidar dos filhos, reforçando o ciclo de dependência. Li Hong se vê aprisionada em uma engrenagem que atravessa décadas: primeiro como filha obediente, depois como esposa submissa, e por fim como mãe e avó disponível. Essa sobrecarga revela como o trabalho doméstico e afetivo da mulher é constantemente naturalizado, sem reconhecimento ou gratidão, transformando sua vida em uma sequência interminável de demandas alheias.



Embora pareça clichê diante da normalização do trabalho não remunerado, a trajetória de Li Hong reflete a de muitas mulheres em vários países. Mesmo com as conquistas femininas, em especial as gerações que hoje, a partir de 55 anos, se dedicaram exaustivamente a conciliar casa, trabalho, filhos e netos. Será que há algum tipo de gratidão familiar ou social? É bem provável que não, pois o trabalho feminino ainda é barato e mal pago pela sociedade. O triste é perceber que a história detalha as sutilezas, desde a violência cotidiana patrimonial até a profissional; sendo, assim, um filme necessário que expõe toda a ignorância do patriarcado.




Nunca é tarde para se priorizar nas escolhas. Divulgação A2filmes.



É um excelente melodrama chinês sobre as cicatrizes do gênero, mas também de superação. Sua riqueza narrativa na crítica social é mostrar que nem mesmo a filha e outras mulheres estão salvas da engrenagem destrutiva do sistema. O elenco, liderado por Yong Mei, sustenta essa densidade com interpretações que equilibram dor e resistência, trazendo momentos emocionais típicos do Cinema Asiático que aproximam essas histórias de nossas vulnerabilidades e dores.



Li Hong deseja apenas viajar e permitir-se ver que há mais beleza na vida, mesmo sabendo que ela é curta demais. Nunca é tarde para retomar o controle da própria história. Esse é o verdadeiro despertar.




3,5



Imagens. Divulgação A2 Filmes.

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