Lançamento nos Cinemas: 16 de Abril
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Por Cristiane Costa, Editora e Crítica de Cinema | Especialista em Comunicação e Projetos
O universo da alta costura serve como o tecido conectivo em Couture (Vidas Entrelaçadas), dirigido e roteirizado por Alice Winocour, onde trajetórias distintas convergem sob o rigor e a estética da moda. No centro desse ecossistema está Maxine (Angelina Jolie), uma cineasta encarregada de documentar o desfile e que atravessa problemas de saúde. A narrativa também nos apresenta Ada (Anyier Anei), uma modelo sudanesa em ascensão; Angele (Ella Rumpf), uma maquiadora cuja observação atenta alimenta o desejo pela escrita; e Christine (Garance Marillier), uma costureira obstinada pela perfeição técnica. O longa, que chega ao circuito nacional via Synapse após sua estreia no Festival de Toronto 2025, foca no epicentro da Paris Fashion Week.
Embora essas vidas se entrelacem, o filme opta por mantê-las em órbitas independentes, mesmo que eventualmente se cruzem no espaço. Assim, desafia o público a decifrar vulnerabilidades que coexistem com o glamour, em um cenário onde a dor e a necessidade de superação são tão reais quanto as peças que desfilam na passarela. É nessa coexistência entre aparência e dor que a direção busca sua força, revelando que a adaptação é um elemento necessário mesmo em um ambiente projetado para a perfeição visual. A pesquisa de Winocour, que acompanhou desfiles por um ano para construir o roteiro, transparece nessa busca pela intimidade oculta atrás das passarelas.
Angelina Jolie demonstra uma presença de cena magnética e, apesar do desgaste histórico de sua vida pessoal e batalhas judiciais, continua consistente na atuação. É uma força impressionante de star power, especialmente por atuar em francês em um filme de perfil mais independente. Jolie empresta uma camada de realismo absoluto à Maxine ao lidar com o diagnóstico de câncer de mama, tema que ressoa diretamente em sua biografia pessoal e familiar. Contudo, o roteiro em si não ajuda essa densidade dramatúrgica, pois distribui o tempo entre as trajetórias cruzadas de forma que traz resultados contraditórios.
O filme coloca mulheres mais comuns ao redor da protagonista para construir os bastidores, em uma premissa promissora que conta com o senso aguçado da direção. Ainda assim, personagens como Maxine e Anton (Louis Garrel) acabam afetados por um texto que lança o drama, mas não o aprofunda na complexidade que ele mesmo sugere.
Um dos méritos de Winocour é abordar a alta costura de forma prática, sem glamourização excessiva. O foco reside nas vidas, o que permite investir nos silêncios, olhares e no isolamento das personagens dentro de um ambiente de muito agito e pouca comunicação. Personagens como Ada (Anyier Anei), Dr. Laurent Hansen (Vincent Lindon) e a própria Maxine (Angelina Jolie) entregam momentos interessantes, mas a narrativa mantém as histórias apartadas, deixando a sensação de que seria valioso conhecê-los mais a fundo.
O destaque para a revelação Anyier Anei é merecido; a atriz também traz paralelos de sua vida real, como a fuga do Sudão do Sul, para a construção da resiliência de Ada. O filme revela-se contemplativo ao observar o trânsito dos personagens. Porém, enquanto as cenas de Jolie com Lindon possuem substância, a participação de Garrel é lamentavelmente acessória, utilizando sua estética sem explorar seu potencial dramático.
Ao final, Couture mostra vidas reais em um universo de aparências, onde sonhos e adaptações coexistem de forma irregular. Quem salva a obra é o peso da atuação de Angelina Jolie e a força de Anyier Anei, que conseguem extrair o máximo da imagem quando o roteiro falha em aprofundar as complexidades propostas. É uma direção visualmente competente que tenta sustentar um entrelaçamento que, no texto, permanece na superfície.
Imagens. Divulgação Synapse para imprensa.



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