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Crítica | Caso 137: A Verdade sob Cerco

 



Lançamento de 16 de Abril nos Cinemas.


#CinemaFrances #Caso137 #DominikMoll #LeaDrucker #CríticaSocial  #MaDameLumiere #CriticaDeCinema #ThrillerPolicial #CesarAwards #CinemaAutoral #Dossier137





Por Cristiane Costa,  Editora e Crítica de Cinema | Especialista em Comunicação e Projetos





O thriller policial contemporâneo encontra em Caso 137 (Dossier 137) um exemplar que transcende o gênero para investigar as zonas cinzentas da moralidade e do pertencimento em uma Corregedoria Policial na França. Dirigido por Dominik Moll, o longa, que chega aos cinemas brasileiros pela Autoral Filmes após uma passagem prestigiosa pelo Festival de Cannes, coloca a policial Stéphanie (Léa Drucker) diante de um dilema que desafia sua objetividade técnica.



Ela conduz uma investigação após uma ocorrência durante uma manifestação caótica em Paris, envolvendo outros policiais como possíveis réus. A jornada se converte em um embate íntimo quando a identidade da vítima revela conexões com o passado da protagonista, forçando-a a equilibrar o rigor do dever com o peso emocional.




Léa Drucker, melhor atriz no César, Oscar Francês. Divulgação. Crédito: Autoral Filmes



Ainda que o roteiro não mergulhe em um suspense de reviravoltas profundas ou em uma tensão visceral, a narrativa é astuta ao entregar o suficiente para sugerir a impunidade. A violência se manifesta de forma institucional, residindo nos detalhes das sequelas e no modo como o sistema opera para proteger seus pares.


Stéphanie encontra-se no centro desse mecanismo, desafiada a conciliar sua identidade como peça de uma estrutura com seu desejo genuíno pela verdade. O filme utiliza registros de manifestações reais em Paris, incluindo os protestos dos Coletes Amarelos, para tecer uma crítica ao funcionamento do sistema policial francês, à quebra de confiança, e ao silenciamento que ele impõe, tornando evidente como as mulheres, em posições de poder, precisam se adequar para sobreviver em um ambiente patriarcal, onde homens se protegem mutuamente.





Divulgação. Crédito: Autoral Filmes



Nesse cenário de hostilidade sistêmica, o prêmio de Melhor Atriz no César para Léa Drucker revela-se absolutamente merecido. Drucker entrega uma interpretação pautada por um realismo rigoroso, utilizando nuances faciais intimistas sem jamais recorrer ao overacting. Interpretar uma policial de valores íntegros em uma instituição na qual parte da população já não acredita exige um repertório robusto. A atriz transita com naturalidade por esse terreno dramático, equilibrando a busca por justiça com as regras políticas sufocantes do sistema.



O filme de Moll termina por ser um exercício de lucidez sobre como a busca pela verdade pode ser minada por estruturas institucionais, deixando no espectador o gosto amargo de uma justiça que, embora buscada, permanece sufocada pelo poder.




3,5



Imagens. Crédito: Autoral Filmes.

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