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Crítica | O Mago do Kremlin: Entre o Teatro de Sombras e a Frieza do Poder





Lançamento de 09 de Abril de 2026


#Poder #Autoritarismo #PropagandaPolítica #CinemaEuropeu #OlivierAssayas #Adaptaçãolivro #GiulianoDeEmpoli #Rússia #PaulDano #AliciaVikander #JudeLaw




Por Cristiane Costa,  Editora e Crítica de Cinema | Especialista em Comunicação e Projetos




A política, sob o olhar de Olivier Assayas, não se constrói apenas de fatos, mas de encenação. Em O Mago do Kremlin, adaptação do livro homônimo de Giuliano da Empoli, acompanhamos a trajetória de Vadim Baranov (Paul Dano), um homem que troca o brilho dos reality shows e do teatro pelos bastidores gélidos do poder russo. Como braço direito de Vladimir Putin (Jude Law), sua missão é transformar a política em um grande espetáculo.






A adaptação de Assayas se apresenta como uma narrativa visual de contornos clássicos, ancorada por uma direção de arte e cenografia que buscam imprimir o peso da história russa na tela. Contudo, essa moldura institucional não é suficiente para sustentar o ritmo da obra, que percorre diferentes fases do país sem nunca abandonar uma passividade incômoda. O filme não atinge o realismo cru, tampouco se assume como uma encenação teatral deliberada; ele flutua em uma narrativa que, embora tecnicamente correta, resulta em uma experiência árdua e marcada pela frieza.



É importante pontuar que a obra não é um desastre estético. O problema reside na decisão do roteiro e, principalmente, da direção em optar por um discurso focado na narração em detrimento da ação. A narração de Baranov, embora registre sua experiência, não transmite a pulsação do poder. Como o protagonista é mantido em um isolamento quase absoluto, falta a interação fundamental que define a estratégia: o desafio, o embate e a jornada de quem realmente opera nos bastidores.







Fica evidente a ausência de momentos em que o protagonista tenha sido efetivamente desafiado em sua relação com Putin ou na implementação de suas táticas. Sem esse conflito pulsante, a construção do poder torna-se um conceito abstrato que não se sustenta diante da longa duração do filme. A esperada tensão com Vladimir Putin revela-se um distanciamento frustrante; a figura do líder surge sob uma interpretação que flerta com o passivo. Embora Jude Law tenha muito potencial, ele teve pouco espaço para a densidade capaz de provocar reação visceral.



Nesse mosaico histórico, o rastro emocional e a vulnerabilidade humana surgem apenas em breves passagens na relação entre Baranov e a personagem de Alicia Vikander. É nela que encontramos uma mistura de elegância e melancolia que humaniza a narrativa, trazendo um fôlego de sedução. No entanto, esses momentos de romance e conflitos entre o casal são insuficientes para conferir força a um roteiro que se estende demasiadamente.





Ao final, a austeridade de O Mago do Kremlin entrega pouco resultado. Sai-se da sessão com a sensação de que a tensão visceral e as manipulações estratégicas da geopolítica foram substituídas por uma colagem fatigante e arrastada. O filme falha em vender a própria tese da construção do poder, deixando o espectador diante de uma extensão que não se justifica.




2,5





Imagens Divulgação filmes. Distribuidora Imagem Filmes. Créditos foto: Carole Bethuel.


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