sexta-feira, 12 de junho de 2015

Festival Varilux de Cinema Francês 2015: Sexo, Amor e Terapia ( Tu veux ou tu veux pas) , de Tonie Marshall



Por Cristiane Costa


Com o expertise dos Franceses em realizar boas e divertidas comédias, raramente surge uma bomba cheia de clichês em seus lançamentos, porém o mundo do Cinema é cheio de altos e baixos e o Cinema Francês não está fora destas oscilações. Sexo , Amor e Terapia (Tu veux ou tu veux pas, 2014), filme de Tonie Marshall, com Sophie Marceau e Patrick Bruel é um recente exemplo de um filme com boa ideia porém de roteiro e execuções fracas . O resultado é um filme que combina com as medianas comédias "Globais" do Cinema Brasileiro e com uma direção que não aproveitou o potencial destes dois grandes atores franceses.

A história é uma comédia romântica adulta com clichês imaturos sobre a relação homem e mulher e situações normalmente inverossímeis que não aconteceriam na vida real. Judith Chabrier (Sophie Marceau) é uma mulher de espírito livre e que adora colecionar envolvimentos  fugazes com sexo casual e nenhum relacionamento mais afetivo. Lambert Levallois (Patrick Bruel) é um viciado em sexo que está participando de um grupo de apoio e em tratamento de abstinência sexual. Após a chegada de Judith à Paris, eles começam a trabalhar juntos como terapeutas de casais e começam a se sentir atraídos um pelo outro, mas Lambert faz de tudo para evitar transar com Judith.  Por outro lado, Judith começa a se apaixonar por Lambert e controlar sua vontade por sexo.






A ideia do script e o background de ótimas comédias Francesas poderiam render um ótimo filme, no entanto, o roteiro tem falhas claras de como Lambert e Judith se conhecem e convivem um com o outro, sem uma lógica e desencadeamento de acontecimentos muito estruturado. Um dos exemplos é como começam a trabalhar juntos de uma hora para outra como se arrumar um emprego de terapeuta fosse a coisa mais fácil do mundo. Sophie Marceau, embora muito talentosa e carismática, se vê obrigada a performar vários clichês baratos como a mulher que  quebra o salto  na frente de um homem, tem que virar o bumbum de um lado para o outro para mostrar seus dotes físicos e se oferece como uma desesperada para um homem que a evita de várias maneiras. 




O charmoso ator e cantor Patrick Bruel, no auge de sua simpatia e beleza maduras, também não tem como desenvolver todo o seu potencial cômico em cena. Seu personagem é um homem que fica travado na masculinidade por conta do rehab sexual. O roteiro não lhe oferece muita amplitude e profundidade de desenvolver o seu personagem no que se refere à própria abstinência sexual e o coloca em situações irrealistas na qual um homem ou uma mulher viciada em sexo cederia facilmente à transa. Com uma estonteante Sophie Marceau ao lado, o filme é uma grande fantasia pois um homem heterossexual não aguentaria as investidas de Judith por mais romântico e poliano que o público tente ser.




Sexo , Amor e Terapia é uma diversão apenas para prestigiar o carisma de Sophie Marceau e Patrick Bruel e se tiver tempo para assistir a um filme cheio de clichês de um homem e uma mulher que se apaixonam e demoram para se acertarem na relação. A direção de Tonie Marshall é ligada no piloto automático e não fez nenhum sacrifício para melhorar este roteiro fraco, como por exemplo, explorar o lado mais cômico-dramático de ser um(a) viciado(a) em sexo e de ter dificuldades de amar uma  pessoa. O que incomoda é a reunião de clichês que deixam o longa-metragem artificial para contar um romance.



Patrick Bruel, em entrevista para o público durante o Festival, diz que gostou das cenas que eram mais improvisadas e que a história tinha potencial para ser melhor aproveitada, além de mencionar que nem sempre o ator tem autonomia para mudar a rota de um filme. Certamente, com um depoimento sincero como este, fica claro que o longa-metragem optou por um caminho mais fácil na execução e os experientes atores pouco tinham a fazer além do orientado. As únicas cenas que são mais honestas no campo dos relacionamentos amorosos  são quando os apaixonados percebem as boas qualidades um do outro e interagem com maior espontaneidade. Nesses momentos, quem gosta de comédias românticas mais realistas e honestas com o público, sentirá o bom e velho afeto que faz toda a diferença quando se fala de Amor no Cinema.






Ficha técnica do Imdb Sexo, Amor e Terapia

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