As imortais comédias românticas do final dos anos 30 e início dos 40 como   Do Mundo nada se leva  de Frank Capra (1938),  Jeju...








As imortais comédias românticas do final dos anos 30 e início dos 40 como  Do Mundo nada se leva  de Frank Capra (1938), Jejum de Amor de Howard Hawks (1940) e Núpcias de um escândalo de George Cukor (1940) têm alguns pontos em comum que refletem o contexto da Grande Depressão, o comportamento da alta sociedade Americana, a influência do Jornalismo e a importância dada à matéria de capa e a combinação romântica entre pessoas de classes sociais diferentes. Esses roteiros também foram adaptados de peças teatrais e significam um bem sucedido entretenimento para o público, rendendo prêmios importantes como o Oscar. Em Núpcias de Escândalo, dirigida por George Cukor e com produção de um dos mais influentes da época, Joseph Mankiewicz, o script é de Donald Odgden e Waldo Salt baseado na peça de Philip Barry e, em 1941, venceu o Oscar de melhor roteiro adaptado além de melhor ator coadjuvante para James Stewart.



Com a elegante e impactante presença de Katharine Hepburn como Tracy Lord, uma socialite da Philadelphia que separou-se do ricaço C.K. Dexter Haven (Cary Grant) e está às vésperas de seu segundo casamento com George Kittredge (John Howard), outro ricaço. O editor de uma revista local pressiona o escritor Mike Connor (James Stewart) a realizar uma matéria sobre o dia a dia da noiva. Mike não aceita muito bem esse tipo de trabalho jornalístico mas precisa de dinheiro. Ele e a fotógrafa Imbrie (Ruth Russey) com o qual mantém um affair são recebidos na casa de Tracy e essa aproximação entre  todos eles e os familiares influencia os rumos do casamento e do comportamento da socialite.





Katharine Hepburn entre 3 homens: Libertador para a época



Núpcias de Escândalo é uma comédia romântica sofisticada e cheia de graça. Mesmo que ocorra em um ambiente da alta sociedade, os personagens são desprovidos da arrogante e extrema ostentação e a empatia do elenco é naturalmente desenvolvida. Para começar o  sabor elegante da comédia, a forma como a câmera enquadra Katharine Hepburn  ressalta o espírito de deusa que ela tem na narrativa. Tracy é a protagonista e contracena essencialmente com três homens que a elogiam e a admiram, cada um à sua maneira. Dexter ainda mantém o afeto por ela mas ambos se enfrentam como um pé de guerra . Mike é o escritor, o homem modesto que não deseja fazer a matéria mas se aproxima de Tracy, aprende a revelá-la e fica fascinado pelo que está atrás das aparências. George é o homem de negócios emergente, vaidoso e possessivo que tem em Tracy sua grande conquista. No meio deles está Hepburn em estado de graciosidade sem deixar de expor o lado mulher mimada, segura de si e arrogante da socialite.  A atuação dela é excepcional e ela reina nas cenas como fundamental para o êxito da história. Bastante refinada, feminina e com competência técnica nos diálogos, Hepburn sabe valorizar o seu próprio papel e, ao mesmo tempo, ceder espaço para o brilho de seus companheiros de elenco.




Katharine Hepburn e Cary Grant : uma relação mal resolvida


No desenvolvimento da narrativa, o roteiro faz mais a diferença do que a direção que, ainda assim, é excelente. Logo no início, uma inesquecível sequência de planos digna de homenagear os trejeitos físicos do Screwball e o saudoso Charles Chaplin. Os diálogos inteligentes e sedutores têm bom timing cômico e a escolha do elenco é aderente à função dramatúrgica de cada personagem, o que é fundamental para essa história porque fala de transformação mais humanizada de uma socialite. Tracy é vista como deusa e mantém um comportamento duro consigo mesma e com os outros. De certa forma, ser considerada uma deusa poderia ser um elogio de beleza e de inspiração mas na história isso precisa ser quebrado sem depreciar o valor de Tracy, de suas virtudes e emoções. Ela tem que ser mais sensível à fragilidade dos outros e a de si, ouvir o seu coração. Para viabilizar essa mudança na história, o papel de James Stewart é essencial. Merecidamente ganhador do Oscar, ele surge como essa figura mais humilde, sincera e de nível social inferior para quebrar essa casca da elite Americana. De maneira bem apropriada, ele é um outsider que mostra o reflexo da fusão entre classes durante a Grande Depressão Americana e passa de  um comportamento reativo inicial e pouco confortável para outro completamente diferente e mais cômico. A finèsse e charme de Cary Grant continuam intocáveis e, embora tenha um personagem mais  briguento e orgulhoso, suas falas cortantes e irônicas são imperdíveis, em especial, ao lado de Hepburn com a qual ele trabalhou em Levada da Breca (1938).


Considerada uma das comédias mais brilhantes pelo American Film Institute, Núpcias de Escândalo tem um importante componente de libertação feminina para a época, certamente um choque para os conservadores. Como o sexo  ainda era bem encoberto pela censura, os roteiristas criavam histórias que em momentos específicos sugerem discretamente a sexualidade e o faziam muito bem nas comédias românticas. Ao inserir Tracy entre três homens que a desejam, dar a opção para ela tomar decisões afetivas (inclusive flertar e beijar mais de um homem) e provocar no público a curiosidade com quem ela ficará no final, o longa é mais convidativo e revelador. É um presente cinematográfico que atravessa décadas e continua com um humor cheio de frescor e romantismo para celebrar o Amor. 







Ficha técnica do filme no ImDB Núpcias de Escândalo

Rapidinhas no MaDame: Porque o que importa é o prazer da Cinefilia Sobre a história:   Acidentalmente, Lucy ...

Rapidinhas no MaDame:
Porque o que importa é o prazer da Cinefilia







Sobre a história:  Acidentalmente, Lucy (Scarlett Johansson) é obrigada a ser mula para um sanguinário traficante internacional Mr Jang (Min-Sik Choi).
 Após uma rara e potente droga vazar em seu corpo, sua capacidade cerebral aumenta continuamente, ela se transforma em uma heroína de poderes sobre-humanos e procura a ajuda do professor Norman (Morgan Freeman).

Opinião Geral sobre o filme:  Lucy é um sci fi de ação com o estilo Luc Besson de dirigir protagonistas justiceiros com sede de vingança e dispostos a atirar nos inimigos e destruir carros e quarteirões, sempre por uma boa causa pois tem suas vidas impactadas em um dia comum. Ele assina este roteiro e retorna ao Sci fi de sua época de O Quinto Elemento; a diferença é que ele se arrisca mais porque a história é uma completa "viagem", principalmente mais ao desfecho e deve ser desfrutada mais pela ideia de uma droga que altera a capacidade cerebral e  extrapola a limitação humana e, também, pela principal virtude de Besson de realizar ação com bom gosto e explosiva energia. Considerando seus últimos filmes de sólidas franquias de ação e que priorizaram homens como Liam Neeson (Busca Implacável) e Jason Staham (Carga Explosiva), Lucy é uma boa pedida porque a heroína é uma mulher e, felizmente, bem superior à Zoe Saldana no fraco Colombiana. A direção continua redonda e dinâmica para a ação com ótimos momentos nas lutas físicas e perseguições a carro e o elenco coadjuvante com Morgan Freeman e Min-Sik Choi dá um peso maior em cenas decisórias.


O desprazer: A história é desprovida de melhor clareza e dá a entender que o Besson não conseguiu explicar tudo o que queria. Ficam as questões: Qual era a sua verdadeira intenção? Apenas ação ou uma reflexão? Inovação no roteiro? Ou tudo junto e misturado? Nos planos mais finais, perde em ação e exige que o expectador entenda o raciocínio. Para quem gosta de Luc Besson somente por causa da ação, poderá estranhar o desfecho.


Por que vale a rapidinha?  Scarlett Johansson em sedutora ação e preparada para matar. É bom ver o toque oriental de Min-Sik Choi como um vilão.










Ficha técnica ImDB Lucy

Rapidinhas no MaDame: Porque o que importa é o prazer da Cinefilia Sobre a história:   Best seller da escritor...

Rapidinhas no MaDame:
Porque o que importa é o prazer da Cinefilia






Sobre a história:  Best seller da escritora Verônica Roth baseado em uma ficção distópica juvenil, Divergente narra sobre um mundo dividido por facções: Abnegação, amizade, audácia, franqueza e erudição. Quem não pertence às facções são como pessoas não reconhecidas pela sociedade. Na hora determinada para escolher a facção,  Tris (Shailene Woodley) toma a decisão pela audácia mas ela é uma Divergente. Divergentes são uma ameaça para essa sociedade. Junto com o misterioso Four (Theo James), ela precisará lutar contra as forças inimigas.



Opinião Geral sobre o filme:  Divergente é um híbrido de sci fi, ação e suspense e é mais uma distopia dos blockbusters como Jogos Vorazes, Maze Runner e o Doador de Memórias.  Entretém e, por ter um público fiel, mantém a curiosidade sobre a adaptação dos próximos livros e tem um atrativo a mais: romance. A química entre Shailene Woodley, mais atlética e heroína, com o sarado Theo James contribui bastante para o longa, afinal as afinidades vão além da atração física e eles tem um ponto em comum que, para o roteiro, era necessário Tris ter um aliado. A ideia de ser Divergente e não aceitar uma sociedade que dita as regras e escraviza as pessoas é positiva para uma franquia juvenil ao misturar esse apelo rebelde e de procurar as próprias respostas. Tris é uma jovem em amadurecimento. Descobre sua força e o amor pela primeira vez. Como pontos técnicos positivos, vale ressaltar que estão a direção de arte que recria uma Chicago em versão distópica e futurista e não descaracteriza muito a arquitetura mais antiga e sombria da cidade e a preparação de atores e dublês para as cenas de exigência mais física como as lutas e saltos.


O desprazer: Shailene Woodley é boa atriz para esse tipo de filme mas não tem a força dramática mais heróica e madura de Jennifer Lawrence em Jogos Vorazes e não é apoiada por experientes coadjuvantes, por isso precisará atuar melhor para integralizar esse papel nos próximos filmes.


Por que vale a rapidinha?  Ação e romance para uma diversão descomplicada.







Ficha técnica ImDB Divergente

MaDame Noir: O melhor do Film Noir por MaDame Lumière Com direção de Jacques Tourneur e adaptado do romance Build My Gal...


MaDame Noir:
O melhor do Film Noir
por MaDame Lumière








Com direção de Jacques Tourneur e adaptado do romance Build My Gallows High de Daniel Mainwaring, que o escreveu sob o pseudônimo de Geoffrey Homes e trabalhava como réporter no San Francisco Chronicle, Fuga do Passado é um dos melhores Noir de todos os tempos e é clássico fundamental na filmografia do gênero por ter primorosa estrutura narrativa, excepcional direção e uma atuação objetiva e consistente do elenco.


Seguindo uma coesa estrutura presente - passado - presente muito bem articulada e uma das mais magníficas nos grandes noir,  a história apresenta Jeff Markham (Robert Mitchum), um ex-detetive que trabalhava para o apostador Whit Sterling (Kirk Douglas). Fora do submundo, agora Markham vive em uma pequena cidade da California, está apaixonado por uma bela e gentil mulher, Meta (Rhonda Fleming) e trabalha em um posto de gasolina. Ao receber a visita de um dos capangas de Sterling, a paz de Markham é impactada e o passado vem à tona, ele terá que reencontrar Sterling e fazer mais um servicinho ao corrupto. Na sequência, com alternância para flashback e em belíssimo plano em um carro em movimento e com narração, Markham começa a contar o segredo para Meta. No passado, Sterling o contratou para encontrar a femme fatale Keith (Jane Greer), que havia atirado em Sterling e lhe roubado uma quantia. Markham se envolve passionalmente com Keith e , com a  narrativa retornando ao presente, uma trama de traição, paixão, corrupção e jogos ambíguos coloca em risco a vida do detetive.


Fuga do Passado é um noir único, daqueles que tem uma história inesquecível de um herói comum que só precisava de uma chance para ser feliz mas está condenado pelo destino. Robert Mitchum, em excelente performance, é o herói boa gente, apaixonado e cercado por armadilhas e, portanto, ele é essencialmente trágico. Ele não consegue escapar do próprio passado por mais que tenha fugido dele. O submundo o persegue e idiotas como Sterling também.  Para complementar mais um atrativo componente da história surge a hipnótica Jane Greer na pele da dissimulada Keith. Com sua elegância, seus olhos apaixonados e juras de amor à Markham, essa mulher é um problema desde o início. Ela é tão envolvente que é possível acreditar nela e, por isso,  se destaca como uma das mulheres noir mais cínicas e sedutoras da história. 


Mesmo com estética similar  a outros noir e um tempo narrativo que usa flashbacks, o longa tem seu brilho próprio. Basta observar o plano mais inicial que o capanga de Sterling dirige um carro e a câmera estática faz o expectador acompanhar o trajeto. Com cortes bem definidos e um detetive misterioso que contrasta com o local, ele encontra Markham e sugere que não haverá mais paz, o ex-detetive terá que retornar à Nova York e lidar com o vingativo gângster.  A linguagem cinematográfica dessa sequência já orquestra magnificamente o tom do filme com um homem da cidade grande que retorna do passado para incomodar o presente alheio em uma cidade interiorana. Jacques Tourneur faz um trabalho sólido de direção na alternância dos tempos narrativos, incluindo também planos gerais e diurnos com locações no interior dos USA e México e ambiente noturno e urbano, com uso premeditado de fotografia noir de baixa iluminação e sombras. Essa versatilidade da atmosfera visual enriquece bastante a experiência com o longa e varia o espaço em comparação a outros noir que usam locações mais internas como casas, escritórios e bares. Aqui é possível ver cachoeira, rio e praia, por exemplo. O filme também se destaca por ter alguma fotografia mais solar que é ressaltada pelo plano geral em paisagens. Essa alternância claro e escuro é um bom recurso e contrasta bem a dicotomia paz do interior x o submundo  da cidade. No interior está  o novo amor de Markham e seu leal ajudante surdo-mudo. Na cidade está o mundo gângster e a ex-amante de caráter duvidoso. 







Como de costume, os diálogos são muito bons. O texto é tão excelente que a narração de Markham tem um forte teor intimista que possibilita ao público acreditar muito mais no que ele está falando e sentindo. Os pontos de virada são surpreendentes e ressaltam a função dramatúrgica de Markham como um herói predestinado ao infortúnio. Porém, aqui há um diferencial que agrega muito valor: o romance entre Markham e Keith. Este noir é tipicamente romântico em parte relevante da projeção, principalmente no primeiro ato do passado quando ambos se conhecem. A paixão é irresistível e faz perder o bom senso de que podem ser descobertos e perseguidos por Sterling. Os diálogos entre eles têm uma emoção de "viver aqui e o agora, apenas nós dois" embalados por uma trilha sonora comovente.  As cenas são belíssimas e tem um efeito cinematográfico fascinante nos beijos,  declarações de amor e na tensão sexual dos amantes, certamente a química e o texto entre Robert Mitchum e Jane Greer é um dos pontos altos. Além do mais, a relação é polarizante, ou seja, vai da paixão e das promessas de amor até o sarcasmo, mentiras, a desconfiança e a obsessão.  Como coadjuvante, Kirk Douglas completa o triângulo amoroso,  é obcecado por Keith e está disposto a tê-la como uma prisioneira.  Todas essas relações se tornam dolorosamente dramáticas no  encontro e desencontro dos amantes e valorizam Fuga do Passado não somente como um fascinante suspense mas um drama noir pautado no romantismo e na obsessão.








Ficha técnica do filme ImDB Fuga do Passado

Revigorante. Apaixonante. Cômica. Charmosa. Estes adjetivos ainda seriam insuficientes para elogiar o encantador trabalho de Howard...







Revigorante. Apaixonante. Cômica. Charmosa. Estes adjetivos ainda seriam insuficientes para elogiar o encantador trabalho de Howard Hawks em Bola de Fogo, uma  comédia inesquecível com um lindo e tentador casal: Gary Cooper e Barbara Stanwyck. Com roteiro que realiza uma releitura do Clássico Branca de Neve e os sete anões e é assinado por Billy Wilder e Charles Brackett, o filme mantém uma originalidade muito atraente na história e subverte os papéis de príncipe  e Branca de Neve na qual  é Stanwyck que toma a iniciativa do flerte, libera seu energizante sex appeal para conquistar o tímido professor interpretado por Cooper e é o brilho estelar do longa do começo ao fim.

Sugarpuss O'Shea (Stanwyck) é cantora e namorada do gângster Joe Lilac (Dana Andrews). Professor Bertram Potts (Cooper) está realizando uma pesquisa de campo linguística para finalizar uma enciclopédia e a conhece em um clube. Sugarpuss se mete em uma confusão por causa do namorado mafioso e, para fugir da polícia, ela se esconde na casa que Potts vive com mais sete professores idosos. Ela é tipo uma Branca de Neve moderna, cheia de charme e espontaneidade e de de língua afiada no meio de tantos homens educados, experientes e conservadores, logo do convívio entre ela e os professores nasce uma afetuosa amizade e um envolvimento amoroso com Potts.





A narrativa é bem dirigida pelo toque de Midas da direção de atores de Hawks. Com um texto muito bom que só poderia ter a assinatura do talentoso Billy Wilder e com um elenco divertidíssimo, Bola de Fogo tem um efeito incendiário na tela a partir do momento que Barbara Stanwyck entra no clube e canta Drum Boogie. Mais adiante, ela irradia a tela com seu vestido brilhante com fendas que mostram suas belas e voluptuosas pernas e traz o componente do sexo discreto com seu estilo elegante, mas direto. Pode-se dizer que o filme é dela que atua como uma  força magnética que hipnotiza os olhares. 


O longa é um primor na mistura de afeto com humor. Com uma combinação de romance com comédia screwball, o roteiro dinâmico surpreende ao inserir a releitura do clássico  com muita inteligência e no qual os professores convivem juntos para terminar a elaboração de uma enciclopédia. Com isso, surgem outras conversas paralelas para enriquecer os diálogos ágeis típicos da influência do screwball. O roteiro também acerta ao não dar todas as cartas do romantismo logo de cara. Pelo contrário, Potts é todo desengonçado e tímido e, como ocorre também no screwball, existe uma inicial e ligeira guerrinha entre os apaixonados antes de se renderem por amor. Gary Cooper e Barbara Stanwyck tem uma combinação tão deliciosa que, além da química física, são incrivelmente fofos. Só resta enfatizar que essa comédia é uma fofura, clássica e atemporal.







Ficha técnica do filme ImDB Bola de Fogo

MaDame Pipoca: Seleção de filmes imperdíveis Martin Scorsese: diretor completo, em atividade   e essencial na história do Cinema...

MaDame Pipoca:
Seleção de filmes imperdíveis





Martin Scorsese: diretor completo, em atividade  
e essencial na história do Cinema Americano completa hoje 72 anos




Hoje é o B-Day de um dos melhores diretores de Cinema do MUNDO, Martin Scorsese. Para celebrar (e honrar com muitos agradecimentos a ele por tanto talento e esforço), o MaDame preparou uma seleção de filmes imperdíveis para você conhecer (ou revisitar) a obra do Grande Mestre. 

Com uma infância debilitada por ser asmático, Scorsese é um exemplo de um diretor batalhador e apaixonado por Cinema. Foi criado na Little Italy, reduto da Máfia  no Lower East de NY e em família cristã. Suas memórias da infância e adolescência foram referências fundamentais para construir o seu Cinema único e também, servem de superação como produtor e diretor excepcional no Cinema Americano, se destacando como um dos maiores estudiosos da Sétima Arte e com vasto conhecimento enciclopédico sobre ela.


Ainda em atividade e totalmente adaptável às mudanças no mercado Hollywoodiano entregando bons filmes como O Lobo de Wall Street,  Hugo e Uma Carta para Elia, Scorsese é um dos melhores narradores de histórias que retratam essa América que também foi construída com muito sangue e violência.  Na seleção a seguir, muito baseado em seus filmes emblemáticos e obrigatórios para qualquer amante do bom Cinema e com o seu ator fetiche na época, Robert de Niro, Scorsese demonstra mais uma vez ser um Cineasta que conhece o ser humano e como retratar a violência profundamente. Prepare a pipoca e Clap Clap para Scorsese!




10º  Cabo do Medo 
(Cape's fear) - 1991 






Max Cady (Robert de Niro), um criminoso psicopata é libertado da prisão e retorna para perseguir e amedrontar  a família do seu advogado.

Top imperdível:  Um filme com forte influência de Hitchcock, a desconstrução da família de classe média Americana e a excepcional (e atrativa) atuação de Robert Niro, um criminoso com  forte apelo erótico.




9º  Depois de Horas
(After hours) - 1985





Paul Hacket (Griffin Dunne) é um operador de computador que tem o pior dia da sua vida após decidir encontrar uma garota.


Top imperdível: Um dos filmes mais subestimados de Scorsese é uma comédia  fascinante de humor negro e uma descida a um inferno pessoal, recheada de situações  que colocam o personagem em um ambiente de perigo, violência e paranoia. É a faceta cronista de Scorsese em mais uma brilhante direção na forma de expor a violência urbana detonada em um dia comum  que poderia ter dado certo.




8º Ilha do Medo
(Shutter's Island) - 2010





O policial Teddy Daniels (Leonardo Di Caprio) investiga o desaparecimento de um assassino insano que escapou de um hospital psiquiátrico.

Top imperdível:Um filme claustrofóbico e tenso com o horror da insanidade, do medo e da desconfiança. Excepcional direção de Scorsese em um clima constante de loucura e mistério. 



7º A época da inocência
 (The Age of Innocence) - 1993




Na Nova York do século 19, Newland Archer (Daniel Day Lewis) é um advogado e está noivo de May Welland (Winona Ryder), porém é tomado pela paixão por uma mulher separada, Ellen Olenska (Michelle Pfeiffer).

Top imperdível: Atuação excelente do trio de atores e a direção sublime e expressiva de Scorsese que apresenta todo o ambiente  e os mecanismos dessa sociedade cuja violência é psicológica, cheia de sutilezas e ironias. 



6º O Rei da Comédia
(The King of the comedy) - 1982





Rupert Pupkin (Robert de Niro) é um aspirante a comediante que começa a perseguir o seu ídolo Jerry Langford (Jerry Lewis).

Top imperdível: Outro filme bem subestimado de Scorsese é um excelente exemplo de violência pela obsessão. Em versátil atuação de Robert de Niro e seu bom humor falante, a câmera de Scorsese coloca Rupert como insana pessoa para a observação do público.



5º Cassino
Casssino - 1985





Com dois narradores mafiosos, Sam "Ace" Rothstein (Robert de Niro) e Nicky Santoro (Joe Pesci), Las Vegas e o universo do crime organizado é mapeado em toda a sua fachada de ilegalidade e mentira.

Top imperdível:  Mostra ascensão e a queda de um homem em uma cidade artificial como Las Vegas construída com prostituição, lavagem de dinheiro e muita corrupção da máfia.


4º Os infiltrados
(The Departed) - 2006





Billy (Leonardo di Caprio) é um policial que se infiltra em uma gangue mafiosa liderada por Frank Costello (Jack Nicholson)

Top imperdível: Excelente roteiro com eletrizante suspense policial, criando uma teia de traições em toda a projeção. As atuações coesas de Leonardo di Caprio, Matt Damon e Jack Nicholson demonstram o cinismo e a corrupção deste frágil mundo.


3º Os bons Companheiros
(Goodfellas) - 1990





O cotidiano violento da máfia é apresentado através da vida de Henry Hill (Ray Liotta) e seus amigos como um fluxo de memórias.

Top imperdível: Scorsese apresenta a máfia institucionalizada como um exímio antropólogo, destacando o fascínio por esse universo e sua apurada direção que enfoca a violência de forma mais orgânica.


2º Touro indomável
(Raging Bull) - 1980






Jake La Motta (Robert de Niro) é um boxeador que vai do estrelato à queda com seu comportamento autodestrutivo, afetando a ele e todos ao redor.

Top imperdível: Um drama nevrálgico de um homem que não sabe lidar com a própria violência e mais um fascinante personagem violento e deslocado da filmografia essencial de Scorsese. Também Jake La Motta é retratado com um importante aspecto de martírio, levando porradas no ringue e na vida como uma iconografia cristã, tão recorrente na obra do diretor.


1º Táxi Driver
(Taxi Driver) - 1976






Travis Bickle( Robert de Niro) é um taxista e ex-veterano de guerra que tem a violência incorporada na memória. Em contato com a decadente Nova York, decide proteger Iris (Jodie Foster), uma prostituta mirim  e canaliza sua instabilidade mental e comportamento violento.

Top imperdível: A magnífica direção de Martin Scorsese e a icônica atuação de Robert de Niro entra na mente de Travis  e demonstra a solidão, a insanidade, o deslocamento e a violência em uma NY sem saída .

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