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Crítica | A Morte de Robin Hood (The Death of Robin Hood)

 



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Por Cristiane Costa,  Editora e Crítica de Cinema | Especialista em Comunicação e Projetos




A desconstrução do heroísmo tradicional encontra em A Morte de Robin Hood (The Death of Robin Hood, 2026) uma premissa corajosa ao recusar a cartilha habitual das grandes aventuras de entretenimento. Conduzido pela assinatura contemplativa de Michael Sarnoski, o longa opta por despir o mítico arqueiro de qualquer nobreza romântica para investigar a crueza do tempo, o desgaste físico e o peso moral de uma existência moldada pelo derramamento de sangue. Trata-se de uma abordagem revisionista legítima, que busca no confinamento e na decadência corpórea a substância de um acerto de contas tardio com o próprio passado.








A direção visual constrói uma cartografia sensível dessa jornada fúnebre por meio de uma fotografia que dialoga com as oscilações anímicas do protagonista. Planos abertos demarcam a frieza cortante das florestas e a rispidez de cenários sombreados pela violência em chamas, funcionando como marcadores temporais de uma época sanguinária. Contudo, ainda que a atmosfera estética sugira a aspereza daquele universo, a força plástica dos enquadramentos encontra limites evidentes na rigidez do próprio texto, revelando uma narrativa que muitas vezes confunde silêncio reflexivo com estagnação dramática.



O principal entrave da obra reside na montagem irregular e na incapacidade do roteiro em transformar o luto do protagonista em uma evolução interna palpável. Ao desenhar um Robin Hood deliberadamente impenetrável e endurecido, o filme afasta a plateia de suas dores mais íntimas, privando o herói de nuances humanas que pudessem criar pontes de verdadeira empatia antes do desfecho. As pistas narrativas surgem dispersas ao longo do percurso, introduzindo figuras e revelações que perdem impacto por chegarem tarde demais, quando o tempo dramático já se encontra praticamente esgotado.








No campo das atuações, Hugh Jackman oferece uma entrega admirável ao se desvencilhar de qualquer vaidade cênica para abraçar a decrepitude de um mito em ruínas, enquanto Jodie Comer confere uma presença magnética e sutilmente intrigante, equilibrando doçura, discrição e sabedoria em cena. A dinâmica entre ambos e a interação com a figura infantil pontuam breves respiros de afeto na tela, ainda que personagens secundários permaneçam subutilizados dentro da engrenagem minimalista proposta pelo diretor.



O desfecho resgata a força da obra ao alcançar um lirismo comovente e profundamente literário, convidando a plateia a refletir sobre os resíduos da raiva, dos erros e das violências cotidianas que inevitavelmente cobram seu preço na velhice. Essa beleza poética final, contudo, destaca-se em demasia do restante da projeção, ressaltando o descompasso entre a potência lírica do encerramento e a aridez do trajeto. Por sustentar sua coragem temática e o vigor de seu elenco central, mesmo tropeçando no ritmo e na densidade de sua construção, a produção firma-se como uma experiência respeitável, ainda que distante de seu potencial máximo.






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