Por Cristiane Costa
"Um Reencontro" (Une Rencontre) é um filme de desencontros. Para o novo longa de Lisa Azuelos, o título em inglês "Quantum Love" é mais apropriado: é uma comédia romântica ambientada em Rennes (França), que enfoca dois protagonistas em idade madura e um argumento mais original que explora a metafísica do amor quântico. Em plena boa forma física, bela e encantadora, Sophie Marceau interpreta Elsa. Divorciada e mãe de dois filhos, eventualmente, ela tem encontros sexuais com um homem mais jovem, Hugo (Niels Schneider). Com seu vigor, Elsa dedica-se à carreira de romancista, gosta de sair com as amigas e é amorosa com os filhos. Certo dia, na festa de um amigo, conhece Pierre (François Cluzet), um advogado charmoso e gentil. A atração entre eles é irresistível. Ela encontrou um homem aparentemente perfeito? Não. Ele é casado com Anne (Lisa Azuelos). Elsa não tem como propósito de vida ser uma amante.
A boa vontade do argumento está em propor uma história sobre ética amorosa. A dúvida existe para os dois lados: Elsa vai destruir um casamento em troca de sua potencial felicidade afetiva? Pierre abandonará a esposa e filhos que tanto ama? O reencontro é uma possibilidade de deixar a porta aberta para as idas e vindas do amor, o que é óbvio, no entanto, neste roteiro, ele não leva a relacionamento real algum e, nisto reside um dos seus aspectos falhos: desenvolvimento da narrativa. Azuelos não aprofunda os personagens e se preocupa mais em construir planos que funcionam como respostas para recorrentes perguntas "e se isso acontecesse, como seria?". O filme se torna uma fantasia entre duas pessoas que já passaram da idade para agir como adolescentes e, quando espera-se algo mais palpável e realista, nada acontece entre os amantes. Desta forma, o longa é uma experiência imaginária, bem fantasiosa, pois, dificilmente, um homem resistiria a Sophie Marceau e seria tão travado com o personagem de François Cluzet, mesmo os bem casados. Também, considerando os comportamentos de Elsa e Pierre, imersos no "what if" da paixão, esta história funcionaria melhor se os protagonistas tivessem entre 20 e 30 anos.
Para uma melhor experiência com "Um Reencontro", ele tem que ser degustado sob a perspectiva da direção de Lisa Azuelos, para este caso em específico, já que ela é o tipo de diretora "Ame ou odeie" e que parece gostar de infantilizar seus filmes, basta assistir a "LOL" (Morrendo de rir) que não teve boa recepção pelo público e crítica. Aqui, ela evolui um pouco mais na batuta da direção e aprecia a inventidade de elaborar sequências de planos nos quais ela mescla música com cortes de vídeos marcados por mudanças na relação tempo - espaço, como por exemplo, uma mulher entra pela porta de um cômodo da casa e saí em uma festa em outro local, como usado na vídeo clipagem. Este tipo de recurso funciona bem nessa história por causa do fluxo imaginário dos protagonistas, além de combinar uma direção que brinca com os planos com uma comédia romântica que tem o carisma de Sophie Marceau e François Cluzet e uma boa vibração no seu visual. Embora pouco aproveitados pela história, eles têm experiência em comédias ligeiras, luminosidade em seus sorrisos, uma simpatia natural e uma química charmosa que seduz o público a ter vontade de que eles se envolvam amorosamente. Nas melhores cenas de paixão entre os dois, a vontade é dizer: dane-se a ética amorosa! Carpe diem!
Ficha técnica do filme ImDB Um Reencontro
Distribuição : Pandora Filmes



0 comments:
Caro(a) leitor(a)
Obrigada por seu interesse em comentar no MaDame Lumière. Sua participação é essencial para trocarmos percepções sobre a fascinante Sétima Arte.
Este é um espaço democrático e aberto ao diálogo. Você é livre para elogiar, criticar e compartilhar opiniões sobre cinema e audiovisual.
Não serão aprovados comentários com insultos, difamações, ataques pessoais, linguagem ofensiva, conteúdo racista, obsceno, propagandista ou persecutório, seja à autora ou aos demais leitores.
Discordar faz parte do debate, desde que com respeito. Opiniões diferentes são bem-vindas e enriquecem a conversa.
Saudações cinéfilas
Cristiane Costa, MaDame Lumière