sábado, 21 de maio de 2011

Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau) - 2011



Quando se fala em destino, muitas questões surgem sem nenhuma resposta clara que ilumine o mistério que representa o futuro de cada um de nós. Todo destino está traçado desde o nascimento? Quem faz o destino? Somos nós mesmos que o traçamos a partir de nossas escolhas baseadas no livre arbítrio? Ou uma força superior? É melhor pensar que há um futuro predestinado ou acreditar que o livre arbítrio pode mudar cada dia da existência? E quando circunstâncias indesejadas nos levam a uma jornada distinta do que realmente queremos para nossas vidas, é possível recomeçar, lutar contra adversidades e encontrar um novo caminho? Nossos destinos nos farão pessoas mais amadas e felizes? Perguntas como estas são comuns ao assistir o híbrido romance-suspense-sci-fi Os Agentes do Destino, primeiro longa dirigido e roteirizado por George Nolfi e baseado no conto Adjustment Team de Phillip K. Dick, autor cujas obras inspiraram filmes sci-fi como Blade Runner e o Vingador do Futuro.






David Norris (Matt Damon) é um político promissor que concorre ao Senado Americano, porém um escandâlo de ruidosa repercussão midiática faz sua campanha naufragar assim como o seu favoritismo. Ele conhece a bela e atrativa bailarina Elise (Emily Blunt) em uma situação inesperada: no banheiro masculino e antes de uma coletiva sobre sua derrota. Imediatamente se sentem atraídos um pelo outro com uma irresistível química à primeira vista. Elise o inspira a realizar um discurso espontâneo que acaba por dar um frescor à carreira política de David. Em mais uma situação inesperada, eles se encontram novamente e o sentimento amoroso é inevitável, David está completamente apaixonado por Elise. Contudo, como nem tudo no amor são flores, o potencial relacionamento entre ambos está ameaçado pelos misteriosos Agentes do Destino, homens trajados com um estilo vintage como se pertencentes a uma época antiga mas dotados de um controle futurista, entre eles os bons atores John Slattery, Terence Stamp e Anthony Mackie, os dois primeiros com a função de chantagear, perseguir e fazer de tudo para impedir David e Elise de ficarem juntos; o último, mais sensível, com a função de ajudar o jovem político a buscar algumas respostas durante a difícil perseguição. Os Agentes do Destino acompanham os passos do casal e colocam David contra a parede, chegando a pressioná-lo se Elise será uma mulher realizada ao lado dele.








Ainda que a película cause um estranhamento ao misturar idéias bem interessantes sobre o livre arbítrio e a luta contra um destino aparentemente determinado em uma narrativa fincada no hibridismo da ação com suspense, romance e ficção científica, Os Agentes do Destino é construído como uma verdadeira história de amor, mesmo que isso pareça simplista demais. É um bonito conto amoroso e isso não diminui a qualidade do filme, pelo contrário, isso o torna mais esclarecedor pois não há melhor motivo de lutar por um destino melhor do que desejar viver a felicidade do amor. Nesse aspecto, a película é bem eficaz na abordagem porque amar é lidar com dificuldades, acreditar que o destino nos brindará com um relacionamento feliz. Basta crer e escolher lutar contra qualquer impossibilidade de realização amorosa. O longa tem uma premissa bem estruturada partindo do encontro repentino e envolvente entre Elise e David como se ele fosse algo mágico, um presente do destino. Logo mais, a narrativa se desenvolve com a insistente perseguição dos agentes, com os desencontros do casal e a determinação de David em encontrar Elise e viver esse grande amor. A escolha de Matt Damon e Emily Blunt é tão certeira no elenco que esbanja beleza, carisma e química na medida certa para fazer com que o público simpatize com o casal, se envolva com a história e torça para que eles fiquem juntos.







Para seu primeiro longa, George Nolfi fez uma escolha boa e arriscada e, felizmente, bem sucedida. Sua direção soube conciliar um olhar apaixonante e, ao mesmo tempo, ativo, reflexivo e tenso à narrativa, principalmente em como a câmera se destaca nas cenas de perseguições com entradas e saídas por diferentes portas e na direçao de atores principais e coadjuvantes. O elenco é atrativo e dá conta da história, com destaque especial para Matt Damon e Emily Blunt, que tiveram uma responsabilidade e peso bem maior para transmitir a envolvente atração e verossímil ternura de verdadeiros apaixonados. Se eles não tivessem química, o filme seria um fiasco e perderia sua razão de ser. Matt Damon, versátil como sempre, harmoniza a determinação e a passionalidade de David. Emily Blunt, cada dia mais bela e em excelente boa forma, incorpora muito bem e esteticamente a encantadora bailarina Elise. Embora o argumento se sustente pelo amor, um tema universal, passional e funcional para ganhar o grande público, o risco maior tomado por Nolfi é que o roteiro tem a estranha complexidade da ficção científica que, nesse filme, não é nada crível porque tem mais efeito de ficção do que de comprovada ciência, contudo, ainda consegue despertar a curiosidade, manter a coerência e a tensão da película. Adicionalmente, a questão do livre arbítrio e da presença de um Presidente ( talvez uma força maior, um provável Deus) pode ganhar uma conotação religiosa, espiritualizada e desagradar os mais incrédulos.

Independente das conclusões particulares de cada espectador, o que cria mais efeito no filme é, sem dúvidas, a luta para vivenciar o amor que se deseja, mesmo que esse amor não esteja escrito nos planos do destino. O que é o destino, afinal? Um plano estático e determinado por uma força maior que a humana? Ou um plano dinâmico que é construído ativamente por nossas próprias escolhas? Uma resposta é certa: Ninguém precisa dos agentes do destino quando se é o agente e dono da própria vida. E não há melhor destino quando se tem a chance de amar e ser amado.



Avaliação MaDame Lumière





Título original: The Adjustment Bureau
Origem: EUA
Gênero: Romance, Sci-fi, Suspense
Duração: 106min
Diretor(a): George Nolfi
Roteirista(s): George Nolfi
Elenco: Matt Damon, Emily Blunt, Anthony Mackie, Terence Stramp, John Slattery

2 comentários:

  1. O filme ainda não estreiou em minha cidade, porém, acho que vou deixá-lo para conferir em DVD mesmo! rs

    []s

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  2. Oi Raspante, vale a pena ver em DVD. No final, o que mais importa é a história de amor, a meu ver. abs

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