domingo, 15 de maio de 2011

O Noivo da minha melhor amiga (Something Borrowed) - 2011





Não é de hoje que no universo feminino, algumas amigas já se interessaram pelo mesmo homem e, como consequência, uma delas se deu mal e ficou sem namorado, sem amiga ou sem ambos. Pelo menos, uma mulher na face da Terra já passou por essa desagradável situação. Não é também de hoje que uma mulher se calou perante um grande amor e deixou de declarar seus sentimentos e intenções amorosas, desta forma, perdeu a potencial oportunidade de viver essa relação afetiva, carregando consigo um amargo arrependimento. Essas são as premissas principais de O Noivo da minha melhor amiga, adaptado do romance de Emily Giffin, com direção de Luke Greensfield e roteiro de Jennie Snyder.












Rachel (Ginnifer Goodwin) e Darcy (Kate Hudson) são duas amigas inseparáveis desde a infância. Rachel conheceu o bonitão Dex (Colin Egglesfield) na faculdade e perdeu a chance de declarar seu amor a ele. Após seis anos, o moço está prestes a se casar com sua melhor amiga Darcy. Sentimentos são vivenciados e postos à prova entre Rachel e Dex, e o triângulo amoroso coloca em risco a amizade entre Rachel e Darcy. Qualquer semelhança com o excelente O casamento do meu melhor amigo é meramente superficial porque o roteiro de Jennie Snyder é bastante irregular e peca na construção dos personagens, no desenvolvimento e timing da narrativa e na verossimilhança, essa última carente do mínimo de espontaneidade e realidade nos conflitos. Somente as previsíveis fórmulas para criar a atmosfera da comédia romântica tipicamente americana funcionam, com a revisitação das ruas, lojas, pubs e parques de Nova York, e da praia dos Hamptons, no estilo cenográfico deja vu de Sex and the City.










Rachel é uma advogada que chega aos 30 anos e está solteira. Seu perfil é de uma mulher não muito atrativa, boa moça, centrada nos estudos e no trabalho e mais recatada. Sua melhor amiga desde a infância, Darcy segue o estereotipo da loira 'máquina mortífera' sexual, egocêntrica, festeira, desprovida de qualquer conteúdo intelectual, somente a certeza de que ela é a mais gostosa e a mais interessante das mulheres. Com isso, Rachel e Darcy são amigas bem opostas em personalidade, o que não seria um mal e nem impossível na diversidade de relações entre as pessoas, porém não há uma química que evoca uma verdadeira amizade entre Ginnifer Goodwin e Kate Hudson, o que torna a relação fake aos olhos de um público. É bem perceptível que faltou uma boa construção de personagens, nem que seja básica para uma ligeira e palatável comédia romântica. Esse pecado na escolha e na direção de atores impacta a qualidade do filme porque, quando duas amigas estão apaixonadas pelo mesmo homem, a conexão de amizade precisa ser forte e transmitir isso vivazmente na tela. Não é o caso aqui, mesmo que Ginnifer Goodwin funcione melhor na película do que a já caricata Kate Hudson, que não muda nem o sorriso nem os gestos entre uma comédia e outra.







Rachel faz o que nenhuma mulher deveria fazer: Ela não percebe os sinais e as intenções de um homem por ela, e se cala diante de Dex, o amor de sua vida, entrega-o de bandeja para a melhor amiga, que é uma pegadora nata. Às vésperas do casório, ela e Dex se descobrem apaixonados, e nisso reside a péssima diferença do filme em relação a outros, uma diferença que ele não utilizou a seu favor. Em momento algum, Dex e Darcy são um casal apaixonado, ele se mostra bem desconfortável ao lado dela, enquanto seus olhos brilham de amores por Rachel. Assim, é natural olhar para o relógio durante a projeção e lançar a seguinte questão: Por que estou sentado(a) aqui na cadeira do Cinema? O que o roteiro propõe em termos de um básico conflito narrativo e cômico, que não seja colocar várias cenas que não agregam nem frescor, nem humor e muito menos o desenvolvimento da história? Se Dex não ama Darcy e não se vê dividido entre elas, a não ser o fato de agir como um idiota enrolador em boa parte do tempo, por que o filme precisa dar tantas voltas e durar 112 minutos? Além disso, as sequências de finais de semana e feriado em Hamptons, paraíso de verão dos bem nascidos americanos, são bem desnecessárias e desprovidas de um propósito a cada cena, logo só funcionam para prolongar o quão frustrante é para Rachel ver Dex nos braços da melhor amiga, e evidenciar que faltou criatividade ao roteirista para preencher as lacunas do triângulo amoroso, podendo ter antecipado a descoberta da traição e gerado algumas reviravoltas no enredo.









Ainda que Ginnifer Goodwin seja uma atriz cômica interessante (basta lembrar-se de Ele não está tão afim de você), o único que mais se salva do naufrágio dessa comédia romântica é o ótimo John Krasinski, que interpreta Ethan, o melhor amigo de Darcy e Rachel. Além das tiradas bem humoradas que dão um frescor à película, sua colaboração é mais sensata e verossímil, em linha com o que seria esperado de um filme destes, porque ele interage com Rachel no sentido de fazê-la “acordar para a realidade” e viver o amor que ela tem que viver sem ceder as vitórias somente à convencida Darcy que, a propósito, nem parece ser tão amiga de Rachel como deveria parece-lo. O azar do personagem de John Krasinski é que, em um dado momento da fita no qual Ethan encontra Rachel em Londres, ele é destinado a ser vitimado pelo roteiro irregular com personagens mal construídos. Acaba soltando uma confissão que não o levará a lugar algum na composição da narrativa. O objeto do amor e do desejo, Colin Egglesfield, tem a pose de galã e filhinho de papai que segue o que a família deseja e não o que ele aspira, assim, não compromete tanto o filme porque o seu personagem é bem indeciso e posterga ao máximo qualquer decisão afetiva, personificando aqueles homens que não têm personalidade nem mesmo para enfrentar qualquer oposição ao amor e tomar uma atitude definitiva.



No geral, o filme é um entretenimento bem despretensioso que falha pelos aspectos acima e perde a chance de trabalhar melhor o conflito que une uma relação de amigas que gostam do mesmo homem, porém, ainda entretém aqueles que apreciam e são fiéis ao gênero. Se há uma lição de amor a tirar disso tudo é a de que não deixe para falar o que sente à pessoa amada o tão logo perceba que não é necessário adiar. Fazendo côro a um jargão amoroso: É melhor quebrar a cara e levar logo um fora do que perder a chance de viver um grande amor e quebrar a cara do mesmo jeito.








Avaliação MaDame Lumière












Título original: Something Borrowed
Origem: EUA
Gênero: Comédia Romântica, Romance
Duração: 112min
Diretor(a): Luke Greensfiedl

Roteirista(s): Jennie Snyder
Elenco: Kate Hudson, Ginnifer Goodwin, Colin Egglesfield, John Krasinski

4 comentários:

  1. Um bom entretenimento despretensioso... bem, pela sua crítica, parece ser despretensioso demais! rs

    Como eu gosto do gênero e da Hudson, talvez eu confira. Mas, talvez o faça quando for lançado em DVD!

    Beijos, Madame :D

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  2. Mais um roteiro que fala sobre a irregularidade desta obra. Eu, como fã de comédias românticas, mesmo assim, devo conferir. :)

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  3. O que anda acontecendo com a Kate Hudson? Juntamente com a Jennifer Aniston, só está aceitando esses tipos de filme ultimamente... rsrsrs.

    Beijos! ;)

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  4. Sim queridos, filme despretensioso e irregular,mas para quem gosta de comedinha romântica como eu, ainda se diverte com esses passatempos impregnados de encontros e desencontros. bj

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