domingo, 8 de maio de 2011

Feliz Dia das Mães: Amor e desespero materno em O Encouraçado Potemkin (1925)





Uma das sequências mais impactantes e clássicas da História do Cinema está na obra prima O Encouraçado Potemkin (Battlership Potemkin, 1925), de Sergei Eiseinstein, na qual ocorre o massacre na escadaria de Odessa, uma marco dramático da cinematografia mundial. Com a direção brihante e avant-garde do cineasta russo utilizando em sua linguagem a montagem estrutural e dialética, a multidão é dizimada por soldados soviéticos, com magnífico uso de trilha sonora e extensão do tempo cinematográfico combinados com cortes bruscos e rápidos e alternância entre planos de close-ups e mais abertos. A cena é um primor técnico, emocionalmente trágica, principalmente em virtude da figura de uma mãe que, desesperada ao ver o filho ferido no chão, pega-o no côlo e, corajosamente em uma ação de enfrentamento e em sentido contrário ao avance das tropas do Czar e à correria da multidão aflita, ela anda em direção aos soldados, pedindo clamor pela criança com as seguintes palavras "Meu filho está mal". As cenas do massacre de Odessa estão entre as mais belas do Cinema que enfocam a figura materna em desespero, mais uma vítima da violência e da repressão do poder sócio-político e bélico. Além da mãe com o jovem garoto, há a mãe com o carrinho de bebê, o qual descarrilha nas escadas, para a agonia geral da platéia.



Embora essa seja uma trágica exemplificação cinematográfica considerando a dramaticidade dessa clássica sequência de Eisenstein, essa cena é genial, é de uma beleza ímpar, é sublime, principalmente pela atitude da mãe do garoto ferido e como ela foi filmada, por isso essa é a homenagem do MaDame Lumière a todas as mães do mundo. Mães que geram, educam, amam e defendem seus (suas) filhos(as), na alegria e na tristeza, na vida e na morte, mães que são mães em todos os momentos.




Feliz Dia das Mães!











2 comentários:

  1. Nooosssa! Impactante. Preciso ver este filme por completo Madame!! Ótimo post... :D

    Abs.

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  2. Este filme é, de fato, lindo; e de uma beleza dolorosa. Pode-se passar gerações e esta cena tão bem descrita irá ferir o coração de quem assiste, pois a maternidade independe do gênero, e o cinema está aí para nos ensinar isso.

    O cinema educa, sensibiliza. E somos alunos e professores desta arte maravilhosa.

    Adorei seu texto. Também produzi uma série de comentários a respeito das relações maternas na arte cinematográfica: http://ogritonomundo.blogspot.com/2011/05/maternidade-no-cinema.html

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