terça-feira, 14 de junho de 2016

Por que você não pode perder o Festival Varilux de Cinema Francês?

Especial Festival Varilux de Cinema Francês 2016

por Cristiane Costa,  crítica de Cinema MaDame Lumière 




Delegação francesa no Brasil destaca atores jovens  como Lou de Lâage e
 cineastas como Philippe Le Guay e Roschdy Zem


Todos os anos tenho um grande prazer de acompanhar o Festival Varilux de Cinema Francês no Brasil, um festival aconchegante e carismático com a singular capacidade deste Cinema em fazer rir e chorar e equilibrar histórias com argumentos sociais, históricos assim como abordar as contemporâneas, cotidianas e cheias de graça e bom humor. Este ano, o Festival está sendo realizado de 08 a 22 de Junho e apresenta uma seleção de filmes mais heterogênea e harmônica, em especial, na exploração de diferentes gêneros em comparação ao ano passado, que enfocou mais comédias.



Christian Boudier, diretor do evento enfatiza
o crescimento do Festival no Brasil



O mais agregador nesta trajetória são as contínuas oportunidades de comprovar o crescimento e melhorias do Festival, principalmente nos últimos cinco anos, não apenas ao trazer o frescor das cinematografias atuais do país, mas apresentar uma diversidade de temas dramáticos e cômicos e seus esforços em viabilizar a programação em várias cidades do Brasil e por mais tempo.  No total, o Festival apresenta 15 filmes inéditos e o clássico de Claude Lelouch, vencedor da Palma de Ouro em 1966, "Um homem e uma mulher", que faz aniversário de 50 anos de lançamento. Além deste clássico, o MaDame Lumière recomenda como imperdíveis : "Agnus Dei", de Anne Fontaine, "Marguerite", de Xavier Gannoli, "Meu Rei", de Maïwenn, "Chocolate", de Roschdy Zem e "Os Cowboys", de Thomas Bidegain.




Roschdy Zem ganha mostra especial no Festival 
e lança "Chocolate", com Omar Sy e James Thiérrée


Muito do êxito e longevidade do evento é a parceria sólida com as iniciativas privada (o patrocinador Essilor - Varilux) e a pública através da lei de incentivo do Ministério da Cultura, além de instituições copatrocinadoras de fomento à cultura, educação e relações exteriores entre países, como a Embaixada da França, a Aliança Francesa, o Instituto Francês. Também nada disso seria possível sem o trabalho intenso de determinadas distribuidoras Brasileiras que têm apresentado um histórico crescente de lançar filmes franceses em seu line-up, entre elas a Bonfilm, California, Fênix, Mares, Pandora e Supo Mungam.



Momento descontraído das atrizes Lou de Laâge e Virginie Efira durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo



E por que você não pode perder o Festival deste ano? A primeira, mais óbvia e honesta resposta é  que  um charme inconfundível no Cinema Francês, isso sabemos claramente. Eles têm o dom de humanizar as histórias sem muitas neuras e freios, rindo de si mesmos, sabendo unir a seriedade das temáticas com um bom e leve storytelling. Em poucos minutos, muitas histórias nos levam da gargalhada à lágrima, do encantador afeto à uma depressiva reflexão, o que poderá comprovar em "dramédias" como "Marguerite" que apresenta a melhor atriz no Cesar 2016, a fantástica atriz Catherine Frot, em uma atuação excepcional como Florence Foster Jenkins, uma aspirante à cantora de ópera que não sabia cantar. Com destaque, temos o carismático Omar Sy em um maior desafio cômico para sua carreira, no papel de "Chocolate", o primeiro artista circense negro da França em uma história comovente.



Delegação Francesa no Teatro da Aliança Francesa : boas vindas


Um dos  outros pontos fortes desta edição é a presença  de dramas já premiados em Cannes ou em outros festivais internacionais, desta forma, o Varilux funciona como uma antecipação de estreias do circuito Brasileiro.  Dentre os filmes que se destacaram em Cannes, a bola da vez é "Meu Rei" que, ao lado de "Os cowboys", "Agnus Dei" e "Viva a França" fazem parte dos principais dramas da programação. O filme de Maïwenn traz a excelente Emmanuelle Bercot (premiada como melhor atriz em Cannes por esta atuação), ao lado de Vincent Cassel, um dos atores mais  admirados e em atividade na cinematografia Francesa. "Meu Rei" é o drama que dá um toque especial ao Varilux que, por tradição, explora muito as comédias dramáticas. Felizmente, este ano, a programação se empenhou em mesclar histórias mais densas. Assim como Emmanuelle dirigiu "De cabeça erguida", um excelente drama sobre a deliquência juvenil e sua potencial redenção, aqui, ela e Vincent apresentam os altos e baixos de um casamento, um amor mais visceral, doloroso, traumático.




Philippe Le Guay e Roschdy Zem trazem "Florida" e "Chocolate",
boas dramédias no Festival



Inegavelmente, um dos acertos da delegação francesa que chegou ao Brasil foi trazer a nova geração do Cinema Francês com atores como Lou de Laâge ("Agnus Dei"), Vincent Lacoste ("Lolo, o filho da minha namorada"), Finnegan Oldfield ("Os Cowboys"), além da atriz belga Virginie Efira ("Um amor à altura", de Laurent Tirard) e diretores reconhecidos pelo público e em evolução como Philippe Le Guay e Roschdy Zem. Com o ineditismo dos filmes da programação, o Festival acaba por ressaltar os novos talentos do Cinema Francês como o fez com atrizes como Adèle Haenel e Adèle Exarchopoulous em edições anteriores. Lou de Laâge e Vincent Lacoste já tinham se destacado, respectivamente, em "Respire" e "Hipocrate". Oldfield já trabalha na TV desde os 10 anos de idade e, em "Os Cowboys",  tem uma boa performance ao lado de um dos atores mais engraçados da França, François Damiens , agora em um papel dramático.


A Juventude  com força neste Festival
Lou de Laâge, Vincent Lacoste e Finnegan Oldfield




Não menos interessante, o recorrente chamariz do Festival é rever atores experientes e vivenciar a graça de sua presença e talento. Este ano, a grande surpresa é Jean Rochenfort,  um ícone da cinematografia da França e anos sem filmar. Em parceria com Philippe Le Guay (do excelente "As mulheres do 6º andar"), Rochenfort sustenta a comédia dramática sobre envelhecimento e a perda da memória, "Florida", ao lado de outra experiente atriz da França, Sandrine Kiberlain, que também trabalhou com Le Guay no passado. Além de Kiberlain e Damiens, o Festival traz os queridos  Jean Dujardin  ("Um amor à altura"), James Thièrrée ("Chocolate"), Fabrice Luchini ("A corte"), Dany Boon ( "Lolo, o filho da minha namorada") e Carmem Maura ("La Vanité").



Tempo de França no Brasil!


Reservar alguns dias para conferir a programação do Varilux ficou mais fácil e, por isso, você não tem como perder um dos melhores momentos de difusão da cultura Francesa no Brasil. Uma das novidades deste ano é a extensão do Festival, que ganhou uma semana a mais,  alcança 50 cidades. Além de maior flexibilidade com ampla programação, os organizadores trazem sessões educativas, workshops e oficinais cinematográficas, democratização de alguns espaços de exibição e debates com a delegação Francesa. Com todas estas delícias cinematográficas, resta-nos um "Merci et Vive la France!"


Programação completa no site: http://variluxcinefrances.com/


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Créditos Fotos coletiva de imprensa : MaDame Lumière
Perfis e foto da delegação em São Paulo: Agência Febre/Assessoria Festival Varilux






Um comentário:

  1. Amo o Varilux. Assisto todos os filmes há vários anos. Porém acho q organização péssima. E cada ano só faz piorar. Já assisti todos os 16 filmes e não consegui o livro grosso com todos os dados nos 5 cinemas em que procurei. Fiquei triste porque coleciono o livro. Esse ano só havia alguém da organização no primeiro dia. Sou de SP e assisti as 4 primeiras sessões no Cinearte no Conjunto Nacional. Nas 3 primeiras sessões teve debate. Na última o ator programado não apareceu e não havia ninguém do Festival nem ninguém do cinema para informar nada.
    Outra coisa: os organizadores precisam decidir sobre a data do Festival que não tem um mês certo para acontecer. Quem acompanha não sabe se será em abril, maio ou junho!
    Liliane - lifalv@yahoo.com.br

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