sábado, 26 de dezembro de 2015

Olhos da Justiça (Secret in Their Eyes - 2015), de Billy Ray







Por Cristiane Costa, Owner, Editora e Crítica de Cinema MaDame Lumière e Especialista em Comunicação Empresarial 


Após a ocorrência do brutal assassinato de uma adolescente e anos de impunidade para o assassino, os investigadores Ray Kasten (Chiwetel Ejiofor) e Jess Cooper (Julia Roberts) voltam a se encontrar, revivem as dolorosas memórias e o desejo de justiça.




Remake americano da obra prima cinematográfica Argentina "O segredo de seus olhos", "Olhos da justiça" é um filme que não deu muito certo e não trouxe qualquer vigor e renovação à história. Na tentativa de não criar uma cópia mal feita do original, o roteiro do diretor Billy Ray alterou levemente a história. Incluiu uma relação de amizade entre dois investigadores, a localidade em Los Angeles e com agentes do FBI, comum em filmes policiais americanos, e uma conexão familiar e emocional entre a  jovem assassinada e um dos investigadores. Ele também manteve os dois recortes cronológicos, o da época do assassinato da jovem e, após 13 anos, o retorno de Ray, seu reencontro com sua amiga Jess e os sentimentos que ele ainda tem por Claire (Nicole Kidman).





Apesar destes esforços, a todo o momento, o longa continua parecendo uma cópia mal feita que, claramente, não quer imitar a obra original, mas que não assume um protagonismo como um crível remake Hollywoodiano. Faltou um pouco mais de personalidade ao filme. Um exemplo claro de uma execução superficial é ter colocado 3 talentosos atores no centro da trama e não aproveitar seus potenciais. Roberts, Kidman e Ejiofor  não conseguem atuar de uma forma mais espontânea porque o texto também não lhes dá tanta liberdade; como pode-se verificar na relação romântica entre Ray e Claire , que não têm muita química e aquela tensão sentimental que havia entre Ricardo Darín e Solledad Villamil, onde os olhares intensos e afetuosos denunciavam um amor inesquecível e inabalável ao tempo. Além disso, outros elementos da linguagem cinematográfica como construção dos planos, uso de trilha sonora, som, fotografia etc não tiveram uma intensa força narrativa para melhorar a qualidade do resultado final ou equipará-lo a magnitude do seu antecessor. É um filme quase ligado no piloto automático e que se sustenta através de seus astros.







"Olhos da justiça" também apresenta um problema de roteiro, no qual a relação entre os personagens não é bem construída e coesa, o que acaba deixando a desejar até que ponto estes personagens têm um verdadeiro e forte passado que os une. Na execução, esse gap fica mais evidente à medida que o clímax se aproxima e a relação entre o presente e os flashbacks é confusa. Também, a direção de Billy Ray se esforça em realizar algumas cenas de thriller mais elaboradas, como a entrada de Julia Roberts no elevador onde está o assassino e o desfecho na casa de campo, ou a  clássica cena da perseguição no estádio de futebol, entretanto, a narrativa é bem irregular e pouco convincente. Faltou-lhe um toque maior de emoção para despertar mais empatia no público. Nem as caras e bocas de Julia Roberts não foram suficientes para demonstrar sentimentos naturalmente dolorosos.







Ainda que o filme contou com a consultoria do diretor José Juan Campanella e do roteirista Eduardo Sacheri, a dupla do imbatível original Argentino, "Olhos da justiça" pecou mesmo em não ter tido personalidade própria. Careceu de maior substância narrativa para estabelecer o thriller, além disso a edição não foi bem executada e apresentou lacunas na transição dos flashbacks, o que impactou a fluidez e coesão da narrativa. No geral, só vale a pena ser visto por causa dos experientes atores e para perceber como algumas obras são únicas e não precisam de remakes.






Ficha técnica do filme ImDB Olhos da justiça
Distribuição: Diamond filmes
Editora: Cristiane Costa aka MaDame Lumière
Lançamento no Brasil: 10 de Dezembro de 2015
Fotos: Uma cortesia filme "Olhos da justiça"

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