sexta-feira, 27 de março de 2015

Um Fim de semana em Paris (Le Week-End) - 2013

Previsão de estreia no Brasil: 02 de abril/ 2015



Paris tem o status de cidade do Romance. Para o Cinema, ela é simplesmente Paris, onde as pessoas sonham com o amor, seja para encontrá-lo, vivenciá-lo ou renová-lo, Paris é puro charme e nas mãos de um diretor que sabe explorar o seu espaço e as peculiaridades de seu encantamento ao focar uma comédia de relacionamento, ela torna-se naturalmente íntima, fascinante, vívida e testemunha um amor de longa data, colocado à prova e sem máscaras.






A nova comédia de Roger Michell, diretor de "Um lugar chamado Nothing Hill" é um híbrido de comédia romântica com drama ao abordar a viagem do casal maduro formado por Meg (Lindsay Duncan) e Nick (Jim Broadbent) que visitam Paris para comemorar o aniversário de 30 anos de casamento. Eles são dois professores britânicos que  chegam àquela boa idade de ter criado o filho, trabalhado um extenso período e vivenciado diferentes ciclos. Para comemorar o aniversário de casamento, escolhem Paris para renovar o relacionamento mas ao chegar lá, nem tudo é maravilha. Os dilemas, frustrações e diversos sentimentos com relação ao casamento e o envelhecimento são inevitáveis e integram os diálogos do casal, movidos a variados humores. Com isso, o filme resulta em uma bela comédia sobre um amor maduro e como as pessoas  de meia idade aprendem a se adaptar ao casamento, com seus altos e baixos.



 
Com roteiro escrito por Hanif Kureish, de "Minha adorável lavanderia" (Stephen Frears), "Um fim de semana em Paris" inicia uma jornada curta e eficiente para falar do relacionamento entre duas pessoas bem diferentes e que chegam àquele momento da vida no qual questionamentos sobre a vida e o casamento são feitos sem muitas papas na língua, com um certo conformismo e uma boa dose de espontaneidade. Meg é uma charmosa senhora, com beleza clássica e elegante, mais fria e impiedosa com as palavras. Costuma judiar do marido com um comportamento de insatisfação aparente por não ter vivido o que deveria. Por outro lado, Nick tem uma postura mais conformada com a vida, passiva, submissa. Em suas diferenças e com as excelentes atuações de Lindsay Duncan e Jim Broadbent, o casal é  o principal atrativo do longa juntamente com as locações parisienses com seus pubs, restaurantes e hotéis. 





Como em Nothing Hill e as bucólicas e inesquecíveis imagens de uma cidade britânica, Roger Michell tem uma virtude para esse tipo de longa e a coloca em prática aqui: ele usa a cidade como personagem e explora sua beleza. Paris é um encanto e evoca sua magia capaz de provocar o público a uma próxima viagem com ela como destino. A direção chega a afrancesar o trabalho de fotografia e direção com uma narrativa mais  natural que preza por enfocar o casal pelas ruas da cidade e em espaços fechados que valorizam o estilo parisiense como restaurantes e a gastronomia, hotéis próximos a pontos turísticos e o   apartamento de um velho amigo de Nick, Morgan (Jeff Goldblum) durante o jantar com amigos intelectuais. O local da viagem coopera muito para a agradabilidade do filme, tanto que tem visual semelhante às comédias românticas francesas; pelo menos a energia da comédia com toques de drama tem o frescor de tratar assuntos sérios com leveza.





Um fim de semana em Paris é como um fim de semana para analisar a vida desse casal e, de forma empática, se colocar no lugar deles e ver que nenhum relacionamento é perfeito mas que, na imperfeição das relações, há os sentimentos genuínos um pelo outro. Os diálogos têm momentos de impacto como dizer a verdade na cara do conjugue e saber que isso vai machucar. Ainda assim, ser sincero(a) é o caminho certo. Muito do peso dramático da comédia é realizado pela ótima Lindsay Duncan, que ganhou o prêmio de melhor atriz no British Independent Film Awards por essa atuação e tem falas bastante significativas. Ela incorpora perfeitamente bem a mulher de meia idade, sensual e refinada que poderia ter tido uma vida de glamour e requinte, não tem problemas algum para manifestar sua frustração mas também de assumir que também ama à sua maneira. A presença de Jeff Goldblum vem a agregar uma das cenas mais necessárias e bonitas sobre a relação do casal e faz o espectador refletir sobre os relacionamentos e nossas imperfeições e contradições no Amor. Para fechar com chave de ouro,  um dos mais sinceros , melhores e climáticos desabafos é de Jim Broadbent, que ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de San Sebastián.







Com o  crescimento de comédias com atores mais velhos, o diferencial  do longa é que o relacionamento não é idealizado como a Paris dos sonhos dos amantes. De forma muito bem acertada, o roteiro aborda um casal sem a casca das aparências e em momentos de crise e desabafos, dessa forma, o aniversário de casamento sem idealização romântica é um ponto central do roteiro e ele é acompanhado com bom humor, descontração. O público ganha como presente observar a viagem de Meg e Nick e suas aventuras por Paris, como por exemplo, não ter dinheiro suficiente para pagar pelo luxo Francês e, mesmo assim, aventurar-se em fazer o que lhes vêm à mente até de maneira inconsequente.  Com essa abordagem mais cotidiana das relações, um casal de atores experientes e um bom texto, Um Fim de semana em Paris vale como uma boa sessão para o final de semana.







Ficha técnica do filme ImDB Um Fim de Semana em Paris

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