segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Os Intocáveis (Intouchables) - 2011







 
Intocáveis é a comédia dramática Francesa que se tornou o maior fenômeno de bilheteria em seu país, com mais de 43 milhões de espectadores em todo o mundo, representante da França para o Oscar 2013 de melhor filme estrangeiro e que foi bem recebida no Brasil como um dos mais esperados filmes do Festival Varilux, ocorrido em último Agosto. O roteiro é uma adaptação da história veridíca de Philippe Pozzo Di Borgo no livro O Segundo Suspiro (Le second soufflé), sobre um rico executivo, Philippe (Olivier Cluzet) que sofreu um acidente de parapente nos Alpes em 1993 e se tornou tetraplégico. Ele contrata Driss (Omar Sy)  como motorista, um jovem rapaz Senegalês, pobre e ex-presidiário para cuidar dele. A partir daí, uma comovente amizade, de companheirismo, respeito,  amor e de segundas chances nasce entre os dois. Sob a batuta de Olivier Nakache e Eric Toledano e com o carisma de Cluzet e Sy, Intocáveis é espontaneamente bonito e delicioso de assistir ao trazer, de forma muito leve e divertida, a construção de uma relação de amizade entre pessoas de mundos muito diferentes mas conectados por dramas pessoais nos quais ainda é possível encarar a vida de uma forma melhor para reaprender a viver e ser feliz. O bom humor Francês, suavemente direto, irônico e piadista,  faz toda a diferença em situações nas quais as pessoas normalmente não se  permitiriam rir.
 
 
 
 
Ao retratar minorias que sofrem preconceitos sociais como um homem negro com antecedentes criminais e um homem  isolado com uma deficiência física, uma parte do público considerou o filme muito sentimentalista e adaptado de forma a emocionar através dos que sofrem à margem do que a sociedade encara como uma pessoa bem sucedida: rica, bonita e saudável. No entanto, acreditar que o filme é isso, é pensar pequeno demais. Intocáveis é precioso ao tratar com natural beleza e senso de humor o que a sociedade trata com desdém, com preconceito e  pena. Ele tira sarro do politicamente correto nas condições desérticas da vida.  Com uma pitada de bom humor e sensibilidade, é possível notar que rir do próprio infortúnio é legítimo e bem vindo. Cada um já teve um momento árido na existência e leva sequelas, sejam físicas e emocionais, com as quais tem que conviver. No mais, as pessoas tem que ser tratadas de igual para igual, independente da cor da pele, da condição social, de sua aparência física. Philippe e Driss são  os "excluídos sociais" que, em um cenário de comunidade européia e, especialmente, Francesa mimetizam esses atores sociais: Philippe  é o milionário solitário que só consegue mover a cabeça em uma sociedade que valoriza o usufruto da riqueza, o glamour, o romance e a beleza. Driss  carrega o peso do imigrante negro em uma França de contrastes étnico-sociais, porém isso não os torna menores, eles estão acima do que a sociedade os intitula. O roteiro é construído de forma a incluir cenas que mostram suas fragilidades com espontaneidade, mas muito mais suas nobres virtudes.  Eles até brincam com os preconceitos e questões tidas como sérias como Driss se recusar a limpar o traseiro de Philippe , jogar água quente na perna de Philippe para ver se ele sente algo etc. A  cena na qual Driss barbeia o patrão é hilária e nem Hitler escapou de ser alvo de piadas. É nessas brincadeiras, que os mais moralistas tratariam como uma ofensa, que está a humanidade da história.
 
 
 
 
Com destaque para os bons roteiro e montagem, muito do sucesso do longa é a excelente vibe do humor e a sensível  e bela amizade, tudo com o estilo da comédia afrancesada a um nível universal do que esperamos de uma relação verdadeira entre duas pessoas, além da ótima sacada de tirar um sarro de situações cujo comportamento "ideal" seria ser politicamente correto. A relação de empregado e empregador fica em segundo plano pois os sentimentos afetivos dessa relação estão acima de questões laborais. É um filme cheio de sutis nuances de um companheirismo que também tem momentos muito tristes como o abandono, a insegurança, o medo, a baixa autoestima, a violência, portanto, a carga de humanidade do filme é inspiradora e transformadora. Ela muda os personagens e suas vidas, mas também transforma o público que, claramente, se rendeu de amores ao longa. De forma bem substancial, a escolha dos protagonistas é bem acertada. A atuação de Cluzet é excepcional dada às limitações físicas de seu próprio personagem, além do ator ter um sorriso que ilumina a tela e interpretar Philippe com muita maturidade, dignidade  e nobreza. Omar Sy, que levou o César - Oscar Francês por essa atuação, é um ator jovem bonito, forte, cheio de energia e carisma. Seu personagem Driss tem uma verve bem humorada e sedutora, somada ao drama pessoal de uma vida deliquente e pobre. Por outro lado,  ambos os atores carregam em si não somente o que é virtuoso no desenvolvimento da amizade, mas seus maus humores e ligeira agressividade, que estão impressos em algumas cenas de relevância mais dramática.
 
 
 
 
 
 
De uma maneira catártica, o final é tocante e surpreendente e todo o filme merece ser visto e revisto.  Intocáveis nos ensina não somente a cultivar as amizades  e rir do politicamente correto mas, principalmente, a nos dar uma segunda chance.  Nem tudo está perdido e nem precisa ser sério demais pois nossa capacidade de se transformar e de rir é intocável.
 
 
 
 
 
Ficha técnica no ImDB
 
 
 
 

Um comentário:

  1. Até hoje, não me perdoo por ter perdido as duas chances que tive de assistir a este filme. A primeira, no Festival Varilux de Cinema Francês. A segunda, quando passou num cinema daqui. Marquei bobeira. A obra é quase uma unanimidade entre todo mundo! Só leio coisas boas sobre "Os Intocáveis".

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