segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

MaDame Teen: Tudo por uma esmeralda (Romancing the Stone) - 1984






Antes de conquistar o Oscar em 1995 como melhor diretor pelo sublime Forrest Gump: O Contador de Histórias, Robert Zemeckis já era especial para a minha memória cinéfila desde seus filmes da década de 80, quando ficou muito conhecido por Tudo por uma Esmeralda e a trilogia De volta para o futuro. Quando Michael Douglas decidiu produzir Tudo por uma esmeralda, fazendo par romântico com Kathleen Turner, ele convidou o cineasta para fazer o filme, o que já foi uma première do talento de Robert em dirigir longas aventurescos que marcariam a adolescência de várias pessoas como eu. Se Spielberg, seu amigo e produtor em De Volta para o Futuro, era o cineasta das películas de Indiana Jones que tanto me conquistavam, Robert Zemeckis não ficava atrás e realizou essa nostálgica aventura em terras Colombianas, com senso de humor, ação e romance.








Tudo por uma esmeralda era um best-seller na minha filmografia adolescente das sessões da tarde. Era aquele filme que eu assisti váriaas vezes, na sequência ou na semana. Recordo-me que adorava ver Kathleen Turner no papel da escritora Joan Wilder, cuja obra literária sairia dos livros para se tornar realidade através de um caso de amor com um nômade desconhecido. Ela era como uma mulher independente e sonhadora que um dia amaria intensamente, da forma que todas as mulheres desejavam amar. Lembro-me que ela ficava sonhando com o seu heroi corajoso e desbravador que a levaria a lugares longíquos e a salvaria de armadilhas perigosas. Nasceria o amor entre eles, a excitante paixão ganharia força através do olhar penetrante e do calor da pele. Ela o conheceria da forma mais inusitada e necessária possível: como um misterioso homem a encantá-la e a protegê-la. Era muito divertido assistir à atriz nas cenas iniciais da película, na qual ela é uma solteirona que trata o gato como se fosse o único amor da vida dela. Ao assistir ao filme nessa década, ele se torna mais engraçado ao vê-la colocando velas como que preparando um jantar a dois, só que para alimentar o seu gato. Essa cena é tão atemporal que recorre aquele gracioso e trágico estereotipo que, na falta de um namorado ou um marido, as mulheres tendem a se apegar a um animal de estimação.






Essa aventura é simples e bacana porque tudo começa quando Joan Wilder tenta salvar a sua irmã na Colômbia, que está sendo chantageada por ter um mapa do tesouro que leva à bela e rara Esmeralda. Preocupada com a irmã e corajosa o suficiente para trazer emoção à sua vida, Joan é como uma heroína comum que saí do sossego da sua casa para se aventurar no meio da mata. Ao chegar à Colômbia, conhece Jack Colton (Michael Douglas), que a salva e o contrata como guia para tirá-la daquela região deserta e perigosa e conseguir encontrar a irmã. É muito interessante como o filme é uma aventura em um país Latino, que das páginas da Literatura ganha realismo nas telas, com muitos momentos de riso e romance. Ao ler um livro, as pessoas tendem a criar esse imaginário em lugares tropicais, silvestres, primitivos. O filme apresenta tudo isso como uma mescla de romance, comédia e aventura e a fórmula funciona muito bem, tanto que foi um sucesso na época e deixou saudades.











Para obter esse sucesso, o casal de protagonistas é crível e tem ótima química. A combinação entre eles era tão incrível que ganhou os corações dos espectadores até fora das telas, basta ver as fotos antigas. Michael Douglas não tinha sua imagem tão relacionada a um viciado em sexo e Kathleen Turner ainda tinha o frescor da juventude, naturalmente belo. No longa, Turner não faz o tipo 'mulher desesperada procura homem que a queira', pelo contrário, ela é corajosa, criativa e carismática e o relacionamento amoroso é conduzido de uma forma do 'simplesmente aconteceu' e com o homem mais improvável, sem casa e sem dinheiro, que é conquistado por ela, deixando o orgulho e machismo de lado. O local para conhecer um novo romance é também muito improvável, pois qual a mulher que gostaria de conhecer o amor de sua vida suja de lama, perdida e correndo risco de vida em uma mata densa e úmida na Colômbia, no entanto, o emocionante da história é contar que nem todo romance acontece em condições premeditadas e perfeitas, em um restaurante ou encontro às cegas. Nesse ponto, o roteiro funciona muito bem como um híbrido de ficção e realidade pois, se as aventuras de busca a um tesouro e fuga de um general mortal parecem uma jornada que só se vê em um filme, por outro lado, essa química, versátil e acrobática entre Turner e Douglas é deliciosa de ver ao ponto de dizer: "Quero vê-los felizes e com a esmeralda no final". A torcida para o Amor é tanta que, uma das cenas mais bonitas é a dança do casal em uma festa no hotel. Ambos vestidos de branco, como noivos, Turner está fascinante, com um brilho nos olhos de mulher entregue ao amor, e Douglas parece um Don Juan Latino, com sorriso abobado e cara de segundas intenções. Assistir ao longa é como reviver essas facetas de Uma aventura na África, um homem e uma mulher em uma louca aventura em terras selvagens, com uma roupagem bem anos 80 com cara de Zemeckis e Spielberg.





Os coadjuvantes contribuem para prover tensão e ritmo ao longa, pois são o time de vilões que perseguem o casal. Danny de Vito é Ralph, um atrapalhado comparsa do sequestrador de Elaine, irmã de Joan. Ele só se dá mal e é um dos personagens mais divertidos, só reforçando como De Vito era famoso na década de 80 como o baixinho com humor peculiar e que faria uma boa parceria com Michael Douglas e Kathleen Turner no vindouro A Jóia do Nilo (1985). Manuel Ojeda é o outro vilão, de caricatura ditatorial e latina, o que cria a imagem de um guerrilheiro frio e calculista que conhece as terras perigosas da Colômbia como ninguém. No geral, o ritmo do filme é muito bom para a proposta e consegue unir todos esses elementos em um entretenimento descontraído e ligeiramente despretensioso.



Tudo por uma esmeralda é diversão garantia e tem o seu valor saudosista, tem os seus méritos como obra, tanto que ganhou o Globo de Ouro de melhor filme comédia/musical em 85, assim como o de melhor atriz para Kathleen Turner. Dá uma nostalgia lembrar dele, muita mesmo, como voltar ao tempo e sentir a emoção sonhadora de como havia várias possibilidades de aventura na vida adulta. O sentimento da memória do Cinema é um dos mais gostosos de levar para o cotidiano, para aliviar os problemas da vida, afinal, a vida é uma jóia bem mais preciosa que uma Esmeralda.







Avaliação MaDame Lumière





Título original: Romancing the stone


Ano: 1934


País: USA


Roteiro: Robert Zemeckis


Diretor: Robert Zemeckis


Elenco: Michael Douglas, Kathleen Turner, Danny de Vito, Miguel Ojeda

2 comentários:

  1. Você gostava mesmo do filme, hein? Eu conhecia só de nome mesmo. Fiquei curioso. Não só pelo filme, mas por você mesmo, você falou tão bem... rs

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  2. Alan,
    É um filme que fez parte da minha adolescência, por isso, ele ganha um valor mais afetivo.
    abs,Madame

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