quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Rapidinhas no MaDame: Late Bloomers - O Amor não tem fim (2011)


Rapidinhas no Madame:
Porque o que importa é o prazer da Cinefilia






Sobre a história: Mary (Isabella Rosellini) e Adam (William Hurt) são casados há mais de 30 anos e estão avançando na terceira idade, tendo que lidar com novas experiências, sentimentos e realidades da passagem do tempo. Ingressam em uma separação e cada um segue o seu rumo, reagindo de diferentes maneiras à velhice. Ele aceita menos, age como um jovem e investe tempo em ter dinheiro na profissão. Ela aceita um pouco mais, vê que não tem mais o mesmo viço da juventude e surgem as aparentes perdas de memória.

Opinião Geral sobre o filme: Dirigido por Julie Gavras (de A Culpa é de Fidel), o longa é uma comédia dramática sobre a velhice de um casal, um tema muito interessante e contemporâneo e, infelizmente, pouco aprofundado no roteiro. O script trabalha com situações cotidianas como a perda da autoestima e da memória, o desafio de manter o casamento e provar que o amor ainda existe, os flertes e casos extraconjugais, a intervenção dos filhos que não sabem como lidar com pais idosos, o sentimento de transitoriedade da vida e do fracasso após anos de trabalho, a negação do envelhecimento. Ele recorre às velhas fórmulas comuns que surgem com a velhice como, por exemplo, Adam que não aceita a passagem do tempo, começa se vestir como um jovem de 25 anos, envolve-se com uma mulher que tem idade para ser sua filha. Embora situações como essa possam acontecer, o filme tem na narrativa esses exemplos estereotipados que empobrecem a dramédia e que desperdiçam talentos como Rossellini e Hurt. Além do mais, ao desfecho, fica a impressão que a intenção dos realizadores foi recortar várias situações do dia a dia que surgem com a velhice e expô-las, não necessariamente, trabalhar um roteiro mais conciso e sólido para contar uma história de um casal que envelhece, com uma evolução dramática que joga o espectador a prever a experiência de envelhecer. Seria mais válido e bem vindo uma forma diferente de tratar a velhice, em um apelo mais existencial e com um roteiro desenvolvido a partir dessas contradições da passagem do tempo. Existem méritos também; o filme é mais convidativo somente por conta do casal de protagonistas cuja experiência e química elevam o longa para uma melhor categoria. Rossellini tem carisma, beleza natural e articula bem o drama com a comédia, preenchendo a tela com sua preciosa versatilidade. Hurt é mais concentrado em um personagem mais racional, sério e dramático e, igualmente, agrega valor a cada cena, até as mais estereotipadas. No geral, o filme proporciona um momento para pensar um pouco na velhice, que é inevitável a todos que sobrevivem até essa fase.


O prazer: Isabella Rossellini e William Hurt


O desprazer: Um roteiro que nasce de uma ótima ideia sobre velhice e não sabe como desenvolvê-la em melhor completude dramática tal que as emoções genuínas do envelhecimento fossem catalisadas na Tela Grande.


Por que vale a rapidinha? Pelo prazer de ver Rossellini e Hurt juntos em cena.


Rendimento:

Informações sobre o filme, acesse ImdB

3 comentários:

  1. O que eu mais gostei nesse filme foi da forma leve com que o longa aborda a trama, que é bastante atual, diga-se de passagem. Adorei também as atuações de Isabella Rossellini e William Hurt.

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  2. Kamila,
    Se for analisar pela leveza, realmente é um filme mais ligeiro mesmo.
    Abs.

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  3. Nossa, o amigo Francisco Cannalonga, do Lumi7, havia me falado super bem do filme, tinha ficado ansioso. Mas confesso que sua resenha me desanimou um pouco... Pra todos os efeitos, vejo quando tiver uma chance. O tema, por mais batido que seja, me desperta profundo interesse!

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