domingo, 19 de fevereiro de 2012

MaDame Retrospectiva : Top Documentários 2011 - Cinema Nacional



A cada ano, novos documentários chegam às telas do Cinema e conquistam pela autenticidade do registro, por explorar um pouco mais da história de pessoas comuns e famosas que constroem suas realidades nesse mundo que, por si só, é um macro documentário. Nessa categoria que vem sendo muito bem apreciada por Madame Lumière, optei por selecionar os documentários cujo registro fica no campo mais não ficcional, incluindo o de Ana Rieper (Vou rifar meu coração) que obteve mais destaque na Mostra de Cinema São Paulo, CCBB e Festival de Brasília. Coincidentemente, a música foi um personagem na maioria dos documentários escolhidos, sempre inspiradora e nostálgica. Destaco também, como menções honrosas, os diretores Sergio Borges e João Jardim, respectivamente, por dirigem híbridos de documentário e ficção, respectivamente, em O céu sobre os ombros e Amor?. Eles não entraram como documentário puro, mas já demonstram que as fronteiras entre ficção e não ficção têm rendido excelentes longas, o reconhecimento do público e da crítica e uma nova forma de fazer Cinema Brasileiro.






5 - Eu vou rifar meu coração, de Ana Rieper


Um documentário que fala do amor e das canções bregas que emplacaram as histórias passionais, afetivas, eróticas no cotidiano e imaginário dos brasileiros. Além de apresentações e testemunhos de Wando, Amado Batista, Lindomar Castilho, Agnaldo Timóteo etc, essa não-ficção diverte e emociona pois demonstra que as pessoas amam de uma forma que, pouco importa se é brega ou não, doida ou não, o importante é amar muito e não ter vergonha disso.






4 - Filhos de João, o admirável mundo novo baiano, de Henrique Dantas


Um ótimo retrato de uma época marcante na música popular Brasileira: anos 60 e 70 com o grupo musical Novos Baianos em um contexto de ditadura militar. O imensurável legado cultural está no filme com temas como o tropicalismo, o futebol, a contracultura, o estilo alternativo e comunitário dos Novos Baianos. Muito mais do que fazer música boa e autêntica, com a veia da Brasilinidade, o grupo Novos Baianos é parte da História cultural do Brasil em uma época de represssão, no qual os artistas abriam os caminhos da liberdade com paixão pela Arte.







3 - Rock Brasília: Era de Ouro, de Vladimir Carvalho



Para quem viveu a geração Legião Urbana, provavelmente se emocionará muito com esse documentário que registra uma jornada nostálgica ao rock dos anos 80. Nostalgia é uma palavra essencial para essa época, cheia de significados militantes e inspiracionais em um documentário que recupera a verve de desejos e sonhos de uma juventude única existente no país.





2 - As Canções, de Eduardo Coutinho


O documentário é fascinante. É uma verdadeira declaração de amor às canções que marcam a vida afetiva de várias pessoas, através de testemunhos intimistas, impregnados de verdade e sensibilidade e músicas entoadas por elas mesmas. O diretor Eduardo Coutinho, com seu toque de Midas, experiente e cativante, faz de As canções um documentário obrigatório a todos que gostam de uma autêntica emoção amorosa através da música e da memória.




1 - Lixo Extraordinário, de Lucy Walker


Belo documentário que tem sua força no contraste com o lixo, elemento rejeitado pela sociedade e tido como fétido e descartável, aqui ele se apresenta como um meio para a beleza artística, a qual se produzirá através dele e do trabalho do artista plástico Vic Muniz. No filme, o lixo é extraordinário e assume um valor imensurável que traz trabalho e dignidade a cidadãos humildes e um espírito de mudança de vida através da Arte e da solidariedade.

3 comentários:

  1. Oi, querida, o blog tah bem bacana....bj
    Gatti

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  2. Me interessei por esse Filhos de João e Vou Rifar Meu Coração. Gostei do texto, Madame.

    Abraço do Cinéfilo Otávio.

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  3. Destes, só não vi Rock Brasília, por pura opção, já que não suporto o Renato Russo. Vou Rifar meu Coração ainda estou na esperança que lance em circuito comercial, acho belíssimo e, inclusive, escrevi um texto sobre ele no Lumi7. O Filhos de João me encantou, conhecia a música dos Novos Baianos - muito boa, por sinal -, mas sua história é absolutamente fascinante. Achei o máximo a divisão de dinheiro deles e a paixão pelo futebol! Trocaria o As Canções pelo Lixo Extraordinário, pois, embora tenha chorado horrores no segundo, o primeiro é mais belo e tocando, ao meu ver. São, de fato, os dois melhores documentários do ano passado (não só nacionais, mas de todos lançados)!

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