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Crítica | Avatar: Fogo e Cinzas – A Vulnerabilidade como Estratégia de Sobrevivência

 




#Drama #Aventura #Fantasia #SciFi #Distopia #Família #CinemaAmericano #Franquia #Blockbuster #DicasStreaming #Disney




Por Cristiane Costa,  Editora e Crítica de Cinema | Especialista em Comunicação e Projetos




Em Avatar: Fogo e Cinzas, a jornada de Jake Sully e Neytiri ganha contornos mais sombrios e terrestres. Após a resistência nos oceanos, a família enfrenta o surgimento do "Povo das Cinzas", um clã Na'vi liderado pela implacável Varang. Diferente dos clãs que conhecemos, este grupo vive em regiões vulcânicas e é movido por uma visão de mundo onde a força e a fúria prevalecem sobre a harmonia. A trama se intensifica quando esses nativos formam uma aliança de conveniência com os humanos da RDA, forçando os protagonistas a entenderem que o mal em Pandora não vem apenas do céu, mas também de dentro de sua própria espécie.



Críticos frequentemente apontam James Cameron sob a lente da megalomania, um criador obcecado pela pureza selvagem de Pandora e pelos limites da técnica. Entretanto, em Avatar: Fogo e Cinzas, essa obsessão se justifica em um vigor narrativo que desafia o tempo. Se nos filmes anteriores o deslumbre visual era o nosso refúgio, aqui somos confrontados com uma obra que sustenta sua longa duração através de uma densidade emocional e estratégica. O tempo passa e não sentimos, pois a urgência da trama nos captura: saímos do encantamento para encarar as rachaduras de um mundo que, assim como o nosso, é testado pela ambição humana, pela exploração da natureza, da ciência e das armas.








Nesta nova etapa, Cameron faz uma escolha narrativa ousada e necessária: introduzir antagonistas da própria espécie Na’vi. Ao apresentar o Povo das Cinzas, o filme nos lembra que a luta contra a destruição não é apenas contra o invasor externo, mas contra a própria natureza do ser humano, e aqui, por extensão, dos nativos. Ao contrário do que se poderia temer, não se destrói a mística do planeta, mas se revela que o poder de destruição reside em qualquer espécie que se deixa corromper pelo desejo de domínio.



Sensorialmente, o filme me trouxe um desconforto proposital por se assemelhar à fúria e à ambição do mundo real. A transição da bioluminescência vibrante para a opacidade das cinzas e do magma traduz como as pessoas podem ser desleais e letais, oprimindo o coletivo em prol de uma sede de poder individual. Essa atmosfera visual encontra eco na trama política, quando a aliança entre a líder dos antagonistas e o antigo Coronel se revela uma jogada perspicaz de roteiro, misturando sedução e ganância. É uma mistura bombástica que reforça as lacunas de caráter de quem coloca as armas acima da vida, gerando uma atmosfera de opressão que ressoa muito além das telas.








No campo do legado, embora os filhos tenham menos protagonismo em comparação ao segundo filme, Kiri emerge como uma luz fundamental. Ela conecta Pandora à Grande Mãe de forma etérea, mantendo uma vulnerabilidade que, paradoxalmente, a fortalece em relação ao filme anterior. Ela é o contraponto sensível à brutalidade das cinzas. Enquanto isso, Jake e Neytiri permanecem como pilares de liderança, carregando um luto que ainda ressoa e que serve de combustível para a resistência. Eles não são mais apenas guerreiros; são pais que lideram através da ferida e da experiência.



Neytiri, em particular, apresenta uma complexidade fascinante. Às vezes repetitiva em sua fúria, ela se mantém como a personagem necessária que sustenta o solo da família enquanto externaliza sua indignação. Sua relação com Jake continua sendo uma força motriz baseada na lealdade. O ponto alto, no entanto, é o surgimento de uma antagonista feminina igualmente brava. Essa camada de gênero agrega uma novidade essencial à franquia, mostrando que as mulheres também ocupam arenas de conflito e disputa, lutando umas contra as outras por visões de mundo divergentes.



Por fim, o equilíbrio entre a tecnologia de ponta e a transcendência cinematográfica é o que define o sucesso deste capítulo. Cameron prova que a técnica, quando bem gerida, não é um fim, mas um meio para um encontro de almas. Mesmo em meio ao caos das cinzas e ao peso da deslealdade, o filme preserva sua essência espiritual. Assim, Avatar: Fogo e Cinzas reafirma que a vulnerabilidade e a espiritualidade são as verdadeiras armas contra a destruição. Saímos da sessão com a sensação de que, apesar da fúria e da opressão que nos cercam, a conexão com o sagrado e a resistência do coletivo ainda são os únicos caminhos possíveis. Cameron pode ser um obcecado, mas é nessa obsessão que ele encontra a verdade da sua criação.





Imagens: Divulgação Disney


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