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Estreia nos Cinemas: 03 de Setembro Por Cristiane Costa A terceira adaptação Francesa para os Cinemas do romance "Le Jo...




Estreia nos Cinemas: 03 de Setembro



Por Cristiane Costa



A terceira adaptação Francesa para os Cinemas do romance "Le Journal d'une Femme de Chambre" (Diary of a Chambermaid/ Diário de uma criada de quarto) de Octave Mirbeau chegou aos Cinemas Brasileiros hoje após passar pelo Festival Varilux de Cinema Francês em Junho desse ano. Desta vez, quem assumiu a batuta de mais um remake foi Benôit Jacquot, conhecido pela direção de personagens femininas nos últimos trabalhos como "3 Corações" e "Adeus, minha rainha". A primeira adaptação foi dirigida por Jean Renoir em 1946 e a segunda por Luis Buñuel em 1964. O filme de Jacquot é diferente de seus antecessores, fato que o motivou a realizar sua interpretação pessoal e crítica sobre a obra. A história acompanha um olhar contemporâneo que serve para analisar a dissimulada sociedade que, segundo o diretor, continua com os mesmos problemas tratados no clássico, entre os quais, "escravidão assalariada, antissemitismo e a discriminação sexual".








A história é ambientada no final do século XX, Celéstine (Léa Seydoux) é uma camareira jovem, discreta, bela e atraente,  contratada para prestar serviços a algumas famílias burguesas no decorrer de sua experiência. Decidida a deixar Paris e respirar novos ares, ela parte para uma região Provinciana da França para trabalhar para o Sr. e a Sra. Lanlaire (Hervé Pierre e Clotilde Mollet), que seguem, respectivamente, os arquétipos do patrão que assedia e se envolve sexualmente com as empregadas e da patroa rigorosa e controladora que se comporta como uma mulher medíocre e infeliz. Além dos Lanlaires, Celéstine conhece Joseph (Vincent Lindon), que trabalha para a família há longos anos em um cargo de confiança com atribuições de jardineiro e caseiro.











Essa é uma obra de natureza crítica em sua essência literária, portanto, Jacquot , que assina o roteiro com Hélène Zimmer, narra a história com o ponto de vista de Celéstine, a principal personagem e a responsável por assegurar um pouco de densidade psicológica em virtude dos personagens coadjuvantes pouco desenvolvidos. É através dos olhos dela que o espectador tem acesso às denúncias sociais e pode analisar como funciona a relação da burguesia com os empregados, a dissimulação nas atitudes mesquinhas e hipócritas dos Lanlaire, o racismo, a violência, o sadismo  e o plano ambicioso e vingativo de Joseph.  Ainda que Celéstine não seja uma donzela e seja tratada como uma prostituta do lar ou uma potencial meretriz de bordel em determinadas cenas, a delicadeza que há no longa vem exatamente da beleza  de Léa Seydoux, sua maturidade, naturalidade e frescor na atuação. Celéstine conserva sua postura obediente,  submissa e leal e é articulada para lidar com situações humilhantes, entretanto, sua personalidade tem esperteza, comicidade e rebeldia que, a qualquer momento, poderá fazê-la mudar de condição e virar o jogo, mesmo que não tenha opções dignas de ascensão social.  Por conta disso, o longa tem um leve toque de suspense, principalmente na relação entre ela e o misterioso infame Joseph.







A direção se apropria de determinados recursos narrativos para ampliar o campo de visão sobre a realidade profissional de uma camareira e de como ela circula nessa sociedade. Para isso,  muda o tempo e espaço com o uso de flashbacks e adiciona a relação de Celéstine com uma agenciadora de empregos, com vizinhos da região e com outra família ao cuidar de um jovem doente, Georges, neto da Senhora Mendelssohn. Com isso, o roteiro não mostra só a podridão moral nas relações de trabalho e sociais em geral, mas também, que existem bons momentos, os das denúncias escancaradas e, em especial,  os de afeto mesmo em uma sociedade que não costuma demonstrar amor e na qual os românticos sofrem as mazelas da doença e da morte. Assim, o fôlego narrativo foi combinar cenas de drama, suspense e comédia. Mesmo com essas estratégias, o filme tem problemas de execução e roteiro, entre os quais, ritmo lento, falta de desenvolvimento do personagem Joseph e de situações mais dinâmicas e de virada que apreendam a atenção do público e promovam um envolvimento emocional maior com essa realidade.






Em teoria, "Diário de uma camareira" tem uma proposta sócio-política rica e de variadas nuances psicológicas e comportamentais, mas não é bem executada em seu potencial. Léa Seydoux reina isolada em cena e não há um forte personagem coadjuvante para interagir com ela, logo, resta ao espectador entrar no seu mundo e desfrutar o que só ela tem a oferecer. Observar o drama de uma mulher que, ou é uma escrava assalariada, ou tem que estabelecer aliança com um homem ainda desconhecido para mudar sua vida. Ambas as situações ainda a colocam em uma posição de subserviência, além do mais, a mulher em sua posição é vista descaradamente como um objeto sexual  pela sociedade da época. O diretor explora pequenas cenas para expor essas críticas, como por exemplo, quando Celéstine é convidada para ser prostituta e é assediada por seu patrão;  quando não tem a liberdade de comer o que deseja sob o risco de ser descoberta e é humilhada pela Sra. Lanlaire;  quando não sabe quais são as reais intenções de Joseph e se, de fato, existe a possibilidade de amar e ser amada por ele. 







Assim sendo, as situações não são bem aproveitadas no todo e em uma coesão contínua de  vitais acontecimentos e  desdobramentos de impacto. Isso se dá também porque Vincent Lindon tem um personagem bastante ponderado na ação, um homem que nada faz em boa parte da história, é um repugnante antissemita, tem um comportamento violento, apenas observa e trama o seu plano por debaixo dos panos. Os momentos mais promissores e menos entediantes entre personagens se dão quando Celéstine e Joseph estabelecem uma comunicação entre olhares e pequenos gestos que dão a entender que há uma forte química sexual entre eles, uma promissora cumplicidade e história de amor ou um voto de confiança entre amigos já que ambos estão na condição de empregados. Eles têm uma relação estranha, um misto de atração e repulsa que deveria ter sido melhor explorada em picos climáticos ao longo da narrativa. O desfecho brusco só vem a evidenciar mais uma lacuna, a de uma finalização que pudesse combinar com um melhor e mais envolvente clímax. Ainda assim, o filme é um baita tapa na cara da hipócrita burguesia provinciana.






Ficha técnica do filme ImDB Diário de uma camareira
Distribuição : Mares Filmes

Por Cristiane Costa Na sociedade contemporânea, as pessoas têm sido constantemente cobradas por perfeição e sucesso em várias áreas ...


Por Cristiane Costa



Na sociedade contemporânea, as pessoas têm sido constantemente cobradas por perfeição e sucesso em várias áreas de suas vidas. Existe baixa tolerância ao erro e ao fracasso e, em parte, insucessos são tratados como uma fraqueza pessoal ou falta de competência; assim, em geral, o ser humano realiza constantes esforços para preservar uma imagem inabalável de êxito: ter desafios e conquistas, desenvolver uma carreira sólida, ter um corpo esbelto, beleza e dinheiro, manter a saúde em dia, estar cercado de amigos bacanas, viajar, conhecer e ser frequentador (a) de bons lugares, entre outros. Não há pecado nisso, porém, colocar muita expectativa e energia nessas aparências sociais não é garantia de felicidade e bem estar, é importante desfrutar o viver. Tendo como base essa perspectiva, o novo longa de Eric Lavaine, "Sobre Amigos, Amor & Vinho" (Barbecue) é uma deliciosa comédia Francesa sobre amizade e pequenas mudanças  para curtir melhor os agradáveis momentos da vida.





Com Lambert Wilson, excelente ator de "Homens e Deuses", a história apresenta seu personagem Antoine Chevalier, um homem educado, charmoso e requintado que tem uma vida estruturada. Casado com Veronique (Sophie Duez), ele trabalha na empresa da família, pratica esportes como corrida, goza de boa saúde e tem os encantos de um homem maduro, sedutor e bem vivido. Até que, certo dia, sofre um ataque no coração que o fará repensar seus hábitos e escolhas. Ele acorda para a vida, e nada melhor do que um tempo de lazer com amigos próximos e divertidos, com destaque para os atores Florence Foresti e Franck Dubosc, que atuam como um casal recém separado que dá alfinetadas um no outro,  e Guillaume de Tonquedec, como um dos amigos mais apegados.  Com roteiro do próprio diretor e Héctor Cabello Reyes, o longa tem um texto despretensioso e bem humorado que valoriza as conversas descontraídas entre os amigos e novos comportamentos de Antoine. À medida que ele fica mais à vontade e com uma sutil postura de rebeldia pós ataque do coração, ele  aproveita mais a viagem, regada à churrasco, jantares e vinhos no paradisíaco Sul da França.





Muito além da pequena mudança atitudinal de Antoine, da simpatia e realista interpretação de Lambert Wilson, "Sobre Amigos, Amor & Vinho"  tem uma direção que não compromete a energia solar do elenco. Ele deixa os atores ter espaço para contribuir com a leveza de uma comédia cuja narrativa se sustenta com esse convívio. De forma coesa, o círculo de amigos combina com o clima descontraído. Cada um com sua vivência e estilo coopera para embalar a história sobre o valor da amizade e a busca de momentos prazerosos. O roteiro não se restringe à Antoine e funciona muito bem em trabalhar os diálogos com uma agradável sinergia entre todos os personagens  e em situações simples de uma viagem de descanso.  No decorrer da história, é possível perceber que eles não precisam agradar uns aos outros para ser amigos, mas é exatamente a diversidade de suas características e atitudes e uma boa dose de tolerância e aceitação que o fazem ser um grupo que qualquer um gostaria de estar. Nesse aspecto, é como se Antoine tivesse o melhor dos tratamentos pós infarto: saborear as relações que são alicerçadas por afetos verdadeiros, degustar esse precioso vinho.






Como mais uma virtude "feel good" da história, destaca-se a trilha sonora  com Grégory Louis e Romain Tranchart e as ótimas canções "Freedom & Love" e "L'ennui", assim o filme todo é atraente considerando os moldes da comédia Francesa atual. Em especial, o público poderá perceber que, às vezes, é necessário passar um susto com a saúde para observar que não há receitas de bolo para a felicidade. Por mais que ter uma rotina saudável é o recomendado, a vida nos prepara surpresas que demonstram que ter controle sobre um dia a dia aparentemente perfeitinho não garante bem estar. Ao ver esses amigos reunidos, "Sobre Amigos, Amor & Vinho" evoca as delícias de deixar os momentos suaves e nós mesmos e as pessoas mais leves, enfim, curtir uma vida mais gourmand. Desabafos, discussões nada convidativas e sentimentos de mágoa e raiva podem surgir no meio de um jantar,  ainda assim, o verdadeiro Amor entre amigos fica melhor com o tempo e a convivência assim como um bom vinho envelhecido.




Distribuição: Tucuman Distribuidora de filmes







  "com esse filme, filmei muitas cenas externas e em grandes espaços bem cinematográficos: uma propriedade na África do Sul, ...




  "com esse filme, filmei muitas cenas externas e em grandes espaços bem cinematográficos: uma propriedade na África do Sul, o mar na Normandia, a montanha em Courchevel... Adorei o plano com o guindaste, na África do Sul, por cima a criação de crocodilos! Não sabia que podia sentir prazer em filmar esse tipo de cena. Isso abre muitas perspectivas para o futuro".
( Cécile Telerman )




Por Cristiane Costa

 

Os olhos amarelos dos crocodilos (les yeux jaunes de crocodiles) foi um dos destaques do Festival Varilux de Cinema Francês de 2015  e é uma adaptação de uma das obras da trilogia da escritora Katherine Pancol, também composta por "A valsa lenta das tartarugas" e "Os esquilos do Central Park estão tristes às segundas-feiras". O produtor do filme,  Manuel Munz, comprou os direitos da obra e convidou Cécile Telerman (de "Algo que você precisa saber") para a direção. Ao lado da filha de Pancol, a roteirista  Charlotte de Champleury, a cineasta adaptou uma boa história que mistura drama familiar com comédia e tem marcantes atuações de Julie Depardieu e Patrick Bruel.


Katherine Pancol escreve sobre relacionamentos, trabalha com muitos personagens e uma variedade de intrigas e peripécias em suas histórias que valorizam emoções verdadeiras com as quais o leitor se identifique. Nesta obra, a historia aborda a relação entre duas irmãs de personalidades bem diferentes e um conflito relacionado à escrita de um livro best-seller. Josephine, a Jo, (Julie Depardieu) é uma mulher de 40 anos, pesquisadora da Idade Média. Embora depressiva e insegura com relação à sua inteligência e potencial, ela é uma mãe amorosa, esforçada e trabalha intensamente para sustentar as duas filhas, principalmente após um casamento falido. Por outro lado, sua irmã Iris (Emmanuelle Beart) é uma burguesa de beleza estonteante e gosta de curtir as boas coisas que o dinheiro proporciona. Ociosa e com um casamento em decadência com Philippe Dupin (Patrick Bruel), Iris é uma mulher que não consegue mais levar à frente seus projetos de escrever um livro. Não tem inspiração e nem força de vontade. Em uma determinada situação e para se exibir à sociedade, ela tem a ideia de mencionar que escreverá um livro sobre a Idade Média, tema que sua irmã tanto domina. O conflito central do roteiro começa quando ela pede à Jo que escreva o livro em seu lugar.



  
Jo (Julie Depardieu) e Iris (Emmanuelle Beart): duas irmãs, dois opostos.

"E eu logo me apaixonei pela relação entre as duas irmãs que é, ao mesmo tempo, repleta de meiguice e de cumplicidade, mas também de injustiças e manipulação. Iris e Jo são os dois lados da mesma moeda: cada uma deve sacrificar a parte complementar da outra para existir. E quando uma delas rompe o pacto que fizeram, a relação de força se inverte: é emocionante a contar e a filmar.  - Cécile Telerman



Embora o roteiro do longa se mantenha fiel ao livro, e portanto, ligeiramente se estende além da conta, inclusive adicionando sem muita necessidade o núcleo da relação entre o padrastro de Jo e Iris, Marcel Grobz (Jacques Weber) e de sua amante Josiane Lambert ( Karole Rocher), a história mantém o ponto de integridade narrativa nas funções dramatúrgicas e atuações do trio de atores formados por Julie Depardieu, Emmanuelle Beart e Patrick Bruel. São eles que não transformam o filme em uma caricatura maniqueísta das relações, ainda que o filme marque bem a diferença de perfis entre irmãs e a frieza do casamento dos Dupin. Iris  é uma mulher atraente e rica. Em teoria, ela tem tudo: beleza, dinheiro, casa, marido, filho e viagens, no entanto, paradoxalmente, ela não tem nada. Ela carrega a frustração de não ter seguido a carreira de cineasta e não estabelece muito afeto com o marido e o filho. Ela está apática. Com um comportamento manipulador, ela influencia a bondosa Jo a ajudá-la, mas é possível perceber que o "contrato" não tem pobres vítimas. De alguma forma, elas se amam e se apoiam. Há uma boa energia entre as duas. Elas podem ser compreendidas em suas faltas e demonstram que a relação entre irmãos costuma ser dúbia, divididos entre o amor, a raiva, a mágoa, os ciúmes, a competição etc.




"achei o trabalho de Patrick Bruel formidável. Seu personagem, Philippe, tem mais lugar no filme do que no livro. No cinema, a história é quase contada do ponto de vista dele. Ele é, ao mesmo tempo, a grande testemunha do confronto da sua esposa com a realidade e suas mentiras, mas também da eclosão de Joséphine. Patrick Bruel dá a ele muitas nuanças e humanidade" - Katherine Pancol sobre Patric Bruel 


Com melhor performance e um personagem bem interessante está Julie Depardieu. Da maneira de se portar fisicamente, toda curvada e insegura, passando pela fragilidade emocional do fim do casamento e o conflito com sua insuportável filha adolescente Hortense ( Alice Isaaz), a atriz é a grande estrela do filme, e apresenta uma maturidade excepcional para  interpretar a personagem com bastante consistência em cena. Sua personagem é a que tem o arco dramático mais realista e em melhor evolução, desabrochando em meio ao drama de uma separação e a necessidade de pagar dívidas, trabalhar e sustentar a casa. No geral, o melhor aspecto desta personagem é que ela não é uma mulher fraca. Pelo contrário, existe uma força interior em JO, um talento para a escrita, uma atitude de afeto e apoio à família que a torna bastante humanizada para a história.  Dificilmente uma irmã escreveria o livro para outra pessoa fazer sucesso, até mesmo para um(a) irmã(irmão), logo, estamos lidando com uma ficção que entra no terreno das injustiças e manipulações nas relações humanas, e principalmente, na difícil arte de dizer não e no desafio de se valorizar e superar os fracassos e inseguranças pessoais.




Cécile Telerman se destaca na direção de atores, bem apoiada pela direção de elenco de Páscale Béraud e na trilha sonora  delicada e sentimental de Frédéric Parker Aliotti, e  peca em fazer questão de deixar as cenas do affair do padrastro de Jo e Iris e sua secretária. Do ponto de vista da coesão e coerência narrativas, cortá-los não faria falta alguma à história pois o foco central é a relação de cumplicidade entre as irmãs, e também, seus conflitos. Por outro lado, um ator coadjuvante que realiza um trabalho seguro, necessário e de qualidade é Patrick Bruel. Seu personagem Philippe tem consciência da sua dor no Amor e da sua frustração com a própria esposa. É um personagem maduro, que ama o filho e que evolui para uma decisão importante. Sob a perspectiva da sensibilidade masculina em ver um casamento em ruínas e ainda sustentado em aparências, Philippe é um papel interessante e adiciona humanidade a várias cenas sem cair no clichê. Certamente, ele e JO seriam o casal perfeito para o mundo ideal das relações afetivas.





Ficha técnica do filme no IMDB Os olhos amarelos dos crocodilos
Distribuição no Brasil : Mares Filmes




Citações entrevistas -  Mares Filmes

Previsão de estreia no Brasil: 13/08/2015 Um dos destaques do Festival Varilux de Cinema Francês de 2015 .  Por Cristiane Costa...


Previsão de estreia no Brasil: 13/08/2015
Um dos destaques do Festival Varilux de Cinema Francês de 2015 . 




Por Cristiane Costa




Depois que novos trabalhos de Guillaume Canet desembarcaram no Brasil,  "O homem que elas amavam demais" no circuito comercial e "Na próxima, acerto no coração" durante Festival Varilux de Cinema Francês, fica mais evidente que Canet é um ator sob medida para interpretar homens dissimulados, sedutores, perigosos e psicologicamente transtornados. Seu excelente desempenho mantém o je ne sais quoi  da elegância Francesa com a  experiência como ator e diretor e aura misteriosa e intrigante de um personagem ambíguo.  








No filme dirigido por Cédric Anger e baseado em história verídica de Alan Lamare, o "Assassino de Oise", o roteiro, também escrito pelo diretor, é resultado de uma pesquisa documental de testemunhas, atas de processos, cartas do assassino e no livro Un assassin au-dessus de tout soupçon (Um assassino acima de qualquer suspeita) de Yvan Stefanovitch.  Guillaume Canet é Franck Neuhart, um  policial militar  (gendarme) da cidade de Oise, na França, que vive sozinho, eventualmente visita sua família e tem um affair com Sophie (Ana Girardot). Entre 1978 e 1979, um onda de crimes aterroriza a cidade e espalha medo e angústia. Jovens garotas são assassinadas após pegarem carona com um desconhecido. Franck se empenha vigorosamente em investigar os homicídios, no entanto, de forma bizarra, ele é o próprio maníaco. Por trás de sua discreta postura, disciplina profissional e habilidades de treinamento em guerra, Franck é um serial killer que escolhe suas vítimas aleatoriamente, troca de carro a cada crime e não pode se conter, as executa friamente. Também, tem crises de autoflagelação e um comportamento dual entre o corpo de ordem (policial) e o corpo sujo, pecaminoso (criminoso). Um homem louco que sofre na própria pele a maldição de ser um assassino. Um homem que deveria defender a população ao invés de matar jovens inocentes. E o que é mais louco no filme? Este serial killer é sensível e é possível compreender um pouco sobre ele. Ele é um infeliz!





"Estar dentro das impressões do personagem, foi isso que determinou tudo: câmera, movimentos, luz, som. Frequentemente durante as filmagens, eu lembrava à equipe que tínhamos que o filmar como se ele fosse um artista, estar dentro das suas emoções." 
(Cédric Anger)





"Na próxima, acerto no coração" conduz o espectador a um mood bem obscuro na fotografia, sendo este um dos seus maiores êxitos além da atuação de Canet.  O talentoso diretor Cédric Anger demonstra ter total controle dos efeitos psicológicos de um thriller e nos entrega um filme frio, escuro, áspero com elementos verídicos e fantásticos. Ele também carrega sofisticação nos enquadramentos. Ainda que crie instabilidade para enfocar a nervosidade do protagonista, trabalha bem tanto com câmera na mão como com planos mais estáticos e travelling. Também, apresenta movimentos de câmera que referenciam a David Fincher e utiliza muito seu expertise em luz para criar uma atmosfera fantasmagórica com os elementos da natureza, realizando uma ponte entre as emoções do protagonista e sua familiaridade com as sensações da floressta. No mais, a fotografia é fria, melancólica, enfumaçada como a vida naquela cidade isolada perturbada pelo crime, na qual se vê poucos moradores e não há espaço para momentos luminosos, tanto que o diretor proibiu o uso de branco. A direção intercala tomadas internas de Franck em seu fétido apartamento, ou com sua amada, família e policiais, e com seus ataques homicidas e as suas visões e pesadelos na floresta, no pântano. Portanto, o longa-metragem se sustenta por uma força visual inquietante por não apresentar nenhuma grande reviravolta ou distrações como espetáculo. Tudo é mais tênue, misterioso, balanceando o cotidiano do personagem com a sua contemplação da natureza noturna.



Tudo é voltado para o trânsito do protagonista e como ele se comporta em cena. Acompanhar a narrativa é analisar o comportamento de Franck. Este é o foco da direção.  "Na próxima , acerto no coração" é colocar uma lupa sob o assassino, na perspectiva dele. O olhar da câmera nos convida a observar como é Franck, o que se passa na mente dele, como é dissimulado diante dos outros policiais, como são seus momentos de agressividade, suas fugas da polícia, suas idas à floresta. Pouco saberemos dele pois é o tipo de serial killer que vive o conflito de matar, um desajustado que não consegue pedir ajuda, que se esconde por trás da farda (e se liberta dela quando decide matar).  Não pode impedir a si mesmo por mais que tente ter uma vida afetiva, se socializar com o irmão mais jovem e ser admirado pelo seu chefe Lacombe (Jean - Yves Berteloot). Entendendo um pouco melhor a história de Lamare, é perceptível que ele é um frustrado. Não conseguiu ser o herói militar que ele desejava contribuiu para ele ficar mais insano. Acima de tudo, ele é um personagem bastante dramático, sensível, dividido entre seu lado policial, de ordem e moral, e seu lado criminoso, sujo, decadente. Permanecerá um enigma.





"O que me agradou muito no papel, foi de interpretar um personagem “que sofre ao matar”. Está muito claro isso quando ele embarca a jovem que pede carona na frente do colégio e que ele diz: “eu vou lhe machucar”. Ele não sente nenhum prazer nisso. O ato de matar lhe dá medo, o transtorna, o sangue o impressiona. É um assassino tão diferente que ele não tem essa queda pelo sangue, nem essa pulsão frenética de matar. Ele sente apenas um mal-estar profundo que o leva a fazer isso." (Guillaume Canet )


Até mesmo as mortes são objetivas, enigmáticas. O assassino troca de carro, pega a estrada, escolhe uma garota, tem um momento de tensão pessoal e atira apressadamente na vítima. Franck é um serial killer sem grandes métodos ritualísticos pois não gostava de sangue e matava de forma estabanada, por isso a frase "Na próxima, acerto no coração". Ele nunca conseguia acerta-las com precisão, o título do filme é a sua tentativa de autoafirmação. Como um solitário frustrado que não deu certo na carreira e continua como policial de um cidade pequena, seu território é Oise. Lá ele decide ser o terror. A construção da narrativa explora as locações da cidadezinha e a própria convergência entre a solidão da cidade, com floresta aos arredores com a vida do serial killer, de isolamento. Com a crível atuação de Guillaume Canet ao representar um personagem que não tem controle sobre si mesmo e não é reconhecido pelo "valor policial " que desejava ter, assim, este filme tem uma boa veia dramática por explorar que Franck usou seu talento de forças armadas da pior forma. Na biografia de Lamare, havia um desejo de ele ser de forças policiais de elite, porém isso nunca aconteceu. Levou várias recusas, é bem provável que sua mente furiosa tenha decidido ser popular pelos métodos mais equivocados e repugnantes. Porém, o enigma persistirá. Ele conseguiu enganar até os próprios colegas.



"É um personagem único em todo caso. Muito ambíguo. Que podia ser muito sedutor e ao mesmo tempo que sentia um tal mal-estar... Ele era o companheiro preferido dos colegas e ao mesmo tempo, ele instalava armadilhas em carros que iam explodir nas suas caras... Nos poucos documentários que foram feitos sobre ele, vemos os seus colegas, mais de vinte e cinco anos depois, que falam dessa história soluçando, chorando..." (Guillaume Canet)



Apesar de perder oportunidades de trabalhar maior tensão e conflitos na onda de assassinatos, este é um bom longa-metragem e tem como destaque a direção, a fotografia e a atuação.  O roteiro perde em ação inteligente e em clímax, permanece como um thriller "behaviorista" e psicológico do que como um thriller de investigação e não utiliza bem os coadjuvantes. Assim como o seu protagonista, o filme é um lobo solitário, o foco não é perseguir o lobo e sim observá-lo. Como contribuição para o Cinema, sua história retoma a dissimulação da sociedade. Embora pouco explorada no roteiro através de outros personagens, ela existe. Não apenas a de Franck. A da sociedade da época. O fato do assassino ser um policial militar foi um escândalo, afinal, e a moral e os bons costumes na França? Um policial matador de jovens garotas em uma cidade do interior? Como lidar com isso em uma época que valorizava a ordem desta instituição? A história  do "Assassino do Oise" foi silenciada na mídia. Vítimas e familiares foram silenciados na busca por justiça. Com este filme, podemos tentar compreender um pouco mais quem foi este serial killer, um criminoso que não foi julgado, que ficou marcado na história como mais um impune.






Ficha técnica do filme ImDB Na próxima, acerto no coração


Créditos entrevista via Califórnia filmes 

O que as mulheres querem ( Sous les jupes des filles , 2014) é o primeiro longa-metragem de Audrey Dana e traz uma comédia apenas co...





O que as mulheres querem (Sous les jupes des filles, 2014) é o primeiro longa-metragem de Audrey Dana e traz uma comédia apenas com personagens centrais femininas. No total são 11 mulheres em situações relacionadas à carreira, amor, casamento, saúde, entre outros. Embora bem intencionado para tratar questões cotidianas sobre o universo feminino e ter um elenco de ótimas atrizes como Isabelle Adjani, Vanessa Paradis, Laetitia Casta, Julie Ferrier e Sylvie Testud, o filme se perde em sua própria ambição de trabalhar com diversas histórias que não se conectam verdadeiramente com o público.


Ainda que se trate do primeiro filme e há uma inexperiência natural da cineasta para orquestrar cenas que falam pela emoção e com sinceridade sobre mulheres, o roteiro emenda histórias que, em si, pouco desenvolvem os personagens e que poderiam ter melhor significado prático para a compreensão do público, principalmente o feminino.  O roteiro é extenso e a edição é costurada sem efetivos ganchos que apreendem a atenção e mantêm o vínculo com cada personagem. Tanto que qualquer uma destas histórias poderia ser retirada do texto e não faria qualquer diferença. Não conquistam. Não permanecem. A grande ironia de "O que as mulheres querem" é que roteiristas e diretora não sabiam o que elas querem. Se soubessem, o resultado seria mais positivo. Com isso, o longa se arrasta por quase duas horas, com um desperdício de subtemas e atrizes. Um exemplo claro disso é o trio de boas atrizes dramáticas como Isabelle Adjani, Julie Ferrier e Sylvie Testud que têm personagens extremamente pequenos e subutilizados.








À luz dos dilemas da evolução da mulher na sociedade, duas tentativas que poderiam ter sido melhor elaboradas são relacionadas a personagens Rose e Ysis . Rose (Vanessa Paradis), uma executiva que , embora cercada de homens no escritório, tem a vida solitária e pouquíssimos vínculos como familiares e amigos. Na tentativa de mudar sua rota de relacionamentos, ela começa a baixar a crista e retomar amizades. Ysis (Geraldine Nakache) é uma dona de casa, pouco vaidosa e com um marido galanteador. Ela se envolve em um relacionamento homossexual e muito pouco do seu dilema é desenvolvido. Desta forma, o filme é uma bonita colcha de retalhos à primeira vista mas não aquece o coração. 







Falar sobre desafios diários como "manter um casamento", "ser sexualmente atrativa e ainda cuidar de quatro filhos", "ter desejo por outras pessoas, inclusive do mesmo sexo", "resgatar ou manter o vínculo afetivo com amigos, conhecidos e familiares", "lidar com a autoestima", "lançar-se em um novo relacionamento" etc são temas recorrentes em vários filmes. A diferença é que, ao propor um filme sobre mulheres, é necessário entender como elas funcionam, como se conectar com elas (e também com os homens) em cenas que  conquistem pela honestidade, como ser um bom contador de histórias que dê conta da complexidade que é falar do sexo feminino em uma narrativa simples, leve e bem humorada. Aqui, são poucas as cenas que existe esta sinceridade. Por mais que se dê um crédito a um longa de estreia, a experiência é cansativa, frustrante e sem ritmo. 



É importante ressaltar que pulverizar histórias com poucos personagens seria uma estratégia mais objetiva e potencialmente bem sucedida.  O risco de trabalhar com n histórias e não dizer muita coisa é um risco previsto para cineastas sem muita experiência em direção, tanto que, até os mais experientes, também têm que ter uma sólida habilidade para montar um filme com elenco central maior. Agregar como a mente de uma mulher funciona torna o desafio cinematográfico bem arrojado. Desafio e dom para poucos.






 Ficha técnica do filme ImDB O que as mulheres pensam


Por Cristiane Costa Beijei uma garota ( Toute première fois, 2014 ) é o recente longa-metragem do galã Pio Marmaï , jove...











Por Cristiane Costa



Beijei uma garota (Toute première fois, 2014) é o recente longa-metragem do galã Pio Marmaï , jovem, talentoso e experiente ator do Cinema Francês que  também está sendo homenageado no Festival Varilux 2015  com uma Mostra especial de sua filmografia. É uma comédia romântica bem divertida com um toque de conto de fadas moderno que poderá arrancar suspiros das mulheres e não agradar (alguns ou muitos) homens homossexuais. Tudo vai depender do ponto de vista e quanto cada um levará a sério o argumento do filme, que aborda a questão da identidade sexual, os malabarismos de uma vida dupla, uma forte e imprevista atração por outra pessoa e a decisão por um novo relacionamento amoroso.





Jeremie (Pio Marmaï) namora o bonito, sensível e charmoso Antoine (Lannick Gautry) há 10 anos e estão prestes a se casar, porém Jeremie passa a noite em um apartamento desconhecido ao lado de Adna (Adrianna Gradziel), uma bela, divertida e atraente sueca. Sua vida vira de cabeça para baixo e ele tem que conviver com a indecisão entre ficar com Antoine ou partir para um romance com Adna. O enredo também tem personagens coadjuvantes interessantes e que cooperam para intensificar o efeito cômico, como o seu amigo e sócio  Charles (Franck Gastambide), um hilário mulherengo que está acostumado a ter casos rápidos com modelos, ser exigente com beleza física  e não se fixar a nenhum relacionamento sério, assim como a explosiva e mal humorada Clémence (Camille Cottin), a assistente dos dois, que tem uma queda por Charles e não sabe demonstrar seus sentimentos por ele. O núcleo dos personagens de Charles e Clémence é igualmente divertido, complementa com sinergia as cenas com Jeremie e garante boas risadas. Gastambide e Cottin são excelentes atores para a comédia, com destaque para a última, uma atriz bastante expressiva. Com poucos lances de câmera, sua atuação minimalista e peculiar é hipnotizante.





A escolha de Pio Marmaï  é perfeita. Além da habilidade cômica, do estilo galã desajeitado e de ser responsável por sustentar o entretenimento até o fim com seu carisma e talento, com leveza, ele representa um homem com um dilema afetivo: dividido entre o desconhecido, o novo, o estrangeiro representados por Adna e o conforto , o lar e o ambiente familiar já bem instalados com Antoine. Se Pio Marmaï não tivesse competência para desenvolver empatia no público com seu jeito de garoto bonitão, original , engraçado e sensível, este papel poderia ser uma negação por tocar em um assunto delicado. Poderia simplesmente ficar ridículo, caricato e ofensivo! Mas não ocorre isso. Muito mais do que ter tido somente uma noite de sexo com Adna, Jeremie é gay e não imaginaria ter sentimentos intensos por ela. Pio Marmaï desempenha o papel com certa doçura e ingenuidade, apesar de vários momentos de um Jeremie confuso, egoísta e covarde para encarar os fatos. O primeiro crédito a dar para esta comédia é perceber como Jeremie ainda é imaturo e tem muito a aprender com a vida, inclusive conhecer a si mesmo.






Beijei uma garota foi escrito como uma fantasia delicada, uma história de amor inesperada e sobre um homem que precisa tomar uma decisão que impactará não somente sua vida, de seu atual parceiro e família, mas a vida de uma mulher que foi sincera com ele desde o início, por isso o filme deve ser encarado como um conto de fadas moderninho, um romance que pode ser factível como tantas histórias de amor improváveis que já aconteceram por aí. Já é sabido que muitos homens e mulheres já  "saíram do armário" e vice e versa. Embora seja difícil acreditar que após 10 anos, um homem  que tem relacionamento estável com outro homem fica muito balançado por uma mulher ao ponto de colocar em risco um casamento, no mundo contemporâneo da ÜBER sexualidade, tudo é possível, logo o filme não é tão heteroafetivo como parece ser. Para atenuar qualquer controvérsia, os roteiristas recorreram a algumas estratégias como a relação de amizade entre Jeremie e Antoine, capaz de superar separações e tristezas. É uma maneira simplista de encarar o conflito, é, e a comédia permite resumir e facilitar algumas polêmicas, porém pessoas entram e partem de nossas vidas. Compreender relacionamentos que não dão certo faz parte do jogo.








O roteiro acaba recorrendo a desenvolver um Jeremie que tem uma boa relação com a família, amigos e Antoine tal que o público tenha espaço para não se chocar com a indecisão dele, considerando que, até mesmo suas mentirinhas são compreendidas. Neste contexto, a excelente atuação de Lannick Gautry ajuda a fazer um bom par com Pio Marmaï. Ambos têm ótima química. Muito elegante e sensível nas suas cenas, Gautry atua como um gay apaixonante e evidencia que seu personagem sabe lidar de forma madura com os relacionamentos e seus problemas. Certamente, ninguém em sã consciência trocaria um  partido como Antoine por Adna, por mais simpática e fofa que ela seja.  O personagem de Gautry também ressalta que muitos homens homossexuais são atrativos e se aproximam a características desejadas tanto por homens como por mulheres. Antoine é sofisticado, sóbrio, bem sucedido, inteligente, compreensível e sensível, ou seja, o parceiro que muitos (as) pediriam a Deus. Portanto, o conflito da história é muito mais interessante: é sensato abandonar uma pessoa assim após anos de um relacionamento duradouro? Coisas que só o Amor  louco explica.







Ficha técnica do filme ImDB Beijei uma garota

Por Cristiane Costa Com o expertise dos Franceses em realizar boas e divertidas comédias, raramente surge uma bomba cheia de clich...



Por Cristiane Costa


Com o expertise dos Franceses em realizar boas e divertidas comédias, raramente surge uma bomba cheia de clichês em seus lançamentos, porém o mundo do Cinema é cheio de altos e baixos e o Cinema Francês não está fora destas oscilações. Sexo , Amor e Terapia (Tu veux ou tu veux pas, 2014), filme de Tonie Marshall, com Sophie Marceau e Patrick Bruel é um recente exemplo de um filme com boa ideia porém de roteiro e execuções fracas . O resultado é um filme que combina com as medianas comédias "Globais" do Cinema Brasileiro e com uma direção que não aproveitou o potencial destes dois grandes atores franceses.

A história é uma comédia romântica adulta com clichês imaturos sobre a relação homem e mulher e situações normalmente inverossímeis que não aconteceriam na vida real. Judith Chabrier (Sophie Marceau) é uma mulher de espírito livre e que adora colecionar envolvimentos  fugazes com sexo casual e nenhum relacionamento mais afetivo. Lambert Levallois (Patrick Bruel) é um viciado em sexo que está participando de um grupo de apoio e em tratamento de abstinência sexual. Após a chegada de Judith à Paris, eles começam a trabalhar juntos como terapeutas de casais e começam a se sentir atraídos um pelo outro, mas Lambert faz de tudo para evitar transar com Judith.  Por outro lado, Judith começa a se apaixonar por Lambert e controlar sua vontade por sexo.






A ideia do script e o background de ótimas comédias Francesas poderiam render um ótimo filme, no entanto, o roteiro tem falhas claras de como Lambert e Judith se conhecem e convivem um com o outro, sem uma lógica e desencadeamento de acontecimentos muito estruturado. Um dos exemplos é como começam a trabalhar juntos de uma hora para outra como se arrumar um emprego de terapeuta fosse a coisa mais fácil do mundo. Sophie Marceau, embora muito talentosa e carismática, se vê obrigada a performar vários clichês baratos como a mulher que  quebra o salto  na frente de um homem, tem que virar o bumbum de um lado para o outro para mostrar seus dotes físicos e se oferece como uma desesperada para um homem que a evita de várias maneiras. 




O charmoso ator e cantor Patrick Bruel, no auge de sua simpatia e beleza maduras, também não tem como desenvolver todo o seu potencial cômico em cena. Seu personagem é um homem que fica travado na masculinidade por conta do rehab sexual. O roteiro não lhe oferece muita amplitude e profundidade de desenvolver o seu personagem no que se refere à própria abstinência sexual e o coloca em situações irrealistas na qual um homem ou uma mulher viciada em sexo cederia facilmente à transa. Com uma estonteante Sophie Marceau ao lado, o filme é uma grande fantasia pois um homem heterossexual não aguentaria as investidas de Judith por mais romântico e poliano que o público tente ser.




Sexo , Amor e Terapia é uma diversão apenas para prestigiar o carisma de Sophie Marceau e Patrick Bruel e se tiver tempo para assistir a um filme cheio de clichês de um homem e uma mulher que se apaixonam e demoram para se acertarem na relação. A direção de Tonie Marshall é ligada no piloto automático e não fez nenhum sacrifício para melhorar este roteiro fraco, como por exemplo, explorar o lado mais cômico-dramático de ser um(a) viciado(a) em sexo e de ter dificuldades de amar uma  pessoa. O que incomoda é a reunião de clichês que deixam o longa-metragem artificial para contar um romance.



Patrick Bruel, em entrevista para o público durante o Festival, diz que gostou das cenas que eram mais improvisadas e que a história tinha potencial para ser melhor aproveitada, além de mencionar que nem sempre o ator tem autonomia para mudar a rota de um filme. Certamente, com um depoimento sincero como este, fica claro que o longa-metragem optou por um caminho mais fácil na execução e os experientes atores pouco tinham a fazer além do orientado. As únicas cenas que são mais honestas no campo dos relacionamentos amorosos  são quando os apaixonados percebem as boas qualidades um do outro e interagem com maior espontaneidade. Nesses momentos, quem gosta de comédias românticas mais realistas e honestas com o público, sentirá o bom e velho afeto que faz toda a diferença quando se fala de Amor no Cinema.






Ficha técnica do Imdb Sexo, Amor e Terapia

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