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#FilmesCult #LasVegas #Erotismo #PaulVerhoeven #Comédia #Softporn #Streaming #MaDameCult



Classificação do filme para faixa etária: 16+ anos





Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação




Na década de Instinto Selvagem (Basic Instinct, 1992), cultuado thriller erótico de Paul Verhoeven, o diretor lança Showgirls (1995), outro longa-metragem controverso ambientado em Las Vegas, cidade Americana com fama de paraíso financeiro e sexual e conhecido pelos night clubs e cassinos. Diferente do primeiro, que tinha Sharon Stone e Michael Douglas no auge do estrelato em uma química bombástica, Showgirls é lançado com uma protagonista menos conhecida, Elizabeth Berkley, que interpreta Nomi Malone, uma jovem dançarina que chega a Las Vegas para conquistar uma posição nos grandes shows.










Na história, Nomi Malone começa a dançar em um clube barato gerenciado pelo cafetão  Al Torres (Robert Davi), realizando strip teasers e danças privadas aos clientes. Seu sonho é ser dançarina e fugir do seu passado obscuro e misterioso.  Ao conhecer Cristal Connors (Gina Gershon), principal dançarina no show business que namora o empresário Zack Carey (Kyle MacLachlan), ela desenvolve uma tensa relação de repulsa e aproximação de Cristal, com uma potencial atração sexual e envolvimento entre elas, além da oportunidade de ser sucessora de Cristal no show da Deusa. 










Em toda a narrativa, o diretor não economiza corpos semi nus, olhares, gestos e insinuações eróticas, violência e muita dança e sedução. Embora o roteiro traga temáticas realistas sobre as dançarinas nos clubes noturnos em Las Vegas como sobreviventes e sonhadoras, a jornada é protagonizada por Nomi com o apoio da amiga Annie (Ungela Brockman). Nomi tenta manter sua integridade feminina em boa parte da projeção, se esquivando de ser tratada como uma mulher qualquer.  Mesmo com homens desejando levá-la para a cama como o dançarino e amigo James  Smith (Glenn Plummer), seu chefe e outros homens da companhia, ela se preserva até se envolver com Zack Carey.






Showgirls traz muita diversão como uma comédia com um roteiro que funciona muito bem para a proposta dos shows de Las Vegas, mostrando os bastidores dos clubes com os ensaios e apresentações, os conflitos e atração entre Nomi e Cristal, os desafetos e afetos por trás dos palcos. A intenção do cineasta nunca foi retratar algo pesado tão diretamente, ainda que, no último ato, a violência contra a mulher tome um rumo desproporcional em relação ao início e meio do roteiro. Isso não quer dizer que não há violência no longa: há muito abuso partindo da premissa de como as mulheres são tratadas como objeto e apenas corpos sensualizados (e sexualizados).










Nomi constrói sua jornada com determinação, beleza e sedução, mas também não é totalmente politicamente correta na sua busca e sobrevivência, ou seja, nos seus desejos mais íntimos, ela não tem problema algum em tirar o lugar de outra competidora, transar com o chefe ou bater em algum agressor, afinal, o filme não é uma fantasia para princesas. Aos poucos, Nomi se posiciona como uma estrela que, para sustentar seu espaço, tem o desafio de ver o alto preço para se manter como estrela do show.





A atuação de Elizabeth Berkley é positiva ao reunir autoconfiança, firmeza e sedução.  Nomi é dócil mas não é ingênua, especialmente no jogo de atração e repulsa por Cristal no qual elas se provocam. Esta faceta da personagem possibilita observar algumas nuances instigantes, como por exemplo, qual é seu passado e se ela é bissexual. Paul Verhoeven usa e abusa das sugestões sobre a bissexualidade das personagens, sendo que, no caso de Cristal, ela assume sua atração por mulheres desde o princípio. Até aqui, o diretor apenas reforçou seu entusiasmo pelo tema pois Instinto Selvagem já havia mostrado cenas lésbicas.





O diretor se diverte em Showgirls e resta ao público rir com ele, inclusive revivendo algumas cenas de Instinto Selvagem que se assemelham a uma paródia de suas obras, por exemplo, na forma que  Nomi move loucamente o seu corpo ao realizar um strip tease para Zack e Cristal e ao transar na piscina com Zack. Ele também capricha nas coreografias do show Deusa, uma das melhores partes do filme, que demonstra o esforço da equipe para criar um show artístico com corpos esculturais.










Com uma filmografia irregular que, nos anos 80 e 90 destacou excelentes obras como Robocop, O Vingador do Futuro e Instinto Selvagem, o lançamento de Showgirls provocou um fenômeno de ame ou odeie, desta forma, o longa tem fama de trash por parte das pessoas que o consideram vulgar ou resultado do vício polêmico do diretor em abordar o sexo pelo sexo. Este pensamento é radical porque, essencialmente, Paul Verhoeven trata muitos planos de seus filmes com humor, utilizando uma lógica subversiva para criticar a sociedade.




As críticas estão todas no roteiro e o diretor trabalha com um texto sem papas na língua exatamente para mostrar os bastidores inspirados na realidade. São constatações e decepções contínuas nas quais mulheres são abusadas, violentadas, usadas e tratadas muito mal. O linguajar de "puta", "vadia" etc parte, inclusive de mulheres para mulheres, oferecendo uma visão de que a sociedade foi construída de forma violenta até dentro do mesmo gênero. Homens que pedem por sexo oral ou para mulher tocar os seios e, nem ao menos, tem qualquer relacionamento com ela. Famosos e empresários que pensam que podem comandar, possuir e dominar mulheres. Todas estas são evidências da violência e vulgaridade deste patriarcado.











Mesmo com tanta linguagem grosseira, o filme é divertido em boa parte do tempo, com exceção do terceiro ato no qual a violência contra a mulher provoca revolta e deixa o clima pesado. Enfim, ainda é um clássico cult imperdível apesar de ter recebido prêmios de pior filme! É uma mistura de sonhos, frustrações, música e dança. É uma jornada semelhante à própria vida na qual, por trás do palco, da beleza e do brilho, nem tudo são estrelas. Muitas vezes é bom chegar ao topo para ver que aquele ali não é o melhor lugar.








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Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação





Em qualquer profissão, a realidade é dura com relação a envelhecer e não ter a mesma notoriedade da juventude.  Por mais que seja possível se reinventar e desenvolver múltiplos propósitos e ofícios, sair do destaque e dar espaço a novas gerações passa pela experiência de lidar com o ego e com os mais jovens. Qualquer profissional competente e com amplo background que está acostumado(a) com inúmeras conquistas e reconhecimentos, em algum momento da carreira, vivencia os altos e baixos da profissão e, principalmente, a auto exigência e cobrança de continuar vencendo ou, no mínimo, tendo retorno sobre o tempo, dinheiro e esforço que investiu em si.









Em Na Ponta (On the Edge, 2020), o mundo esportivo da esgrima mostra o combate entre duas mulheres habilidosas no sabre e onde se dá o encontro de diferentes gerações e classes sociais neste esporte. De um lado, a veterana e bem sucedida Aleksandra Pokrovskaya (Svetlana Khodchenkova) com 34 anos, principal referência da modalidade na equipe Olímpica Russa. Do outro, a revelação Kira Egorova (Stasya Miloslavskaya) com 19 anos e um forte desejo de vencer e se estabelecer no esporte. Bastante competitivas e de personalidades fortes, elas começam um duelo para ver quem vencerá as Olímpiadas e conquistará o tão sonhado Ouro.





Dirigido por Eduard Bordukov, Na Ponta é um bom entretenimento partindo da ideia de que tanto Aleksandra como Kira têm que aprender a se respeitarem como colegas de equipe e como oponentes. A temática da narrativa é bem atraente ao trazer um esporte diferente do normalmente abordado no Cinema. Há inúmeros filmes de boxe, atletismo, basquete, entre outros, mas sobre sabres é um diferencial, assim é uma forma de compreender um pouco mais o esporte na Rússia e o histórico da modalidade nas Olimpíadas, como por exemplo, a técnica, os bastidores e preparação.









A qualidade da dramaturgia é atendida pela ótima atuação de Svetlana Khodchenkova, uma atriz com experiência em campo e cuja personagem madura tem uma responsabilidade maior de servir de exemplo a Kira e dar o tom das mudanças nesta relação. A veterana fica com o peso de dar espaço para a novata  e tem o desafio de enfrentar  a auto estima e ego que ficam comprometidos neste contexto. 





Por outro lado, a jovem Kira é absurdamente antipática, arrogante e impulsiva no início do longa, características pessoais que a tornam insuportável e pouquíssimo carismática. Mesmo após ter um pouco de humildade, não apresenta carisma para uma potencial campeã. No geral, a interpretação de Stasya Miloslavskaya não é tão espontânea, logo, é um personagem que não conquista como um emergente talento. Caberia aqui uma melhor direção de atores para este personagem.









Felizmente, no decorrer da tensa relação entre jogos limpos e sujos nos quais uma têm que suportar a outra, os desdobramentos do roteiro garantem o que os filmes sobre esportes têm como principal missão: o que aprendemos com tudo isso através da simbologia do esporte e da competitividade? Muitas coisas positivas, inclusive a liderança, a colaboração e o respeito. Não é um filme agradavelmente vibrante e emotivo, mas a curiosidade pelo sabre salva a diversão.




(3,5)



Fotos, uma cortesia RFF.

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#CinemaRusso #RFF2021 #ComingofAge #Amadurecimento #Máfia

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Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



Parte da programação da 2ª edição do Festival de Cinema Russo (Russian Film Festival 2021), Masha (2020) é uma das gratas surpresas desta curadoria. Ambientado em uma cidade provinciana da Rússia na década de 90, o longa dirigido e roteirizado por Anastasiya Palchikova, é uma combinação de filme sobre uma família mafiosa com o amadurecimento da jovem Masha (Polina Gukman). A ótima atriz interpreta uma garota de 13 anos que é criada e protegida por seu tio, o "Padrinho" (Maksim Sukhanov), temido chefão do território e irmão de sua mãe, Lena (Iris Lebedeva). Como traço de personalidade e do universo particular de Masha, ela adora cantar clássicas músicas de jazz. Seu sonho é ser cantora.









Ainda que seja bem inteligente, carismática e amada por sua família e amigos, Masha é criada em um ambiente bastante violento no qual seu tio é dono de uma academia de boxe que funciona como uma fachada social. Ela é como uma luz no filme sob o qual pairam as seguintes reflexões: Ela conseguirá viver com sua família destrutiva? Terá conflitos desastrosos ou libertadores a medida que amadurece?  Entre uma canção e outra embalada por sua bela voz que suaviza essa mise en scène hostil, a vida de Masha é retratada como quem não teve escolha e vai amadurecendo sem perceber integralmente o quão dolosa é sua família. Na verdade, ninguém escolhe a família na qual nasce e, por mais detestável que seja um ou outro membro da família, ainda há um elo sanguíneo e afetivo que os une.








A cineasta concebe um longa Coming of Age com autoconfiança nas escolhas de direção, dando liberdade à sua jovem atriz agir com naturalidade em cena, como uma flor que desabrocha em meio à violência. Mesmo com a super proteção que a cerca, Masha é autêntica e sobrevive em meio a homens duros. Ela não precisa agir violentamente como eles. Dá atenção e afeto aos amigos próximos e encontra o primeiro amor. Não perde sua paixão pela música mesmo quando lida com o luto. 








A cineasta foi habilidosa em dirigir a maioria do elenco masculino sem perder o viés de denunciar o cotidiano provinciano desta família cujo patriarcado comanda as escolhas das mulheres; entretanto, o maior êxito é a direção da jovem atriz e seu protagonismo em um ambiente mafioso que, tradicionalmente no Cinema, é ultrapassado e masculino. Ainda que haja lacunas no roteiro que criam um universo bem tutelado para a jovem, a história de uma garota na máfia motiva o espectador a observar o presente e esperar qual será o futuro da garota. 








É muito complexo julgar o comportamento da jovem Masha que, sendo protegida e amada, não entra em conflito com sua família. A roteirista não se arrisca neste aspecto e prefere manter um amadurecimento mais mergulhado na intimidade de Masha, trazendo o repertório das canções para sua personagem. Em grande parte da projeção, ela perde amigos por conta da violência praticada pelo próprio tio, mas não tem cenas conflituosas com seu familiar, ou seja, não o enfrenta. Mais adiante, a cineasta utiliza elipses para  avançar a história e opta por não entrar nesta seara.   A partir daí, vem outras reflexões: "Como odiar aquele que ainda é uma das poucas referências de afeto e família?", "Como ficará a relação entre Masha e seu "Padrinho" no decorrer dos anos?.  Afinal, quando o amadurecimento avança e as tragédias pessoais são mais visíveis, as máscaras sociais nas relações humanas tendem a cair.




Esta problemática é vivenciada por sua mãe Lena que já sofreu muito neste contexto. Seu maior desejo é escapar com a filha. É uma mulher de meia idade chorosa e deprimida que não deseja viver neste ambiente e muito menos casar com outro mafioso como Andrey (Aleksandr Mizev). Outra personagem feminina dramática é a amante do "Padrinho". Ainda que performe um papel coadjuvante, ela é a mulher objetificada que sofre abusos e está ali em uma prisão a serviço da máfia. É a mulher cujos desejos são sufocados pelo poder, comando e violência dos homens. Sendo um filme dirigido por uma mulher, trazer estas experiências femininas é essencial para permitir ao público observar as dramáticas realidades e fins destas mulheres.




Em Masha, ter uma família mafiosa determina muito das tragédias que ocorrem, resultando em um filme trágico na sua essência. Mesmo quando a música liberta, entretém e dá um fio de esperança, no plano real, a tragédia está acontecendo com diversas perdas humanas que marcam o passado, não escapam ao presente e nem às memórias que estarão no futuro.








Fotos: uma cortesia RFF

  #AnimaçãoBrasileira #Streaming #DisneyPlus #Infância #Adolescência Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specia...

 



#AnimaçãoBrasileira #Streaming #DisneyPlus #Infância #Adolescência



Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação






Uma obra audiovisual para o Cinema e/ou TV continuamente oportuniza distintas experiências e opiniões na sua recepção pelo público e um dos efeitos mais enriquecedores no acesso e democratização destes produtos culturais é a possibilidade de melhor apreciar e analisar a obra dentro do seu contexto de produção, podendo relacioná-la a outros contextos deste mercado. Nesta seara de obras que ganham cada dia mais espaço, a Animação tem sido destaque tanto em Festivais de Cinema como em plataformas de Streaming, entre elas a mais recente produção Brasileira da Tortuga Studios"O Pergaminho Vermelho" (The  Red Scroll, 2020) dirigida por Nelson Botter Jr, que concorre ao prêmio de melhor animação dos Prêmios Platino do Cinema Ibero-Americano.








Com ineditismo, o filme é a primeira animação Brasileira a estrear no catálogo da Disney Plus, feito que já representa uma excelente conquista para os produtores e realizadores nacionais, levando em conta que a plataforma tradicionalmente tem a força das produções Americanas, além da demanda e exigência por emplacar conteúdos de blockbusters ou fidelização de personagens e super heróis  da Disney e Marvel. É claro que, neste cenário, a Disney tem buscado valorizar produções Latino-Americanas para atrair público mas também como uma necessidade crescente de estar alinhada à diversidade dos mercados internacionais e, por consequência, compreender e estar aberta a novas narrativas para diferentes públicos.








A história é sobre a mítica jornada de amadurecimento de Nina (Marina Sirabello), uma adolescente de 13 anos que está naquela fase complexa de transição entre a infância e a puberdade. Dócil, comunicativa e praticante de skate, Nina ainda tem um jeito de criança e encontra-se em um natural ciclo de mudanças com todas as dúvidas, inseguranças e descobertas que ele traz. Com constantes pesadelos, certo dia, ela é transportada para o mundo de Tellurian, no qual encontra figuras semelhantes à mitologia e novos amigos como Idril (Any Gabrielly) e Victor (Viny Takahashi). Ela tem que enfrentar o Lorde Dark (Nelson Machado), o Senhor dos Pesadelos, para recuperar o pergaminho roubado, defender a Terra Telluriana e voltar a ter bons sonhos em seu mundo real.




"- Queríamos abordar o mundo da imaginação das crianças, o motorzinho que impulsiona todas as criações e fantasias infantis, sempre tão livres de amarras e limites. Para isso, imaginamos uma aventura em um mundo onírico, que servisse de representação para tudo isso, nosso inconsciente coletivo, como uma Alice no País das Maravilhas. " - Fala do diretor




"O Pergaminho Vermelho" vem de encontro a apresentar animações que não reproduzam as grandes produções Disney e a valorizar outras formas regionais de realizar filmes, incluindo algo que é muito específico para o público infanto-juvenil em termos de linguagem, que é a sua identidade e capacidade de se conectar com histórias que englobam o universal e o local. Diante do apresentado pelo diretor, em parceria com Fernando Alonso, Keka Reis e Leo Lousada, o roteiro demonstra a busca por uma identidade infanto-juvenil que concilia o amadurecimento de Nina com sua eterna criança, podendo ser um filme muito adequado a crianças menores na faixa de 5 a 8 anos e bem compreendido por jovens que estão entre 12 e 13 anos. 










Em determinados eventos e diálogos, o longa é bastante infantil na fértil imaginação que é comum à infância, como por exemplo, na forma de falar de Wupa (Marcelo Palermo), o bicho-preguiça de pelúcia que se assemelha à voz de uma criança pequena; por outro lado, o roteiro traz um frescor contemporâneo ao colocar elementos de aventura que trazem à memória produções da cultura pop como Senhor dos Anéis e Harry Potter, e personagens que remetem a natureza e ao Folclore Brasileiro como os Sacis. Assim, o filme caminha de um polo ao outro: entre o global e o regional, entre a maturidade e o pueril, entre o real e a fantasia.





Para um filme que levou 10 anos para ser realizado, o mérito é digno de aplausos e  visualizações no streaming, afinal haja superação.  Ademais os desafios cotidianos recorrentes na Animação, a cronologia de 1 década de produção é uma legítima evidência do resiliente esforço dos realizadores para viabilizá-lo.  É compreensível tanto tempo considerando que não é fácil fazer Cinema no Brasil, principalmente o de Animação. Faltam recursos financeiros para tantos bons profissionais que se esforçam todos os dias para produzir um filme, logo, quando se analisa "O Pergaminho Vermelho", deve-se observar o contexto da produção. Foram 10 anos em um país no qual a área Cultural é continuamente ameaçada ou pouco incentivada, portanto cabe prestigiá-la no que ela tem de mais especial, amoroso e Brasileiro.









Certamente, é notável que o longa tem aspectos que poderiam melhorar e que demonstram mais uma oportunidade de lapidação do que propriamente falhas, entre os quais, o texto, no qual os diálogos nem sempre são fluídos e dão continuidade ao aproveitamento dos conflitos e aventuras. Neste sentido, em algumas cenas, Nina se vê em um cenário onírico e atrativo e alguma fala ou ação interessante deixa de ser oportunizada. É como notar algumas lacunas nas interações que, independente da imaginação da criança e do amadurecimento da jovem, poderiam ter sido preenchidas para gerar mais conexão e engajamento com a história. 





O filme funciona melhor quando tenta mostrar os conflitos internos da personagem, mas ainda assim, foram poucos momentos dando a impressão de que esses conflitos não conseguiram ser desenvolvidos em toda sua potencialidade. No geral, o roteiro se aproxima mais da linguagem das crianças, priorizando a aventura. Apesar de ser uma Animação para toda a família, as crianças se divertirão mais com o acesso a esse streaming por conta da leveza e doçura da história. 




Como pontos favoráveis, além da Animação ser visualmente competente e criativa com elementos híbridos e referências culturais, a história é divertida e os personagens são próximos e cativantes, especialmente Nina e Wupa, seu fiel companheiro. Ela, empática e corajosa. Ele, engraçado e comilão. Essa graciosidade tem tudo a ver com a infância, mesmo porque está relacionada a criar fantasias que são bem espontâneas da criança. A maioria delas acredita que seus bichinhos de pelúcia e demais brinquedos conversam e se aventuram com elas em mundos imaginativos. Nina e Wupa representam o afeto e a diversão presentes na infância e que não podem ser perdidos no amadurecimento; então é um prazer conhecê-los e não deixar de sonhar.









Fotos e citação do diretor, uma cortesia assessoria do filme.

#Lançamento #Blockbuster #007 #Espionagem #Ação #DanielCraig  #Semtempoparaspoilers Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de C...





#Lançamento #Blockbuster #007 #Espionagem #Ação #DanielCraig 

#Semtempoparaspoilers





Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



Lançado em 30 de setembro nas salas de exibição do país pela Universal Pictures, 007 - Sem tempo para morrer (007-No time to die, 2021), o 25º filme de uma das franquias mais amadas e explosivas do Cinema, se divide entre o afeto e o entretenimento. O longa marca a despedida de Daniel Craig frente ao cultuado protagonista. Desde 2006, o ator passou por mais 4 filmes (Cassino Royale, Quantum of Solace, Operação Skyfall e 007 Contra Spectre) com elegância, charme e profissionalismo. Para quem gosta da franquia, o filme garante um adeus que não racionaliza demasiadamente este emblemático momento na carreira do ator. James Bond surge com a mesma implacável licença para matar, mas também apaixonado e capaz de fazer sacrifícios por aqueles que ama.








Para encerrar este ciclo de 007 com Daniel Craig, produtores escalaram o cineasta Cary Joji Fukunaga, conhecido pela crítica pelo preciso trabalho realizado em Beasts of Nation (2015) lançado na Netflix. Esta decisão foi bem acertada considerando o background do diretor. Fukunaga é versátil e habilidoso e aberto a projetos que possam ser conectados ao seu olhar e experiências com Cinema independente. Ele consegue fechar contrato tanto com uma plataforma audiovisual de streamings como uma gigantesca produtora que injeta capital em blockbusters. Além do mais, os dois últimos 007 foram dirigidos por Sam Mendes que, por excelência,  é um diretor que transita bem entre filmes de grande apelo comercial e outros independentes.




"Não digo que estamos reinventando o cinema, mas definitivamente colocamos Bond em situações emocionais inéditas, enquanto a ação se desenrola”  - Cary Joji Fukunaga.






Dos oito Aston Martin usados em uma sequência filmada na Itália, dois foram manufaturados como dispositivos mecânicos para abrigar a cortina de fumaça, as metralhadoras e camuflar as explosões - nota da assessoria sobre o trabalho de Chris Corbould, supervisor de efeitos especiais.




Cartaz evento imprensa, lançamento do filme

Ator Rami Malek, novo vilão na franquia




Neste roteiro, o público tem a continuidade de 007 contra Spectre, não apenas por uma coesão e razões óbvias na narrativa, mas tendo em vista que o relacionamento de Bond com Madeleine Swann (Léa Seydoux) é a base de muitos eventos dramáticos nos quais o protagonista tem que tomar decisões. Ele é colocado à prova entre sua razão e emoção, considerando ela está no meio das motivações dos inimigos representados por Blofeld (Christoph Waltz) e Safin (Rami Malek). É como um passado que os conecta com esses vilões, logo, Bond e Swann têm que lutar em duas frentes: defender o mundo contra uma letal arma tecnológica e assegurar que permaneçam juntos e/ou seguros.







Evento da imprensa mostra cartazes do elenco no Cinepólis, São Paulo





Após ser convocado pelo seu amigo Felix Leiter (Jeffrey Wright) à uma missão, 007 volta à ativa após estar fora do serviço secreto. Neste sentido, na arquitetura que engloba todos os eventos, a ideia não se renova no sentido de que o agente recebe uma missão que o tira de qualquer normalidade e paz em sua vida, como é recorrente em filmes que envolvem espionagem. A diferença é como estes eventos impactam nas emoções e decisões do personagem. No mais, Bond reencontra velhos conhecidos como M (Ralph Fiennes), Q (Ben Whishaw), MoneyPenny (Naomie Harris) e novos colegas como Nomi (Lashana Lynch) e Paloma (Ana de Armas), o que não deixa de ser uma grande família para um agente secreto.





Sob a perspectiva do roteiro, todos os personagens coadjuvantes têm seu espaço na trama, entretanto, alguns fragmentos da narrativa visam a preencher mais a história com diversão, risco e ação do que propriamente com grandes conflitos. Não é um excepcional roteiro de espionagem já que se volta mais a afetos e desafetos do que a ser um thriller arrebatador.  Embora tal decisão do roteiro prolongue ligeiramente a história em comparação aos antecessores, a experiência se torna leve, dando espaço para um Bond mais emocional que é surpreendido por situações mais afetivas e intimistas. De certa forma, isso conecta o público que gosta de romance, amizade e família.





Mais maduro nestes 15 anos de parceria com a franquia, Daniel Craig continua estiloso e focado no personagem se responsabilizando por grande parte da ação. Dadas suas características como um ator mais sério, ele funciona muito bem no filme ao ser desafiado a transitar entre o pragmatismo da ação combativa e a vulnerabilidade do personagem. Não chega a ser um ator de muitas camadas dramatúrgicas, mas aqui se esforça ao manter sua natureza mortal no serviço secreto e as complexidades de sua vida pessoal. Seu humor em interação com Ralph Fiennes e Ben Whishaw assegura alguns diálogos leves e inteligentes, além da graça de ser um agente apaixonado que, apesar da tradição e charme em ter muitas mulheres, já está em outro ciclo da vida e parece ter perdido o traquejo nos flertes.



 “Quando eu paro e penso sobre o que conseguimos ao longo de cinco filmes, é realmente muito emocionante, foram quase 15 anos da minha vida. Eu senti que com 007 – Sem Tempo para Morrer havia uma história para terminar e muitas pontas soltas que precisávamos amarrar. Sinto que fizemos isso. Estou imensamente orgulhoso disso e do enorme esforço coletivo envolvido para se fazer um filme de Bond. Ser apenas uma pequena parte disso tem sido uma honra”  - Daniel Craig






Cartaz evento imprensa, lançamento do filme
Atriz Lashana Lynch



O filme acompanha bastante o que o Cinema contemporâneo tem trazido, entre elas, a inclusão de gênero e étnica em elencos cada vez mais globalizados e abertos à Diversidade. Personagens femininas ganham destaque, a começar pela própria Madeleine Swann, ainda representada pela Francesa Léa Seydoux que permaneceu na franquia após 007 contra Spectre e assume maior protagonismo por triangular os 3 personagens homens relacionados a seu passado: Bond, Blofeld e Safin. A Britânica Naomie Harris continua como MoneyPenny e sua lealdade à Bond e parceria com Q. A revelação Britânica, a belíssima atriz negra Lashana Lynch, tem mais exposição após Capitã Marvel. A Cubana Ana de Armas retorna às telas após sua excelente participação em Blade Runner 2049 e garante uma ágil e divertida participação especial ao lado de 007. Outro destaque é a fabulosa música tema No time to die, interpretada por Billie Eilish, mais uma inteligente escolha entre os nomes Pop e/ou R&B que já se destacaram nas trilhas da franquia como Adele, Sam Smith e Alicia Keys.









Embora as mulheres sempre tiveram um papel especial na vida do agente 007, é interessante notar que elas já não são apenas para serem exibidas em um grande salão de festa e levadas à cama. O filme brinca com essa questão de forma bem humorada. Bond perdeu muito do tato ou as mulheres já não estão tão interessadas nele, o que não deixa de ser hilário. Essa mudança é nítida e positiva no longa em virtude dos novos tempos, mas também demonstra que 007 amadureceu com os anos. Chega uma hora que o homem se cansa de flertar ali e acolá e deseja formar uma família ou, pelo menos, ficar sozinho ou investir em uma relação estável se permitindo amar e ser amado. Com 007 não é diferente. Mesmo no meio do caos, seu par romântico com Madeleine Swann traz mais naturalidade e leveza ao personagem, logo, é possível acreditar neste amor.




A franquia evolui para um Bond que, frente as complexidades de ter uma vida pessoal "normal", tem a chance de ser vulnerável às emoções e fazer escolhas. Para o próprio ator, " Os filmes tratam em grande parte dos relacionamentos do Bond, de como eles o afetaram e como eles transformam e guiam sua vida". Diante de uma jornada de sucesso e evolução, não há como não se emocionar com esta despedida e dizer: Muito obrigada, Daniel Craig. Por aqui sentiremos sua falta!








Fotos, uma cortesia Universal Pictures para divulgação do filme. Citações do diretor Fukunaga e ator Daniel Craig, uma cortesia Universal Pictures e CDN Comunicação.

Fotos dos cartazes por MaDame Lumière, fonte: evento press day Universal Pictures/CDN para jornalistas e críticos de cinema.

  #Suspense #Crime #Drama #Culpa #Streaming #Netflix Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunic...

 



#Suspense #Crime #Drama #Culpa #Streaming #Netflix



Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



Remakes transitam entre o necessário e o desnecessário no Cinema. Ainda hoje, eles são capazes de despertar a curiosidade ou a indiferença, tudo depende de qual obra, elenco e diretor(a) envolvidos. Se olhar o copo cheio, verá que o remake pode ser vantajoso em determinados contextos e suportes ao possibilitar que as pessoas conheçam obras que, muito provavelmente, não conheceriam se dependessem do acesso ou da pesquisa aos filmes originais.







É o que acontece com o suspense "O Culpado" (The Guilty, 2021), produzido e protagonizado por Jake Gyllenhaal sob a direção de Antoine Fuqua. Lançado na Netflix, o filme é baseado no Dinamarquês "A Culpa" (Den Skyldige, 2018) que foi pré-indicado ao Oscar e exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2018. A parceria com o serviço de streaming viabiliza a democratização da obra considerando que a massa de espectadores tende a buscar filmes americanos, com atores já consagrados ou, no mínimo, conhecidos. 




Antoine Fuqua é um diretor adepto de filmografias que envolvem algum contexto ou tipo de violência e mantem trabalhos colaborativos com excelentes atores como Denzel Washington, Ethan Hawke e Peter Sarsgaard. Em seu último trabalho com Jake Gyllenhaal, Nocaute (Southpaw, 2015), a dinâmica desportiva do boxe é o centro de outros conflitos bem maiores que cercam o drama do protagonista. Com O Culpado, a parceria retorna  com a vantagem de que, como em Nocaute, muito da responsabilidade dramática depende de Jake Gyllenhaal.








Para quem não conhece a história original, assistir ao remake Americano compensa porque o ponto de virada é a melhor atração. Assim, este é um filme que exige muito mais que o espectador o desconheça por completo. O personagem Joe Baylor (Jake Gyllenhaal) é um policial que, após ser afastado do campo, está readaptado a atender chamadas de emergência. Em uma das ligações, ele tem contato com uma vítima e faz de tudo para mantê-la viva e esperançosa. Ele apenas não imaginava que essa ocorrência despertaria diferentes gatilhos emocionais nele e traria à tona conflitos internos com seu passado misterioso.





O diretor mantem a mesma estrutura espacial e temporal do original: é claustrofóbica, limitada no espaço, com a atuação de um homem só como base da narrativa. Joe fica aos telefone em grande parte da história, portanto, a atuação facial e as distintas gradações de fala acrescidas ao desespero e angústia dos personagens fazem a diferença na qualidade do longa. Tanto as atuações do protagonista como do elenco de voz são boas, entretanto, para quem já assistiu ao original, muito desse efeito pode vir a se perder, dependendo de cada percepção.








Em comparação ao original, O Culpado perde ligeiramente espaço considerando que o Cinema Dinamarquês tem uma característica de profunda expressividade da dor humana, ou seja, consegue conceber muito bem os dramas mais dilacerantes que pesam no indivíduo como a raiva, o medo, a tristeza, entre outros;  desta forma, a dinâmica do original tende a ser mais sufocante, brutal, pesada. O ator Jacob Cedergren que performa o protagonista no filme Escandinavo tem a qualidade de ser um ator dramático muito crível e com nuances interpretativas que permeiam a violência, a fúria e a melancolia. Por outro lado, Jake Gyllenhaal ainda leva o jeito carismático e vulnerável de um eterno jovem. Essas diferenças interpessoais e culturais entre os atores são notáveis na experiência com o filme, ainda que as atuações sejam compatíveis.





Como todo gatilho emocional que provoca desdobramentos surpreendentes, aqui não é diferente.  Joe Baylor é um personagem em conflito e com uma personalidade mais emocional que racional. O centro da narrativa é a sua culpa que entrecruza o passado e o presente. Ao final, ele tem o benefício de aprender com a situação. No geral, o interessante da história é ter acesso completo a estas emoções em um espaço reduzido e sob pressão que apreende a atenção do público. O espectador tem a ampla visibilidade dos altos e baixos de Joe Baylor à medida que ele tenta salvar uma mulher assim como pode observar se ele realmente enxerga as coisas como são.  




Como toda boa história que revela a vulnerabilidade humana e a força que há em assumir as fragilidades, O Culpado é um suspense imperdível que se destaca como um dos melhores lançamentos da Netflix em 2021.






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