"com esse filme, filmei muitas cenas externas e em grandes espaços bem cinematográficos: uma propriedade na África do Sul, ...




  "com esse filme, filmei muitas cenas externas e em grandes espaços bem cinematográficos: uma propriedade na África do Sul, o mar na Normandia, a montanha em Courchevel... Adorei o plano com o guindaste, na África do Sul, por cima a criação de crocodilos! Não sabia que podia sentir prazer em filmar esse tipo de cena. Isso abre muitas perspectivas para o futuro".
( Cécile Telerman )




Por Cristiane Costa

 

Os olhos amarelos dos crocodilos (les yeux jaunes de crocodiles) foi um dos destaques do Festival Varilux de Cinema Francês de 2015  e é uma adaptação de uma das obras da trilogia da escritora Katherine Pancol, também composta por "A valsa lenta das tartarugas" e "Os esquilos do Central Park estão tristes às segundas-feiras". O produtor do filme,  Manuel Munz, comprou os direitos da obra e convidou Cécile Telerman (de "Algo que você precisa saber") para a direção. Ao lado da filha de Pancol, a roteirista  Charlotte de Champleury, a cineasta adaptou uma boa história que mistura drama familiar com comédia e tem marcantes atuações de Julie Depardieu e Patrick Bruel.


Katherine Pancol escreve sobre relacionamentos, trabalha com muitos personagens e uma variedade de intrigas e peripécias em suas histórias que valorizam emoções verdadeiras com as quais o leitor se identifique. Nesta obra, a historia aborda a relação entre duas irmãs de personalidades bem diferentes e um conflito relacionado à escrita de um livro best-seller. Josephine, a Jo, (Julie Depardieu) é uma mulher de 40 anos, pesquisadora da Idade Média. Embora depressiva e insegura com relação à sua inteligência e potencial, ela é uma mãe amorosa, esforçada e trabalha intensamente para sustentar as duas filhas, principalmente após um casamento falido. Por outro lado, sua irmã Iris (Emmanuelle Beart) é uma burguesa de beleza estonteante e gosta de curtir as boas coisas que o dinheiro proporciona. Ociosa e com um casamento em decadência com Philippe Dupin (Patrick Bruel), Iris é uma mulher que não consegue mais levar à frente seus projetos de escrever um livro. Não tem inspiração e nem força de vontade. Em uma determinada situação e para se exibir à sociedade, ela tem a ideia de mencionar que escreverá um livro sobre a Idade Média, tema que sua irmã tanto domina. O conflito central do roteiro começa quando ela pede à Jo que escreva o livro em seu lugar.



  
Jo (Julie Depardieu) e Iris (Emmanuelle Beart): duas irmãs, dois opostos.

"E eu logo me apaixonei pela relação entre as duas irmãs que é, ao mesmo tempo, repleta de meiguice e de cumplicidade, mas também de injustiças e manipulação. Iris e Jo são os dois lados da mesma moeda: cada uma deve sacrificar a parte complementar da outra para existir. E quando uma delas rompe o pacto que fizeram, a relação de força se inverte: é emocionante a contar e a filmar.  - Cécile Telerman



Embora o roteiro do longa se mantenha fiel ao livro, e portanto, ligeiramente se estende além da conta, inclusive adicionando sem muita necessidade o núcleo da relação entre o padrastro de Jo e Iris, Marcel Grobz (Jacques Weber) e de sua amante Josiane Lambert ( Karole Rocher), a história mantém o ponto de integridade narrativa nas funções dramatúrgicas e atuações do trio de atores formados por Julie Depardieu, Emmanuelle Beart e Patrick Bruel. São eles que não transformam o filme em uma caricatura maniqueísta das relações, ainda que o filme marque bem a diferença de perfis entre irmãs e a frieza do casamento dos Dupin. Iris  é uma mulher atraente e rica. Em teoria, ela tem tudo: beleza, dinheiro, casa, marido, filho e viagens, no entanto, paradoxalmente, ela não tem nada. Ela carrega a frustração de não ter seguido a carreira de cineasta e não estabelece muito afeto com o marido e o filho. Ela está apática. Com um comportamento manipulador, ela influencia a bondosa Jo a ajudá-la, mas é possível perceber que o "contrato" não tem pobres vítimas. De alguma forma, elas se amam e se apoiam. Há uma boa energia entre as duas. Elas podem ser compreendidas em suas faltas e demonstram que a relação entre irmãos costuma ser dúbia, divididos entre o amor, a raiva, a mágoa, os ciúmes, a competição etc.




"achei o trabalho de Patrick Bruel formidável. Seu personagem, Philippe, tem mais lugar no filme do que no livro. No cinema, a história é quase contada do ponto de vista dele. Ele é, ao mesmo tempo, a grande testemunha do confronto da sua esposa com a realidade e suas mentiras, mas também da eclosão de Joséphine. Patrick Bruel dá a ele muitas nuanças e humanidade" - Katherine Pancol sobre Patric Bruel 


Com melhor performance e um personagem bem interessante está Julie Depardieu. Da maneira de se portar fisicamente, toda curvada e insegura, passando pela fragilidade emocional do fim do casamento e o conflito com sua insuportável filha adolescente Hortense ( Alice Isaaz), a atriz é a grande estrela do filme, e apresenta uma maturidade excepcional para  interpretar a personagem com bastante consistência em cena. Sua personagem é a que tem o arco dramático mais realista e em melhor evolução, desabrochando em meio ao drama de uma separação e a necessidade de pagar dívidas, trabalhar e sustentar a casa. No geral, o melhor aspecto desta personagem é que ela não é uma mulher fraca. Pelo contrário, existe uma força interior em JO, um talento para a escrita, uma atitude de afeto e apoio à família que a torna bastante humanizada para a história.  Dificilmente uma irmã escreveria o livro para outra pessoa fazer sucesso, até mesmo para um(a) irmã(irmão), logo, estamos lidando com uma ficção que entra no terreno das injustiças e manipulações nas relações humanas, e principalmente, na difícil arte de dizer não e no desafio de se valorizar e superar os fracassos e inseguranças pessoais.




Cécile Telerman se destaca na direção de atores, bem apoiada pela direção de elenco de Páscale Béraud e na trilha sonora  delicada e sentimental de Frédéric Parker Aliotti, e  peca em fazer questão de deixar as cenas do affair do padrastro de Jo e Iris e sua secretária. Do ponto de vista da coesão e coerência narrativas, cortá-los não faria falta alguma à história pois o foco central é a relação de cumplicidade entre as irmãs, e também, seus conflitos. Por outro lado, um ator coadjuvante que realiza um trabalho seguro, necessário e de qualidade é Patrick Bruel. Seu personagem Philippe tem consciência da sua dor no Amor e da sua frustração com a própria esposa. É um personagem maduro, que ama o filho e que evolui para uma decisão importante. Sob a perspectiva da sensibilidade masculina em ver um casamento em ruínas e ainda sustentado em aparências, Philippe é um papel interessante e adiciona humanidade a várias cenas sem cair no clichê. Certamente, ele e JO seriam o casal perfeito para o mundo ideal das relações afetivas.





Ficha técnica do filme no IMDB Os olhos amarelos dos crocodilos
Distribuição no Brasil : Mares Filmes




Citações entrevistas -  Mares Filmes

O filme participou da competição oficial do Festival de Berlim 2014 Por Cristiane Costa  Uma das formas clássicas de abordar a ...


O filme participou da competição oficial do Festival de Berlim 2014



Por Cristiane Costa 


Uma das formas clássicas de abordar a violência no Cinema sem colocar muito peso na experiência do público é o uso de humor negro. De Tarantino a Ethan e Joel Coen, o Cinema contemporâneo coleciona uma série de mortes bem orquestradas por diretores, que elaboram cenas violentas que transitam entre o requinte da crueldade e da frieza de personagens e o humor sarcástico de que a "vingança é  realmente um prato que se come frio" e com muito sangue.



Na linha da narrativa de humor negro com um argumento de vingança está "O Cidadão do Ano" (Kraftidioten), filme do cineasta Norueguês Hans Petter Moland, em mais uma colaboração com o ator Stellan Skarsgård. Antes eles haviam trabalhado juntos em Zero Kelvin - Sem limites (1995), Aberdeen (2000) e A Somewhat Gentle Man (2010). Desta vez, Skarsgård é Nils, um limpador de neve nas montanhas da Noruega que foi premiado como "Cidadão do Ano". Seu inocente filho é assassinado e ele toma a decisão de se vingar. Acaba desencadeando uma série de mortes que envolvem dois lados inimigos da máfia local: o gângster vegano Greven (Pål Sverre Hagen) e  "PAPA" (Bruno Ganz), o chefe da máfia Sérvia. 







As ações de Nils enervam os mafiosos e acirram as disputas e as confusões entre ambas as partes, logo, a boa  e bem humorada ironia do longa é ter um homem comum e reconhecido pela comunidade  como um exemplar "Cidadão do Ano", vê-lo virar o herói de uma busca implacável por vingança, se transformar em um matador como se já tivesse sólida experiência como justiceiro. O mais engraçado é que os mafiosos fazem papel de idiotas, se enforcam na própria corda. Exemplo disto é o personagem de Pål Sverre Hagen, um homem cruel por esporte e um verdadeiro idiota sem diálogo e sem influência, que não sabe sequer reconhecer a nacionalidade dos inimigos (chama os sérvios de albaneses), que não consegue conversar com a ex-mulher por cinco minutos e não tem perfil paterno para cuidar do filho. Um idiota deste tipo pode ser levado à sério como gângster? Não. Ele se torna uma piada ridícula, portanto, como indica o título original do longa, a história evoca um contexto narrativo no qual o "poder é idiota". Os mafiosos são como figurantes a serem mortos. Não têm personalidade, não despertam interesse, não farão falta.





Neste cenário, quem impera com elegância, humildade e justiça? Nils. Ele é o arrimo do filme. Ele é o pai, o irmão, o marido, o trabalhador da comunidade, o funcionário do ano. Ele é o lobo solitário, que percorre as alvas e gélidas paisagens da Noruega  com seu caminhão truculento. Ele é o justiceiro com desejo de matar mas também capaz de exercer sua humanidade em um confronto que pode colocar a vida de um inocente em risco. Espontaneamente, a história faz com que o público simpatize com sua jornada.  Ele lida com a dor da perda de um filho, mas também,  tem muita tranquilidade para investigar  os inimigos e arquitetar as mortes com uma naturalidade que adiciona mais humor negro à comédia.   









De uma forma metafórica, os mafiosos são varridos como se fossem a neve, o amontoado de sujeira  e entulho que está na  região, aquilo que incomoda e deve ser retirado para que a paisagem, o clima, a vida no local sejam mais agradáveis. Nils sabe perfeitamente bem como fazê-lo, e com a experiência e talento de Stellan Skarsgård, a violência gráfica fica mais tragável, dirigida com mais elegância. Também, o humor é realçado nesta varredura mortal à medida de que, a cada assassinato, o diretor cria uma sequência que ordena as "baixas" como  lápides. Por mais fúnebre que seja ver várias lápides repetidamente na narrativa, o riso nervoso integra a experiência cinematográfica das comédias de humor negro e faz bem.





Ficha técnica do ImDB  O Cidadão do Ano 
Distribuição Imovision 

Por Cristiane Costa A concepção de uma grande ideia para um filme pode transformá-lo em um celeiro de oportunidades para desenv...




Por Cristiane Costa


A concepção de uma grande ideia para um filme pode transformá-lo em um celeiro de oportunidades para desenvolver outras continuações e torná-lo um sucesso que sobrevive aos longos anos, mesmo com alguns fracassos entre sequências. Foi o que aconteceu com O Exterminador do Futuro (Terminator), um dos melhores cult sci fi action movies com um forte approach de thriller, dirigido  e roteirizado por James Cameron e com as credenciais da produtora Gale Anne Hurd , que  se interessa por este universo de ficção científica e mais tarde  fez outras parcerias relevantes com o diretor como Aliens, O Resgate e O Exterminador do futuro 2 : O Julgamento final, este último, o melhor da franquia Terminator. 




Linda Hamilton e o diretor James Cameron




O primeiro filme lançou Arnold Schwarzenegger como o ator de ouro e colaborador de longa data desta franquia,  Linda Hamilton  como a heroína Sarah Connor e que se tornou um ícone de mulheres corajosas e fortes do Cinema até hoje, além de apresentar o talento de James Cameron para realizar filmes sci fi com um assertivo trabalho de direção. Ele demonstra habilidade para a combinação de efeitos especiais que acompanharam a evolução do gênero do Cinema, ao mesmo tempo que, ele não abre mão do fundamental efeito físico do filme de ação.   Não à toa que o longa é tenso do começo ao fim em uma perseguição implacável de um robô assassino que incansavelmente tem uma "meta", a de caçar uma humana, nem que para isso precise matar alguns por engano.




Kyle Reese (Michael Biehn) e Sarah Connor ( Linda Hamilton) 
unidos e perseguidos  por uma causa além do presente.


O Exterminador do Futuro é uma entrada triunfal a um tipo de narrativa atraente para o cultivo da Cinefilia e da lealdade do público ao inventar e reunir vários elementos que sustentam este blockbuster:  uma linha de tempo (timeline) que oferece trânsito entre narrativas  marcadas no tempo, uma máquina do tempo que possibilita que os personagens sejam enviados para outros anos, uso de flashbacks para retomar memórias relevantes à compreensão do plot, uma guerra entre máquinas e homens que compromete a ordem do planeta, um ciborgue assassino e quase indestrutível que persegue heróis e heroínas e é uma real máquina de guerra, uma combinação de vários gêneros como ação, thriller, ficção científica, uma história de amor não plenamente vivenciada, e um essencial motivo para aniquilar a humanidade, o de matar uma mãe antes que ela dê à luz a criança que será líder da resistência no futuro e poderá salvar o planeta. Todos estes elementos , sinérgicos entre si, fazem de O Exterminador do Futuro um clássico sci fi  e de ação de alta qualidade cinematográfica.




T-8000 : uma máquina de guerra determinada, à caça de Sarah Connor


 


Neste primeiro filme, o robô T-8000 (Arnold Schwarzenegger) é enviado de 2029 para  1984 para matar a garçonete Sarah Connor (Linda Hamilton), a futura mãe de John Connor, líder da resistência contra as máquinas. Para protegê-la, também é enviado  o soldado humano Kyle Reese (Michael Biehn). Ela desconhece de quem será mãe e por que o robô quer assassiná-la, sendo assim,  a relação de confiança entre ela e Reese se intensifica à medida que eles lutam contra o T-8000.  Como não podia faltar um toque de drama e romance , afinal James Cameron adora colocar um pitada de amor em alguns de seus filmes, os personagens de Linda Hamilton e Michael Biehn têm uma cativante química e são a gênese de algo muito maior: um filho, um ideal de liberdade. Eles demonstram que se apoiam um no outro e são verdadeiros humanos, sujeitos à dor, fraqueza e ao desespero e que lutam para sobreviver. Enquanto eles são a simbologia da humanidade no seu instinto mais básico: a sobrevivência, Schwarzenegger como um robô é um excelente contraponto, tamanha a frieza e mecanização de sua atuação. O T-8000 é um pesadelo. Inicialmente coberto de pele humana, no decorrer do filme, o robô tem uma mudança física que o transfigura e dá maior realismo estético à essa ficção científica. 





Linda Hamilton : ícone feminino no Cinema de sci fi action com Terminator


James  Cameron dirige o longa com primor, tanto que O Exterminador do Futuro continua atual e um entretenimento imperdível. O cineasta orquestra vários recursos audiovisuais, em especial o som, a trilha sonora, os efeitos especiais e a construção do espaço cenográfico da perseguição com uso de carros e motos e sua interação com as performances dos personagens. No mais, o filme apresenta um ótimo arco dramático na evolução da heroína Sarah Connor; em outras palavras, ela perde a  "inocência",  passando de uma garçonete frágil e assustada para uma futura líder , mãe e orientadora de seu filho John Connor. Linda Hamilton tem uma sintonia tão favorável com esta história que, após mais de 30 anos do lançamento, sua expressiva figura como Sarah Connor é icônica e se intensifica na força física e de seu caratér em O Exterminador do Futuro 2, filme  emblemático em sua carreira e em Terminator



 
 

Ficha técnica do filme ImDB O Exterminador do Futuro (1984)

Por Cristiane Costa A Lição (UROK) é um dos filmes mais promissores para se estabelecer entre os melhores de 2015 e vem direto d...





Por Cristiane Costa



A Lição (UROK) é um dos filmes mais promissores para se estabelecer entre os melhores de 2015 e vem direto de uma coprodução Bulgária e Grécia. Apresenta um drama realista bem aderente à ruína social pós Comunismo no Leste Europeu e um conflito moral contundente que faz jus a uma dolorosa luta pela sobrevivência.  Para protagonizar a heroína, de forma também acertada nesta fábula social, os roteiristas e cineastas Búlgaros Kristina Grozeva e Petar Valchanov  criaram NADE, uma professora de escola primária interpretada pela excelente Margita Gosheva. De maneira crível, ela transita entre o problemático realismo de um endividamento financeiro e um caos econômico e uma concentrada atuação que a mantém na linha de frente do filme. O longa-metragem é dela, definitivamente, e cabe à Gosheva levar adiante a saga sufocante de sua personagem, colocada contra a parede em um país que não lhe oferece nada além de pobreza.







É um  filme que mistura um drama de moralidade com uma atmosfera tensa. O que acontecerá a esta professora? O que será revelado mais adiante? A historia coloca o público perante dois mistérios:  o que acontecerá com sua dívida? Quem é o menor infrator, um dos seus alunos, que está roubando dos colegas. Paralelamente ao seu problema pessoal, ela tem que lidar com a questão da disciplina na escola e com a frustração profissional.  Para intensificar a espiral (quase) sem saída da personagem, NADE é casada com Mladen (Ivan Barnev), um homem alcoólatra,  fracassado e passivo que mais lhe traz problemas do que soluções, ambos tem uma filha pequena com saúde sensível e ela tem problemas de relacionamento com o pai.  Fora do contexto familiar, ela tem que lidar com todo o "sistema" decadente e corruptível da máquina burocrática e econômica: interesses egoicos de banco, agiota inescrupuloso, chefe - sócio e polícia corruptos. Com este cenário, a narrativa é construída para fechar o cerco e deixá-la  absolutamente sozinha. Ela tem que encontrar uma saída. 








Em determinado ponto, a força da personagem entra em conflito com o desespero que dá vê-la em uma situação difícil de sobrevivência. Imagine um filme que não oferece muita saída para a personagem em um crescente dramático que a levará a cometer uma potencial loucura. Neste aspecto, a narrativa é conduzida com uso de câmera na mão em boa parte do longa, uma paleta fria de cores, som do ambiente (sem trilha sonora), uma atmosfera totalmente fria, cinza, consequentemente, esta arquitetura audiovisual gera uma intranquilidade natural no qual o incômodo com a câmera é o incômodo com a situação.  A sinergia entre o roteiro , que propõe uma luta contra o relógio na jornada da heroina e uma direção  competente para delinear na construção narrativa os efeitos de tensão do drama são os maiores acertos, além da madura interpretação de Margita Gosheva e de um final "tapa na cara" e bastante irônico.







Porém, a melhor parte é o desfecho. É ele que engrandece o poder do Cinema para a reflexão de valores na sociedade contemporânea. É ele que faz o público levar a "lição" para casa e pensar a respeito. O que vem a acontecer no desfecho é de um grande diferencial para a história ao plantar na mente do público uma ideia aberta e reflexiva: quais os limites da Ética? Há fronteiras morais bem delimitadas em momentos de desespero? Determinadas situações limite justificam atitudes consideradas antiéticas? Se a sociedade apresenta uma decadência de valores morais, econômicos, políticos e sociais, indivíduos podem ser arrastados a agir contra valores  morais que antes prezavam? Com tantos pontos de interrogação, a lição não acaba com o filme. 






Ficha técnica no ImDB A Lição
Distribuição no Brasil: Pandora Filmes 

  Segunda Chance,  longa dinamarquês de Susanne Bier foi um dos  lançamentos que se destacaram no top 10 - Junho No MaDame Lum...





 Segunda Chance,  longa dinamarquês de Susanne Bier foi um dos 
lançamentos que se destacaram no top 10 - Junho


No MaDame Lumière você fica de olho no Cinema. 
Vamos compartilhar essa energia cinéfila! O lugar é aqui.

Em Junho  de 2015, destacaram-se os conteúdos no TOP 10 abaixo. Ainda não assistiu a algum destes filmes e leu as críticas?  Aproveite o momento!





Sobre o TOP 3  do pódio + os destaques entre lançamentos

1. Loucos da paixão (White Palace): Junho foi um mês nostálgico para os leitores do MaDame Lumière.  Por um desejo espontâneo de muitos, o clima de saudades tomou conta e o sensual  ( e caliente) drama com Susan Sarandon e James Spader  alcançou o topo, destacando-se como uma ótima opção de filme para quem quer ver a temperatura subir com a incendiária paixão dos protagonistas.

2. Paixões Violentas É um  filme considerado mediano (o típico paradoxo do "filme ruim mas bom"). Por que? Ele ganha os corações por causa da marcante música "Against all odds" do Phil Collins  e das pegadas sexuais entre Jeff Bridges e Rachel Ward no auge de uma revigorante juventude. Um guilty pleasure provocativo e saudosista.


3. Chamas da vingança:  Outro filme nostálgico se destacou neste mês com a bela relação de amizade entre um guarda costas (Denzel Washington) e uma criança (Dakota Fanning). Chamas da Vigança é ótimo drama de redenção dirigido por Tony Scott, irmão falecido de Ridley Scott. Comovente e marcante na carreira do diretor.

Destaques lançamentos: 

Beijei uma garota: comédia Francesa na qual um homem tem que escolher entre ficar com seu noivo ou uma garota. Com leveza e o talento humorístico do galã  Pio Marmaï, o filme trata sobre a decisão de um novo relacionamento, com descontração e sem panfletagem de sexualidade. Apenas um romance divertido.

Segunda Chance: Drama dinamarquês com a batuta da ótima cineasta Susanne Bier é imperdível; um filme envolvente e com pontos de virada marcantes que mexem com os nervos. Tenso e ótima pedida para analisar como o ser humano pode tomar atitudes baseadas em justiça própria quando colocado em dilemas e pressão.


Fique por dentro do que tem interessado aos leitores e amantes de Cinema que acessam o blog e acompanhe o MaDame Lumière.  Compartilhe, interaja e entregue-se à  maravilhosa obsessão cinéfila!



Boa sessão!

Cristiane Costa, Editora

 Por Cristiane Costa A comédia de ação Americana investiu em casais nos últimos anos , misturando romance com comédia e aç...






 Por Cristiane Costa


A comédia de ação Americana investiu em casais nos últimos anos , misturando romance com comédia e ação. Filmes como Encontro Explosivo ( Knight and Day),  Caçador de recompensas (The Bounty Hunter) e  Par Perfeito ( Killers) foram destaques em 2010 e entregaram  bom e ligeiro entretenimento.  Após muitos anos, o gênero está de volta com uma versão apenas feminina de heroinas. Com  Belas e Perseguidas (Hot Pursuit), lançamento com distribuição da  Warner Bros. Pictures, Anne Fletcher, diretora que se destacou com a  excelente comédia romântica A proposta (The proposal)  resolveu inovar seu repertório de comédias nos últimos anos. O novo longa-metragem traz duas estrelas carismáticas do Cinema Hollywoodiano e com experiências em comédias, Reese Witherspoon  e Sofia Vergara, em uma comédia policial na qual suas personagens têm que se unir para sobreviver e enfrentar um chefão do narcotráfico.  A parceria vem de uma afinidade entre as atrizes mas também resulta do foco da produtora Pacific Standard, fundada por Reese Witherspoon e Bruna Papandrea (produtora de "Livre"), que tem como missão produzir e realizar filmes com personagens femininos.




"Somos completamente diferentes fisicamente; assim que nos conhecemos ficou claro para mim que formaríamos uma grande dupla porque nosso relacionamento era ótimo. Ela é tão alta e elegante que perto dela eu me senti baixinha e engraçada. Eu sabia que poderíamos explorar isso” (Reese Witherspoon)

 

Para a realização do filme, Anne Fletcher utiliza o roteiro de David Feeney e John Quaintance que, respectivamente, têm experiência em TV (Séries "New Girl" e "Ben & Kate") e escala boa parte do seu time de "A proposta", incluindo o diretor de fotografia Oliver Stapleton e a editora Priscilla Nedd Friendly, entre outros.  Na história, Witherspoon é Cooper, uma policial disciplinada e inexperiente que tem que fazer a escolta  de Daniella Riva, uma sexy e desbocada viúva (Sofia Vergara). Riva tem que depor contra o chefão do tráfico, porém as coisas não dão muito certo e elas são perseguidas  por policiais corruptos e assassinos. Com estilos bem diferentes, as personagens resgatam raízes culturais distintas e têm comportamentos que entram em choque.  Cooper é sulista. Riva é latina. Cooper é a policial que tem um exemplo a seguir: seu pai  policial, orgulho da corporação. Acostumada a seguir regras, ela é jogada em situações nas quais seguir a lei à risca não é a melhor saída. Riva é uma viúva extrovertida e vaidosa, que carrega uma história de mortes em família e vingança.



"É uma espécie de versão moderna e feminina das comédias de parceiros como ‘Um Estranho Casal’, com Sofía Vergara interpretando a mulher louca e exagerada e Reese Witherspoon no papel da certinha. Mas, a policial interpretada por Reese é tão normal que chega a ser estranha e a esposa troféu, interpretada por Sofía, é mais capaz do que ela aparenta”  (Anne Fletcher)


Apesar do roteiro estar muito aquém de desenvolver uma boa história, todo o filme é construído para obrigá-las a conviver uma com a outra, em um inevitável clima de desconfiança mas também de cenas de uma potencial amizade e de muita química e comédia física entre elas. As confusões e piadas são elaboradas para ressaltar suas diferenças, como por exemplo, o estigma de que Daniella Riva é bonita e burra ou que Cooper é uma baixinha assexual  que parece um menino sem graça, logo, Belas e Perseguidas é uma diversão sem qualquer intenção de sofisticar a estrutura narrativa para uma comédia de ação mais crível. Não espere um ótimo desenrolar dos fatos porque ao desfecho, para os mais críticos, uma pergunta é inevitável:  Quais eram os reais problemas delas ? Fugir e sobreviver é o que fica evidente. O mais engraçado é que não há um conflito com um vilão bem desenvolvido, tanto que o chefe do tráfico e os pistoleiros não assustam, e muito menos há a intenção de articular as subtramas, logo há um buraco no roteiro que poderia ter sido evitado pelos roteiristas. 



"Eu amo comédia física...Como dançarina e coreógrafa, essa é a minha praia, meu paraíso. O que estas mulheres trouxeram ao filme, sua disposição para fazer coisas absurdas e loucas... eu amei. É raro poder fazer uma comédia física com pessoas que são realmente capazes de fazê-la. Por isso, quando tenho esta oportunidade, eu agarro e não largo”. (Anne Fletcher)


A base desta comédia de ação está no relacionamento entre as duas fugitivas que são obrigadas a se aturar e fazer um "road movie" pelo Texas. Felizmente, ambas as atrizes têm carisma e experiência com o riso, por conseguinte, elas forçam as situações para arrancar risadas, acabam se ridicularizando e ganham simpatia. A diversão é rir das piadas e situações hilárias e forçadas. Como grande parte das comédias de ação, Belas e Perseguidas tem uma boa química entre as atrizes. Elas se divertem como se não tivessem sido filmadas, desta forma, cooperam para tornar a comédia mais digerível, descompromissada. Além do mais, o humor é agradável, colocando o público em um clima de entretenimento com uma dinâmica policial e com o crime como grandes brincadeiras. Ninguém leva a sério os tiroteios e muito menos os bandidos, a polícia e todos os envolvidos.









Fotos e trechos entrevistas -  media press Warner .

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