sexta-feira, 1 de julho de 2016

MaDame Blockbuster: Independence Day: O ressurgimento, de Roland Emmerich

MaDame Blockbuster:
Cinema Pipoca e no stress



Vinte anos após o lançamento de "Independence Day",  sua sequência estreia no Brasil com a visita do "President Whitmore", o ator Bill Pullmann



Por Cristiane Costa,  Editora e crítica de Cinema MaDame Lumière e Especialista em Comunicação



Sucesso em 1996 como um dos filmes de catástrofes do diretor Roland Emmerich, "Independence Day" marcou presença na história dos Blockbusters como um "guilty pleasure" para os fãs do Cinema que gostam da combinação de histórias de destruição do mundo com ficção científica. O ator Bill Pulmann, como o emblemático Whitmore, presidente dos USA que encarnou o patriotismo Americano e a luta pela sobrevivência da Terra, conquistou o carisma de muitos cinéfilos ao se tornar o tipo de presidente acessível a liderar a batalha contra a invasão de alienígenas. Embalado por esta nostalgia e seus reflexos na conexão afetiva do público com o primeiro filme da franquia, Emmerich retorna após 20 anos com a sequência "Independence Day: o Ressurgimento", unindo as duas pontas da passagem do tempo: a nostalgia e elenco do filme de 96 com a modernidade dos recursos tecnológicos CGI e jovens atores. 





"Este mundo é mundo especial para mim e eu quero fazer o certo por isso e pelos personagens" (Emmerich)
Na foto, a rainha dos aliens.


Na estreia do longa no Brasil, realizada em 23 de Junho, além da presença de Pullman, que fez questão de vir ao país seduzido pela nossa diversidade e  boa acolhida, foi organizado um grandioso evento no Allianz Parque em São Paulo com telão e som de alta qualidade e aberto a público pagante com até 5000 ingressos. Esta experiência nostálgica e , ao mesmo tempo, cinematograficamente sensorial cooperou para a estratégia de marketing da Fox Film e reforçou a ação de "tapete vermelho" para o carismático Presidente Whitmore, considerando que Bill Pullman chegou ao centro do evento simulando um comboio presidencial. Sem dúvidas, uma experiência marcante àqueles que gostam do ator e da franquia. 



Marketing e expectativas sobre o lançamento à parte, e voltando à realidade agora, o que o público pode esperar deste blockbuster? Absolutamente não ter expectativas com relação à qualidade do roteiro e nem ao desenvolvimento dos personagens e subtramas. Este não é um blockbuster 4 ou 5 estrelas, pelo contrário, é um filme bastante irregular na execução e entretem mais pela relação que o público pode estabelecer entre as conexões afetivas dos personagens, a admiração por Pullman e os esforços da produção em trazer o longa à cena cinematográfica moderna. Será necessário encarar este ressurgimento como uma grande brincadeira de Emmerich, que adora destruir o mundo na telinha, visualmente exagerado por excelência e que tem um forte hábito de perder a autocrítica da sua direção  quando o assunto é desenvolver melhor a história.  Basta lembrar de "O dia depois de amanha" e "2012", em especial, este último que deixou muita gente decepcionada.



Um elenco que se destaca pelos veteranos e pelos novos atores da franquia


Desta vez, os alienígenas querem dominar o mundo usando tecnologia superior de outro planeta, e sob a liderança de uma grande "mãe" extraterreste  vão invadir a terra para roubá-la. Após estabelecer bases de monitoramento na lua e em Saturno, a presidente Landford (Sela Ward) conta com uma nova geração de pilotos liderados por Jake Morrison (Liam Hemsworth), além de contar com a experiência do presidente Whitmore, o cientista David Levinson (Jeff Goldblum) e do Dr. Brackish Okun (Brent Spiner). Na frente de batalha, as relações entre os personagens se estabelecem como Patricia Whitmore (Maika Monroe), piloto, filha do ex-presidente e namorada de Jake;  Dyllan Hiller (Jessie T. Husher), filho do Capitão Steven Hiller (Will Smith, no primeiro filme) , entre outros.


Com uma perspectiva bem racional ao avaliar os primeiros 20 minutos de filme, o roteiro dá evidências claras de que os alienígenas estão de volta e que a preguiça tomou conta dos roteiristas. Não basta somente colocar a terra em perigo com o desconhecido e ressaltar o patriotismo e a luta pela sobrevivência, é necessário cuidar do desenrolar do argumento e como as cenas são lapidadas para explorar o potencial audiovisual do Sci fi. Não é o que ocorreu aqui.  Um início confuso, um retorno de Whitmore  e do Dr. Brackish Okun com atuações pouco aproveitadas e um elenco jovem que não teve muito espaço para amadurecer as relações entre os personagens e o conflito, "Independence Day: o ressurgimento" merecia um melhor retorno, afinal, são 20 anos de espera e, se for para dar um presente para os cinéfilos, por que não desenvolver melhor a ação dos antagonistas (os aliens), explorando os recursos da tradição da ficção científica e , principalmente, os recursos tecnológicos sem usar o CGI como muleta da direção. Mais uma vez, Emmerich coloca os exageros para fora e não capricha na concepção visual das catástrofes, no explorar do ritmo e da linguagem cinematográfica para criar tensão e projetar o público para uma ficcional (porém mais realista) experiência com um disaster movie.






Em coletiva de imprensa em São Paulo, Bill Pulmann ressaltou que quis vir ao Brasil para a estreia. Queremos Whitmore para presidente!



Mais adiante, à medida que a invasão dos alienígenas é uma realidade,  o diretor opta por desenvolver cenas específicas que marcam bem a questão emocional do longa, em especial a conexão entre Whitmore e a filha e a própria questão de lutar até morrer para defender a terra, caso seja necessário, desta forma, ainda que haja escorregões técnicos e, claramente, uma passividade dos roteiristas, o filme traz esta jornada do herói que  precisa tomar decisões para favorecer a sobrevivência da terra. Infelizmente, o ator Bill Pullman é pouquíssimo utilizado na trama , além de ser substituido por uma presidente inexpressiva que mais parece um comandante a dizer sim ou não para as decisões.  Com um personagem já debilitado pelos problemas de saúde, a própria fragilidade física do personagem de Pullman traz uma certa tristeza e redenção para a tela, afinal, será que ele vai sobreviver? O que ele poderá fazer para deter os alienígenas? O que farão com o nosso "Mr. President"? Com toda certeza, ele poderia fazer mais coisas, ter diálogos mais cerebrais e estrategicamente inteligentes, entretanto, tudo fica bastante superficial neste roteiro. De forma irônica, o resultado é uma ficção que se torna divertida por ser mal executada, por ser um entretenimento que abre espaço para a seguinte incógnita: "O que Emmerich tem na cabeça para tomar certas decisões na direção e no corte final da edição?". Enfim, o que sobrará de bom é ver Pullmann na telinha que, pessoalmente, é um gentleman, um ator com um jeito de ser simples e simpático.




O filme não é tão bom, mas Bill Pullman é tão querido e  simpático 
que a gente esquece dos problemas de direção do Emmerich!


Convém mencionar que seria um sinal de maturidade da direção de Emmerich se ele tivesse desenvolvido melhor a execução do roteiro (ou opinar sobre o mesmo para certas mudanças) e abusasse menos dos recursos CGI . Uma vez utilizando a tecnologia em alta percentagem (mais de 70% no filme são realizados nesta tecnologia), o desafio do diretor é exatamente trabalhar melhor a atuação do elenco, diálogos e ações. Fatalmente, isso não aconteceu. Para piorar a execução, ele não se dedicou massivamente a tornar as cenas de destruição das cidades mais realistas, salvo  a inclusão de cenas com crianças que é uma das partes mais divertidas, remetendo ao uso de atores mirins e tomadas de fuga nos filmes de Spielberg, por exemplo. Emmerich  tentou explorar mais os cenários da nave, do lar dos alienígenas e da grande mãe extraterreste com uma inclinação maior para o sci fi e as referências visuais clássicas de Aliens. O problema é que ele não é um bom diretor para a ficção científica  e continua o mesmo dos filmes anteriores. 

Se for para se divertir com este retorno, vá pelo espírito da diversão e da homenagem aos anos 90 e seus guilty pleasures cinematográficos. Vá para ver o  Whitmore e dizer : Gosto de você, Sr. Presidente!





Ficha técnica do filme Imdb Independence Day: o ressurgimento

Fotos do Bill Pullmann por Acervo MaDame Lumière. Coletiva de imprensa Brasil

Fotos do filme e trechos entrevista diretor: uma cortesia Fox Film Brasil



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