terça-feira, 15 de setembro de 2015

MaDame Blockbuster: O Agente da U.N.C.L.E. (The Man from U.N.C.L.E. - 2015), de Guy Ritchie

MaDame Blockbuster:
Cinema Pipoca e no stress




Por Cristiane Costa



Guy Ritchie está de volta com mais uma comédia de ação na qual prima pelo bom humor, elegância e uma clássica história de espionagem. Conhecido por sucessos como a franquia de "Sherlock Holmes", "Snatch: porcos e diamantes" e "Jogos, trapaças e dois canos fumegantes", o cineasta é reconhecido por unir os gêneros comédia, crime e ação com muita desenvoltura e por manter parcerias com profissionais que têm background com seus filmes. Em seu mais recente longa, "O Agente da U.N.C.L.E.", Ritchie trabalha novamente com Lionel Wigram (produtor dos "Sherlock Holmes"), ambos como roteiristas e  inspirados pela série de TV "The Man from U.N.C.L.E.(1964). Na produção, completam a equipe, os produtores John Davis ("Poder sem limites") e Steve Clark-Hall ("RocknRolla: a Grande Roubada e os "Sherlock Holmes") e, como produtor executivo, David Dobkin ("O Juiz").






Ambientada nos anos 60, a história reúne uma dupla de espiões advindos de lados inimigos:  Napoleon Solo (Henry Cavill) é agente da Cia. Illya Kuryakin (Armie Hammer), da KGB. Apesar das rixas entre USA e ex-URSS, eles têm que se unir para conter o avançado de uma organização criminal que pretende usar armas nucleares e tecnologia militar. Para conseguir chegar à líder e vilã dos terroristas, Victoria (Elizabeth Debicki), e evitar uma catástrofe mundial, Solo e Kuryakin precisam encontrar o cientista alemão UDO (Christian Berkel), cujo conhecimento sobre foguetes é uma arma mortal nas mãos de Victoria. UDO é pai de Gaby Teller (Alicia Vikander), uma bela jovem que ajudará os agentes a se infiltrar na organização.











Logo na primeira sequência de planos é possível  perceber que o novo filme de Guy Ritchie é mais eficiente em uma excelente construção de cenas de ação e muito menos eficaz em roteirização. É exatamente o que acontece a esse bom entretenimento: atores bonitos e bem vestidos e ação bem estilizada para a época retratada, no entanto, a história é desprovida de um suspense mais envolvente considerando, como comparação, os bons roteiros contemporâneos de espionagem com ação, entre os quais: 007 - Skyfall , 007- Cassino Royale e Missão Impossível: Nação secreta. Assim sendo, "O agente da U.N.C.L.E" deve ser apreciado sob a perspectiva de uma comédia de ação, sem ter grandes expectativas de que o filme mostrará um roteiro imperdível com sequências de thriller e, também, sem esperar um excelente time de vilões para equilibrar o conflito.  







Nem mesmo a beleza e vilania da Francesa Elizabeth Debicki salvou o lado do mal. Apesar de seu natural refinamento, não há um adequado desenvolvimento de personagens vilões. São caricatos, sádicos e cumprem apenas uma função esnobe, são como pessoas ricas e arrogantes que encontram no crime uma diversão para bancar seus padrões de vida. A bem da verdade é que, em nenhum momento, os vilões são uma real ameaça ao analisar todas as atuações. Talvez, com o propósito de não sair do caminho da comédia e nem tirar o foco nos agentes e em Gaby, Ritchie e Wigram  optou por não levar os vilões a sério.










Mais uma vez, o diretor continua um amante da beleza, em vários sentidos, do figurino a ação, o preciosismo da beleza permanece nítido em toda a produção. Ele escala um trio de belos atores (Cavill - Hammer - Vikander) que, são inexpressivos em determinadas cenas, e sofrem as consequências de um pobre texto, mas ainda assim, eles são bonitos, charmosos e bem vestidos, vale a pena contemplá-los. Com o  perfeccionista bom gosto de Ritchie, o filme se transforma em entretenimento  visual, com destaque para a trilha sonora com divas como Nina Simone e Roberta Flack, a fotografia de John Mathieson (de "Gladiador") e, principalmente, para o designer de produção Oliver Scholl e o montador James Herbert que fizeram um competente trabalho em "No limite do Amanhã". Esse trio de especialistas somam valor ao longa à medida que colaboram para o estilo narrativo do filme: um repertório clássico dos anos 60, ocorrida em uma fase histórica relevante e com uma edição de imagens com leve approach documental. Evidentemente, a produção perde a oportunidade de aproveitar melhor certas oportunidades como um pouco mais de romance e vilania, que são apenas pincelados. Portanto, o roteiro é o que menos importa aqui. 







O filme vale mais a pena pela direção e como Ritchie orquestra estas diversas especialidades para favorecer a finalização de seu longa. As melhores cenas são as que enfatizam as qualidades do cineasta: ação, humor e elegância  e podem ser apreciadas, respectivamente, nas tomadas externas relacionadas a perseguições a veículos, com uso de motos, lancha etc, cenas divertidas entre Solo e  Kuryakin que corroboram as velhas fissuras entre USA e ex-URSS e as usam como elemento de humor e a beleza de boa parte do elenco. Nada disso é inédito em uma narrativa com espionagem, mas por ser de Ritchie, o charme está presente, a competência também.  Indubitavelmente, o toque de Midas dele é dirigir comédias com um forte estilo pessoal na decupagem de planos de ação, nos quais ele prioriza uma sofisticação no figurino e no design de produção de forma a criar uma ambientação clássica, verossímil e refinada. Só isso já basta para um bom blockbuster e uma diversão desencanada.







Ficha técnica do filme ImDB O agente da U.N.C.L.E 
Distribuição:  Warner Bros Pictures

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