segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Viola DAVIS, vencedora de melhor atriz em série dramática no EMMY Awards: Uma vitória justa e merecida


A primeira mulher negra a ganhar o Emmy na categoria de melhor atriz em série dramática. Um discurso inspirador e comovente




Por Cristiane Costa



Hoje o dia amanheceu mais bonito e inspirador para mulheres e homens  que acreditam no poder da mulher e, principalmente, no potencial e talentos de mulheres negras que constantemente têm que lutar para obter melhores papéis na TV e no Cinema. Durante o  67º Emmy Awards, o OSCAR da TV Americana, realizado ontem, foram entregues  3 prêmios EMMY para incríveis atrizes negras  que realizam um trabalho crível, maduro e carismático em suas carreiras. Regina King ganhou como melhor atriz coadjuvante em minissérie ou filme para a TV por American Crime, Uzo Aduba como  melhor atriz coadjuvante em série dramática por Orange is the new black e o mais emocionante reconhecimento da noite foi a ela, VIOLA Davis, uma das melhores atrizes do mundo,  ganhou o prêmio de melhor atriz principal em série dramática por How to get away with murder. Veja o discurso:








Após  este discurso emblemático, corajoso e magnífico,  Viola Davis  e sua excelente postura perante o público só veio a somar a luta e engajamento pela  necessidade  do Cinema e da TV  ultrapassar a linha da exclusão racial  em suas produções.  Ainda é muito pouco o que está sendo feito, mas os Estados Unidos  ainda têm se destacado porque há produtores influentes que lançam séries como Empire, Scandal,  Orange is the new black entre outros. Um deles é a visionária produtora,  roteirista e diretora Shonda Rhymes que está abrindo este espaço para os atores negros e trouxe oportunidades para  atrizes como Kerry Washington e Viola Davis, respectivamente, como protagonistas das séries Scandal e How to get away with murder.  Suas personagens não são subalternas e estereótipos enraizados de escravidão.  A primeira trabalha com comunicação/assessoria e gestão de crise,  a segunda é advogada.  Ambas são inteligentes, sedutoras e articuladas, são mulheres inspiradoras e estratégicas que  tomam decisões, resolvem problemas e são reconhecidas. 


 Com isso, a vitória de Viola Davis é uma demonstração de que chega de colocar negras como empregadas domésticas, amantes, sambistas e escravas nas produções audiovisuais.  As mulheres negras podem ser protagonistas como qualquer outra mulher de qualquer etnia e espaços para este crescimento tem que ser oferecidos abertamente e sem frescuras. Como disse, Uzo Aduba em seu discurso de vencedora, agradeceu  a várias pessoas e, também, à Netflix e a produtora Jenji Kohan por criar este espaço em Orange is the new black, uma das séries que mais valorizam a diversidade no elenco.




Uzo Aduba





Regina King


Por isso, quando Viola Davis diz que  não é possível ganhar Emmys por papéis que não existem, ela está sendo assertiva e realista. Ela está confrontando o status quo da indústria.  Ela colocou o dedo na ferida e é isso mesmo, tem que tratar abertamente que não há muitos e bons papéis para negros pois a indústria não se mobiliza a isso e excluí as pessoas.   Por sua coragem de não deixar de falar isso à plateia  presente, ela merece o respeito do público, de cinéfilos e serienáticos em geral.  Se cada categoria  de um Emmy tem 6 indicados e se analisarmos cada uma das categorias, contarmos os números de negros, veremos a desigualdade de oportunidades em papéis na TV. O mesmo ocorre com o Oscar. No Brasil,nem se fala, pois aqui há um racismo escancarado na TV que muitos fingem ser natural.


Assim, é  chegada a hora de mudar isso e o público é parte integrante e participante deste processo de mudança. Viola Davis é  um exemplo de conquista de espaço, pois fez um papel coadjuvante esplêndido  no filme  Dúvida (Doubt), no qual , em poucos minutos, ela deu um show de interpretação . Posteriormente destacou-se em Histórias Cruzadas (The Help) no papel de uma empregada. Ainda que tenha tido uma excelente atuação, não lhe foi dado um papel que fugisse do estigma dos negros escravizados.  Felizmente A TV foi mais justa do que o Cinema para mostrar o talento dela. O papel de Annalise Keating em How to get away with murder é uma força da natureza. Em poucos minutos de atuação, Viola Davis deixa muitos atores no chinelo.

Agora vamos acompanhar como evoluirá a indústria de TV americana entre este Emmy e o do ano que vem. Se vamos ver mais negros na TV. E que a TV Brasileira aprenda alguma lição com Viola Davis. Enquanto isso, sejamos empoderados pelo belo discurso desta diva, extraordinária atriz, que sempre terá o respeito do MaDame Lumière.



"Na minha mente, vejo uma linha. E acima dessa linha, vejo campos verdes e flores adoráveis e belas mulheres brancas esticando seus braços em minha minha direção, mas por algum motivo, eu não consigo chegar lá. Eu não consigo ultrapassar essa linha.
Essa foi  Harriet Tubman nos anos 1800. E deixem-me dizer-lhes algo: a única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade.
Você não pode ganhar um Emmy por papéis que simplesmente não existem. Então isso vai para  todos os roteiristas e as pessoas incríveis que são Ben Sherwood, Paul Lee, Peter Nowalk, Shonda Rhimes, pessoas que redefiniram o que significa ser bonita, ser sexy, ser protagonista, ser negra.
E para as Taraji P. Hensons, as Kerry Washingtons, as Halle Berrys, as Nicole Beharies, as Meagan Goods, as Gabrielles Unions: obrigada por nos fazer passar da linha. Obrigada à Academia do Emmy. Obrigada.” (Viola Davis, 20/9/2015)


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