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Está vendo esse cordeirinho na foto?


Essa é a MaDame Lumière em formato de membra associada da The Lamb, The Large Association of Movie Blogs. Sou a Lamb#987, marcada mais ainda pelo amor ao Cinema em 25 de Junho .





Juntei-me ao rebanho após ser escolhida pela associação e estou muito feliz pelo reconhecimento.


Essa é uma conquista não só minha, mas de várias pessoas, leitores, cinéfilos amigos e profissionais do Cinema que fazem minha vida um constante aprendizado cinematográfico movido por um compartilhar inspirador e divertido de experiências. Através do MaDame Lumière conheci pessoas maravilhosas,cinéfilos de várias partes do Brasil, isso é muito gratificante e apaixonante, me dá uma força incrível para atualizar o blog em meio à correria e trazer o melhor para o leitor.




Incentivo os blogs Brasileiros de Cinema a serem reconhecidos pelo The Lamb, assim podemos divulgar a Arte do Cinema para os falantes de língua portuguesa e outros estrangeiros que tenham interesse em conhecer a blogosfera cinéfila made in Brazil. Pode parecer algo simples e simbólico participar de uma associação, porém ela tem um valor imensurável, o de criar uma comunidade nacional e internacional de pessoas que amam a Sétima Arte e isso não tem preço.




Com esse reconhecimento, espero que mais e mais pessoas aprendam a amar o Cinema como eu também o amo.




Um grande abraço da MaDame Lumière




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Remake do clássico homônimo de 1946 estrelado por Lana Turner e John Garfield e baseado no romance de James Cain, O Destino bate à sua porta...



Remake do clássico homônimo de 1946 estrelado por Lana Turner e John Garfield e baseado no romance de James Cain, O Destino bate à sua porta (1981) tem Jessica Lange e Jack Nicholson, respectivamente, como Cora Papadakis e Frank Chambers, um casal de amantes que se apaixona e vivencia uma jornada de tentativas de assassinato, mentiras, brigas e traições para ficarem juntos. Cora é a jovem esposa de Nick (John Colicos), um homem de origem grega, mais velho e dono de um restaurante de beira de estrada. Frank é um desempregado, de passado misterioso e mal resolvido que conhece o marido de Cora e recebe uma oportunidade de emprego local. Logo ao se conhecerem, Cora e Frank se sentem mutuamente atraídos com uma intensa carga de desejo e paixão, emblematicamente registrada na incendiária cena sexual na cozinha, na qual Lange e Nicholson performam uma transa muito realista e sedutora, demonstrando uma incontrolável química.



Acima, um magnífico trabalho de fotografia e direção. Posicionamento da câmera, respectivamente alta e baixa, para filmagem de planos abertos que são fantásticas paisagens rurais. Isso é Cinema!




Nessa imagem, temos um plano aberto noturno, excelente trabalho de textura de cor realizada pelo mestre da fotografia, Sven Nykvist.


O diretor Bob Rafelson realiza um filme bem diferente da versão de 1946. Ele opta por uma direção mais convencional com uso de planos bem abertos para as externas e mais fechados para os momentos domésticos, de conflito e sedução. Ele não se detém a realizar esteticamente e tematicamente uma obra noire completa, ainda que haja uma mulher sedutora e um homem decadente e de caráter duvidoso que tramam um assassinato. O cineasta enfatiza visualmente a vida rural dos Estados Unidos, o bucolismo das estradas, o comportamento rústico e brutal dos personagens e a paixão de uma homem e uma mulher que combinam um com o outro. Ele também é muito bem apoiado pela fascinante cinematografia do sueco Sven Nykvist, um dos melhores diretores de fotografia do Cinema, que trabalhou lealmente para os filmes de Ingmar Bergman, propiciando-lhes uma assinatura fotográfica muito diferenciada, atemporal. Nykvist torna o trabalho de Rafelson bem superior, considerando o nível de qualidade de sua fotografia e seu senso estético. O roteiro de David Mamet tem o seu crédito como Cinema, porém o filme agrada mais pela atuação, direção e fotografia. Até determinado avance da película quando o casal tenta matar o marido de Cora, o roteiro parece ter o seu fim e não ter mais nada a apresentar à vida desses dois amantes. Ele perde um pouco do ritmo tal que a pergunta imediata é: E agora, o que acontecerá agora com Cora e Frank? O que temos mais nessa história? O filme ainda tem algo a contar?, porém é dado uma nova reviravolta na narrativa de forma a criar mais conflitos entre o casal, assim como a chance de serem felizes.





As imagens acima são um exemplo de saturação de fotografia ao fim de uma relação sexual. Uma bela combinação de direção e fotografia com o simbólico calor de corpos que se fundem extasiados.


Jessica Lange e Jack Nicholson realizam um ótimo trabalho, principalmente porque a densidade psicológica de seus personagens tem um certo mistério que deve ser sugerido, imaginado pela audiência em meio ao óbvio de cada carater apresentado. Cora é uma mulher bonita e jovem que trabalha como uma Amélia e é tratada como uma doméstica pelo marido. Nitidamente é possível pensá-la como a mulher que casou com um homem mais velho para ter estabilidade financeira após a Depressão Americana. Ao vê-la na tela, não a imaginamos como a dona do restaurante, mas uma mulher de personalidade forte que trabalha como uma empregada: cozinha, passa e lava e que, agora, tem uma grande aventura: Frank, um homem capaz de tirá-la do anonimato e despertar o seu desejo feminino, o seu prazer afetivo e carnal. Nesse aspecto, o roteiro é muito virtuoso porque ele inclui a casca de Cora, ou seja, seu lado fêmea e seu lado doméstica, assim como a personalidade rústica e audaciosa de uma mulher que traí o marido debaixo do mesmo teto e está disposta a exterminá-lo. Por outro lado, Frank é o típico homem sedutor, pobre, desqualificado que não tem eira nem beira e pensa que a vida é fácil, mesmo que com o passar da narrativa, fique mais evidente que ele ama Cora e quer se casar com ela. O roteiro se encarrega de enfatizar Frank como aquele homem que entra(ou) na onda das atividades ilícitas: gosta de uma jogatina, inclinado a trair as pessoas, procurado por homens misteriosos que o acusam e/ou com quem ele tem contas a acertar, etc. Todos esses elementos reforçam o quanto é difícil Cora e Frank ficarem juntos e o quanto eles se apaixonaram com virtudes e defeitos. No geral, O Destino Bate à Sua Porta é um belo filme com um fundo de tragédia que aflora compaixão na audiência. É triste no desfecho. Após eles vivenciarem tantas situações, será praticamente como receber um soco do destino.




Avaliação MaDame Lumière



Título original: The Postman always rings Twice
Gênero: Drama
Roteiro: David Mamet
Direção: Rob Rafelson
Elenco: Jessica Lange, Jack Nicholson

"Uma câmera na mão e uma foto de Cinema" por MaDame Lumière Foto de inspiração fálica, com Warren Beatty como o cabelereiro George...

"Uma câmera na mão e uma foto de Cinema"

por MaDame Lumière







Foto de inspiração fálica, com Warren Beatty

como o cabelereiro George Roundy






A fotografia é muito mais eficaz quando ela sugere com comicidade um apelo erótico e divertido que já faz parte da temática do filme. No caso de Shampoo, George Roundy (Warren Beatty) é um cabelereiro que saí com várias mulheres. Ele é a sensação feminina do salão. A película realiza uma sátira da política sexual em um contexto político que só serve de pano de fundo, afinal o filme ocorre em pleno final dos anos 60 e início dos 70, época da liberação sexual destacada em vários filmes.


A fotografia tem um primor criativo porque ela tem o poder da sugestão, de mover o imaginário erotizado do público a tirar suas próprias conclusões. Combina uma mulher que tem o seu cabelo secado pelo próprio George. Ele lhe aponta o secador, próximo ao pescoço (que é um zona erógena e de preliminares). O secador é um objeto que por si só já tem a ponta ereta, que pode representar o fálico. Assim também, com dupla representação do sexo, ela abaixa a cabeça como que sugerindo um ato de felação. O único detalhe que mata a foto é seguramente a cabelereira gigante do Warren Beatty, a qual não deixa de ser engraçadíssima!

Não é de hoje que o excelente realizador Guillermo del Toro produz ótimos filmes que mesclam o terror moderno e o suspense de tirar o fô...

Não é de hoje que o excelente realizador Guillermo del Toro produz ótimos filmes que mesclam o terror moderno e o suspense de tirar o fôlego a uma sobrenatural atmosfera e um roteiro intrigante. Dentre esses, destacam-se A Espinha do Diabo, O Labirinto de Fauno e O Orfanato. Todos esses longas conduzem o público a um misterioso ambiente que causa um estranhamento nítido, ao mesmo tempo palpável e também como que pertencente a outro mundo. O horror não é espalhatafoso, óbvio. Ele é gradualmente adicionado à tensa carga dramática através de vários recursos: uma cenografia silenciosa e solitária, uma fotografia iluminada com um insight de obscuridade, diferenciados ângulos de câmera que suspendem a ação e atentam-se a enriquecedores pormenores, um talentoso elenco que mergulha nos esquisitos personagens e o abuso de assustadora trilha sonora. Os olhos de Julia, dirigido por Guillem Morales (de El Habitante Encierto) é um ótimo achado cinematográfico, produzido por El Toro e estrelado pela formidável Belén Rueda (de O Orfanato e Mar Adentro) e pelo ótimo ator Lluis Homar (de Abraços Partidos e Má Educação). A atriz, que é a protagonista, se entrega ao papel de uma forma brilhante, com a dubiedade de ser corajosa e estar vulnerável como uma mulher que sofre perdas familiares e está prestes a perder a visão por conta de uma doença degenerativa.

Julia perde a irmã Sara, que tem a mesma doença visual que ela. A irmã é encontrada morta e tudo demonstra que ela se suicidou, porém Sara não acredita em tal versão e começa a investigar quem poderia ter assassinado sua irmã. Enquanto isso, ela lida com a paulatina cegueira que domina sua visão. Surgem personagens misteriosos e mortes em seu caminho e a busca da claridade sobre a morte de Sara é uma esperança e um desafio, assim como uma forma de ver o mundo de outra forma, sentí-lo sem medo, superar-se. Julia tem que correr contra o tempo, lutar para não ser assassinada, tudo isso custa-lhe coragem e obstinação ao mergulhar nas sombras de um mundo desconhecido. O longa tem todas as virtudes para deixar o público tensamente nervoso e amedrontado até o final da projeção. A narrativa já nos apresenta uma atmosfera de cegueira, de escuridão, de mistério através da protagonista e de seu drama. Esse mistério move a ação de uma mulher que não enxerga direito, que sofre das limitações e das incertezas sobre sua visão, que é perseguida por um estranho homem, que se vê sozinha e vulnerável. Além disso, o público tem de tudo para ficar aterrorizado com os sustos provocados pelo longa. Ele é muito bem filmado, com uso contínuo de trilha sonora, que não inclue somente música mas sons de variados tipos que dão uma injeção de drama na audiência; além de ter lances de câmera bem marcantes e diferenciados como a opção de não mostrar os rostos de alguns personagens, os enquadramentos em objetos que emitem sons e ruídos, seja um telefone, uma chave, um abajur; os close-ups bem selecionados, como por exemplo, em uma das cenas com plano mais fechado que marcam os olhos de policiais, ocorrida em um momento fundamental para entender o propósito dramático e da função do olhar na sequência.

Na fotografia acima, um exemplo do excelente trabalho de câmera de Morales

Imagine que Guillem Morales é um realizador jovem e talentoso que nasceu para assustar a audiência, é praticamente um excelente cineasta sádico ao conduzir sua câmera filmando uma mulher cega com ataduras no rosto, que ouve passos na casa e está próxima ao inimigo, que tem pesadelos e vê sombras em seu caminho, que vive em uma casa que tem apagões, etc. No dia seguinte, um expectador que tenha se envolvido emocionalmente com o filme, ainda sentirá a tensão à flor dos nervos e dor por todo o corpo ou certamente ficará com medo de dormir com a luz apagada já que o próprio diretor escurece a tela, apaga a iluminação, cria sombras humanas. Muito do mérito da fita é a combinação da direção, do roteiro e da magnífica atuação de Belén Rueda. A atriz engrandece o valor da fita, cria uma empatia e relação muito forte com o público, que está com ela a todo momento, torce para que ela encontre o assassino, não perca a visão, não morra. Além de bela, Belén Rueda mergulha na personagem e traz a harmonia comportamental necessária à Julia: seu ímpeto de não desistir dessa jornada (uma motivação interna, que depende dela) e sua vulnerabilidade e dor de estar sozinha na jornada, perdendo a visão (uma factibilidade externa a qual ela não pode impedir). Com todas essas qualidades, Os Olhos de Julia é um excelente entretenimento dentro do gênero de suspense com toque de horror e é claramente uma produção com a marca de Del Toro, que demonstra que ainda é possível fazer filmes desse tipo, revigorados na direção com a beleza de conduzir uma câmera que se conecta intimamente com a tensão do público.

MaDame Lumière

Título Original: Los Ojos de Julia Gênero: Suspense, terror Roteiro: Guillem Morales, Oriol Paulo Direção: Guillem Morales Elenco: Belen Rueda, Lluis Homar, Pablo Derqui

Se há um tipo de personagem ao qual o magnífico Al Pacino está destinado, esse é o de policial. Seu estilo viril, sarcástico, solitário ...



Se há um tipo de personagem ao qual o magnífico Al Pacino está destinado, esse é o de policial. Seu estilo viril, sarcástico, solitário e audacioso entrelaçado com uma boa dose de uma psicologia transtornada fazem do célebre ator um primor ao interpretar policiais dramáticos e duros na queda. Detetives como o Frank Keller (Vítimas de uma Paixão, de Harold Becker), Vincent Hanna (Fogo contra Fogo, Michael Mann, 1995) e Frank Serpico (Serpico, Sidney Lumet,1973) são o crème de la crème dos longas e colaboram para sustentar a força do conflito e da ação na narrativa e sua qualidade como Cinema. Em Vítimas de uma Paixão, Frank Keller é um detetive de Nova York que tem como desafio encontrar o assassino de uma série de homícidios de homens que têm encontros sexuais após responderem a uma coluna de correio sentimental. Ao lado do detetive Sherman (John Goodman), Frank inicia a investigação em busca da mulher misteriosa, a provável "viúva negra" que mata os machos após o coito. Ele publica um poema nos classificados de um jornal e, em um dos encontros, conhece uma das suspeitas, a loira fatal Helen Cruger (Ellen Barkin) com a qual começa uma incendiária paixão, colocando em risco a própria vida.


"Não consigo dormir na minha cama se você não está lá" (Frank)

O longa oferece uma boa interpretação anos 80 em versão colorida do Cinena Noir a partir dos elementos temáticos e estéticos. Atmosfera criminal e investigativa, um policial solitário e perturbado, uma femme fatale de personalidade ambígue e de sexualidade transgressiva e um suspense arrebatador em um submundo cínico e violento estão presentes na fita. Aqui, o assassino pode estar mais próximo do que se imagina, porém a teia de aranha é costurada de forma a propiciar tensão e dúvida no espectador, criando um clima de crescente desconfiança, de dissimulação, de obscuridade. Nesse quesito, o roteiro é muito bem articulado a partir do desenvolvimento dos personagens como o de Al Pacino e Ellen Barkin e da paixão e química sexual entre eles. Na estrutura de um clássico film noir, o detetive é um tough guy (expressão inglessa para nervosinho, esquentado), comportamento que Al Pacino tem o dom de interpretar e o faz muito bem. Normalmente, esse detetive é seduzido por uma mulher atraente e a narrativa demonstra que ele está com problemas, sejam financeiros, sejam emocionais ou de qualquer outro tipo. No caso de Frank Keller, ele foi abandonado pela esposa, que o trocou por um dos amigos dele, Gruber (Richard Jenkins), tem um pai muito idoso e carrega a solidão e a amargura de policiais que se dedicaram uma vida inteira às suas carreiras, são falidos afetivamente, sem ter procriado uma família. A atuação de Al Pacino é muito convicente sob esse aspecto e claramente demonstra que Frank Keller é moralmente problemático como boa parte dos policias em filmes, ainda que combata o crime. Ao conhecer Helen, Frank fica totalmente cego e dependente emocionalmente e sexualmente dela, o que poderá trazer consequências desastrosas à sua investigação.




O que você está procurando, hein? (Helen)


Pelo lado feminino, temos a ótima atuação de Ellen Barkin que incorpora muito bem a personalidade dissimulada e dupla da mulher noir assim como sua energia sexual borbulhante em quentes cenas de amor com Al Pacino. A mulher do Cinema Noir é o oposto da mulher doméstica e patriarcal. Ela domina sua própria sexualidade, logo Helen Cruger é um personagem construída para acender a paixão e confundir a mente e o coração de um policial, a angulação, iluminação e enquadramento em seu atuante corpo dão conta do efeito provocativo que ela tem sobre Frank Keller. É indiscutível fato de que a química do casal faz muito a diferença no longa, principalmente como ela é conduzida pela câmera de Becker, em detalhes, em um misto de romance de duas pessoas abandonadas no mundo e de sexo bem carnal de duas pessoas que só desejam transar intensamente. Ambos estão fantásticos nessa deliciosa combinação e se tornaram emblemáticos como um dos casais mais sensuais (e sexuais) do Cinema. Cria-se um clima de perigo, erotismo e dependência nessa relação, o que dá uma sensação de prazer iminente como um último gozo mortal, a fronteira entre a vida e a morte dos fervilhantes desejos, o orgasmo cinematográfico que descarrega toda tensão do suspense. Dessa forma, são incluídas no roteiro cenas nas quais Frank a procura em seu emprego, em uma loja de sapatos e em sua casa, nas quais são viciados um no outro, permanecendo na cama por horas e com a necessidade crescente de se verem, assim como cenas com brigas e mentiras. Ellen também seduz e confunde o expectador. Ela é uma mãe de família solteira, que cria a filha sozinha e foi abandonada pelo marido. Em alguns momentos, ela demonstra vulnerabilidade através do jeito de olhar, rendida pelo romance com Frank. Em outros momentos, parece ser o contrário, totalmente letal. A trilha sonora, com a adorável canção tema Sea of Love, de Robert Plant funciona como um personagem estranho e necessário nessa atmosfera obscura e solitária. Sua letra romântica são para os que carecem de amor e se apaixonam, assim como Frank e Ellen, as vítimas de uma louca paixão.

Avaliação MaDame Lumière





Título Original: Sea of Love
Gênero: Crime, Suspense
Roteiro: Richard Price
Direção: Harold Becker
Elenco: Al Pacino, Ellen Barkin, John Goodman

Qualquer Gato Vira-Lata, nova comédia nacional com o trio de Globais Cleo Pires, Dudu Azevedo e Malvino Salvador é uma combinação divertid...



Qualquer Gato Vira-Lata, nova comédia nacional com o trio de Globais Cleo Pires, Dudu Azevedo e Malvino Salvador é uma combinação divertida de clichês das relações amorosas modernas nas quais, muitas vezes, a mulher perde um bom tempo da sua vida com o homem errado, insegura e pegando no pé do namorado ou desesperada à procura das respostas que expliquem porque os homens agem de determinadas maneiras. Na história, Tati (Cleo Pires) é apaixonada pelo sarado Marcelo (Dudu Azevedo), um namorado egoísta, narcisista, mulherengo e completamente desprovido de qualquer conteúdo intelectual. Ela acaba levando um fora, ou melhor, um 'tempo' para a relação, debulha-se em lágrimas e vê seu mundo desabar. Ao assistir uma palestra do professor de Biologia Conrado (Malvino Salvador) a respeito da tese Darwinista de que as mulheres estão correndo atrás dos homens e agindo na contramão da teoria evolutiva dos machos, Tati se aproxima de Conrado e aceita ser de objeto de sua pesquisa. A aproximação entre eles faz com que Tati amadureça como mulher e tenha uma nova chance de encontrar a tão desejada felicidade afetiva.





Baseado na bem sucedida peça teatral Qualquer Gato Vira-Lata tem uma vida sexual mais sadia do que a nossa, de Juca de Oliveira, o longa é um entretenimento ligeiro com fórmulas que seguem o padrão das personas e da sedução desse complicado pano de fundo das relações afetivas. Esse padrão comportamental foi bem observado por Juca Oliveira que escreveu a peça após observar a vida amorosa de sua filha. Ela costumava agir como a Tati. Ligava várias vezes para o namorado e agia de uma forma mais ativa em procurá-lo do que o contrário. A peça se tornou um sucesso de público durante quatro anos com mais de milhão de expectadores e agradou ao trazer em plena contemporaneidade a discussão da teoria evolucionista de Darwin nos relacionamentos de homem e mulher. Segundo a premissa, os machos se comportam audaciosamente no mercado sexual para perpetuar a sua especie, sob o risco de extinção. A partir do momento que a mulher se coloca em uma posição de caçadora, ela está invertendo o seu papel e, o macho não a valoriza. Certamente quando o homem quer namorar uma garota e amá-la verdadeiramente, ele a procura, pelo menos, deve criar coragem para fazê-lo.






Mesmo que o argumento pareça machista ao trazer à discussão que as mulheres agem como se fossem machos agressivos no mercado sexual e por isso acabam sozinhas e inconformadas, perdidas em como lidar com os homens e perdendo a chance de encontrarem o par ideal, na verdade, o filme não está mentindo e nem é tão machista. Ele retrata uma verdade do cotidiano e não há surpresas porque, no fundo, a mulher sabe que o homem não valoriza a que pega no pé e que um desprezinho básico em homem que se acha nunca é demais. A narrativa é construída com esse padrão moderno de clichês que funcionam, são interpretados de uma forma mais caricata e exagerada e não deixam de ser honestos com o público. Basta observar como os personagens foram propositalmente construídos. Tati é a garota bonita, carismática, inteligente, sincera, que trabalha e estuda. Ela foi construída para ser a mulher bacana e apaixonada, para casar e namorar. Marcelo é o garoto sarado, bonito e burro, que vive de mesada na casa dos pais, não trabalha, tem tempo para ir à praia surfar e circular nas ruas do Rio de Janeiro em plena luz do dia, dar festinhas sacanas e traí-la. Conrado é o homem mais maduro, intelectual, tímido e de bom coração que já teve um casamento fracassado.





A direção conduz a narrativa de forma a criar essas caricaturas de forma simpática e obedecer o clássico gênero de comédia romântica, com os encontros e desencontros até o happy end. O roteiro inclue cenas clássicas como a paquera na balada, o surto da ex-namorada ciumenta, a traição do namorado mulherengo, a hesitação da declaração de amor. Marcando sua estreia em longas após convite dos produtores Pedro Rovai e Tubaldini Junior, Tomás Portella capricha mais nos enquadramentos, na edição, trilha sonora e direção de atores, essa última só funciona positivamente com Cleo Pires que dá muito mais vida e beleza à personagem e leva os filmes nas costas com o seu charme. Os desdobramentos acerca desse trio amoroso são óbvios porém são bem verossímeis com o padrão comportamental de muitas pessoas. Se uma mulher tivesse a opção de encontrar o par ideal, quem ele seria: Marcelo ou Conrado? No final das contas, o amor simplesmente acontece e sempre com aquela pessoa que o leva a sério.



MaDame Lumière






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Título Original: Qualquer Gato Vira-Lata
Gênero: Comédia Romântica
Roteirista: Claudia Levay, Julia Spadaccini.Baseado na peça de Juca de Oliveira, Qualquer Gato Vira-Lata tem uma vida mais sadia do que a nossa
Diretor: Tomás Portella
Elenco: Cleo Pires, Dudu Azevedo e Malvino Salvador

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