Missão Madrinha de Casamento é uma comédia tipicamente de elenco feminino, que traz  interessantes atrizes de talento cômico como May...



Missão Madrinha de Casamento é uma comédia tipicamente de elenco feminino, que traz  interessantes atrizes de talento cômico como Maya Rudolph, Kristen Wiig e Melissa McCarthy e é dirigida por Paul Feig, profissional que tem larga experiência em direção de Seriados de TV como The Office, Nurse Jackie etc.  Annie (Kristen Wiig) é uma mulher de meia idade e solteira para qual a vida não foi muito benevolente: não tem namorado, carro bacana e casa própria e acumula o fracasso de um negócio falido, uma loja de confeitaria. Sua melhor amiga, Lilian (Maya Rudolph) vai se casar e a convida para ser sua madrinha de casamento. A partir daí, a narrativa se baseia na divertida competição entre Annie e a dama de honra Helen (Rose Byrne), bonita, bem sucedida e nova amiga de Lilian. A rixa entre ambas e o elenco divertido das demais damas de honra garantem momentos engraçados e pincela o longa com tragicômicas tiradas de problemáticas femininas como o desgaste do casamento, a carência amorosa, entre outras.






O filme é  uma daquelas comédias que enganam o público. Quando se olha para a capa do DVD e/ou o cartaz do filme, é possível dizer: Eca! Mais um besteirol Hollywoodiano cheio de clichês!, porém ele surpreende com entretenimento, amizade e romance, mesmo que ainda haja clichês desse gênero. Há um senso de humanidade em algumas cenas que estão coerentes às emoções que são vivenciadas pelas mulheres como o ciúmes,   a baixa autoestima, a solidão, a sensação de fracasso afetivo e profissional etc. O longa é bem humorado, tem ótima energia e uma boa protagonista, Kristen Wiig, que é muito competente e para a qual o papel caiu tão bem como um vestido fabuloso.   O fato dela ter assinado o roteiro também pode explicar o porquê ela está tão à vontade na atuação. Com isso, embora o casamento de Lilian seja o agente impulsionador da história e o grande pano de fundo, ele não é o mais importante no filme. A relevância do longa está em Annie e seus dramas pessoais que se misturam com os risos e a competição em questão. Sendo um filme bem feminino, é mais imediato  o processo de identificação das expectadoras com Annie e as mazelas das mulheres. Por outro lado, os homens que assistem ao filme podem entender um pouco mais do sexo feminino.







Annie é autêntica e, por sê-lo, ela tem carisma. Não é preciso um excepcional roteiro para seu personagem crescer em tela. Primeiro, pelo talento cômico da atriz, segundo por ser humanamente uma mulher que não conseguiu nada na vida e ainda tem que celebrar o casamento da melhor amiga. Ainda que tenha alcançado uma idade mais madura e tenha o hábito da autosabotagem na história, Annie tem um senso de verdade que permeia a comédia e dá-lhe valor; exatamente por ser falha e ter esquecido de si e de seus projetos, de não se dar o devido crédito como mulher atrativa e interessante e não perceber o quanto é maravilhosa. Ela é aquele tipo de mulher que tinha sonhos e trabalhou duro, mas que a vida não lhe presenteou com um homem especial, com um trabalho satisfatório, com posses materiais mínimas. Pode parecer mais um clichê feminino, mas quem é mulher, principalmente, sabe como é terrível chegar a um momento melancólico que parece que a vida foi ingrata conosco. Esse momento é mais um poço fundo para qualquer um; mesmo que seja ocultado por sorrisos e risos que tentam disfarçar tal tristeza, ele continua sendo um buraco negro na vida. Na verdade, todas essas dificuldades são comuns a homens e mulheres nesse cotidiano que costuma ressaltar mais fracassos que sucessos. Existem cenas que Annie tem que comemorar a vitória amorosa da amiga e ver o quanto Helen é charmosa e próspera, enquanto que o seu mundo está desabando,  dessa forma, demonstrando que mal ela consegue cuidar da própria vida, imagine apoiar a noiva na preparação do casamento. Como é natural, ela se sente tão "menos do menos", que é incapaz de acreditar no Amor, assim, aceita as migalhas de afeto como as transas com o fútil e bonitão Ted (Jon Hamm, de Mad Men). Não enxerga o potencial amor de Rhodes (Chris O'Dowd) e, simplesmente, cede ao sexo casual e permite ser usada da forma mais humilhante que as mulheres sabem muito bem como é.





Com elenco  coeso e divertido e um bom ritmo, Missão Madrinha de Casamento promete momentos hilariantes e emocionantes. A jornada à essa comédia é muito válida para acompanhar a história de Annie. Ao fim, assim como na canção tema Hold on, de Wilson Phillips e perfeita  na trilha sonora para realçar o que é mais relevante no longa, aprendemos que é preciso não se isolar como uma ilha e nem se autosabotar tanto, há que ter a vontade de superação e de dar a volta por cima, sem deixar de ser amigo(a) e acreditar no Amor. Nunca é tarde para partir à missão, a que é rumo a nós mesmos.






Título: Bridesmaids
País/Ano: EUA / 2011
Diretor: Paul Feig
Roteirista: Kristen Wiig,  Annie Munolo
Elenco: Kristin Wiig, Maya Rudolph, Rose Byrne, Mellisa McCarthy etc.

Quando a confiança é necessária e é quebrada. Confiar é o longa dirigido  por David Schwimmer, popular ator que fez sucess...

Quando a confiança é necessária e é quebrada.






Confiar é o longa dirigido  por David Schwimmer, popular ator que fez sucesso com o seriado Friends. Com grandes atores no elenco como Clive Owen e Catherine Keener e a jovem e promissora Liana Liberato, o filme retrata a história de uma adolescente que é vítima de abuso sexual ao conhecer um homem mais velho pela internet. Muito mais do que um tema moderno frente à degradante realidade dos crimes sexuais e do crescimento da pedofilia na internet, Confiar torna-se um filme muito pessoal do diretor, com um olhar muito sensível ao drama de uma adolescente traída e violada em sua intimidade sexual, pois David é ativista da Rape Foundation, uma instituição que presta suporte a crianças abusadas sexualmente e a seus familiares.







No roteiro, a estrutura é previsível porém eficaz para analisar a aproximação do criminoso sexual de uma jovem solitária. Ele coloca o expectador na realidade de como uma adolescente, carente e ingênua, é enganada por um homem adulto pervertido. A adolescente Annie (Liana Liberato) tem problemas de autoestima e uma necessidade de se afirmar  como uma garota colegial desejável e aceita pelo grupo de colegas. O personagem dela segue aquele estereótipo cinematográfico da menina mais caseira, de poucos amigos, que nunca namorou nenhum dos colegas atléticos do colégio e é considerada estranha pela garota mais popular da escola. A partir dessa linha de desenvolvimento, o personagem de Liana é coerente com o que acontece na realidade. Ela é inexperiente mas, como toda mulher jovem, quer ser apreciada. Ela inicia chats  na internet com o desconhecido Charlie, pouco a pouco se envolve platonicamente e afetivamente com ele, confia nele, perdoa-o, deseja-o com papos íntimos e encontra-se com ele. Liana a interpreta muito bem,  com veracidade e emoção, em um misto de desejar essa independência como mulher mas vulnerável como qualquer adolescente.






Charlie (Chris Henry Coffey), o criminoso sexual, é bem caracterizado a partir de uma aparência comum e patética, uma voz mansa e manipuladora, mais um Zé ninguém que oculta um psicopata. Através das falas nos chats e de como ele a aborda e a leva para o motel, o personagem dele é bem asqueroso, porém de uma forma discreta, exatamente como ocorrem nos noticiários. Tal caracterização dele é um acerto do roteiro porque os pedófilos são cínicos tarados sexuais que ganham a confiança da vítima como se fossem "bonzinhos". Podem ser os homens mais ordinários do cotidiano, como aqueles que ninguém desconfia que são o que são. Embora o desfecho do filme tenha sido abrupto em termos de ritmo da narrativa, ele deixa claro que o criminoso sexual pode ser qualquer um, inclusive um pai de família respeitado pela comunidade.











As atuações de Clive Owen e Catherine Keener são muito boas porque a escolha por eles foi positiva, além do mais há a presença ilustre de Viola Davis como a assistente social que, com sábias e simples perguntas, esmiuça o  quadro de negação da vítima. Clive, com seu estilo truculento e de fisionomia intempestiva quando fica nervoso, exerce bem o papel de pai revoltado, que deseja fazer justiça com as próprias mãos. Catherine é a cereja do bolo no filme, ainda que seu personagem não ganhe um desenvolvimento muito denso, vê-la na tela é sempre um bel prazer. Como uma grandiosa atriz indie, sua participação coadjuvante é centrada, madura e dramática, tudo na medida certa. Ambos ressaltam que os pais tem emoções distintas e contraditórias perante o problema:  podem se desesperar e fazer algo insano, podem se tornar mais protetores, se sentirem culpados ou não saberem o que fazer. De fato, ter um(a) filho(a) vítima de abuso sexual é doloroso e sempre traz muitas questões nevrálgicas: Eu protegi meu filho como deveria? Ele confiou em mim? Por que ele se aproximou de um desconhecido e deu espaço a intimidades? No geral, o filme é bom ao enquadrar algumas cenas que lançam essas questões que levam à reflexão. Infelizmente as questões não são evoluídas em sua profundidade, o que tornaria o filme excepcional com o assunto tão delicado e contemporâneo. 






Por outro lado, não se pode esquecer que Confiar ainda é um filme mais comercial com excelente elenco. Sua intenção não é tornar o drama mais drama e adentrar a psicopatia de um criminoso sexual, esmiuçando a sujeira do abuso de menores. Percebe-se que a película é mais convencional e funcional, com os devidos clichês. Ela expõe o 'processo' de como ocorre na prática quando duas pessoas se conhecem na internet e uma delas é abusada: Uso de planos com as legendas das transcrições de chats, conversas de flerte em celular e telefone, encontro às escuras, mentiras perdoadas, abuso e vergonha, etc. Logo mais, há o envolvimento da polícia, da assistente social, do bullying na escola etc. 












Sem dúvidas, a parte mais interessante do filme é a negação da vítima de abuso sexual. Neste contexto, Annie não acredita que o criminoso é um criminoso, principalmente quando ouve uma troca de confidências e confiança entre eles. Para ela, Charlie a valorizava e a amava. Ela era única. Acreditar nessa mentira só ressalta que ele a enganou com a mais degradante hipocrisia. Também a película acerta ao  não ser tão maniqueísta com o tema, ou seja, Annie deu abertura de sua vida à Charlie e isso pode acontecer com qualquer um, pois as pessoas se iludem e são traídas. Ainda que seja uma jovem imatura, como é comum na internet, ela trocou intimidades até mesmo de fantasias sexuais com um estranho. Há algumas vítimas que acham que são amadas pelos canastrões que as abusaram. É aí que mora o perigo. A narrativa constrói e  desconstrói a negação dela de uma maneira tênue e exemplar, que reflete a realidade de alguns casos pós traumáticos de abuso sexual, no qual a vítima tinha uma relação afetuosa com o criminoso. É mais traumático negar a quebra da confiança do que ser enganada.






Confiar garante uma boa sessão, tratando de forma mais leve um assunto pesado. No desfecho, a lição que fica é solidarizar-se com a dor de Annie, não somente pelo abuso em si, mas porque ela só deseja o que é intríseco ao ser humano: ser aceito, amado e desejado. Querer isso tem consequências boas e ruins. Assim, a bela canção tema, My Declaration, de Tom Baxter resume a personagem de Annie e é comovente, bem inserida na trilha sonora. Verdadeiramente, Annie não queria se esconder. Ela queria superar a sua autoestima e ser mais madura. Depois do ocorrido, muito mais, ela terá que ser forte como tantas crianças e jovens que vivenciaram esse drama. Infelizmente, as pessoas se ferem quando querem crescer. Elas se ferem quando querem Confiar.







Título original: Trust
País/Ano: EUA/ 2010
Diretor : David Schwimmer
Roteirista: Andy Bellin, Robert Festinger
Elenco: Liana Liberato, Clive Owen, Catherine Keener, Viola Davis etc.


Faz tempo que não escrevo sobre Cinema. Não foi só a correria com as responsabilidades que se tornam uma cruz diante do paraíso do Ci...



Faz tempo que não escrevo sobre Cinema. Não foi só a correria com as responsabilidades que se tornam uma cruz diante do paraíso do Cinema, verdadeiramente, penso que eu precisava só sentir Cinema, sem escrever sobre ele.

Acho que qualquer cinéfilo que escreve sobre a Sétima Arte, em algum momento, precisa de uma intimidade só com ela, como uma viagem a dois, onde tudo pode acontecer, da paixão  de intensos prazeres  a longos silêncios, o amor também tira férias.


Não me entristeço  por estar distante de uma extensão do meu lar, da minha alma cinéfila: o Madame Lumière. Na verdade, MaDame sou eu e  o Cinema vive em mim onde quer que eu esteja, ele me completa como se o meu eu não fosse eu sem a Sétima Arte.

Senti falta de falar sobre o Cinema para você, meu querido leitor, porém sei que minhas palavras, diversas sobre variados filmes sobre os quais aqui escrevi, estão com você, penetraram parte de ti, seja para o bem ou para o mal, estabelecemos um diálogo que, para mim, sempre será eterno em uma crescente continuidade, ainda que eu aqui falte.

Essa é a nossa história, a vida em comum que construímos, a vida que se chama Cinefilia.


Madame, bem vinda ao lar,  leitores, bem vindos ao Madame Lumière.
Juntos somos Cinema!



Rapidinhas no MaDame: Porque o que importa é o prazer da Cinefilia Sobre a história: Após permanecer em coma por mais de 10 anos, a vampira...

Rapidinhas no MaDame:
Porque o que importa é o prazer da Cinefilia






Sobre a história: Após permanecer em coma por mais de 10 anos, a vampira guerreira Selena (Kate Beckinsale) desperta em um laboratório genético, descobre que os humanos querem exterminar os lacans e os vampiros e que tem uma poderosa e híbrida filha, Nissan (India Eisley), a qual deve proteger.

Opinião Geral sobre o filme: Anjos da Noite é uma franquia "lugar comum" na sétima Arte, ou seja, roteiros fracos e direção mais movida a colocar ação às rivalidades entre vampiros e lobisomens do que propriamente trazer um olhar cinematográfico diferenciado a um mundo ficcional obscuro e decadente. O quarto filme da série desperta novamente a violência sanguinária entre as duas raças. De forma convidativa, ele acrescenta o ingrediente ser humano: ávido por exterminá-los, com personagens de má índole com interesses geneticistas e de empoderamento como o de Stephen Rea, que interpreta o Dr. Jacob Lane. Para tornar a caçada mais feroz assim como realçar os dons de guerreira protetora de Selena, a vampira agora é mãe e precisa proteger a filha. No geral, o que agrada nesse longa é muito mais a ação em si, muito agressiva, com uma pegada de sci-fi e sangue para vários lados. O 3D não é tão poderoso como poderia ser, mas ajuda a projetar o expectador para o universo Underworld, torná-lo mais vivaz, com uma violência mais visível. O ritmo é dinâmico e ajuda a tornar o filme uma diversão mais objetiva, funcional. Para quem curte mulher heroína, nervosa e sexy em in action, mais uma vez, Kate Beckinsale está vestida para matar não só os inimigos, mas matar de amores os fetichistas que adoram uma mulher com roupa colada, preta e de couro. Sua performance física é muito boa, o que garante boas cenas de luta e violência explícita, com o charme impiedoso que é bem próprio à Selena. O roteiro é fraco, poderia ser melhor aproveitado no conflito entre os homens e as criaturas míticas, assim como, também, no romance de Selena e Michael para adoçar a sensualidade e o amor de dois integrantes de raças inimigas. Convém enfatizar que, o roteiro abaixo da média de Underworld não incomoda tanto, pois ela ainda é uma das franquias mais interessantes e de entretenimento, puro e simples, ao trabalhar com o submundo mitológico de criaturas ferozes e letais que cercam o imaginário cinematográfico e literário e que lutam entre si.

O prazer: A performance física de Kate Beckinsale é visualmente atrativa e dá um charme à fita. A trilha sonora é convidativa com Linkin Park, The Cure e Evanescence.

O desprazer: Roteiro perde a chance de aprofundar o conflito entre homens, lacans e vampiros.



Por que vale a rapidinha? Bastante ação com bons efeitos.




Rendimento:



Ficha técnica no Imdb

Sabemos bem que não é muito adequado brincar com a religião alheia, porém a proposta de " Habemus Papam ", dirigido pelo Italiano ...



Sabemos bem que não é muito adequado brincar com a religião alheia, porém a proposta de "Habemus Papam", dirigido pelo Italiano Nanni Moretti, está acima de dogmas religiosos. Em sua essência cinematográfica, o longa não é uma crítica destrutiva ao Catolicismo e aos rituais canônicos do Vaticano, embora beba dessa fonte em sua narrativa. Engana-se quem vê algum pecado no humor leve e cativante da história de um papa (Michel Piccoli), que não deseja tomar posse do seu divino cargo, entra em crise e recorre às consultas de um psicólogo. Na verdade, a intenção é, no mínimo, criativa e graciosa, além de mimetizar um tema existencial e universal: o livre-arbítrio a que todos têm o direito, inclusive aqueles que têm uma fé, seguem uma religião mais rígida e que devem ter a liberdade de crer e exercitar as suas crenças sem anular-se como indivíduo.





Tudo começa quando o Papa falece e precisa de um sucessor. De acordo com as regras seguidas pelo conclase, o novo Papa é escolhido em uma eleição entre os cardeais do Vaticano. Já nos primeiros minutos, entre um tom solene e de humor levemente "pecaminoso", acompanhamos a câmera evidenciando o comportamento dos cardeais, que não querem ser o escolhido. Surgem os fluxos de consciência: “Por favor, Senhor, não, não quero que seja eu!”, e também planos bem engraçados, como o que filma os rostos curiosos de alguns bisbilhotando os votos dos colegas. É impossível não dar risada de como o supra cargo do Vaticano não é nenhum pouco desejado, como se fosse a porta de entrada para carregar uma cruz ou entrar no inferno. As primeiras sequências evidenciam o tom bem humorado da comédia e criam um vínculo carismático entre o público e os cardeais, de todas as origens possíveis, da América do Sul a Oceania, cada um tem uma característica que os aproxima da humanidade falha de todo ser humano, desde o que fuma até o que toma ansiolíticos ou tem conturbados pesadelos durante a noite. Essa conexão com o elenco de cardeais, e principalmente, com Michel Piccoli, em excelente atuação que mescla um vazio existencial com uma postura inerte a qualquer decisão, torna "Habemus Papam" uma diversão levemente sarcástica que, de forma descontraída, faz a audiência refletir que todos têm problemas em suas terrenas existências. Até mesmo o Papa pode ter uma crise de pânico, ir a um consultório psicológico e tomar antidepressivos. De fato, ser um líder religioso, ainda que em alta posição na Igreja, deveria ser uma forma de se aproximar das pessoas, de seus medos, anseios e aflições. Nesse ponto, o filme é um ótimo exercício de humanidade.




A direção tende a ser mais revigorante do que o roteiro e promove uma melhor aproximação com o elenco de coadjuvantes, desde observá-los jogando cartas até um jogo de voleibol. Nessa última, os movimentos chegam a ser como uma dança visual, com caras e bocas dos cardeais e freiras, que também têm direito a uma diversão. Tudo tem uma pitada de charme sacro com risadas profanas, a começar também com o papel do cineasta Moretti, que é o psicanalista ateu que vem para agregar um elemento externo, que estabelece uma relação mais próxima com cardeais, que também estão proibidos de saírem nos arredores da Praça São Pedro até que o Papa decida se apresentar os fiéis. São seres enclausurados, mas que continuam vivendo suas vidas com defeitos.Se por um lado o elenco é agradável e a temática pode ser aplicada a qualquer situação, no qual a depressão está acima da vontade e, que a decisão pela melhor escolha cabe a cada um; por outro lado, o roteiro peca ao não amarrar muito bem a narrativa com o drama do Papa e o quanto isso poderia ser existencialmente profundo para contar uma história desse calibre. Nanni Moretti opta pela simplicidade de uma comédia ligeira, sem hiperbólicas reflexões sobre a responsabilidade de se tomar uma decisão qualquer, principalmente a eclesiástica. Tomando posse de um papel dramático-cômico, o ótimo Michel Piccoli se torna o melhor a ser apreciado. O Papa perambula pela cidade, retoma contato com o teatro, uma de suas paixões, discute muito pouco com o público sua fé e o peso do caminho religioso que decidiu seguir, ainda assim, contemplar o ator é um bel prazer. Portanto, "Habemus Papam" é um filme mais degustativo e merece ser visto para entreter-se com a simpatia que ele certamente tem. Ele também faz o público perceber que todos, independente do cargo e da posição que exercem, têm o direito ao sim e ao não.



Avaliação Madame Lumière
Crítica publicada originalmente no Confraria de Cinema http://www.confrariadecinema.com.br/colunas.jsp?id=30
Visitem o Confraria!

Rapidinhas no MaDame: Porque o que importa é o prazer da Cinefilia Sobre a história: FDR Foster ( Chris Pine ) e Tuck ( Tom Hardy ) são do...

Rapidinhas no MaDame:
Porque o que importa é o prazer da Cinefilia




Sobre a história: FDR Foster (Chris Pine) e Tuck (Tom Hardy) são dois excepcionais agentes especiais da Cia, parceiros de trabalho e muito amigos. Descobrem que namoram a mesma garota, Lauren (Reese Witherspoon) e começam uma divertida batalha, usando seus talentos e vantagens nas operações da Cia, para boicotar o namoro um do outro e lutar para conquistar definitivamente a garota.

Opinião Geral sobre o filme: O longa é uma comédia de ação romântica que cumpre o que promete: entretenimento com um triângulo amoroso entre gente bonita, ações explosivas com um criminoso internacional, uma rixa masculina para ver quem é o melhor na conquista, e momentos de paquera e namoro para colocar os hormônios na ativa. O filme agrada mais pelo entretenimento e vale a sessão despretensiosa. É possível rir das situações mais bobas, porém todas verossímeis em comédias do gênero, pois demonstram uma mulher que, após ficar um bom tempo sozinha e ser abandonada pelo namorado, encontra dois homens lindos e decide namorá-los. Fica indecisa, mas está curtindo a vida e o filme não a julga como uma "galinha". Ainda assim, a comédia tem um apelo bem machista. Ela praticamente se apaixona pelos dois e é enganada por ambos. Eles preferem brigar um com o outro e medir forças para ver quem é melhor do que falar a verdade para ela. Como a maioria das comédias Hollywoodianas atuais é diversão ligeira, sem senso crítico e profundidade afetiva, Guerra é Guerra foi feita sob medida para agradar o circuito comercial e jovem. Chris Pine e Tom Hardy têm ótima energia juntos e ambos incorporam beleza e virilidade. Eles também têm a vantagem de que foram desenvolvidos, de forma rasa porém efetiva, como homens diferentes: o primeiro tem um perfil mais mulherengo e narcisita, o segundo mais romântico e fracassado na relação com sua ex-mulher. Reese Witherspoon só chama a atenção pelo cabelo loiro e bem cuidado. Uma outra atriz mais carismática e sensual traria mais benefícios ao filme. O desfecho só comprova que a mulher sempre tende a fazer as escolhas mais duvidosas e, portanto, repetir os mesmos padrões amorosos.

O prazer: Ver Chris Pine e Tom Hardy medindo o nível de testosterona, principalmente Hardy, que é um bom ator. O público feminino tende a gostar mais do filme, afinal, mesmo que a temática seja fútil, homem bonito, sarado e/ou bem vestido é sempre um colírio.

O desprazer: O roteiro deveria ter explorado um pouco mais a ação dos agentes com o criminoso vivido por Til Schweiger. Reese Witherspoon já foi melhor em outras comédias românticas como E se fosse verdade... e Doce Lar . Sua atuação não faz muita diferença e ela pouco expressa verdadeiros sentimentos femininos, a não ser os clichês que o roteiro faz questão de reforçar.
Por que vale a rapidinha? Rir com o trio amoroso naqueles dias que o público não quer pensar em nada.

Rendimento:
Ficha técnica no Imdb

Pesquisar este blog

Críticas mais Visitadas (Última Semana)