segunda-feira, 9 de julho de 2012

Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids) - 2011



Missão Madrinha de Casamento é uma comédia tipicamente de elenco feminino, que traz  interessantes atrizes de talento cômico como Maya Rudolph, Kristen Wiig e Melissa McCarthy e é dirigida por Paul Feig, profissional que tem larga experiência em direção de Seriados de TV como The Office, Nurse Jackie etc.  Annie (Kristen Wiig) é uma mulher de meia idade e solteira para qual a vida não foi muito benevolente: não tem namorado, carro bacana e casa própria e acumula o fracasso de um negócio falido, uma loja de confeitaria. Sua melhor amiga, Lilian (Maya Rudolph) vai se casar e a convida para ser sua madrinha de casamento. A partir daí, a narrativa se baseia na divertida competição entre Annie e a dama de honra Helen (Rose Byrne), bonita, bem sucedida e nova amiga de Lilian. A rixa entre ambas e o elenco divertido das demais damas de honra garantem momentos engraçados e pincela o longa com tragicômicas tiradas de problemáticas femininas como o desgaste do casamento, a carência amorosa, entre outras.






O filme é  uma daquelas comédias que enganam o público. Quando se olha para a capa do DVD e/ou o cartaz do filme, é possível dizer: Eca! Mais um besteirol Hollywoodiano cheio de clichês!, porém ele surpreende com entretenimento, amizade e romance, mesmo que ainda haja clichês desse gênero. Há um senso de humanidade em algumas cenas que estão coerentes às emoções que são vivenciadas pelas mulheres como o ciúmes,   a baixa autoestima, a solidão, a sensação de fracasso afetivo e profissional etc. O longa é bem humorado, tem ótima energia e uma boa protagonista, Kristen Wiig, que é muito competente e para a qual o papel caiu tão bem como um vestido fabuloso.   O fato dela ter assinado o roteiro também pode explicar o porquê ela está tão à vontade na atuação. Com isso, embora o casamento de Lilian seja o agente impulsionador da história e o grande pano de fundo, ele não é o mais importante no filme. A relevância do longa está em Annie e seus dramas pessoais que se misturam com os risos e a competição em questão. Sendo um filme bem feminino, é mais imediato  o processo de identificação das expectadoras com Annie e as mazelas das mulheres. Por outro lado, os homens que assistem ao filme podem entender um pouco mais do sexo feminino.







Annie é autêntica e, por sê-lo, ela tem carisma. Não é preciso um excepcional roteiro para seu personagem crescer em tela. Primeiro, pelo talento cômico da atriz, segundo por ser humanamente uma mulher que não conseguiu nada na vida e ainda tem que celebrar o casamento da melhor amiga. Ainda que tenha alcançado uma idade mais madura e tenha o hábito da autosabotagem na história, Annie tem um senso de verdade que permeia a comédia e dá-lhe valor; exatamente por ser falha e ter esquecido de si e de seus projetos, de não se dar o devido crédito como mulher atrativa e interessante e não perceber o quanto é maravilhosa. Ela é aquele tipo de mulher que tinha sonhos e trabalhou duro, mas que a vida não lhe presenteou com um homem especial, com um trabalho satisfatório, com posses materiais mínimas. Pode parecer mais um clichê feminino, mas quem é mulher, principalmente, sabe como é terrível chegar a um momento melancólico que parece que a vida foi ingrata conosco. Esse momento é mais um poço fundo para qualquer um; mesmo que seja ocultado por sorrisos e risos que tentam disfarçar tal tristeza, ele continua sendo um buraco negro na vida. Na verdade, todas essas dificuldades são comuns a homens e mulheres nesse cotidiano que costuma ressaltar mais fracassos que sucessos. Existem cenas que Annie tem que comemorar a vitória amorosa da amiga e ver o quanto Helen é charmosa e próspera, enquanto que o seu mundo está desabando,  dessa forma, demonstrando que mal ela consegue cuidar da própria vida, imagine apoiar a noiva na preparação do casamento. Como é natural, ela se sente tão "menos do menos", que é incapaz de acreditar no Amor, assim, aceita as migalhas de afeto como as transas com o fútil e bonitão Ted (Jon Hamm, de Mad Men). Não enxerga o potencial amor de Rhodes (Chris O'Dowd) e, simplesmente, cede ao sexo casual e permite ser usada da forma mais humilhante que as mulheres sabem muito bem como é.





Com elenco  coeso e divertido e um bom ritmo, Missão Madrinha de Casamento promete momentos hilariantes e emocionantes. A jornada à essa comédia é muito válida para acompanhar a história de Annie. Ao fim, assim como na canção tema Hold on, de Wilson Phillips e perfeita  na trilha sonora para realçar o que é mais relevante no longa, aprendemos que é preciso não se isolar como uma ilha e nem se autosabotar tanto, há que ter a vontade de superação e de dar a volta por cima, sem deixar de ser amigo(a) e acreditar no Amor. Nunca é tarde para partir à missão, a que é rumo a nós mesmos.






Título: Bridesmaids
País/Ano: EUA / 2011
Diretor: Paul Feig
Roteirista: Kristen Wiig,  Annie Munolo
Elenco: Kristin Wiig, Maya Rudolph, Rose Byrne, Mellisa McCarthy etc.

4 comentários:

  1. Falando a verdade, eu detestei esse filme. Achei uma versão feminina e sem graça de "Se beber, não case" (que por sua vez também é sofrível).
    Piadas forçadas, escatologia desnecessária e atrizes histéricas não fazem a minha cabeça - e isso que eu adoro comédias românticas e não tenho nenhum tipo de preconceito contra filmes "femininos".
    Mas achei absolutamente ruim.

    Beijos
    Clênio
    www.lennysmind.blogspot.com
    www.clenio-umfilmepordia.blogspot.com

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  2. Eu o achei uma das melhores comédias do ano passado, principalmente pelas ótimas atuações e pelas piadas bem sacadas, sob as quais há sempre um fundo de verdade e de crítica de costumes... Ah, achei este bem superior ao "Se Beber não Case"....

    http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2012/07/compramos-um-zoologico.html

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  3. Eu gostei do filme. O mais bacana é que a personagem tem um desenvolvimento bacana, como você bem pontuou, mas ainda sim, não entendo o sucesso estrondoso que fez... É bom, mas não é sensacional.

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  4. Excelente comédia, de fato. É a TV invadindo o Cinema, trazendo relâmpagos de brilhantismo para um gênero decadente no Cinema (mundial, não só americano). Acho bacana como mostram as mulheres muito desbocadas, fugindo de qualquer esteriótipo, realizando uma espécie de Superbad + Se Beber, Não Case com mulheres substituindo os homens. E o que é aquela sequência do carro? Ri muito!

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