sábado, 9 de janeiro de 2016

MaDame Retrospectiva: Top 20 - melhor diretor - 2015

MaDame Retrospectiva 
por Cristiane Costa




Emmanuelle Bercot dirigindo o  jovem ator 
Rod Paradot em "De cabeça erguida (la tetê haute)"


Dirigir filmes é uma Arte e é um dos aspectos mais relevantes na avaliação dos longas no MaDame Lumière. Muito mais do que escolhas técnicas, dirigir é como dançar uma valsa e conseguir fazer a diferença mesmo em uma dança que pareça mais do mesmo. 

Assim, uma das listas mais bacanas e desafiadoras para esta Retrospectiva foi avaliar quem combinou vários elementos na construção da narrativa, com estilo, um olhar atento, uma orquestração segura  ou que trouxe algum diferencial ao filme no processo de decupagem, direção de atores, gênero e cortes finais, fazendo a diferença no bom resultado.

Para esta lista, prioriza-se bastante diretores que não dependam apenas de efeitos visuais como muleta. São levados em consideração direções mais realistas, independentes, vigorosas, entretanto, diretores de grandes filmes comerciais entregaram ótimas produções sem deixar cair  a qualidade e importância da direção. 

O mais importante é que o cineasta tenha tido uma visão bem articulada na intencionalidade da direção e decisões e ações equilibradas para compor o longa e finalizar o processo criativo, principalmente levando em conta a proposta do argumento,  a história como um todo.

Vale lembrar que para esta seleção foram considerados apenas filmes lançados oficialmente no Brasil em 2015, seja nos cinemas ou Netflix.

Esperamos que curtam e prestigiem os diretores e seus filmes!




20. Tommy Lee Jones
Dívida de honra

"No seu segundo longa-metragem, Lee Jones se revela um bom diretor com forte potencial para dramas que misturam uma pegada western contemporânea. Soube trabalhar a fotografia de uma forma belíssima e a direção de atores de um elenco bastante feminino. A solidão, a loucura, o desespero, a morte , a rejeição , entre outros, estão todos no filme e, com esta direção consciente e segura, a jornada corajosa de três mulheres transforma-se em uma emocionante experiência cinematográfica para o público que aprecia a combinação destes gêneros."




19. Naomi Kawase
Sabor da vida

"o filme tem a beleza da natureza humana em toda a sua perfeição e sua imperfeição. Resulta em uma narrativa na qual a cineasta explora os aspectos sensoriais das diferentes estações do ano das cerejeiras, do cuidadoso preparo do Dorayaki como um ritual cultural da gastronomia Japonesa, das emoções genuínas que são expressas através da vontade de viver, do talento e da experiência. Sem dúvidas, Kawase é uma das mais talentosas diretoras do cinema atual."



18. Alice Rohrwacher

"Vencedor do Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes, As maravilhas é o segundo longa de ficção de Alice Rohrwacher em uma colaboração com produtores da Itália, Suiça e  Alemanha e resgata a tradição das famílias de fazendeiros locais da Itália e a cultura Etrusca. A narrativa tem uma mistura de fábula com realismo, assim, a jovem diretora realiza uma belo e comovente trabalho no qual dosa bem a tradição italiana de uma família de apicultores com a modernidade que lhes chega à casa e nos seus sonhos. Desta forma, ela é mais uma talentosa mulher na direção para novas produções!"




17. Jacques Audiard


"Em Deephan, temos Audiard sendo Audiard. Mesmo que o filme tenha sido vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2015, não é a a melhor direção de sua carreira. Ainda assim,  "Deephan" é um bom e impactante longa porque resgata questões recorrentes da direção dele , principalmente a construção imagética realista que adentra o dia a dia dos personagens, mais pesada e violenta e menos estilizada, além de abordar o drama da imigração ilegal, preconceito, violência no subúrbio francês e a posição periférica e estrangeira de vários imigrantes na sociedade europeia atual."



16. Céline Sciamma
Garotas

"Céline Sciamma é uma das melhores diretoras do mundo, tanto nas escolhas de projetos que realiza, voltados aos dramas da juventude/ adolescência, como também por ser uma excelente diretora de atores jovens, que compreende de uma forma sensível seus dramas e consegue projetar isso em um Cinema contemporâneo, realista, universal e que leva à compreensão destes dramas, Em "Garotas", ela explora bem o drama de Marienne e o ciclo de amadurecimento da adolescente, além de retratar o dia a dia de jovens negras na periferia."



15. Dennis Villeneuve
Sicario: Terra de ninguém

" O roteiro de Sicario não é tão bom como o de "Incêndios", sua obra prima, mas este ainda é um filme de Villeneuve na essência.  Com forte marca de estilo na direção  de dramas violentos , misturados ou não ao suspense criminal,  nesse filme o cineasta adentra o universo do tráfico de drogas e dos "hit-men", cria uma tensão forte e constantemente climática em um ambiente pesado e inseguro, dirige personagens obscuros e atiradores que, não necessariamente, sabem onde estão pisando. O resultado é um thriller de primeiro nível com um toque de vingança." 



14. Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne
Dois dias, uma noite

"Como sempre, os Dardenne sabem articular um argumento e uma direção muito realista, dramática e comovente sem cair na caricatura ou no exagero sentimental. Todo o roteiro se desenrola de uma maneira natural à medida que Sandra, a protagonista, praticamente bate de porta em porta para influenciar os colegas a uma votação que decidirá o que acontecerá com seu emprego."



13. Cary Joji Fukunaga
Bests of no nation

"Depois da incrível primeira temporada da série "True Detective", Cary Fukunaga deixou mais claro que  já era um talento na direção com background na TV e no Cinema mais independente ("Sin nombre"). Seu lançamento em parceria com a Netflix, "Beasts of no nation", entrega uma direção que não teve medo de de se arriscar em um drama de guerra, com atores mirins, história contudente e um ditador sanguinário.  Além de escolhas precisas na decupagem, ele demonstrou ser um bom diretor de atores."





12. J. C. Chandor
O ano mais violento

"Chandor é um ótimo diretor e roteirista de dramas  mesclados ao suspense e ao crime. Com uma construção imagética refinada, inteligente,  envolvente e que valoriza muito a direção de atores  e o constante clima de thriller, neste filme, ele explora muito bem a mise en scène e como o discurso dos personagens está alinhado às boas escolhas visuais do ambiente, principalmente as de maior impacto."



11.  Steven Spielberg
Ponte dos espiões


"Spielberg é uma escola de direção de Cinema. Mantém seu estilo único  para narrar histórias que misturam o drama, um toque de bom humor, suspense, aventura e muitas emoções. É um exímio contador de histórias que sabe o que faz! Aqui, ele usa técnicas clássicas do cinema Americano que o consagraram, realizando uma decupagem que preza por belos enquadramentos dos atores no plano a plano e domínio fotográfico, além de trabalhar muito bem com seu eterno pupilo, o excelente Tom Hanks, em mais uma jornada do herói."




10.  Ridley Scott
Perdido em Marte

"Depois do mico cinematográfico chamado " Exôdo : Deuses e Reis", o bom e velho Ridley Scott , do jeito que gostamos, está de volta com um blockbuster muito bem construído entre o sci fi, o drama, a aventura e a comédia. É um filme tão bem dirigido que, mesmo com o uso de efeitos visuais tão essenciais para uma ficção científica, dá para perceber como Scott influencia o processo criativo, desde a montagem até a direção de atores, sem perder o bom humor." 





9. Pablo Larraín
O Clube

" o diferencial de Larraín é a direção e como ele executa o roteiro de uma maneira misteriosa e em crescente clima de tensão, suspense e desconfiança. Todos os aspectos técnicos como fotografia, som, montagem e atuações caminham para uma contínua revelação de um ambiente isolado e secreto, de pessoas inquietas e silenciadas pelos erros passados e que não são confiáveis."



8. Emmanuelle Bercot
De cabeça erguida

"Bercot entrega uma direção segura, que ressalta o realismo de um drama sobre um deliquente juvenil em recuperação. Boa parte das cenas explora bem o aspecto físico da agressividade do jovem protagonista interpretado pelo talentoso  Rod Paradot. Com isso, ela também se destaca na direção de atores."




7. Cesar Acevedo
A terra e a sombra

"Vencedor do Camera D'or do Festival de Cannes, prêmio que reconhece direções diferenciadas que trazem  uma excepcional técnica na construção da narrativa, Acevedo realiza um bem orquestrado trabalho entre a direção, fotografia e montagem. Seu filme é um drama realista, cru, espontâneo, mas também existe um tom solene nas escolhas do diretor durante todo o processo de decupagem."





6. Lav Diaz
Norte - o fim da história

"Um filme longo e para poucos realizadores; apenas para aqueles que efetivamente conseguem trabalhar com extensa duração em um drama bem doloroso que, na maioria das vezes, a emoção é demonstrada de forma contida, sutil. Lav Diaz é um excelente arquiteto imagético e , aqui, divide a narrativa em três diferentes fragmentos,  realiza um preciso e rigoroso trabalho de construção narrativa com um manejo minimalista na condução dos movimentos de câmera. Tudo em longos e marcantes 250 minutos."



5. Pablo Trapero
O clã

"a orquestração plano a plano do cineasta está no topo das virtudes do longa, muito bem apoiada pela fotografia de Julián Apezteguia. É uma direção bem articulada entre a intenção do diretor sob a perspectiva dramática, emocional, mas também, ele explora a mise en scène com movimentação de câmera e enquadramentos diferenciados e que fogem do lugar comum."



4. Abderrahmane Sissako
Timbuktu

"uma realidade cruel e conflituosa em uma região de jihadistas que não medem limites para subjugar os habitantes locais, com destaque para a fluidez narrativa, o lúcido olhar do diretor para explorar emoções e técnica da cinematografia. Sissako também entregou uma boa direção de atores, considerando a diversidade linguística do filme e o uso de boa parte de atores não profissionais."





3. Anthony Chen
Quando meus pais não estão em casa

"uma direção sensível e realista como o bom Cinema asiático, a diferença é que Chen mostrou o cotidiano de uma família de classe média em dificuldades financeiras, explorando várias possibilidades de movimentação de câmera e enquadramentos de uma forma muito natural na qual apenas com o poder da imagem já é possível conectar-se com profundas emoções."




2. Alejandro González Iñárritu
Birdman ou a inesperada virtude da ignorância

"Iñarritu  tem se destacado como um dos melhores realizadores dos últimos dois anos. Além de "O regresso", que chega aos cinemas Brasileiros em 2016, Birdman foi uma das direções mais dinâmicas e vigorosas de 2015 graças à parceria do cineasta com um dos melhores diretores de fotografia do mundo, Emmanuel Lubezki."



1.  George Miller
Mad Max: a estrada da fúria

"o filme é uma apoteose de fantásticos efeitos visuais, entretanto,  talento, energia, ousadia e renovação de Miller combinados com uma excelente visão do processo narrativo para um filme de ação contemporâneo o colocaram como um dos melhores diretores do ano, recentemente indicado ao Globo de Ouro 2016."

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