#MostraSP #45ªmostra #45mostra #FestivaisdeCinema #EuvinaMostra De 21 de Outubro a 03 de Novembro Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogue...

 





#MostraSP #45ªmostra #45mostra #FestivaisdeCinema #EuvinaMostra





De 21 de Outubro a 03 de Novembro




Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação




A travessia para a morte é um dos mistérios mais profundos da existência e várias culturas e povos apresentam lendas sobre o tema em sua tradição local.  Resgatando o imaginário da região Espanhola de Aragão, o longa-metragem Armurgan (2020) dirigido por Jo Sol é ambientado nos Pirineus em uma atmosfera mítica, envolvente e misteriosa na qual Armurgan (Iñigo Martínez) é carregado por seu leal servo Anchel (Gonzalo Cunill). Ambos caminham onde a morte os chama.





Com competência e equilíbrio, a escolha das locações, cenografia, design de produção, trilha sonora, elenco e direção recriam um híbrido entre Cinema e Literatura filmado em P&B cujo ritmo lento é como embarcar rumo às fronteiras entre a vida e a morte. Armurgan é um atravessador que ajuda as pessoas a passar para o mundo dos mortos. Sua função é envolta em uma missão terrível e dolorosa na qual não é possível aliviar inteiramente a dor ou determinar a hora da partida.










Os mistérios da convivência com a morte, um tema tão natural e controverso, pode ser compreendido como um fardo de Armugan, porém há nobreza e uma ética pessoal em seu propósito. Seu corpo como deficiente físico não o fragiliza, pelo contrário, torna-o fiel à sua missão com o companheirismo de Angel. Apenas essa imagem visual já cria uma força sobrenatural no Cinema, e muito mais na solenidade desta caminhada, lidando com as contradições, conflitos e dilemas que vão surgindo na interação com a comunidade e entre eles.










A contemplativa fotografia P&B de Daniel Vergara colabora para o lirismo da trajetória e trabalha bem as dimensões da natureza dos Pirineus e seus vilarejos, as humanas com os planos de interação luminosa entre Armugan e Anchel assim como os momentos mais introspectivos e sombreados nos quais cada um está em sua solidão e silêncios. Considerando o tipo de narrativa, em um tom solene e reflexivo, a direção de fotografia se torna um dos aspectos mais bem sucedidos no bom resultado do longa.





É uma narrativa belíssima na forma como foi decupada, aproximando-a cada vez mais do imaginário coletivo e da recriação de figuras mitológicas no Cinema, capazes de representar valores, crenças, histórias e experiências universais. Desta maneira, Armugan tem muito da tradição local Aragonesa, mas também serve à reflexão humanista e global acerca da transição entre a vida e a morte.







3,5




Fotos, uma cortesia divulgação Mostra SP


  #MostraSP #45ªmostra #45mostra #FestivaisdeCinema #EuvinaMostra De 21 de Outubro a 03 de Novembro Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogue...

 






#MostraSP #45ªmostra #45mostra #FestivaisdeCinema #EuvinaMostra



De 21 de Outubro a 03 de Novembro




Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação




A figura do diretor lhe dá um status de autor, porém é amplamente compreensível na indústria audiovisual que uma obra é e sempre será um trabalho coletivo, com a ressalva de que, o diretor é um grande orquestrador. Ele precisa ter bem claro a execução da narrativa ou, no mínimo, saber coordenar os elementos da linguagem cinematográfica e lidar com os desafios de ser compreendido pela recepção do filme.





Os Inventados (Los Inventados, 2021) pertence à nova geração do Cinema Argentino e aceita o desafio da recepção em um nível arriscado ao trabalhar com um híbrido de drama existencial, mistério e um pouco de humor em um tripé de diretores formados por três amigos da faculdade, Leo Basilico, Nicolás Longinotti e Pablo Rodríguez Pandolfi. Se por um lado, eles têm história, sinergia e diferentes habilidades juntos que somam experiências com média-metragem, websérie, montagem documental e dramaturgia, por outro, um filme com 3 diretores exige bastante foco e apropriação da direção, além de um claro senso de propósito sobre o argumento.












Na história, Lucas (Juan Grandinetti) é um jovem ator que decide participar de um workshop de atuação realizado em um lugar isolado. Ele e os outros participantes têm que fingir ser outra pessoa. No decorrer da convivência, os outros vão desaparecendo, colocando em xeque a sanidade e existência de Lucas. Ao lado da colega pela qual sente atração, interpretada pela atriz Verónica Gerez, Lucas busca descobrir o que está acontecendo e se ele desaparecerá a qualquer momento.





A ideia tem uma faceta original e audaciosa, com vias à experimentação, considerando que mobiliza a experiência imaginária e a personalidade de Lucas em um contexto de estranhamento; dessa maneira, até que ponto o que está acontecendo é real e o que está por vir. Como muitos jovens em início de carreira, principalmente em uma profissão desafiadora e incerta como a de ator, Lucas tem suas crises e dilemas pessoais e mostra um deslocamento em cena que funciona bem sob a perspectiva da inadequação e da melancolia. Apesar da experiência popular como ator-mirim no passado, falta-lhe autoconfiança, assim, ainda é discreto e solitário.












As interações com Verónica Gerez criam um mediano clima de aproximação e empatia, tendo em vista que tanto ela como Juan Grandinetti são bons atores, porém ainda insuficientes para um melhor engajamento na história. Como consequência, Os inventados conserva uma atmosfera de estranhamento e de espera pela próxima cena excitante. É um mistério que mantém a curiosidade, mas que não cumpre a aposta do público pelo clímax. Fatalmente, o filme se resume a uma espera cuja ação nunca se realiza. Em se tratando de Cinema Argentino, a expectativa é frustrada.











Além do roteiro não aprofundar essas interações e conflitos de Lucas, desse modo, dificultando a conexão com o personagem, ele também está relacionado a uma proposta arriscada para a orquestração por 3 diretores. Ainda que um ou outro cineasta tenha ficado mais à frente com a batuta, quando muitas cabeças entre amigos têm um pacto de dar um norte à narrativa, potencialmente, algumas compreensões sobre o longa podem vir a ser um desafio à audiência. 




É o que aconteceu aqui! O filme começou bem, mas foi desenvolvido com essas lacunas e riscos. Os diretores tinham um personagem potente, misterioso e melancólico mas que se perdeu na própria oportunidade de reinvenção. 










Fotos, uma cortesia Mostra para divulgação do filme


   #MostraSP #45ªmostra #45mostra #FestivaisdeCinema #EuvinaMostra De 21 de Outubro a 03 de Novembro Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogu...

  





#MostraSP #45ªmostra #45mostra #FestivaisdeCinema #EuvinaMostra



De 21 de Outubro a 03 de Novembro




Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação




A estreia de Pascal Tagnati em longa-metragem apresenta uma contemporânea experiência social com diversas gerações que estão passando o verão em Córsega, ensolarada e paradisíaca ilha Francesa. No desenvolvimento narrativo, o diretor utiliza a suspensão do tempo, explorando este microcosmo antropológico cujos fragmentos mostram as relações entre indivíduos que muito, pouco ou não se conhecem.





A estética mergulha em um Cinema realista, próximo ao documental, ainda que permaneça nos registros da ficção. Tagnati se desdobra em cotidianos conflitos familiares, romances de verão, conversas sobre a passagem do tempo com uma montagem que prioriza reunir a miscelânea de momentos breves. O tempo é estacionado como se só existisse Córsega no mundo, pelo menos  por 127 minutos. 










Esta aproximação com um presente momentâneo, que funciona como um caledoscópio de rasas experiências dizem muito sobre os tempos desta sociedade. Córsega é um destino desejado e elitizado, mas também tem sua tradição através dos mais velhos que ali residem. Tem a elegância Francesa com o bom viver descolado da influência Italiana e parte disso é mantido na atmosfera do longa, porém, nos planos que apresentam adolescentes e adultos em conflitos ou sem muito a acrescentar, o retrato social reflete o esvaziamento de gerações que se comportam com arrogância, traições, relacionamentos e sexo casual. 











Neste contexto, é frustrante ver que muitos personagens são desprovidos de qualquer carisma e conteúdo. Chega a ser deprimente suportá-los por 2 horas. Cenas com masturbação em sexo virtual, relacionamentos extraconjugais e crianças e jovens com falta de educação são exemplos de uma Córsega fútil, um cotidiano com pessoas que em nada combinam com a beleza da natureza circundante. Por outro lado, os fragmentos que compartilham pessoas mais velhas, suas memórias e experiências, embora entediantes devido ao ritmo lento da obra, somam mais de reflexão a respeito do tempo e da vida.





Não é um longa que desperta um encantamento por mais que seja rodado em um local deslumbrante e de agradável energia. Isso se deve a escolhas da direção mas também ao breve desenvolvimento dos personagens e ao extenso tempo da projeção. O filme não se ocupa de criar nenhum vínculo de conexão emocional positivo entre o público e o elenco, acabando por fragilizar qualquer engajamento com estas narrativas. Com um prêmio no Festival de Roterdã dado pelo júri, a estreia de Pascal Pagnati é bem mais interessante como crítica intergeracional.





2,5

  #MostraSP #45ªmostra #45mostra #FestivaisdeCinema #EuvinaMostra De 21 de Outubro a 03 de Novembro Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogue...





 #MostraSP #45ªmostra #45mostra #FestivaisdeCinema #EuvinaMostra



De 21 de Outubro a 03 de Novembro




Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação




O Cinema é uma das linguagens mais poderosas e reveladoras para explorar os simbolismos culturais de povos e regiões que são desconhecidas ou foram esquecidas na linha do tempo. Ainda que surjam como simbolismos estranhos ou incompreensíveis para diferentes contextos e realidades pessoais, o Cinema possibilita um outro tempo, o da suspensão, no qual o público observa como as experiências e culturas estão próximas umas das outras em relação a temas universais.




Dirigido por Ainhoa Rodríguez, Um Forte Clarão (Destello Bravío, 2021) é peculiar e desconcertante como fragmentos de uma natureza humana em processo de deslocamento, morte e mudanças.  Ambientado em uma região rural do sudoeste da Espanha, a diretora  articula forte identidade cultural, tradicional estrutura social presente na comunidade com simbolismos que trazem, ora vivências angustiantes e moribundas, ora devaneios libertários e fabulosos. Sua direção prioriza um elenco feminino que se choca com a realidade provinciana e dos novos tempos de globalização.










Os distintos núcleos femininos estão fragmentados com narrativas de mulheres, de diferentes idades e classes sociais, que expressam muito do contexto provinciano de regiões Espanholas desenvolvidas em um sistema patriarcal. Entre elas: a mulher de meia idade que tem espírito livre, infeliz no relacionamento e mal falada na cidade; a mulher elitizada que realiza encontros com outras amigas; a filha isolada que mora com mãe.  São histórias em pedaços que se fundem com uma linguagem fantástica.





Em uma Espanha de maioria católica, o roteiro coloca a comunidade na comemoração da Páscoa, assim, esses festejos cristãos em homenagem à ressureição, no plano onírico, cercam os moradores com a morte simbólica, aproximando a linguagem cinematográfica a um cenário de tradição pagã, de fins, assombros e recomeços. São novos tempos que sopram no mundo e os moradores da Extremadura ficaram perdidos, como desfalecidos ou mortos.









É interessante notar que, sendo seu primeiro longa-metragem,  Ainhoa Rodriguez resgata a memória, a ancestralidade,  o feminino, a velhice e outros aspectos desse meio rural que são representados como fantasmas de um tempo fadado ao esquecimento. Em diferentes planos, os idosos já estão estagnados, as mulheres angustiadas e ignoradas ou em um processo de deslocamento e libertação. A cineasta realiza uma execução muito pessoal e fica bem à vontade na decupagem e montagem, tendo em vista que sua família pertence à Extremadura, além do projeto ser um desdobramento de oficinas na região.




Como parte do processo de oficinas com não-atores, ela realiza uma narrativa mais feminina com uso de mulheres comuns, mas igualmente universal sob a perspectiva de que até ponto as raízes ancestrais são mantidas e respeitadas em um mundo globalizado e cosmopolita.







Fotos, uma cortesia Mostra SP de divulgação do filme.

  #MostraSP #45ªmostra #45mostra #FestivaisdeCinema #EuvinaMostra De 21 de Outubro a 03 de Novembro Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogue...

 





#MostraSP #45ªmostra #45mostra #FestivaisdeCinema #EuvinaMostra



De 21 de Outubro a 03 de Novembro




Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação




No imaginário tradicional, as bruxas são associadas a algo perverso, um sentido arraigado e equivocado bastante praticado na Idade Média, quando a caça e queima às bruxas eram parte da tortura e perseguição às mulheres pagãs ou aquelas que não aceitavam dominação. Em um sentido amplo e assertivo, bruxas são consideradas como detentoras de um poder sobrenatural. É essa relação com um poder impactante que dá título ao documentário de Julien Faraut, "As Bruxas do Oriente" (The Witches of the Orient).










O documentário Francês traz entrevistas, relatos, imagens dos treinos e jogos sobre a seleção de vôlei feminino japonesa que competiu nas Olímpiadas de 64 e eram chamadas de bruxas. Em uma montagem criativa bem apoiada pelo material documental sobre a equipe do Nichibo Kaizuka, o diretor intercala o encontro das jogadoras já idosas com anime e trilha sonora, unindo a memória com o contemporâneo.










Sob uma perspectiva de gênero e cultura no Japão, o longa abre um espaço formidável para levar ao público a jornada mítica e histórica dessas mulheres que trabalhavam em uma fábrica e depois treinavam o esporte. Na preparação para os jogos, essas atletas japonesas excepcionais eram expostas a exaustivos treinos comandados pelo rigoroso técnico, Hirofumi Daimatsu. A partir dessa visão de seus desafios e vitórias, o filme ajuda a compreender como as bruxas orientais são importantes fundadoras das bases do vôlei como esporte Olímpico no Japão.









Julien Faraut acerta em trabalhar variados elementos inventivos na montagem para exaltar esse efeito mítico, sobrenatural, incomum. Se ele tivesse escolhido uma direção linear, com certeza não faria jus à tradição apaixonante do vôlei e às extraordinárias habilidades das jogadoras.  Filmes sobre disciplina, resiliência e conquistas relacionadas aos esportes são fáceis de encontrar em qualquer plataforma de streaming, porém, quando se trata das Bruxas do Oriente, o componente gênero feminino em uma cultura alicerçada historicamente pelo foco no trabalho e na superação ressalta e homenageia a contribuição e força dessas atletas.









Fotos, uma cortesia Mostra SP para divulgação do filme.

  #MostraSP #45ªmostra #45mostra #FestivaisdeCinema #EuvinaMostra De 21 de Outubro a 03 de Novembro Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogue...

 




#MostraSP #45ªmostra #45mostra #FestivaisdeCinema #EuvinaMostra



De 21 de Outubro a 03 de Novembro




Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação




Fãs do cartunista Angeli e apreciadores de Animações terão a oportunidade de dar muitas gargalhadas com o multifacetado Bob Cuspe - Nós não gostamos de gente (Bob Spit, we do not like People, 2021), merecidamente vencedor  do Prêmio Contrechamp no Festival de Annecy e presente na Mostra Brasil e Competição de Novos Realizadores na 45ª Mostra SP. Idealizado e dirigido por Cesar Cabral, a Animação é o primeiro-longa metragem do diretor que é um leal entusiasta da obra de Angeli, tendo realizado curtas como Dossiê Rê Bordosa e a Série de TV Angeli The Killer.







O diretor Cesar Cabral, em produção da Coala Filmes: Animação espetacular com equipe, idem. Distribuição da Vitrine Filmes




Hilário e genial, a animação é mais voltada para o público jovem maduro e adulto por utilizar um dos personagens mais icônicos e polêmicos na cultura de comics Brasileiros dos anos 80. Bob Cuspe (Milhem Cortaz) é um velho punk que usa óculos escuros, jaqueta preta e piercings e não tem problema algum em falar palavrões e mostrar gestos obscenos com as mãos. Ele é a representação de uma resistência. Angeli criou personagens ácidos e cômicos, com uma linguagem autêntica e crítica.












Muito bem apoiado por uma excepcional coesão entre direção de Arte (Daniel Bruson e Olyntho Tahara), fotografia (Alziro Barbosa) e montagem (Eva Rudolph), a Animação cria um mundo fantástico, brincando com as fronteiras metalinguísticas entre gêneros (comédia, road-movie, documentário e animação em stop motion) e os limites entre a criação, criador e o processo criativo.  










Um incrível trabalho de design em variadas dimensões: personagens, roteiro, stop motion, pesquisa documental, storyboards, entre outros, que se destaca por um equilíbrio entre  as diversas áreas da composição fílmica; assim, além dos mencionados, o desenho de som (Daniel Turini e Henrique Chiurciu) e a trilha sonora (André Abujamra e Márcio Nigro) asseguram uma imersão completa na experiência, com o benefício de muito saudosismo ao som de Sonífera Ilha e Cabeça Dinossauro do Titãs.





A narrativa tem a genialidade de criar um documentário animado dentro da animação no qual, em uma crise existencial, Angeli concede entrevistas sobre sua trajetória, estilo pessoal, obra e personagens e tem a liberdade de gravar pensamentos, ideias e relatos. A sua  companheira Carol (Carolina Guaycuru) participa ativamente da história ao dividir depoimentos sobre a vida e obra do autor, sempre de maneira espontânea e sincera. Além da amiga de longa data, cartunista e chargista, Laerte, cuja composição animada é perfeitamente deslumbrante, trazendo o bom humor e gentileza que são tão únicos na artista.






Em paralelo, em um outro mundo ficcional, Bob Cuspe vive em um deserto pós-apocalíptico, um tipo de purgatório na mente do cartunista, onde é perseguido por monstruosos mini Elton Johns que desejam matá-lo. De forma hilariante, os mini astros do pop parecem fofinhos, mas depois se transformam em personagens de horror. Acompanhando Bob Cuspe em busca do seu criador estão os irmãos Kowalski (Paulo Miklos), em uma viagem que aparecem outros personagens como Os Skrotinhos (Hugo Possolo), o guru Rhalah Rikota (André Abujamra) e o criador e editor da Circo Editorial, Toninho Mendes (Beto Hora).





A ideia de compor um encontro entre obra e criador é irreverente e rica em aspectos de linguagens na Animação, tendo em vista que movimenta Bob Cuspe em uma jornada dentro da mente do cartunista e como um potencial acerto de contas. Na trajetória de Angeli, ele era adepto a matar os personagens quando assim chegasse a hora. Bob Cuspe transgride essa profecia e leva o público para esse excitante e potente encontro, no qual outros personagens como MaDame L (Laerte) e Rê Bordosa (Grace Gianoukas) são desenvolvidos.










É uma história divertidíssima com aquele estilo porra-louca dos personagens de Angeli. Eles não têm papas na língua e não lhes falta autenticidade e muito menos originalidade. O fato de ter o cartunista falando abertamente com sua personalidade reclusa e sincerona agrega muito o peso documental de suas decisões acerca dos personagens e resgata sua forma de criação.










É uma fantástica obra animada que traz um frescor cinematográfico e um impressionante diálogo metalinguístico entre gêneros. A composição desses mundos em incrível stop motion, roteirização redonda de Cesar Cabral e Leandro Maciel e uma trilha sonora nostálgica transformam Bob Cuspe em uma viagem ao passado, unindo o presente e novos rumos para a valorização e o reconhecimento da Animação Brasileira.









Fotos, uma cortesia 45ª Mostra para divulgação do filme.

Pesquisar este blog

Críticas mais Visitadas (Última Semana)