Rapidinhas no Madame: Porque o que importa é o prazer da Cinefilia So bre a história: O reporter Tintin ( Jamie Bell) e o capitão Haddock...




Rapidinhas no Madame:

Porque o que importa é o prazer da Cinefilia



Sobre a história: O reporter Tintin (Jamie Bell) e o capitão Haddock (Andy Serkis) partem em uma aventura em busca de um tesouro deixado pelos ancestrais de Haddock. Para encontrá-lo e desvendar o segredo do Licorne que o cerca, terão que enfrentar a vilania de Rackham (Daniel Craig) que tem contas antigas a acertar com o capitão.


Opinião Geral sobre o filme: É uma animação produzida por dois gênios, Steven Spielberg e Peter Jackson, em uma parceria que demonstra que ambos têm um trabalho impecável para trabalhar com efeitos especiais e conteúdo cinematográfico de aventuras em grandes produções. Sem dúvidas, o ponto forte do filme são suas virtudes técnicas em um trabalho de animação muito bem projetado e finalizado, absolutamente minucioso na perfeição do realismo dos personagems na tela grande. As peripécias acrobáticas da jornada de Tintin e Raddock em termos de animação são fantásticas, o que prova que o longa é um exemplo de especial homenagem a um personagem carismático dos quadrinhos de Hergé que ganha vida no Cinema. Porém, nem tudo é perfeito e, embora o filme seja esteticamente impecável , o roteiro deixa bastante a desejar e não apreende a atenção como uma história envolvente, cheia de mistério e reviravoltas. Tal fato só demonstra que tecnologia e criatividade em animação não funcionam para atingir 100% de primor cinematográfico sem uma cativante e emocionante história. Ainda assim, As Aventuras de Tintin é uma excelente diversão para toda a família e deve agradar os fãs do adorado heroi.



O prazer: A estética visual com um incrível trabalho de animação que entretém e fascina. O expectador se sentirá parte do mundo Tintin, primoroso como Arte em animação.


O desprazer: A história em si é muito regular e pouco inovativa, sem muita profundidade narrativa convertida em ações que realmente façam diferença para a relação afetiva do espectador com TinTin, além do mais, o personagem de TinTin não tem carisma no filme, nada que efetivamente o conecte emocionalmente com um espectador que não seja fã dele desde os quadrinhos, portanto é mais fácil gostar do cachorrinho dele e dar risada com o capitão Haddock e sua devoção pela cachaça. Mais adiante, em um ponto da projeção da animação, o expectador mais atento e exigente se perguntará se a história é só aquilo mesmo.


Por que vale a rapidinha? É uma animação fascinante do ponto de vista estético e criativo e que deve ser analisada e desfrutada em sua beleza. É o tipo de longa que faz o público ver como há pessoas inteligentes, inovativas e perfeccionistas em Hollywood e porque eles sabem fazer animação a um nível de excelência impressionante.

Rendimento:

Informações sobre o filme, acesse ImdB

Rapidinhas no Madame: Porque o que importa é o prazer da Cinefilia So bre a história: O detetive Sherlock Holmes ( Robert Downey Jr ) enfre...



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Porque o que importa é o prazer da Cinefilia






Sobre a história: O detetive Sherlock Holmes (Robert Downey Jr) enfrenta o seu inimigo Moriarty (Jarred Harris) que está disposto a iniciar uma guerra mundial em um maquiavélico jogo de sombras e nenhuma consciência. Nessa jornada de ação e suspense, acompanham o detetive o seu leal amigo Dr. Watson (Jude Law), a misteriosa cigana (Noomi Rapace) e o seu brilhante irmão Mycroft Holmes (Stephen Fry). Cabe a Sherlock Holmes deter o professor Moriarty e revelar a sombria mente do seu rival.

Opinião Geral sobre o filme: O duelo entre Sherlock Holmes e uma mente perversa e genial como o vilão Moriarty é o diferencial da película, exigindo que o detetive lide com sua própria paranóia e com um inimigo frio e calculista que não mede esforços para iniciar uma fatal guerra. Essa tensão entre ambos, que demonstra que Sherlock Holmes também é um heroi falho torna a vilania de Moriarty mais degustável. A direção de Guy Ritchie tem um frescor diferenciado, com uma bela direção de Arte e de atores que formam um ótimo elenco, virtudes que já haviam ficado bem evidentes no filme antecessor. O cineasta conduz a direção de forma dinâmica, refinada e abusa dos efeitos especiais em um roteiro que prima por bons e inteligentes diálogos, mas que peca por explicar demais cada detalhe do embate entre os inimigos. O senso de humor entre Sherlock e Watson e sua amizade garantem divertidos momentos e, no geral, embora não seja superior ao primeiro filme, o longa mantém a qualidade cinematográfica da franquia como um imperdível blockbuster.


O prazer: Um roteiro que inclui um vilão tão bom quanto Sherlock Holmes torna o jogo mais dinâmico, inteligente e assombroso. Além disso, para um blockbuster, o elenco é muito bom e eleva o longa a uma categoria diferenciada de filmes endinheirados nos quais cada ator dá um toque especial no peso interpretativo, e não somente o protagonista.


O desprazer: É um filme que poderia trabalhar mais com o mistério e suspense do personagem literário, sem dar muitas explicações no texto. No mais, abusa-se bastante de efeitos especiais que, em um plano ou outro, poderiam ser descartados para dar mais naturalidade orgânica e física ao filme.


Por que vale a rapidinha? É uma franquia que, nas mãos do cineasta Guy Ritchie, vira ouro. Há uma atmosfera obscura e elegante, mesmo nos buracos frequentados por Sherlock Holmes, há humor, ação, suspense, empatia, etc , o que apreende a atenção do expectador que só quer um bom entretenimento.




Rendimento:

Informações sobre o filme, acesse Imdb

Antes de conquistar o Oscar em 1995 como melhor diretor pelo sublime Forrest Gump: O Contador de Histórias, Robert Zemeckis já era esp...

Antes de conquistar o Oscar em 1995 como melhor diretor pelo sublime Forrest Gump: O Contador de Histórias, Robert Zemeckis já era especial para a minha memória cinéfila desde seus filmes da década de 80, quando ficou muito conhecido por Tudo por uma Esmeralda e a trilogia De volta para o futuro. Quando Michael Douglas decidiu produzir Tudo por uma esmeralda, fazendo par romântico com Kathleen Turner, ele convidou o cineasta para fazer o filme, o que já foi uma première do talento de Robert em dirigir longas aventurescos que marcariam a adolescência de várias pessoas como eu. Se Spielberg, seu amigo e produtor em De Volta para o Futuro, era o cineasta das películas de Indiana Jones que tanto me conquistavam, Robert Zemeckis não ficava atrás e realizou essa nostálgica aventura em terras Colombianas, com senso de humor, ação e romance.





Tudo por uma esmeralda era um best-seller na minha filmografia adolescente das sessões da tarde. Era aquele filme que eu assisti váriaas vezes, na sequência ou na semana. Recordo-me que adorava ver Kathleen Turner no papel da escritora Joan Wilder, cuja obra literária sairia dos livros para se tornar realidade através de um caso de amor com um nômade desconhecido. Ela era como uma mulher independente e sonhadora que um dia amaria intensamente, da forma que todas as mulheres desejavam amar. Lembro-me que ela ficava sonhando com o seu heroi corajoso e desbravador que a levaria a lugares longíquos e a salvaria de armadilhas perigosas. Nasceria o amor entre eles, a excitante paixão ganharia força através do olhar penetrante e do calor da pele. Ela o conheceria da forma mais inusitada e necessária possível: como um misterioso homem a encantá-la e a protegê-la. Era muito divertido assistir à atriz nas cenas iniciais da película, na qual ela é uma solteirona que trata o gato como se fosse o único amor da vida dela. Ao assistir ao filme nessa década, ele se torna mais engraçado ao vê-la colocando velas como que preparando um jantar a dois, só que para alimentar o seu gato. Essa cena é tão atemporal que recorre aquele gracioso e trágico estereotipo que, na falta de um namorado ou um marido, as mulheres tendem a se apegar a um animal de estimação.





Essa aventura é simples e bacana porque tudo começa quando Joan Wilder tenta salvar a sua irmã na Colômbia, que está sendo chantageada por ter um mapa do tesouro que leva à bela e rara Esmeralda. Preocupada com a irmã e corajosa o suficiente para trazer emoção à sua vida, Joan é como uma heroína comum que saí do sossego da sua casa para se aventurar no meio da mata. Ao chegar à Colômbia, conhece Jack Colton (Michael Douglas), que a salva e o contrata como guia para tirá-la daquela região deserta e perigosa e conseguir encontrar a irmã. É muito interessante como o filme é uma aventura em um país Latino, que das páginas da Literatura ganha realismo nas telas, com muitos momentos de riso e romance. Ao ler um livro, as pessoas tendem a criar esse imaginário em lugares tropicais, silvestres, primitivos. O filme apresenta tudo isso como uma mescla de romance, comédia e aventura e a fórmula funciona muito bem, tanto que foi um sucesso na época e deixou saudades.






Para obter esse sucesso, o casal de protagonistas é crível e tem ótima química. A combinação entre eles era tão incrível que ganhou os corações dos espectadores até fora das telas, basta ver as fotos antigas. Michael Douglas não tinha sua imagem tão relacionada a um viciado em sexo e Kathleen Turner ainda tinha o frescor da juventude, naturalmente belo. No longa, Turner não faz o tipo 'mulher desesperada procura homem que a queira', pelo contrário, ela é corajosa, criativa e carismática e o relacionamento amoroso é conduzido de uma forma do 'simplesmente aconteceu' e com o homem mais improvável, sem casa e sem dinheiro, que é conquistado por ela, deixando o orgulho e machismo de lado. O local para conhecer um novo romance é também muito improvável, pois qual a mulher que gostaria de conhecer o amor de sua vida suja de lama, perdida e correndo risco de vida em uma mata densa e úmida na Colômbia, no entanto, o emocionante da história é contar que nem todo romance acontece em condições premeditadas e perfeitas, em um restaurante ou encontro às cegas. 





Nesse ponto, o roteiro funciona muito bem como um híbrido de ficção e realidade pois, se as aventuras de busca a um tesouro e fuga de um general mortal parecem uma jornada que só se vê em um filme, por outro lado, essa química, versátil e acrobática entre Turner e Douglas é deliciosa de ver ao ponto de dizer: "Quero vê-los felizes e com a esmeralda no final". A torcida para o Amor é tanta que, uma das cenas mais bonitas é a dança do casal em uma festa no hotel. Ambos vestidos de branco, como noivos, Turner está fascinante, com um brilho nos olhos de mulher entregue ao amor, e Douglas parece um Don Juan Latino, com sorriso abobado e cara de segundas intenções. Assistir ao longa é como reviver essas facetas de Uma aventura na África, um homem e uma mulher em uma louca aventura em terras selvagens, com uma roupagem bem anos 80 com cara de Zemeckis e Spielberg.


Os coadjuvantes contribuem para prover tensão e ritmo ao longa, pois são o time de vilões que perseguem o casal. Danny de Vito é Ralph, um atrapalhado comparsa do sequestrador de Elaine, irmã de Joan. Ele só se dá mal e é um dos personagens mais divertidos, só reforçando como De Vito era famoso na década de 80 como o baixinho com humor peculiar e que faria uma boa parceria com Michael Douglas e Kathleen Turner no vindouro A Jóia do Nilo (1985). Manuel Ojeda é o outro vilão, de caricatura ditatorial e latina, o que cria a imagem de um guerrilheiro frio e calculista que conhece as terras perigosas da Colômbia como ninguém. No geral, o ritmo do filme é muito bom para a proposta e consegue unir todos esses elementos em um entretenimento descontraído e ligeiramente despretensioso.



Tudo por uma esmeralda é diversão garantia e tem o seu valor saudosista, tem os seus méritos como obra, tanto que ganhou o Globo de Ouro de melhor filme comédia/musical em 85, assim como o de melhor atriz para Kathleen Turner. Dá uma nostalgia lembrar dele, muita mesmo, como voltar ao tempo e sentir a emoção sonhadora de como havia várias possibilidades de aventura na vida adulta. O sentimento da memória do Cinema é um dos mais gostosos de levar para o cotidiano, para aliviar os problemas da vida, afinal, a vida é uma jóia bem mais preciosa que uma Esmeralda.



Avaliação MaDame Lumière
Título original: Romancing the stone
Ano: 1984
País: USA
Roteiro: Robert Zemeckis
Diretor: Robert Zemeckis
Elenco: Michael Douglas, Kathleen Turner, Danny de Vito, Miguel Ojeda

Que mico! O maior mico para um produtor, roteirista, diretor e equipe é perder tempo e energia em realizar um longa que nitidamente é um fi...

Que mico!



O maior mico para um produtor, roteirista, diretor e equipe é perder tempo e energia em realizar um longa que nitidamente é um filme ruim. Será que em momento algum da produção se percebeu isso? Não é necessário nem ser especialista em Cinema para observar quando um filme não tem uma razão de ser e, quando se deseja contar uma história, não o faz de uma forma, no mínimo, inteligente, autêntica, fluída e que sirva de aprendizado ou genuína emoção para as plateias. Cabe aí o bom senso se vale a pena a produção buscar investimentos para um filme ruim, capitalizá-lo para que, afinal? E por quê o diretor não filtra o roteiro ruim ou faz uma autoanálise se é o momento certo para dirigir um filme mico ou se tem condições de torná-lo melhor do que ele se propõe? Nessas horas, o bom cinéfilo pensa: "Por que gastou-se tanto tempo, dinheiro e esforços de uma equipe para produzir algo que não dignifica o próprio valor do Cinema", uma Arte que entra na vida do espectador, faz com que ele aguarde a estreia, compre o ingresso, alugue o filme e afins. O filme mico pode até fazer o espectador derramar uma lágrima de emoção (ou de vergonha alheia), dar gargalhadas de alegria (ou do ridículo), entretê-lo por alguns minutos, ainda assim, está marcado como ruim por uma boa parte das pessoas que gostam de Cinema e já sabem julgar e separar o regular do medíocre. A seleção top 5 filmes mico do ano não tem a pretensão de depreciar o trabalho dos realizadores, mas deixar claro que sinalizar que o filme é ruim já é o começo de uma crítica construtiva para que novos filmes venham e que não tenham qualquer relação com estes. Se servir de consolo, a vantagem é que haverá outros filmes ruins na seleção de Cinema Internacional, bem ruins.







5 - Qualquer gato vira lata, de Tomás Portella




Baseada em obra de Juca de Oliveira, até que a intenção da comédia é boa. Cleo Pires se esforça com sua beleza e carisma, porém o Qualquer gato vira lata repete os nauseantes e cansativos estereotipos femininos e masculinos na busca do par ideal e seria melhor enquadrá-lo como um produto de TV, não de Cinema. Além disso, ver as caras e bocas de Dudu Azevedo como o fútil gostosão nas paradas de sucesso, como boa parte dos homens desse tipo, é de doer, pois soa artificial como boa parte da atuação do elenco e do texto que lhes é dado.





4 - As mães de Chico Xavier, Glauber Filho e Halder Gomes



Diferente dos longas Chico Xavier e Nosso Lar, esse filme poderia ter sido melhor desenvolvido no roteiro, na edição, na direção e na direção de atores já que a premissa de envolver questões como a maternidade, filhos e perda poderia render uma emoção à flor da alma, mais genuína e incorporada como os planos são filmados e montados, por assim dizer, menos direcionada a comover pelo aspecto comercial de emocionar e muito menos pelo aspecto religioso espírita. Certamente, Chico Xavier merecia filmes melhor produzidos, com fundo de verdade ao contar uma história. Funciona melhor como produto de TV e também panfletagem espírita, mas como Cinema, o seu desenvolvimento é muito vagoroso e abusa de trilha sonora.







3 - Assalto ao Banco Central , de Marcos Paulo



Inspirado no maior roubo ocorrido no Brasil em 2005, esse longa é uma ideia mal desenvolvida que não deu certo e que só confirma que não fazemos filmes policiais como os Americanos, exceto os tops Tropa de Elite 1 e 2, que é um caso de sucesso à parte, muito bem dirigido, montado e atuado. O roteiro de Assalto ao Banco Central é muito precário, acabou que o desenvolvimento dos planos nem deram a importancia devida de um grande roubo, pecam em dar suspense e tensão à trama, além de oferecer aos atores diálogos que não agregam nenhuma profundidade que preparam as cenas da próxima claquete, desperdiçando talentos como Lima Duarte e Giulia Gam.






2 - Cilada.Com, de José Alvarenga Jr



Cilada.com é um exemplo de produto que deve ser suportado pela TV, não pelo Cinema. Ele deveria ter ficado na TV paga, apesar que nem a TV ideal e de qualidade deveria aceitar um roteiro como o aprovado para o filme. Além de apelar para o mau gosto ao extremo com piadinhas chulas e apelações eróticas nada inteligentes, Cilada.Com é definitivamente mais um besteirol tupiniquim, que se traduz como um conjunto de cenas que reforçam a sua mediocridade como Cinema descartavel, apelativo e comercial. Funcionaria como um programa de humor que, a depender do roteiro, certamente nem os bons cinéfilos iriam assistir.









1 - As doze estrelas, de Luiz Alberto Pereira






O problema desse longa já começa no próprio trailer. Ao assistir, o cinéfilo provavelmente dirá: "De onde eles tiraram essa ideia? Que viagem!" A intenção de incluir no roteiro a Astrologia e 12 personagens, 1 para cada signo, não é de todo o mal e soa até como uma forma de pensar "diferente" e conhecer mais esse universo cósmico, mas o desenvolvimento é mal recortado e uma direção de arte tosca e de mau gosto, além de trazer a novela para dentro do Cinema que, honestamente, é uma ideia dispensável. No final, é uma viagem a 12 estrelas que o espectador não verá a hora de voltar.

Vidas amargas , clássico do talentoso cineasta Elia Kazan, um dos mestres inspiradores de Martin Scorsese, é um belo e atemporal filme que ...






Vidas amargas, clássico do talentoso cineasta Elia Kazan, um dos mestres inspiradores de Martin Scorsese, é um belo e atemporal filme que reconstrói a história bíblica de Caim e Abel, o filho rejeitado e o filho amado. Adaptado do livro East of Eden, do aclamado escritor Nobel de Literatura John Steinbeck, o roteiro carrega no seu âmgo a amargura e a inadptabilidade do filho rebelde, a ovelha negra familiar, que é ignorada pelo pai e cujos esforços para se adequar ao desejo paterno parecem em vão e nada reconhecidos. O fascinante e eterno jovem transviado, o ator James Dean, no ápice de sua meteórica carreira e prematura morte, vítima de acidente automobilístico, é o filho protagonista feito sob medida para esse catártico e maduro drama familiar, facilmente aplicável a qualquer tempo e a qualquer filho que sofre em busca de aceitação dos pais. No entanto, o filme é muito mais do que somente o drama de um filho, ele é o confronto entre a rebeldia e o tradicionalismo, entre gerações de filhos e pais, entre a negação de olhar a verdade e a revelação de obscuros segredos familiares e, por fim, a jornada de amadurecimento, redenção e perdão de um jovem que se enquadra bem mais como o filho heroi autêntico, sem máscaras e convenções, do que aquele que é brilhante em (quase) tudo.







Ambientada em Salinas, Vale na região da Califórnia, no período da 1º Guerra Mundial, Vidas Amargas conta a história do rebelde Cal Trask (James Dean) que vive com seu irmão perfeito Aaron (Richard Davalos) e seu pai Adam (Raymond Massey) em um rancho. Não tiveram a convivência com a mãe que morreu quando deu à luz aos irmãos, porém logo no inicio é sabido por Cal que Kate (Jo Van Fleet) é a mãe que está viva e os abandonou por ter uma atitude menos convencional para a época e se recusar a viver em um rancho sob as redeas de um homem tradicional e sem ambição. Adam é o homem religioso e de negócios que se empenha em produzir alface e prover uma educação rígida aos filhos. Enquanto Carl é o filho problema, a narrativa reforça o contraponto dele em Aaron, que tem o temperamento brando, diplomático, de futuro e que pretende formar família ao lado da noiva Abra (Julie Harris). Logo no início da esplêndida fita, na sequência de Overture (Abertura), o expectador vivencia o clima de suspense ao apreciar a imagem do mar, das ondas batendo nas rochas, como se aquele local fosse significativo para entender as fronteiras que separam essas vidas amargas. Mais adiante, a dramática história dos Trask não está somente na tensa relação entre Cal e Adam, mas também na verdade que está oculta com relação à Kate, a mãe rebelde, fria e imponente, cujos genes Cal herdou.











Esse é um clássico essencial na filmografia de Kazan, denso e complexo em sua verve psicológica para a época, porque afloram nele o drama na sua mais genuína veia passional, além de colocar sob o elenco a responsabilidade da verossimilhança com o cotidiano e com as emoções autodestrutivas que, enfim, também surgem como dolorosas e, depois, construtivas para evocar a valiosa humanidade intríseca aos individuos. Existem vários planos arrebatadores na película que ressaltam essa forma Elia Kazan de dirigir, ou seja, de provocar o embate ao máximo para que a catarse humana seja liberada sob fúria, violência, lágrimas, dor, sem soar como piegas e forçado. Esse olhar sob a humanidade, naturalmente dual, é tão sublime em outros filmes como Uma rua chamada pecado, Sindicato dos ladrões, clamor do sexo etc, que Vidas Amargas só vem a agregar mais valor à experiência de vida que é vivenciada com os dramas do diretor. Eles revelam as emoções que não são desejáveis revelar ou permitir sentí-las. Elas refletem como um espelho na vida do espectador, um espelho cujo reflexo é difícil de encarar porque pode ser monstruoso. É possível odiar o irmão, a mãe, o pai? É possível amá-los e odiá-los ao mesmo tempo? É possível perdoar pelo abandono? É possível liberar perdão por algo que não se aceita? Sentimentos diversos, violentos e amargos, vêm à tona e o roteiro e elenco são responsáveis por uma parte significativa da magnitude e beleza desse longa como puro Cinema, no qual também é incorporado um ingrediente de guerra que é fundamental para entender porquê Cal se esforça para ajudar o seu pai e amadurecer como homem.







O elenco é muito bem desenvolvido e muito interessante no seu espectro de personalidades que, a qualquer momento, revelam quem realmente são ou não, como um mistério que pode ser o bem e o mal, ou ambos. Tudo é ao mesmo tempo nítido e passível de ser desdobrado em camadas para entender a alma humana. Jo Van Fleet, excelente atriz nesse papel, incorpora uma mulher fisicamente apavorante com o rosto marcado por uma certa malignidade, uma solidão bem resolvida, uma maternidade que nunca existiu, uma independência sem arrependimentos. Personagens como o dela provocam sentimentos dúbios e enriquecedores para reflexão pois ela abandonou os próprios filhos e o marido em troca de uma liberdade que gritava dentro de si. Também, Raymond Massey interpreta a si mesmo em cena, um homem autoritário, tradicional, religioso que, em certas cenas, demonstra sua doçura paterna assim como sua vulnerabilidade de homem abandonado. Com Massey e Dean está uma das mais dramáticas cenas de pai e filho na história do Cinema, que só confirma o quanto ele não suportava o jovem Dean na vida real. Julie Harris, em ótima atuação, exibe uma garota sonhadora, madura e nada inocente, embora a 'casca' seja de namorada amada, de nora de boa índole, de mulher para casar, há algo suspeito na jovem que parece menina mulher, ora manipuladora, ora carinhosa amiga. Ela tem uma impetuosidade dentro de si, que é liberada a medida que flerta e se envolve com o cunhado Cal. Richard Davalos também está bem como Aaron porque é pateticamente perfeito, chegando a ser o garoto que não tem voz para nada e, portanto, passaria desapercebido na película. De todos, além de Jo Van Fleet, como uma essencial coadjuvante, o protagonista de brilho é James Dean, em atuação marcante que foi indicada ao Oscar postumamente.









Dean é a expressão da 'imperfeição perfeita' pois erra e acerta em vários níveis, como o jovem que transgride qualquer regra paterna, e ainda guarda o carisma excepcional que atrai todos à sua frágil rebeldia: chora e grita pela mãe que o expulsa como a um ladrão, rouba uma calha de trem com boa intenção, beija a namorada do irmão por estar apaixonado, negocia com a mãe para ajudar o pai, enfrenta raivosamente o irmão com a verdade. As fronteiras que separam essas vidas são fragéis, mas as emoções são fortes, intensas, principalmente as que são como um pedido de socorro de Cal. Ciúme, raiva, rejeição se misturam com a esperança da aceitação e, eis que o filme é puro fascínio, expondo que o ser humano é muito mais complexo e imperfeito do que imagina ser, que o grotesco e o macabro em cada personalidade existe, mas que há a possibilidade de encontrar esse paraíso ao leste, terra de Cains regenerados, ainda que o coração tenha turbulentas emoções e amargas cicatrizes.





Avaliação MaDameLumière







Título original: East of Eden





Origem: USA
Gênero: Drama
Direção: Elia Kazan
Roteiro: Paul Osborn
Elenco: James Dean, Raymond Massey, Jo Van Fleet, Julie Harris, Richard Davalos.

A cada ano, novos documentários chegam às telas do Cinema e conquistam pela autenticidade do registro, por explorar um pouco mais da históri...



A cada ano, novos documentários chegam às telas do Cinema e conquistam pela autenticidade do registro, por explorar um pouco mais da história de pessoas comuns e famosas que constroem suas realidades nesse mundo que, por si só, é um macro documentário. Nessa categoria que vem sendo muito bem apreciada por Madame Lumière, optei por selecionar os documentários cujo registro fica no campo mais não ficcional, incluindo o de Ana Rieper (Vou rifar meu coração) que obteve mais destaque na Mostra de Cinema São Paulo, CCBB e Festival de Brasília. Coincidentemente, a música foi um personagem na maioria dos documentários escolhidos, sempre inspiradora e nostálgica. Destaco também, como menções honrosas, os diretores Sergio Borges e João Jardim, respectivamente, por dirigem híbridos de documentário e ficção, respectivamente, em O céu sobre os ombros e Amor?. Eles não entraram como documentário puro, mas já demonstram que as fronteiras entre ficção e não ficção têm rendido excelentes longas, o reconhecimento do público e da crítica e uma nova forma de fazer Cinema Brasileiro.






5 - Eu vou rifar meu coração, de Ana Rieper


Um documentário que fala do amor e das canções bregas que emplacaram as histórias passionais, afetivas, eróticas no cotidiano e imaginário dos brasileiros. Além de apresentações e testemunhos de Wando, Amado Batista, Lindomar Castilho, Agnaldo Timóteo etc, essa não-ficção diverte e emociona pois demonstra que as pessoas amam de uma forma que, pouco importa se é brega ou não, doida ou não, o importante é amar muito e não ter vergonha disso.






4 - Filhos de João, o admirável mundo novo baiano, de Henrique Dantas


Um ótimo retrato de uma época marcante na música popular Brasileira: anos 60 e 70 com o grupo musical Novos Baianos em um contexto de ditadura militar. O imensurável legado cultural está no filme com temas como o tropicalismo, o futebol, a contracultura, o estilo alternativo e comunitário dos Novos Baianos. Muito mais do que fazer música boa e autêntica, com a veia da Brasilinidade, o grupo Novos Baianos é parte da História cultural do Brasil em uma época de represssão, no qual os artistas abriam os caminhos da liberdade com paixão pela Arte.







3 - Rock Brasília: Era de Ouro, de Vladimir Carvalho



Para quem viveu a geração Legião Urbana, provavelmente se emocionará muito com esse documentário que registra uma jornada nostálgica ao rock dos anos 80. Nostalgia é uma palavra essencial para essa época, cheia de significados militantes e inspiracionais em um documentário que recupera a verve de desejos e sonhos de uma juventude única existente no país.





2 - As Canções, de Eduardo Coutinho


O documentário é fascinante. É uma verdadeira declaração de amor às canções que marcam a vida afetiva de várias pessoas, através de testemunhos intimistas, impregnados de verdade e sensibilidade e músicas entoadas por elas mesmas. O diretor Eduardo Coutinho, com seu toque de Midas, experiente e cativante, faz de As canções um documentário obrigatório a todos que gostam de uma autêntica emoção amorosa através da música e da memória.




1 - Lixo Extraordinário, de Lucy Walker


Belo documentário que tem sua força no contraste com o lixo, elemento rejeitado pela sociedade e tido como fétido e descartável, aqui ele se apresenta como um meio para a beleza artística, a qual se produzirá através dele e do trabalho do artista plástico Vic Muniz. No filme, o lixo é extraordinário e assume um valor imensurável que traz trabalho e dignidade a cidadãos humildes e um espírito de mudança de vida através da Arte e da solidariedade.

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