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Por Cristiane Costa, Editora e Crítica de Cinema | Especialista em Comunicação e Projetos
Adaptação do livro homônimo de Ali Hazelwood, o filme parte de um artifício recorrente em comédias românticas: o namoro de conveniência, que ganha outro peso ao se ambientar na pós-graduação em Stanford. Ainda que o envolvimento entre uma aluna e um professor gere certo estranhamento inicial, a trama deixa claro que ele não é seu orientador e aproveita o cenário universitário para ir além das convenções do gênero. O meio acadêmico impõe atritos reais, desde a pressão dos comitês científicos até situações de assédio, evitando que a narrativa se reduza a um romance superficial.
O acerto da dinâmica está na química do casal. Tom Bateman constrói o temido Adam Carlsen equilibrando racionalidade, frieza e uma ponta de carisma, evocando o jeito sério e contido de um Mr. Darcy contemporâneo à la Colin Firth. Vindo de papéis mais sombrios e ambíguos, como em Behind Her Eyes (2021), o ator encontra aqui uma oportunidade para desarmar aos poucos a postura rígida do personagem conforme a convivência avança, sem perder a coerência.
No outro polo, Lili Reinhart foge da mocinha óbvia com uma atuação delicada e um ar quase alternativo no papel de Olive Smith. A perda precoce da mãe e a ausência do pai marcam a história da personagem sem virar melodrama, enquanto a necessidade de reafirmar a própria competência em um ambiente ainda dominado por homens dá veracidade à protagonista, ancorando a comédia em inseguranças genuínas.
Mesmo seguindo os passos previsíveis do gênero, o filme funciona porque trata seus personagens com atenção e encontra equilíbrio no elenco. A atração entre os dois flui com naturalidade, entregando uma experiência agradável, leve e que valoriza o tempo de quem assiste.
Imagens: Divulgação.


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