sábado, 20 de março de 2010

O Grande Desafio (The Great Debaters) - 2007


O grande Desafio, filme estrelado e dirigido pelo queridíssimo Denzel Washington chegou agora em março às locadoras do país. O longa-metragem não foi exibido em cinema nacional e o grande atrativo que fará com que alguém se lembre de alugá-lo é exatamente a presença de dois dos grandes astros negros americanos no cinema, Denzel Washigton e Forest Whitaker. O drama é permeado pelo drama de negros americanos em busca de seus direitos civis, ainda que, este discurso esteja muito mais no texto do que necessariamente no enredo que é baseado na história real de Melvin Tolson, um professor afrodescendente com secreta militância política que leciona na universidade de Wiley no Texas na década de 30. Ele inspira seus alunos a formar um time de debatedores que, pouco a pouco, se tornarão um dos mais brilhantes grupos de argumentadores de debate na história americana e competirão no campeonado nacional em Harvard, uma universidade reconhecida por ser escola de brancos.




Melvin Tolson retoma na cinebiografia de Denzel Washington a figura do coach e do professor mentor que o ator também fez no aclamado Duelo de Titãs, por isso o filme vale a pena ser conferido principalmente no seu conteúdo textual, que educa e inspira e também pela experiência de Denzel e sua importância como um dos negros mais bem sucedidos em uma América ainda racista. A
inda que o treinador de Duelo de Titãs é superior em interpretação e o filme seja muito mais superior em dramatização. Em O Grande Desafio, Tolson é um homem difícil de lidar e tem a resposta na ponta da língua exigindo demais de seus alunos Henry Lowe (Nate Parker), Samantha Brooke(Jurnee Smollett), James Farmer Jr (Denzel Whitaker, ótimo na cena final) e Hamilton Burgess (Jermaine Williams) e os desafiando a extrairem o melhor deles. Ainda que Denzel sempre arrase, não o achei tão inspirador como coach porém o esforço dos alunos em se desenvolverem como argumentadores e ainda lidar com o preconceito racial da época com seus fantasmas e dificuldades faz com que o filme seja uma opção de cinema com uma ótica militante e inspiradora.



Forest Whitaker interpreta Dr. James Farmer Sr e, embora seu papel não seja o principal, ele o faz com a habilidade excepcional de sempre, principalmente porque interpreta um negro bem sucedido, pastor e diretor de universidade que ainda combate o preconceito e as tensões sócio-raciais em uma dura realidade, mesmo tendo alcançado uma posição de respeito e seja um homem espiritualizado. Há cenas imperdíveis com Whitaker e sua disciplina de pai ao criar seu filho James Farmer Jr, um dos debatadores. Essas cenas demonstram que ainda que há uma juventude que se destaca na intelectualidade da época, os mais experientes como Whitaker e
Washington ainda se esforçam em colocar em ação seus conhecimentos de vida para ensinar e orientar os mais novos, além disso enfoca o cuidado de um pai para que o filho negro não seja sinônimo de fracasso e alimente o preconceituoso estigma de uma sociedade, infelizmente ainda bem ignorante, intolerante e hipócrita com relação às questões raciais.





O filme também tem uma dinâmica cristã não somente pela figura de um pastor, mas porque como é sabido, a história dos negros nos Estados Unidos tem uma base gospel, por sinal belíssima, por isso há um idealismo pela não acepção de pessoas assim como é dito na Bíblia, ou seja, todos são iguais debaixo dos ceús. Sob o ponto de vista de uma igualdade entre homens brancos e negros e, de qualquer raça, o cristianismo na história dos negros americanos é fundamental porque recupera uma humanidade nas relações que as religiões, em geral, têm como base. Por isso, o conhecimento do intelecto e da fé divina, ou seja, dois opostos são bem articulados nos personagens de Tolson e Farmer, porque um traz o elemento do conhecimento humano e o outro traz o conhecimento de Deus, além disso o filme resssalta o poder das palavras e o embate de encarar nossos adversários com a coerente argumentação, um aprendizado que nos move a um grande desafiio, o de não se calar quando se tem o direito de falar e ser a própria revolução.


Avaliação MaDame Lumière


Título original: The Great Debaters
Origem: EUA
Gênero: Drama
Duração: 126 min
Diretor(a): Denzel Washington
Roteirista(s): Robert Eisele
Elenco: Denzel Washington, Forest Whitaker,
Nate Parker, Jurnee Smollett, Denzel Whitaker e Jermaine Williams

5 comentários:

  1. Gostei muito desse filme.Achei um trabalho superior do que a primeira incursão de Denzel na direção. Contudo, ainda assim, penso, tratar-se de um filme com alguns complexos. Alguma agenda social que Denzel teima em apresentar. Mesmo assim, um ótimo filme. Agora nesse tom edificante, ainda fico com Duelo de Titãs. Para rememorar outro filme com esse perfil estrelado por Denzel.
    Bjs

    ResponderExcluir
  2. Oi Reinaldo,

    É um filme bom mesmo, mas ainda acho que esta figura do coach deveria ser melhor explorada, de uma forma mais dramática e eu esperava mais inteligência e emoção dos argumentos dos debatedores. Acho que a fala final de Denzel Whitaker mimetizou tudo que eu queria que acontecesse desde o início do filme.

    Beijo

    ResponderExcluir
  3. OLÁ! SOU ALINE LUGÃO E GOSTARIA DE EXPOR A MINHA PEQUENA CRÍTCA SOBRE O FILME.
    O FILME O GRANDE DESAFIO É UM FILME QUE NOS LEVA A REFLEXÕES DE FATOS COMO A DEMOCRACIA, O SOCIALISMO, A LITERATURA, A FILOSOFIA, A REVOLUÇÃO RACIAL, O CRISTIANSMO COMO A BASE HUMANA, A POLÍTICA LIBERAL ENTRE OS NEGROS E OS BRANCOS, E A SOCIEDADE PRECONCEITUOSA DA ÉPOCA.
    O FILME ABORDA ALÉM, DOS FATOS CITADOS A IDÉIA CENTRAL QUE É AINDA UM ASSUNTO POLÊMICO NOS DIAS DE HOJE. NA DÉCADA DE 30 O PRECONCEITO E A EXCLUSÃO SOCIAL LEVAVA A SOCIEDADE A ATOS DE VIOLÊNCIA E DISCRIMINAÇÃO RACIOAL E SOCIAL.
    OS NEGROS NÃO FREQUANTAVAM UMA UNIVERSIDADE ONDE OS BRANCOS FREQUENTAVAM... ABSURDOS QUE FORAM CITADOS NO FILME, PORÉM NÃO TÃO EXPLORADOS. E, “AINDA EM PLENO SÉCULO XXI NOS É RELEVANTE O MESMO ASSUNTO EM VIGOR NO FILME O ‘PRECONCEITO RACIAL, MORAL E ÉTICO” EM UMA SOCIEDADE QUE SE JULGA “TÃO DEMOCRÁTICA” E “TÃO ANTI-RACISTA”.
    EXEMPLO DISSO TEMOS UM ASSUNTO POLÊMICO QUE PODEMOS REFLETIR COM BASE NO FILME QUE FOI A CRIAÇÃO DE COTAS PARA OS NEGROS EM UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS ONDE OS DIREITOS SÃO IGUAIS PARA “TODOS”. SÃO OBSERVAÇÕES QUE PODEM SER TRAÇADAS COM BASE NO FILME DE QUE VIVEMOS AINDA EM UMA SOCIEDADE HIPÓCRITA!
    O FILME NOS FAZ REFLETIR SOBRE ASSUNTOS QUE AINDA SÃO VIGENTES EM NOSSA SOCIEDADE.
    CONCORDO COM MADAME LUMIÈRE, QUANDO ELA DIZ QUE: "FALTOU MAIS INTELIGÊNCIA E EMOÇÃO DOS DEBATEDORES" DURANTE O FILME, POIS O FILME TEM CONTEÚDO E PODERIA TER SIDO MELHOR EXPLORADO.
    OS DEBATES DOS ESTUDANTES TINHAM QUE TRANSMITIR MAIS EMOÇÃO AO PÚBLICO COM OS ARGUMENTOS E CITAÇÕES QUE FORAM EXPLORADOS DURANTE TODO O FILME. ESPEREI ESSA EMOÇÃO NO FINAL DO FILME E NÃO ACONTECEU. PORÉM, GOSTEI DO FILME.

    ResponderExcluir
  4. Olá Aline,

    Obrigada pela sua visita. Gostei muito da sua contribuição, em especial, porque o preconceito no Brasil é um dos mais hipócritas que existem no mundo já que ainda é muito velado. Em um país tão miscegenado como o nosso, há muito mais tolerância de fachada do que, verdadeiramente, o aceitar o outro pelo que ele é. O preconceito não é só contra negros, mas contra LBGT, por exemplo.

    As ações afirmativas e cotas em universidades é um assunto polêmico porque, se por um lado, elas abrem espaço para uma reflexão profunda sobre o tema que normalmente as pessoas prefeririam calar-se, ela também coloca na pauta se distribuir cotas vai resolver o problema do negro. Pode ser um começo, mas esse começo é criticado pela oposição como um "pedido de desculpas" pelo mal histórico causado aos negros. Acho que ações afirmativas tem que ser acompanhadas por uma mudança real a partir da raiz do problema, que é o sócio- econômico e educacional e não pela só focado na cor da pele.

    No mais, com relação a esse filme, gostei dele mas achei um desperdício não haver um aprofundamento até mesmo emotivo, genuíno com relação a questão do preconceito. Parecia muito mais um filme retórico, um ensaio sobre a influência de um debate do que necessariamente debater a questão do preconceito. Uma pena acontecer isso porque vejo o Cinema como uma excelente ferramenta de discussão social.

    Bjs,


    MaDame

    ResponderExcluir
  5. Eu adorei esse filme porque ele é uma lição de vida, demostra para gente que devemos lutar pelos nossos objetivos, e que não devemos esconder nossos direitos por causa da discriminação da sociedade. Que devemos luta pelo o que é nosso por direito!

    ResponderExcluir

Prezado(a) leitor(a)

Obrigada pelo seu interesse em comentar no MaDame Lumiére. Sua participação é muito importante para trocarmos percepções e informações sobre a fascinante Sétima Arte.
Madame Lumière é um blog democrático e sério, logo você é livre para elogiar ou criticar o filme assim como qualquer comentário dentro do assunto cinema. No entanto, serão rejeitadas mensagens que insultem, difamem ou desrespeitem a autora do blog assim como qualquer ataque pessoal ofensivo a leitores do blog e suas opiniões. Também não serão aceitos comentários com propósitos propagandistas, obscenos, persecutórios, racistas, etc.
Caso não concorde com a opinião cinéfila de alguém, saiba como respondê-la educadamente. Opiniões distintas são bem vindas e enriquecem a discussão.

Saudações cinéfilas,

MaDame Lumière