Especial Expocine 2026 no MaDame Lumière
Ensaios exclusivos sobre o Mercado de Cinema e Audiovisual.
Por Cristiane Costa, Editora e Crítica de Cinema | Especialista em Comunicação e Projetos
A Avenida Paulista volta a pulsar como o epicentro do pensamento audiovisual latino-americano com a realização da EXPOCINE 2026, dividida estrategicamente entre o Espaço Center 3 e o Cine Marquise. Sob o mote provocador "Tela Aberta: Cinema Que Se Move Por Si Só", a convenção reafirma sua maturidade ao ultrapassar a marca de dois mil credenciados e reunir mais de 150 marcas em sua feira de negócios. Mais do que um ponto de encontro corporativo ou uma vitrine de lançamentos, o evento se consolida como o principal laboratório de ideias voltado à preservação e ao desenvolvimento de um setor de enorme tradição artística e técnica, mas que ainda enfrenta o desafio do afunilamento dos canais de circulação e da escassez de distribuidores independentes no país.
Nesse contexto, a sobrevivência das salas depende cada vez mais da capacidade de inovar e coexistir com novos modelos de consumo audiovisual. O cinema brasileiro não carece de potência narrativa, diversidade estética ou memória; o principal desafio está em viabilizar a circulação das obras e garantir seu encontro com o público. Ao colocar no centro da mesa a convergência entre a arquitetura tradicional dos cinemas, o avanço implacável do streaming e as novas janelas de difusão, a feira propõe um pacto de coexistência em que as telas não se anulem, mas se alimentem mutuamente para manter vivo e sustentável o hábito coletivo da fruição cinematográfica.
Os eixos temáticos dos debates revelam o amadurecimento das preocupações da cadeia produtiva. Para além das tradicionais apresentações de line-ups das grandes distribuidoras, a programação dos próximos dias evidencia três frentes essenciais: a inteligência analítica na gestão do conteúdo desde os primeiros tratamentos de roteiro; a urgência ética e comercial de ampliar o público por meio da acessibilidade e da inclusão de pessoas com deficiência; e a reorganização legal e tributária que redefine a própria infraestrutura econômica do audiovisual. Discute-se, portanto, a sustentabilidade da sala física a partir de questões concretas, que vão da formação de plateias em novos territórios à disputa pela atenção em um ambiente cada vez mais fragmentado.
Para quem acompanha o MaDame Lumière, olhar para os bastidores desse ecossistema é também um exercício indispensável de consciência cultural. Cada ingresso adquirido, cada sessão prestigiada na penumbra e cada escolha consciente dentro do circuito compõem a base que sustenta, de forma direta e indireta, a permanência da experiência cinematográfica como patrimônio coletivo. Ao longo dos próximos dias, nossa cobertura de campo se voltará a algumas das discussões acompanhadas durante a EXPOCINE, buscando lançar luz sobre iniciativas, desafios e caminhos que ajudam a compreender a reinvenção contínua da experiência cinematográfica.
Imagem: Acervo pessoal
Imprensa credenciada

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Cristiane Costa, MaDame Lumière