quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Mostra SP: Camino a la paz (2015), de Francisco Varone

MaDame te mostra a Mostra internacional de Cinema 
Uma seleção especial de filmes na semana mais cinéfila de São Paulo
Acompanhe!





Por Cristiane Costa


Camino a la paz foi um dos filmes mais agradáveis da 89ª Mostra internacional de Cinema de São Paulo por reunir três atrativos: tem um roteiro de road movie combinado com comédia dramática, tem a beleza e a qualidade audiovisual das histórias transformadoras e bem humoradas do Cinema Argentino e tem Rodrigo de la Serna e Ernesto Suarez como uma dupla que faz uma viagem incrível juntos, uma bela jornada de aceitação, tolerância e paz. O longa foi tão bem recebido que ficou entre os 14 mais bem votados pelo público na categoria de filmes de novos diretores e está concorrendo às premiações do Troféu Bandeira Paulista.


Ambientada em Buenos Aires como ponto de partida, o longa conta a  história de Sebastián (La Serna), um homem de 35 anos, fã da banda Vox Drei e louco pelo seu carro Peugeot 505. Desempregado e recém casado, ele é aquele tipo de pessoa que está na encruzilhada da vida madura. Não tem grandes posses, não tem estabilidade e dinheiro para aumentar a família e nem maiores projetos. Por causa da falta de grana, Sebastián começa a trabalhar como motorista particular. Certo dia, ele conhece o cliente Jalil (Suarez), um senhor muçulmano que tem vários problemas de saúde.  Jalil faz uma proposta ao motorista: levá-lo de Buenos Aires a La Paz na Bolívia. Como o valor monetário é significativo e ajudará nas despesas, Sebastián aceita fazer a viagem.





Parte dos recortes da história é inspirada em fatos reais em uma época na qual a Argentina estava em grave crise financeira e um dos amigos do diretor Francisco Varone começou a trabalhar como motorista pois precisava muito de dinheiro. Varone, que também assina o roteiro, usou esse recorte e reuniu a ele uma experiência pessoal na qual conheceu a cultura e religião muçulmanas, não como praticante, mas como participante de determinada situação de socialização com pessoas que seguem a religião. Essas experiências colaboram para unir o útil ao agradável pois, independente dos rituais religiosos que foram filmados, o roteiro foi escrito como uma jornada de aproximação de duas pessoas de gerações e valores diferentes e, principalmente, de mudança pessoal, assim, o título "Camino a la Paz" tem duplo sentido, o geográfico e o metafórico: La paz na Bolívia, e Paz no sentido de encontrar a si mesmo e estar em paz.





Tecnicamente, o longa é uma joia recém revelada do Cinema Argentino. O jovem diretor coloca em prática seu gosto e estilo e usa cores mais frias na fotografia, com uma palheta terrosa que combina com as paisagens e o sentido físico de uma viagem, o de cair na estrada e percorrer terras  conhecidas e desconhecidas, além do mais Varone seleciona muito bem as locações e capricha na bela fotografia das estradas e paradas, incluindo personagens coadjuvantes variados e até lindos cachorros, o que dá uma sensação de viagem real, genuinamente bem vivenciada, na qual as relações interpessoais importam mais do que o dinheiro.



É um filme bonito e alto astral, em especial porque La Serna é um ótimo ator cômico e o seu texto carrega a ironia e a autenticidade dos porteños. Seu personagem faz caras engraçadas e a língua é afiada, entretanto, o mais cativante é a maneira como Sebastián e Jalil vão cedendo as diferenças e a amizade desenvolve um valor acima do contrato monetário de uma viagem. Com uma viagem inspiracional como essa, qualquer um se sentirá energizado a ter uma experiência pessoal restauradora.  





Ficha técnica do filme ImdB Camino a la paz






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