domingo, 21 de novembro de 2010

MaDame Series Opina: Seriado The Walking Dead - 1x03 - Tell it to the frogs ( 1ª Temporada - 2010)

MaDame Series Opina: O momento fora de série sobre Seriados de TV





Alegria de quem assiste seriado pode durar pouco assim como ser muito oscilante, entre um episódio e outro. O terceiro episódio de The Walking Dead é um exemplo da inevitável depressão sériemaníaca após a euforia dos roteiros de Days Gone Bye e Guts, bem superiores a Tell it to the Frogs. O que é apresentado é bem regular e convencional, e nem mesmo os momentos de encontros e desencontros são tocantes. O ritmo é quebrado, a tensão é colocada de escanteio e o amontoado de zumbis tiram folga. Resta somente avaliar algumas esferas pessoais como a integridade de Rick Grimes que tem um bom coração até para salvar um vilão e as cenas relacionadas ao tenso convívio entre os sobreviventes. O que esperar de The Walking Dead a partir daqui? Provavelmente conflitos humanos para que a série não fique dependente somente da presença de zumbis que, diga-se de passagem, fazem falta quando não há uma boa narrativa que os substitua. E o que uma série de médio prazo relacionada a zumbis agregaria ao expectador em seus novos roteiros? De novo, conflitos em uma situação aprisionante que tire os sobreviventes do sério em um tenebroso roteiro que impacte emocionalmente o público e capriche na encenação de zumbis. Com isso, Tell it to the frogs deve ser encarado como um episódio preparatório para algo mais interessante que virá depois, e como todo episódio que funciona como uma ponte, ele merece um voto de confiança.


Avaliação MaDame Lumière


Dirigido por Gwyneth Horder-Payton. Com Andrew Lincoln, Jon Bernthal, Sarah Wayne Callies, Laurie Holden. Roteiro de Charles H Eglee e Jack LoGiudice. Baseado na HQ The Walking Dead de Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard.

MaDame Series Opina: Seriado Dexter - 1x12 - Born Free ( 1ª Temporada - 2006)

MaDame Series Opina: O momento fora de série sobre Seriados de TV




"Vivi
na escuridão há muito tempo...mas aí, ele acendeu a luz,
ele acabou com minha memória e agora estou cego."



O último episódio da 1ª temporada de Dexter é o confronto final entre Dexter e o Assassino do Caminhão de Gelo. Seria mais um mero confronto entre psicopatas se não envolvesse questões pessoais e familiares de ambas as partes. A vida de Debra está em risco e Dexter precisa salvar sua irmã! Dizem que psicopatas não têm sentimento, mas Dexter tem uma consciência, e um carinho por sua irmã ainda que não o demonstre intensamente. O que vale o episódio é seu aspecto Dexteriano biográfico e como isso faz uma bagunça na cabeça de Dexter na qual as esferas emocionais vêem à tona e comprovam que o anti-heroi é humanizado quando sua consciência diz que ele deve ser humano, mas também esse episódio tem a relevância de explicar que a insanidade do Assassino do Caminhão de Gelo tem um fundamento assim como o seu apego à Dexter. Michael Hall é mais uma vez nascido para ser Dexter, desta vez, consumido por um intimista dilema. Imperdível e tenebroso!




Avaliação MaDame Lumière





Dirigido por Michael Cuesta. Elenco: Michael C. Hall, Julie Benz, Jennifer Carpenter, Erik Kings, Christian Camargo. Roteiro de Daniel Cerone e Melissa Rosenberg.

MaDame Series Opina: Seriado Dexter - 1x11 - Truth be told ( 1ª Temporada - 2006)

MaDame Series Opina: O momento fora de série sobre Seriados de TV





"Eu nunca pensei muito no conceito de inferno,
mas se ele existe, eu estou nele"


Verdade revelada dá continuidade ao clímax da temporada, que costuma crescer em tensão nos 3 episódios finais com desdobramentos espetaculares. Desde 'Banhado em Sangue', Dexter é consumido pelo seu sanguinário passado. O assassino do caminhão de gelo está completando o quebra cabeças com as peças que faltam, a sabedoria Dexteriana tem novos desafios que se tornam mais claros. O passado de Dexter deixa de ter manchas borradas e toma forma com uma nova revelação impressionante, uma verdade que, gerará um conflito terrível à Dexter na seara familiar. O pior inferno será a escolha por um fim que precisa ter um fim.



Avaliação MaDame Lumière



Dirigido por Keith Gordon. Elenco: Michael C. Hall, Julie Benz, Jennifer Carpenter, Erik Kings, Christian Camargo. Roteiro de Timothy Schlattmann e Drew Greenberg.

MaDame Series Opina: Seriado Dexter - 1x10 - Seeing Red ( 1ª Temporada - 2006)


MaDame Series Opina: O momento fora de série sobre Seriados de TV


"Esse é o meu castigo"



Um episódio fantástico pela inteligente narrativa que desestabiliza Dexter em uma cena sanguinária que não deveria desestabilizá-lo. Ele é o legista que entende e vive de sangue. Porém, o diferencial do episódio 'Banhado de sangue' é a retomada a um traumático aspecto da infância de Dexter, e a importância de uma cena criminal, estrategicamente plantada na série para entender todo o resto que encerra a primera temporada. O assassino do caminhão de gelo conhece bem mais Dexter e está muito próximo a ele. A tensão é iminente à medida que a Polícia de Miami tem mais pistas sobre o serial killer que tanto fascina e pertuba Dexter. Não perca as cenas do desmaio, do que Dexter apronta com Paul e do emocionante desfecho.


Avaliação MaDame Lumière



Dirigido por Michael Cuesta. Elenco: Michael C. Hall, Julie Benz, Jennifer Carpenter, Erik Kings, Christian Camargo. Roteiro de Kevin Maynard.

MaDame Series Opina: Seriado Dexter - 1x09 - Father Knows Best ( 1ª Temporada - 2006)

MaDame Series Opina: O momento fora de série sobre Seriados de TV



"Eu construí minha vida baseada no código de Harry.
Eu vivi por isso. Mas Harry mentiu."


Deste episódio à segunda temporada fica ainda mais evidente que o passado de Dexter é revelado em doses homeopáticas. É uma abordagem necessária para a qualidade da série e para a aproximação com o expectador que compreende o super herói das trevas e se sensibiliza com seu trágico passado, além de dar o tom de humanidade que é tão simbiótico com a obscuridade moral de Dexter. Ele é surpreendido com a inesperada novidade a respeito de seus pais, não muito agradável mas revelador, essencial, afinal qual o DNA do monstro que mora em Dexter, um monstro eticamente ambíguo criado por Harry Morgan por outras razões até então desconhecidas. A partir de então, a habilidade investigatória de Dexter será usada em favor de si mesmo, para o bem e para o mal.



Avaliação MaDame Lumière




Dirigido por Adam Davidson. Elenco: Michael C. Hall, Julie Benz, Jennifer Carpenter, Erik Kings, Christian Camargo. Roteiro de Melissa Rosenberg.

MaDame Series Opina: Seriado Dexter - 1x08 - Shrink Wrap ( 1ª Temporada - 2006)

MaDame Series Opina: O momento fora de série sobre Seriados de TV




"Eu ainda não posso matar Dr. Meridien.
Eu ainda preciso de outra sessão de terapia."


Um dos melhores episódios da primeira temporada, Shrink Wrap (traduzido como 'Terapia') leva Dexter ao divã, e transita entre o obscuro e o cômico, afinal, imagine um serial killer com a inteligência e humor sarcástico de Dexter fazendo análise. Após os suicídios de duas mulheres poderosas, Dexter investiga o crime visitando o psiquiatra Emmett Meridian (o diretor do episódio Tony Goldwyn), tal divã possibilita que Dexter também se avalie, da sua relação com seu pai adotivo Harry até seu relacionamento assexual com Rita, além de vir à tona barreiras de aceitação que Dexter tem que superar. Para o expectador, 'Terapia' possibilita também analisar como agem sedutoramente outros assassinos, ganhando a confiança de suas vítimas. A partir deste episódio, outras dimensões interpessoais esquentam a série como a relação entre Dexter e o assassino do caminhão de gelo, o relacionamento entre Dexter e Rita, o envolvimento amoroso entre a policial Debra Morgan (Jennifer Morgan) e o protético Rudy (Christian Camargo).


Avaliação MaDame Lumière




Dirigido por Tony Goldwyn. Elenco: Michael C. Hall, Julie Benz, Jennifer Carpenter, Erik Kings, Christian Camargo, Sam Witwer, Mark Pellegrino. Roteiro de Lauren Gussis.

sábado, 20 de novembro de 2010

MaDame Series Opina: Seriado Dexter - 1x07 - Circle of Friends ( 1ª Temporada - 2006)

MaDame Series Opina: O momento fora de série sobre Seriados de TV




"Who fuck are you?"


O maior ganho deste episódio é observar os comportamentos de outros 'colegas' de Dexter, como ele mesmo diz: "Tecnicamente falando" (já que Dexter é único). Homens problemáticos, violentos, insanos e perturbados que são retratados de uma forma mais dissimulada, ou seja, fingem ser o que realmente não são mas que levam a marca da ambiguidade moral que fatalmente os denuncia, como o ex-marido de Rita, Paul Bennett (Mark Pellegrino), um ex-presidiário e ex-viciado em heroína em recuperação que ama os filhos mas espancava Rita no casamento; Rudy Cooper (Christian Camargo), um charmoso e preciso protético que ajuda os outros mas guarda seus mistérios; Neil Perry (Sam Witwer), um doente mental que admira serial killers e deseja holofotes e, de volta à cena, o deliquente juvenil Jeremy Downs (Mark LYoung). Homens solitários, inimigos de seus eus, um círculo de 'amigos' fechado. Em um final hilário e imperdível, o episódio garante que a tensão aumentará no restante da temporada. O círculo está aberto.


Avaliação MaDame Lumière



Dirigido por Steve Shill. Elenco: Michael C. Hall, Julie Benz, Jennifer Carpenter, Erik Kings, Christian Camargo, Mark L Young, Sam Witwer, Mark Pellegrino. Roteiro de Daniel Cerone.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

MaDame Series Opina: Seriado The Walking Dead - 1x02 - Guts ( 1ª Temporada - 2010)

MaDame Series Opina: O momento fora de série sobre Seriados de TV






O piloto ' Days gone bye' de The Walking Dead provou que visceral é o sobrenome legítimo da série de Zumbis. Desta vez, a carnificina de intestinos e sangue para fora é a ordem visual, e toma proporções assustadoras bem como cômicas em um tenso ambiente claustrofóbico na qual humanos estão presos em uma loja de departamentos. Novos personagens são agregados e os enquadramentos de câmeras são sofisticados o que comprova que Frank Darabont está entregando uma produção com um olhar bastante cinematográfico. O elenco começa a nos sinalizar os moldes de seus carateres e como lidam com os conflitos da situação. Temos a presença de Merle Dixon (Michael Rooker), um branco racista e metido à valentão que deseja ocupar ilegitimamente o posto de comando do grupo, eis que surge a figura da vilania que deixa a incógnita se criará problemas ou não nos próximos episódios; em outras cenas afloram sentimentos de culpa por deixar humanos para trás, principalmente culpa advinda de outros tipos de abandonos como é o caso da de Lori Grimes (Sarah Wayne Callies) e Shane Walsh (Jon Bernthal) que, queiram aceitar ou não, deixaram Rick em coma, para trás, e carregam consigo outra problemática que promete esquentar a série.


Guts é um episódio bem interessante sob o ponto de vista técnico, o que proporciona um agradabilíssimo exercício do olhar. Para começar, observe o realismo do tesão da relação sexual, o prévio ritmo de suspense na floresta, Lori rendida no chão pelo rústico Shane, a urgência de transar, os ruídos, e enfim, o enfoque na aliança repousada no gramado enquanto a objetiva altera a nitidez da face de prazer de Lori.
Observe as texturas e cores dos prédios e do céu, como a luz é trabalhada no plano, como são filmados de forma a realçar aquela atmosfera cinza e inóspita. Observe o movimento realista em câmera baixa enquanto zumbis e humanos andam, a profundidade de campo nas cenas com automóveis; depois o ritmo cinematográfico dado aos 40 minutos de episódio. Eletrizante e desesperador com uso da câmera alta que nos dá a visão vertical de Atlanta invadida por um amontoado de Zumbis famintos. Somos convidados a testemunhar os sobreviventes presos no alto do prédio da loja departamental e não podemos fazer nada. Não há saída aparente, o que eles farão?.


Avaliação MaDame Lumière




Dirigido por Michelle McLaren. Com Andrew Lincoln, Jon Bernthal, Sarah Wayne Callies, Laurie Holden. Roteiro de Frank Darabont. Baseado na HQ The Walking Dead de Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard.

MaDame Series Opina: Seriado The Walking Dead - 1x01 - Days Gone Bye ( 1ª Temporada - 2010)

MaDame Series Opina: O momento fora de série sobre Seriados de TV





Observem a solidão pós-apocalíptica do pôster de The Walking Dead, a nova série produzida por Frank Darabont, baseada no HQ homônimo de Zumbis de Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard, recém-estreada na AMC, com exibição pela Fox no Brasil. Sua beleza fotográfica está totalmente relacionada à estética de The Walking Dead: visceral na qual o silêncio de um mundo acabado, a tensão pela sobrevivência, o horror de zumbis fétidos e a emoção pela busca de uma família transforma o principal protagonista, o xerife Rick Grimes (Andrew Lincoln) em um andarilho entre os mortos vivos errantes. Após acordar em um hospital, Rick se vê em um mundo tomado por zumbis famintos por carne humana. Sem entender o que se passa ao seu redor, como acordar de um coma em uma inadequada realidade, ele dá início à sua jornada em busca de sua esposa Lori (Sarah Wayne Callies) e Carl (Chandler Riggs). Em seus primeiros 30 minutos de duração, o piloto demostra claramente que séries como esta têm uma direção e roteiro de qualidades excepcionais, capazes de derrubar longas-metragem que mais parecem mortos vivos do Cinema.








O roteiro de The Walking Dead não é nada ingênuo, pelo contrário, ele é muito bem elaborado a partir de como os planos cênicos realistas se misturam à visceralidade zumbilesca e a carga emocional que move os humanos sobreviventes. Tudo ali foi pensado com um propósito a ser desenvolvido em episódios posteriores. Rick tem um amigo policial Shane (Jon Bernthal) com o qual troca confidências sobre o casamento. Rick tem uma esposa com a qual discute antes de ser hospitalizado. Rick participa de uma cena dramática ao encontrar uma garota Zumbi. A partir destes elementos relacionados ao xerife, já é possível compreender o porquê ele é o líder da série e tem uma ação protagonista que promete colocá-lo no clímax dos principais dilemas. Neste formidável piloto, os Zumbis entram pela porta da frente como todo piloto deveria ser. Com uma maquiagem fantástica, não é o horror visual em si que desperta ambíguas sensações entre o terror e o riso, mas por trás dos Zumbis, há um sentimento de comiseração que nos atinge em cheio. Eles são mortos vivos que tinham vivacidade. Eles tinham uma família. Eram pais, filhos, mães, irmãos. O roteiro não deixa isso de lado, e entrega em algumas cenas o apelo emocional de Zumbis que simplesmente foram fatalizados pelo azar de se tornarem quem são. Em duas imperdíveis cenas, com Morgan Jones (Lennie James) enfrentando o passado familiar que ele deve deixar para trás, e com as palavras de Rick a um Zumbi que se arrasta pelo chão, fica claro que, emocionalmente, The Walking Dead é uma produção Zombie diferenciada, e com um elenco talentoso e bem preparado. São cenas de clímax dramático para arrebentar o nosso coração como se fosse a cabeça de um pobre Zumbi.









Mesmo que The Walking Dead esteja dando seus primeiros passos, o seu diferencial é o competente trabalho de câmera, o olhar directivo que conduz muito bem os planos em detalhes, seja nos longos silêncios, seja nos in(tensos) momentos de suspense, e que é bem apoiado pela fotografia e a cenografia. Considerando o tempo de duração de um episódio (no máximo uma hora), a produção é harmônica e amarra todas as arestas com um roteiro conciso e eficaz. Somos impulsionados a adentrar este aprisionante mundo pós-apocalíptico que não oferece nenhuma escapatória, e ele se torna uma realidade para nós. Ninguém precisa gostar de Zumbis para reconhecer e aplaudir o cuidadoso trabalho de filmagem da série. Fantásticos enquadramentos da câmera com câmeras altas e baixas e close-ups marcantes que, qualquer bom cinéfilo deve conferir, mesmo que não seja um maníaco por séries.


Avaliação MaDame Lumière




Dirigido por Frank Darabont. Com Andrew Lincoln, Jon Bernthal, Sarah Wayne Callies, Laurie Holden. Roteiro de Frank Darabont. Baseado na HQ The Walking Dead de Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard.

domingo, 14 de novembro de 2010

MaDame Series Opina: Seriado Dexter - 1x06 - Return to Sender ( 1ª Temporada - 2006)

MaDame Series Opina: O momento fora de série sobre Seriados de TV
Agora em novo formato, com insights por episódios,
e um fechamento a cada temporada.





"Temos que esconder a verdade dos mais próximos.
É como os protegemos se algo der errado."


Excelente episódio pela forma como mexe nas estruturas de Dexter. Por ser um serial killer inteligente, meticuloso e muito organizado, Dexter faz um trabalho sujo de uma maneira bem limpa. Sua irmã policial recém promovida na Homicídios, Debra (intepretada por sua esposa Jennifer Carpenter) nem desconfia do perfil do irmão, muito menos sua namorada Rita e toda a divisão policial na qual ele trabalha. Ele sabe como raptar os assassinos, aplicar-lhes a injeção paralisante, retalhá-los, jogá-los sem deixar nenhuma pista, e ainda colecionar seus DNA's em uma caixinha. Em Return to Sender, o assassino do caminhão de gelo demonstra que está de olho em Dexter, observa cada um dos seus passos e está a fim de brincar com seus nervos. Dos 6 primeiros episódios, é o que mais coloca o racional controle de Dexter à prova, acaba por desvirtuar ainda mais o anti-heroi já que ele tem de livrar sua própria cara, apagar evidências, aproveitar do seu ofício para plantar outras provas que não o incriminem e entrar em conflito com a irmã, cuja relação é relembrada através dos flashbacks. Não há como fazer spoilers em Dexter, cada expectador tem que esbugalhar os olhos e deixar o coração disparar com a tensa emoção do suspense. Dexter vive um imperdível pesadelo!


Avaliação MaDame Lumière



Dirigido por Tony Goldwyn. Elenco: Michael C. Hall, Julie Benz, Jennifer Carpenter, Erik Kings. Roteiro de Tim Schlattmann.

MaDame Series Opina: Seriado Dexter - 1x05 - Love American Style ( 1ª Temporada - 2006)

MaDame Series Opina: O momento fora de série sobre Seriados de TV
Agora em novo formato, com insights por episódios,
e um fechamento a cada temporada.




"É importante que você pareça ser normal"

O nível da adrenalina do jogo entre assassinos diminui nesse episódio, mas entre o final deste e o 1x06, Dexter começa a passar uma fase de climática dramaticidade, prestes a ter sua identidade revelada após ter eliminado dois assassinos às pressas e ser surpreendido por uma peça pregada pelo assassino do caminhão de gelo. À parte disso, há alguns elementos nessa narrativa que contribuem para entender as reflexões de Dexter a respeito da solidão, do amor, da conexão sentimental que amarra um relacionamento e o que move amantes a desejarem ficar juntos. A seara amorosa não é uma que Dexter compreende porque ele gosta de ficar sozinho, ele é incapaz de ter os intensos e apaixonantes sentimentos que outros homens têm, e ele ainda não teve uma relação sexual completa com sua namorada Rita (Julie Benz); porém ao lado dela algo muito verdadeiro e simplista se revela no desfecho. Esse episódio tem um grande momento cômico, no momento em que Dexter entra em ação exterminando dois assassinos e lhes perguntando a respeito do que sentem um pelo outro, comprovando que Michael C. Hall é único na interpretação do serial killer. Definitivamente, Dexter não seria Dexter sem Mr. Hall. Obscuramente hilário!


Avaliação MaDame Lumière



Dirigido por Robert Lieberman. Elenco: Michael C. Hall, Julie Benz, Jennifer Carpenter, Erik Kings. Roteiro de Melissa Rosenberg.

MaDame Series Opina: Seriado Dexter - 1x04 - Let's Give the Boy a Hand ( 1ª Temporada - 2006)

MaDame Series Opina: O momento fora de série sobre Seriados de TV
Agora em novo formato, com insights por episódios,
e um fechamento a cada temporada.





"Eu não sou o monstro que ele quer que eu seja. Não sou nem homem nem animal. Eu sou algo totalmente novo. Com regras próprias. Eu sou Dexter"


Não há nada melhor, em uma produção dramática criminal como Dexter, do que ver um serial killer prestes a tirar a máscara de outro serial killer. É como contemplar sua vulnerabilidade. É um jogo de atração e repulsão, afinal nenhum dos dois deseja ser desmascarado, psicopatas sobrevivem através de máscaras sociais. Ameaçá-los com um provável desmascaramento é como transtorná-los com preocupações, mesmo que sejam mínimas e/ou tirar-lhes um pouco da confiante diversão. Neste episódio, em plena época do Dia das Bruxas, tradicional por seus disfarces, o assassino do caminhão de gelo dá um passo a mais e estuda o passado de Dexter, adentrando sua infância e se comunicando com ele através de fotografias que recriam o passado de Dexter. A tensão do anti-heroi é evidente e ele passa a questionar se ele é uma fraude, somente uma criação de seu pai Harry. Em comparação ao 1x03, o jogo entre os serial killers cresce na temporada. O segurança do estádio de Hockey, Tony Tucci (Brad William Henke) continua desaparecido. Partes do corpo de uma vítima são enviadas com fotografias para Dexter. O assassino do caminhão de gelo está testando Dexter. Dexter é uma mentira? Ou há muita verdade por trás de sua máscara? Todos têm suas máscaras. O episódio dá uma mão à audiência para o entendimento destes questionamentos.


Avaliação MaDame Lumière




Dirigido por Robert Lieberman. Elenco: Michael C. Hall, Julie Benz, Jennifer Carpenter, Erik King. Roteiro de Drew Z. Greenberg.

MaDame Series Opina: Seriado Dexter - 1x03 - Popping Cherry ( 1ª Temporada - 2006)

MaDame Series Opina: O momento fora de série sobre Seriados de TV
Agora em novo formato, com insights por episódios,
e um fechamento a cada temporada.



"Ele me ensinou que nenhum de nós é quem aparenta ser"

Se Dexter está montando um quebra-cabeça que ainda falta peças à caça do assassino de caminhão de gelo, muito da ansiedade do público é vê-lo plenamente em ação até o limite de seus esforços, mas a partir deste episódio fica claro que assistir Dexter exige paciência no início porque a idéia não é encenar somente o tenso jogo psicológico de um serial killer caçando outro serial killer e sangue jorrrando pela tela; há outras questões igualmente relevantes e que fazem a diferença da série como a reflexão a respeito dos atos de Dexter, a análise do 'mentoring' que ele recebeu de seu pai e como isso justifica as escolhas de seus atos. Este episódio perde um pouco mais na perseguição ao assassino e tem a previsibilidade de um serial killer que exibe a sua obra de arte mortal em pleno estádio de Hockey de Miami, porém o que vale aqui é o tema abuso (tradução do título original). O abuso ocorre em duas vertentes: uma que incrimina um assassino e outra que justifica seus atos e o livra do golpe final de Dexter. Dexter tem à sua frente o jovem deliquente Mark (Jeremy Downs) que saí da cadeia após cumprir pena de homicídio e a enfermeira de Harry (Denise Crosby, em ótima atuação) que costuma exagerar nas drogas aplicadas aos pacientes. Há criminosos que merecem uma segunda chance? Qual a fronteira entre quem são e quem aparentam ser? Caberá à Dexter responder esta questão e dar o veredito final!


Avaliação MaDame Lumière




Dirigido por Michael Cuesta. Elenco: Michael C. Hall, Julie Benz, Jennifer Carpenter, Erik King, Denise Crosby, Jeremy Downs. Roteiro de Daniel Cerone.


MaDame Series Opina: Seriado Dexter - 1x02 - Crocodile ( 1ª Temporada - 2006)

MaDame Series Opina: O momento fora de série sobre Seriados de TV
Agora em novo formato, com insights por episódios,
e um fechamento a cada temporada.



"A vida não tem segredos
apenas verdades escondidas sob a superfície"


Neste episódio, já começamos a observar mais claramente como o roteiro da série é elaborado com grandes sacadas fílmicas e como o transcorrer da temporada se desenvolve transformando Dexter em uma série de alta qualidade e imperdível; a começar o seu início na qual Dexter está relaxando na água enquanto suas coerentes reflexões chegam à audiência em narração em off. Aliás, a voz com atrativa dicção de Michael C. Hall tem um impacto diferenciado na experiência com Dexter. Ajusta-se perfeitamente à racionalidade, objetividade, senso de observação e reflexão do seriall killer com requintes de sarcástico humor. Fazendo uma ligação com o título da série, a cabeça de Dexter entra e sai da água como a de um monstro marinho, a de um crocodilo. Mas ele não é crocodilo. A expressão 'chorar lágrimas de crocodilo' é bem adequada para criminosos que atuam com fingimento nos tribunais e se comportam 'chorosamente' como se não tivessem cometido crime algum. Para eles, Dexter está em ação neste episódio! Logo mais, observa-se que Dexter tem Miami como personagem: Sol, céu azul, mar, musicalidade latina, frutas tropicais suculentas como maça e banana que o protagonista abocanha com gosto, colegas de trabalho latinos como a tenente Maria LaGuerta (Lauren Vélez) e o detetive Angel Batista (David Zayas). A escolha da cidade é muito pertinente porque faz o contraponto com a fria atmosfera que dramas criminais têm e dá uma leveza em um ambiente que poderia ser mais pesado. Outras características importantes da temporada já bem marcadas aqui são os flashbacks da adolescência de Dexter, ouvindo os ensinamentos de seu pai Harry (James Remar) o que dá uma idéia clara como ele foi educado pelo pai adotivo, de forma a não extravasar sua psicopatia sanguinária aleatoriamente, os ótimos movimentos de câmera e edição para uma série e um argumento que trabalha a trama com duas linhas investigatórias: a da busca do assassino do caminhão de gelo (institucional/com a polícia) e a de Dexter, na qual ele extermina algum assassino (individual), ambas muito bem entrelaçadas no roteiro.


Avaliação MaDame Lumière



Dirigido por Michael Cuesta. Elenco: Michael C. Hall, Julie Benz, Jennifer Carpenter, Erik King. Roteiro de Clyde Phillips.

sábado, 13 de novembro de 2010

MaDame Series Opina: Seriado Dexter - 1x01 - Dexter Pilot ( 1ª Temporada - 2006)


MaDame Series Opina: O momento fora de série sobre Seriados de TV
Agora em novo formato, com insights por episódios,
e um fechamento a cada temporada.




Dexter Morgan, o fenomenal psicopata do bem intepretado pelo fantástico e merecidamente premiado Michael C Hall tornou-se tão essencial para os viciados na 'Dextermania' quanto o sangue que corre nas veias. Como dito pelo charmoso Dexter, perito em análises de vestígios de sangue da Polícia de Miami: 'O sangue é a minha vida'. Logo não é difícil afirmar que Dexter é viciante como uma adrenalina que exalta os ânimos à medida que o sangue bomba pelo corpo. A partir do Piloto 1x01, o seriado já dá o seu tom de drama, suspense e humor negro em uma ensolarada Miami que conquista legião de fãs. Dexter é uma série dramática criminal que inverte totalmente a convencional moralidade ao colocar um protagonista com sede de sangue desde a infância e que catalisa seu comportamento assassino exterminando a escória de serial killers e outros bandidos que o sistema não condenou. O público acaba por adorar Dexter porque ele é o anti-herói que faz justiça com as próprias mãos com métodos bem meticulosos e um estilo refinado de ser, colocando o mal que acometeu seu doentio psíquico a favor do bem coletivo.





Baseado no best seller de Jeff Lindsay, Dexter é um protagonista peculiarmente sedutor pela ambiguidade que conquista e que, magnificamente, o faz único na ficção televisiva: seu papel foi elaborado para que haja a seguinte indagação: "Dexter é um assassino, mas ele não é tão mal assim. Foi orientado pelo pai para não matar vidas inocentes, para não ser vítima do próprio infortúnio mental. Olha suas outras virtudes!". Ele é bonito, atlético, inteligente, cínico, educado, sarcástico, irônico, realista, perfeccionista, habilidoso, meticuloso, cavalheiro, bom namorado e meo pai dos filhos da companheira, bom irmão e competente colega de trabalho da equipe policial... Ufa! Dexter é uma contradição compreensível, autêntica, e suas virtudes são tão deliciosas de se ver na excelente atuação de Hall que seu espírito homicida não é julgado pela audiência que relativiza seu defeito de fabricação, afinal, nem todo mundo é perfeito e ele mata todos os canalhas que destruiram tantas famílias. É importante não se esquecer que Dexter é um personagem concebido, sob o ponto de vista psicológico, de uma forma muito verídica em sua sociopatia. Mesmo que ele seja idolatrado, ele é a incorporação mais perigosa do psicopata porque age socialmente com a sedutora máscara de quem não parece ser um psicopata, por isso ele é querido, porque ele é atrativo como normalmente os psicopatas do cotidiano são; a diferença aqui é que Dexter ainda não sacaneou com ninguém do bem como normalmente os psicopatas sociais fazem. Finalmente, o piloto também dá o tom de suspense para os próximos episódios, criando uma quebra-cabeças para Dexter, um jogo de gato e rato com um serial killer que desafia a inteligência do perito e, ao mesmo tempo, tem uma habilidosa forma de matar que fascina o anti-herói em tiradas impregnadas de bem humorada admiração. Quem é o assassino das prostitutas? O assassino do gelo que não deixa uma gota de sangue na trilha de Dexter? Mais um enigma para os próximos episódios! Mais um enigma para Dexter!



Avaliação MaDame Lumière



segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Mostra SP 2010: Submarino (Submarino) - 2010





O Dinamarquês Thomas Vinterbeg, cineasta de Submarino, um dos filmes indicados ao Urso de Ouro do Festival de Berlim foi um dos fundadores do movimento Dogma 95 em ao lado do Lars von Trier. Como todo manifesto de vanguarda, o Dogma 95 é um movimento cinematográfico no qual o intuito é seguir uma série de regras de forma a criar um Cinema mais pautado no Realismo, fora de seus adornamentos com propósitos comerciais. Assim, mesmo seguindo um conjunto de regras rígidas, o conceito do movimento está em linha com o de fazer Cinema de forma independente e comercialmente menos exploratória. Orçamentos baixos e criações realistas são comuns. No âmbito da estética do Cinema Dinamarquês, o Dogma 95 influencia muitos diretores no que tange à narrativa realista, normalmente com argumentos polarizantes e controversos. Vinterbeg regressa como um novo homem no Cinema. Seu Submarino não deixa de expressar a decadência e fragilidade do ser humano e ainda lhe mostra uma luz no final do túnel.





Vinterbeg retorna com louvores em Berlinade ao dirigir o drama de dois irmãos traumatizados por um lar desestruturado, um pai ausente, uma mãe indiferente, alcóolatra e drogada. Eles são separados por uma tragédia. Na vida adulta, apresentam vidas bem distintas porém marcadas pela solitária degradação, pela miséria do homem. Um é Nick (Jakob Cedergren), arredio, violento, alcóolatra. Nitidamente, Nick não consegue superar a dor do trauma, e muito menos esquecer a ex. Outro é seu irmão
(Peter Plaugborg), um viciado em drogas que cria sozinho o filho Martin (Gustav Fischer Kjaerulff) desde a morte da esposa, e nutre um grande carinho e amor pelo garoto. Claramente, ele é um homem mais afetuoso e vulnerável; escravo das drogas, perdendo totalmente a noção de que precisa estar limpo para poder cuidar de Martin. Nick e seu irmão se encontram no velório de sua mãe. Não conseguem se relacionar de maneira próxima, suas vidas tomam novamente rumos diferentes mergulhadas em temas como violência, tráfico e uso de drogas, suicidio e abandono.







Baseado no romance de Jonas Bengtsson, Submarino traz a tristeza convertida em redenção, em esperança. Em momento algum, Nick e seu irmão são dois canalhas mesmo que seus comportamentos sejam reprováveis, autodestrutivos. Nos sensibilizamos com eles, com suas tragédias particulares, este é o plus da película. É como se eles não tivessem tido as escolhas ruins, elas aconteceram com as boas intenções perseguidas pela brutalidade de suas vidas. Simbolicamente, cada um tem o seu desfecho e a criança Martin tem um importante papel no filme. Ela é como um anjo que volta do passado ao presente para dar-lhes uma perspectiva para viver. A relação de pai e filho é tocante, e o vício drogatício do pai é aliviado nas sequências pelo amor e seus esforços em criar Martin com dignidade. Jakob Cedergren indicado ao European Film Awards como melhor ator, ganha a cena com pouco diálogo. É um trabalho difícil permanecer preso a esta àrdua realidade e comportar-se como com uma profunda inércia. Nick é calado, reflexivo, amargurado pela culpa, por isso, a indicação de Jakob é bem merecida. O bom trabalho no elenco e no roteiro contribuem muito para tornar esta realidade brutal digerível a nós. Até em cenas pesadas como o filho que encontra o pai drogado no chão, Vinterbeg conduz sua câmera com um olhar que não escancara a violência da cena. A brutalidade não se apóia só no visual, ela é muito mais psicológica.



Avaliação MaDame Lumière






Título original: Submarino
Origem: Dinamarca
Gênero: Drama
Duração: 110 min
Diretor(a): Thomas Vinterberg
Roteirista(s): Thomas Vinterberg
Elenco: Jakob Cedergren, Peter Plaugborg, Patricia Schumann, Gustav Fischer Kjaerulff

domingo, 7 de novembro de 2010

Mostra SP 2010: Uma Carta para Elia ( A Letter to Elia) - 2010



Este é o primeiro documentário presente no MaDame Lumière e é uma honra ter tido o privilégio de assistí-lo na Mostra. Coincidentemente dias antes do evento, comprei o DVD Duplo de Uma Rua chamada pecado (1951), de Elia Kazan, baseado na peça Um bonde chamado desejo de Tennessee Williams. Tomada por esse desejo que mais parecia um imã a me atrair a esta atemporal obra prima, fiquei mais ainda fascinada pela tensão psicológica nessa arena dos desejos. Com os deslumbrantes Marlon Brando e Vivien Leigh em atuações pertubadoras, o longa-metragem é reconhecido como uma das obras mais controversas da década de 50, amplamente noticiada como vetada pela censura. Ao contemplar a sua ousadia para a época, o intenso e insano drama dos protagonistas deste 'bonde chamado desejo, o extraordinário e poderoso olhar em cena, concluí que Elia seria um dos meus cineastas para todo o sempre. Por isso, não poderia de deixar de começar este escrito na primeira pessoa do singular, assim como Martin Scorsese, o mestre diretor, roteirista e narrador de Uma Carta para Elia (2010), uma autêntica declaração de amor de Scorsese para o cineasta grego Elia Kazan reconhecido por outras obras primas como Sindicato dos Ladrões, Clamor do Sexo, Vidas Amargas e A Luz é para todos. Ele é o cineasta estrangeiro que conquistou a América.





James Dean em Vidas Amargas



Em apenas 1 hora de duração, legitimamente, Scorsese pensa, respira, fala e sente Kazan. Ele confessa que Kazan foi tão inspiracional à sua carreira que sua obra era capaz de compreender Scorsese no que ele desconhecia de si mesmo. Dá um prazer imensurável ouvir a voz de Scorsese analisando cenas marcantes de Vidas Amargas, no qual James Dean é a ovelha negra da família, e Marlon Brando em Sindicatos dos Ladrões, o bruto que também ama, luta e precisa ser compreendido. Ao fim, a certeira emoção é a da gratidão. Obrigada Martin Scorsese e Kent Jones por enviar-me esta carta. Obrigada Kazan pela sua autenticidade na autoria de sua obra, principalmente a partir de 1950.






A filmografia de Kazan influenciou o jovem Scorsese


Na verdade, qual o valor de um Cineasta? O que torna um homem um Cineasta e não somente mais um diretor de Cinema? O que está por trás do homem Kazan? Para mim, não é só técnica, é o olhar apurado, a sensibilidade latente, o desejo de expressar a verdade e, acima de tudo, a condução das emoções humanas tais que elas sejam as minhas emoções. Elia tem este dom de presentear-me com uma constante admiração a cada filme no qual cada cena dramática me conduz à catarse necessária para compreender o que aquele protagonista tem a ver com o que eu sinto, além disso dirige que é uma beleza. Passou a filmar melhor nos anos 50, logo após delatar partidários comunistas. Ficou com fama de dedo duro, mas seu Cinema ficou mais autoral, ele se libertou das suas infelizes amarras com o passado, mesmo que este insistisse em perseguí-lo até sua morte, em 2003. Ao assistir Marlon Brando, o traíra de Sindicato dos Ladrões, ou a repreendida louca de amor Natalie Wood em O Clamor do Sexo, ou o desequilíbrio psíquico de Vivien Leigh em Uma Rua chamada pecado, percebo que Kazan entende do ser humano na sua essência mais incompreendida.




Com Marlon Brando em Sindicato dos Ladrões


Uma Carta para Elia é um belíssimo documentário, conciso e sensível. Scorsese sabe ser didático, objetivo e sentimental. É uma prosinha com Scorsese, folheando o álbum de Kazan e relembrando seus clássicos, mas também tem o profundo conhecimento de um professor em sala de aula que discorre sobre o começo da carreira de Kazan como ator e diretor de teatro na Broadway, seu reconhecimento na Elite Hollywoodiana, sua relação com a família , e os dissabores em 1954 ao afirmar ter sido comunista e delatado ao Cômite de Investigações Anti-Americanas integrantes do partido que trabalharam com ele no Group Theater. Ele foi chamado de pária, abandonado e sem o respeito de parte da ala artistas; inclusive no Oscar 1999 quando foi reconhecido pela contribuição de sua obra, teve seu prêmio questionado por alguns atores e atrizes. Apesar do documentário expor a delação de Kazan em uma das épocas mais obscuras Americanas, o Macartismo; por razões óbvias, Scorsese não julga o seu mestre. É difícil acusar Kazan quando ele não foi o único delator em uma polêmica que permanece enigmática; a diferença é que ele foi o único abatido no matadouro, e já lhe bastou ter carregado este fardo acusatório por um pensamento comunista que nem ele acreditava mais. Apos a delação, ele se libertou. Porque antes ele era um prisioneiro. Seu nome foi manchado do sangue dos delatores, mas ninguém pode manchar a beleza de seus filmes. Scorsese estava lá no Oscar, abraçando o Deus Grego do Cinema.





Com Scorsese no Oscar 1999 recebendo seu prêmio honorário

Scorsese abre o coração, tem fundamento de quem conhece cada obra de Kazan e tudo é muito inspirador. Após 'ler essa Carta', os meus desejos mais imediatos formaram uma amorosa trilogia: Eu quero fazer Cinema. Eu quero viver o Cinema. Eu quero analisar cada cena dos filmes de Kazan. Definitivamente, eu quero saber se Kazan entende o que eu sinto. Como ele mesmo cita, ele é essencialmente um intruso e eu quero este intruso na minha vida cinéfila.



Avaliação MaDame Lumière





Título original: A Letter to Elia
Origem: Estados Unidos
Gênero: Documentário
Duração: 60 min
Diretor(a): Martin Scorsese
Roteirista(s): Martins Scorsese, Kent Jones
Elenco: Martin Scorsese, Elia Kazan

Mostra SP 2010: Querido Muro de Berlim (Liebe Mauer) - 2009



Em tempos de comédias românticas pasteurizadas e produzidas como em uma pastelaria sem quaisquer deliciosos recheios e sabores em seus roteiros, Querido Muro de Berlim é amor à primeira vista, como dizem os alemães, 'Liebe am Ersten Anblick'. Um filme adorável a partir da idéia de agregar ao romance o contexto histórico da Alemanha dividida entre a socialista RDA e a capitalista RFA, em uma dolorosa época sufocada pela Guerra Fria. Através do inusitado encontro entre uma jovem da Alemanha Ocidental, Franzi (Felicitas Woll) e de Sascha (Maxim Mehmet), um guarda da Alemanha Oriental, vigilante no Muro de Berlim, o longa transmite a mensagem que não há limites para o Amor. Ele está acima de barreiras físicas, e há de vencer. Franzi e Sascha enfrentam as diversas situações de resistência imposta pelo Sistema. Desde serem proibidos de se encontrarem a serem perseguidos e pressionados por organizações como CIA e Stasi (o Serviço Secreto da Alemanhã Oriental, que zela pela Segurança da República), o filme não morre no comodismo de declarações de amor e amorosidades cotidianas, desta forma, integrando ao roteiro um toque de suspense do que acontecerá ao apaixonado casal.






Dirigida e roteirizada por Peter Timm, a comédia é bem cativante e inteligente da forma como romance e História são abordados, o que é uma raridade dentre comédias teen que são facilmente esquecíveis. Chega a ser poeticamente fofa. A começar pelo momento no qual se apaixonam como aquele barulho de sino que acelera o coração e mantém os olhares fixos um no outro. Sascha toma uma atitude de vida ou morte para ajudar Franzi, um ação que o aproxima e demonstra que ele é único, um gentleman. É como um primeiro amor adolescente, o terno e sem limitações, no qual ela, estando do lado Ocidental e morando próximo ao Muro, chega a mostrar mensagens românticas escritas em um papel enquanto ele está de guarda. Sonhos de amor como 'Ich will mit dir tanzen' (eu quero dançar com você!) são inspiradores e coloridos próximos a um muro cinza e uma vida em preto e branco. Tal exemplo foge do convencional da situação histórica amarga, dá espaço ao lúdico ainda que o filme seja bem realista a partir das características desta fase histórica que são incluídas no roteiro e da cenografia utilizada.
O que difere de uma simples comédia romântica é a sutileza da inclusão destes elementos históricos, ou seja, eles na pesam na história mas mostram referências claras da História. Eles fazem tanto a diferença na qualidade da comédia que, para compreendê-los, é recomendado estar contextualizado sobre este período. Alguns exemplos são as diferenças de preços entre produtos vendidos na RDA e RFA, o desespero, a fuga e o risco de morte de cidadãos da RDA que queriam escapar do aprisionamento do Leste, repressão, chantagem, acusação e desconfiança dos sistemas de espionagem, e principalmente na República Democrática, a burocracia no trânsito de alemães ocidentais nas zonas fronteiriças do Muro, o nacionalismo exacerbado e geracional dos militantes da RDA, os dilemas dos jovens que, durante 28 anos de existência do Muro de Berlim, aprenderam a ter mentalidades diferentes, etc.





De maneira geral, o roteiro prioriza muito mais o contexto da Alemanha Oriental, que é a prisão em si e onde está a problemática para a continuidade deste amor
.Sascha é o mais amargurado pela situação. Ele tem uma função militar, ditada por regras autoritárias. Ele está exposto a um sistema que o chantageia e que pode levá-lo à prisão ou à morte. Ele não pode visitar Franzi no Lado Ocidental. Ele tem um pai tradicional que defende os valores da RDA. Ele personifica a pobreza dos cidadãos da RDA pois até para sair com a namorada precisa de um jeans emprestado. Ele não tem orgulho de exibir a farda. Ele é colocado entre a cruz, a espada e o coração. Por estas razões, pelo amor juvenil que move os protagonistas , pelo carisma e química de Felicitas Woll e Maxim Mehmet, e pela agradabilidade de um romance que une Alemanhas diferentes é que o Muro de Berlim tem sua função totalmente invertida para algo positivo, ambiguamente algo querido, que os une e que os separa, mas que ainda é a razão que não os pode separar. Através dele, Franzi e Sascha se conhecem, se apaixonam, lutam pelo amor e permanecem juntos.

Assista ao vídeo Música Neue Ufer, tema do filme - cantora Nadja Bienge






Avaliação MaDame Lumière


Título Original: Liebe Mauer
Origem: Alemanha
Gênero(s): Comédia Romântica, Romance
Duração: 103 min
Diretor(a):
Peter Timm
Roteirista(s):
Peter Timm
Elenco:
Felicitas Woll,Maxim Mehmet, Anna Fischer,Thomas Thieme,Kral Kranzkowski, etc.

Os Filmes Vencedores da 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Quando partimos (Die Fremde), filme de Feo Aladag
representante da Alemanha no Oscar 2011
é o vencedor desta edição.



Quem pensou que Homens e Deuses, filme do realizador Francês Xavier Beauvois premiado em Cannes e nominado a melhor filme no European Film Awards, e que o Tailandês Tio Boomee que pode recordar suas vidas, vencedor da Palma de Ouro fossem ganhar o pareo como melhor longa-metragem na Mostra SP 2010, se enganou. Fazendo jus às surpresas na Mostra desde a nomeação dos finalistas ao Troféu Bandeira Paulista, não sobrou espaço para eles no pódio, e muito menos para os elogiados Cópia Fiel do Iraniano Abbas Kiarostami e os de concorridos ingressos como O estranho caso de Angélica, de Manoel de Oliveira e Um lugar qualquer de Sophia Coppola. O vencedor é da Alemanha e é o representante do país na disputa pelo Oscar de melhor filme Estrangeiro: Quando Partimos (Die Fremde/When we leave), que retrata o calvário de Umay, uma mulher de tradicional família Turca que sofre maus tratos no casamento; após abandonar o marido, ela é excluída do meio familiar e sofre as consequências da sua busca por liberdade ao lado do filho pequeno. Como Umay, temos a atriz Sibel Kekili (de Contra a Parede) que mais uma vez entrega uma ótima atuação e disputa o prêmio de melhor atriz no European Film Awards.


A escolha do júri composto por pelos cineastas Alan Parker, Samuel Maoz, Serge Avédikian e Ana Luiza Azevedo, pelos críticos Carlo di Carlo e Michel Ciment e pelo ator Miki Manolojvic foi baseada em uma lista de 12 ficções e 7 documentários mais bem votados pelo público. Confira os vencedores:




Prêmio Ficção - Competição Novos Diretores

Melhor Atriz: Noomi Rapace, por "Beyond", de Pernilla August
Prêmio Especial do Júri: "Beyond", de Pernilla August
Melhor Filme: "Quando Partimos", de Feo Aladag

Prêmio Documentário - Competição Novos Diretores

Prêmio Especial do Júri: "O Samba Que Mora em Mim", de Georgia Guerra-Peixe
Melhor Documentário: "Jardim Sonoro", de Nicola Bellucci


Prêmio da Crítica
Prêmio Especial da Crítica: "Carlos", de Olivier Assayas - França/Alemanha
Melhor Filme: "Mistérios de Lisboa", de Raoul Ruiz - Portugal



Prêmio do Público
Melhor Filme Brasileiro: "Meninos de Kichute", de Luca Amberg
Melhor Filme Internacional: "Balibo", de Robert Connoly
Melhor Documentário Brasileiro: "José & Pilar", de Miguel Gonçalves Mendes
Melhor Documentário Internacional: "Pense Global, Aja Rural", de Coline Serreau
Prêmio da Juventude: "O Mágico", de Sylvain Chomet


Prêmio Aquisição Canal Brasil (curtas-metragens)

Melhor Curta-metragem: "Pimenta", de Eduardo Mattos.

Prêmio Itamaraty

Prêmio Especial - Homenagem pelo Conjunto da Obra: Carlos Reichenbach
Melhor Curta-Metragem: "Pimenta", de Eduardo Mattos
Melhor Longa-Metragem - Documentário: "Lixo Extraordinário", de Lucy Walker, João Jardim, Karen Harley
Melhor Longa-Metragem - Ficção: "Rosa Morena", de Carlos Oliveira.


Veja o trailer de Quando partimos, 2010