Caro(a) leitor(a) Esse ano tive o prazer de receber um convite do editor do Confraria de Cinema , Gustavo Catão , para estrear uma coluna s...

Caro(a) leitor(a)

Esse ano tive o prazer de receber um convite do editor do Confraria de Cinema, Gustavo Catão, para estrear uma coluna sobre a sétima Arte no site. Mesmo com toda a correria que é a minha vida, falar de Cinema na internet é uma forma de aproximar essa grande paixão, de cinéfilo para cinéfilo, sem frescuras, com muita liberdade de expressão e com o charme Madame de ser.


Espero que curtam minha presença por lá, a começar, visitem a crítica de Habemus Papam, o filme italiano de Nanni Moretti, indicado a Palma de Cannes em 2011 e uma agradável comédia com Michel Piccoli, sobre um Papa em crise.


"As primeiras sequências evidenciam o tom bem humorado da comédia e criam um vínculo carismático entre o público e os cardeais, de todas as origens possíveis, da América do Sul a Oceania, cada um tem uma característica que os aproxima da humanidade falha de todo ser humano" (veja mais no http://www.confrariadecinema.com.br/madamelumiere/ )




Meus agradecimentos à equipe Confraria de Cinema.
Abraços,
Cristiane Costa, MaDame Lumière

Dreamgirls , o vencedor do Globo de Ouro de melhor filme - comédia musical em 2007, tem variadas virtudes que o tornam um musical...





Dreamgirls, o vencedor do Globo de Ouro de melhor filme - comédia musical em 2007, tem variadas virtudes que o tornam um musical contagiante e envolvente, tendo ganhado 3 Globe Awards (melhor filme, melhor ator principal para Jamie Foxx e melhor atriz principal para Jennifer Hudson) e recebido 8 indicações para o Oscar, no qual levou as estatuetas de melhor atriz coadjuvante para Jennifer Hudson e melhor mixagem de som. Dentre essas virtudes, destacam-se que o musical tem um roteiro bem harmonizado entre belas e ritmadas canções do R&B da América dos anos 60 e 70, os conflitos pessoais e profissionais dos músicos e executivos, e o amadurecimento do show business Afro-americano da época; além de estrelar um elenco atrativo com Jamie Foxx, Eddy Murphy, Beyoncé Knowles, Jennifer Hudson, Danny Glover, entre outros. A história é baseada em musical da Broadway de Tom Eye e Henry Krieger, que se inspirou em fatos verídicos da trajetória do grupo musical feminino Diana Ross and The Supremes e na evolução do R&B na poderosa Motown Records, a legendária gravadora Americana que teve artistas icônicos como Jackson Five, The Temptations e Marvin Gaye.












Na Detroit da década de 60, berço do R&B e conhecido cenário da indústria automobilística Americana, a história começa com o sonho de 3 garotas afrodescendentes, Effie White (Jennifer Hudson), Deena Jones (Beyoncé Knowles) e Lorrell Robinson (Anika Noni Rose) que se apresentam em competições noturnas para ganhar visibilidade e uma oportunidade em suas carreiras musicais. Após receberem uma proposta do ambicioso vendedor de carros, Curtis Taylor Jr (Jamie Foxx), elas se tornam backing vocals do cantor James Thunder Early (Eddie Murphy) e iniciam uma jornada de busca pelo seus sonhos até formarem as Dreamettes. A criação desse grupo faz referências a Supremes e à tradição da Motown, que criou os grupos musicais femininos de grande sucesso na cena musical dos USA. Mais tarde, após uma nova empreitada mais "pop" de Curtis, agora como presidente de uma gravadora, e alguns desafetos e separações do grupo, as Dreamettes se tornam as Dreams.











O roteiro está bem estruturado, como narrativa linear, de forma a contar a evolução do grupo. Ele começa a cantar em redutos do R&B Detroit, tem como principal compositor o irmão de Effie, C.C White (Keith Robinson), lança uma boa música nas rádios e chega aos espaços mais elitizados dos brancos americanos. Nessa trajetória, Curtis se torna um homem ganancioso, cada vez mais endinheirado e com poder de presidente da gravadora para incluir e cortar músicas, podar e banir artistas, dominar sua esposa Deena e ser corruptível. Também não ficam de fora músicos em situação de pobreza e envolvimento com drogas, materializando que todo sonho pode se tornar um pesadelo. No geral, o roteiro dá conta dos bastidores de artistas e gravadoras. Mescla, com isso, a variável dos conflitos amorosos com as desavenças entre Curtis, Deena e Effie. Introduz alguma evolução musical entre as décadas, com a entrada do funk soul, R&B com pegada mais pop, baladinhas e as adaptações disco. Todas essas referências como as B.B King e Jackson Five ingressam no filme através dos concertos musicais no roteiro nada ingênuo do diretor Bill Condon. O cineasta e roteirista é capaz de conversar com o expectador usando a música como personagem, e finalizar a história de forma simples, porém verdadeiramente emocionante.









Dreamgirls tem um bom ritmo, ainda que abuse bastante de várias canções, uma atrás da outra, o que pode cansar os menos tolerantes. Na verdade, há muitas delas, porém o longa ainda mantém a narrativa com musicalidade e deve agradar mais quem curte esse tipo de som e aprecia ouvir canções em sintonia com as emoções dos personagens. Com uma edição fluída, um figurino estiloso e uma trilha sonora contagiante, envolvente e embutida de músicas que dialogam e expressam os sentimentos do elenco, o longa é emocionante e um excelente entretenimento, principalmente musical. Ele consegue manter uma boa conexão emocional através da música e isso é um grande valor na experiência cinematográfica. Para quem aprecia a R&B, ritmos românticos da época de ouro da Motown e magníficas vozes como a de Jennifer Hudson, esse musical é um must have.





O longa injeta um pouco mais de imaginação no expectador de como foi a evolução da gravadora. É possível estabelecer uma relação histórica com a adaptação: a saída de Florence Ballard do Supremes (nesse contexto, representada por Jennifer Hudson), o envolvimento amoroso entre Diana Ross (personificada através de Beyoncé) e Berry Gordy Jr (presidente da Motown, com atuação de Jamie Foxx) e a rixa vocal entre Diana e Florence. Essas referências a fatos verídicos acabam por deixar levemente mais claro que Florence, a grande voz da Supremes, foi banida do grupo por Berry e passou dificuldades financeiras, alcançando uma situação de desemprego e pobreza que afogaram seu talento e anteciparam seu declínio. Embora o filme tenha sido mais otimista com a referência à Florence, que teve um fim trágico na carreira, de uma forma bem clara, a produção da Dreamworks com a Paramount pinta uma imagem bem mais negativa do presidente da Motown. A narrativa declara que Curtis Taylor construiu um império musical, se importava mais com o benefício comercial de uma música do que com sua capacidade de falar emocionalmente com o público e prejudicou artistas como Eiffe White e James Thunder Taylor. Por outro lado, não se pode negar que, para elevar artistas como The Supremes e The Temptations, em uma sociedade preconceituosa como a Americana, e em época de lutas por direitos raciais sob a voz emergente da liderança de Martin Luther King, o executivo deve ter sido desafiado a ter pulso, mãos e coração de ferro, por suposto compreendido como frio e árduo com seus artistas. É sabido que ele não gostou da adaptação de Dreamgirls, o que faz todo o sentido, Jamie Foxx incorpora nuances comportamentais típicas de um executivo bem insensível.







Além da adorável trilha sonora, marcante com canções clássicas como And I am telling you I 'm not going e mais modernas como Listen , e belas músicas românticas como o dueto When I first saw you e I love you, I do, o diferencial do longa são as atuações de Jennifer Hudson e Jamie Foxx, bem apoiados por um elenco de coadjuvantes que tem uma boa sinergia. Jennifer, em especial, mereceu todos os seus prêmios e canta com a alma, elevando as músicas a uma qualidade excepcional. Ela também evoca a artista talentosa que, por ter uma personalidade forte e de não submissão, sofre as consequências da queda ou da falta de melhor oportunidade para exercer sua arte. Sua performance vocal quando pede ao amante que não a abandone é emblemática, assim como seu orgulho ferido por deixar para trás um sonho que não havia acabado. Com a personagem Effie, fica mais evidente que Dreamgirls é um filme que inspira o público a não deixar a mágoa e o abandono impedirem a felicidade. Ele é a prova viva de um musical moderno que ensina à audiência a não desistir dos sonhos.







Título original: Dreamgirls
País/Ano: EUA/ 2006
Diretor: Bill Condon
Roteirista: Bill Condon
Elenco: Jamie Foxx, Jennifer Hudson, Beyoncé Knowles, Danny Glover, Eddie Murphy etc.

MaDame Noir: O melhor do Film Noir por MaDame Lumière Os primeiros minutos de A Morte num beijo , film noir dirigido por Ro...

MaDame Noir:
O melhor do Film Noir
por MaDame Lumière





Os primeiros minutos de A Morte num beijo, film noir dirigido por Robert Aldrich, dá o tom de suspense, paranóia e pesadelo, em grande estilo, que permeia todo o longa. Uma loira amedrontada Christina Bailey (Cloris Leachman) foge do sanatório e aparece correndo em uma estrada escura, gritando por socorro. Como uma sedutora mulher frágil e em perigo, sua pele nua está coberta somente por um casaco 7/8, nada mais carrega consigo. Na estrada, surge o durão e charmoso detetive Mike Hammer (Ralph Hammer) com seu veloz esportivo. Ele pará o carro e a socorre. Trocam algumas palavras, entre as quais a instigante frase misteriosa "Lembre-se de mim", que será a pista para os vindouros desdobramentos investigativos. Mais tarde, os homens maus aparecem. Eles não conseguem arrancar nenhuma informação dela. Ela é torturada. Ele fica desacordado. Começa o aclamado suspense negro, em um clima de desconfiança típica do pós - guerra, de detetives fracassados e oportunistas, corruptos impiedosos e mulheres sedutoras e ociosas. Fica a incógnita para Mike investigar e tirar algum proveito: Por que mataram Christina? O que de tão precioso ela sabia?




Mike Hammer é um detetive vivaz e sedutor de Los Angeles, que vive de investigar casos extraconjugais e obter benefícios financeiros com os divórcios alheios. Juntamente com sua amante e comparsa, a charmosa morena Velda (Maxine Cooper), eles obtém provas de adultério e demonstram, entre beijos e negócios, que foram feitos um para outro. Após acordar em um hospital, Mike tem a intuição de que mataram Christina por algo muito valioso. Começa a sua sina de herói noir, destemido e bruto, o que garante boas cenas da violência do gênero, na qual o detetive chega e coloca tudo para quebrar, sem nada a perder, desarmando valentões e dando socos certeiros. Mike ainda consegue os beijos e suspiros das mulheres que não resistem ao seu charme viril, entre elas a atriz Marian Carr, que interpreta a irmã de um bad guy. Além do mais, mortes misteriosas ocorrem à medida que o Mike avança na investigação e, como um excelente roteiro de inspiração noire, o expectador é envolvido em uma trama duvidosa e confusa, com um clima de pesadelo no qual qualquer um pode ser o bandido, até mesmo a mocinha ingênua e indefesa, de voz suave e cara de tolinha.





Embora a direção de Aldrich seja o que há de mais superior no longa, com a perspicácia de usar vários elementos clássicos do noir como detetives ambíguos e violentos, mulheres sensuais e duais, homens corruptos, jogo de sombras, baixa e contrastante iluminação, clima de paranóia e de pessimismo e câmera alta para ressaltar personagens fracos, o roteiro não fica atrás e é muito funcional para contar uma história do gênero policial, no qual heróis de carater duvidoso e arruinados ingressam em uma investigação após se envolverem com alguma bela femme fatale. Mike Hammer não entra na investigação pela justiça e sim para obter alguma vantagem. Nada o detem, mesmo que coloque em risco a vida de amigos e de sua amante. Tal característica do herói noir só reforça sua personalidade fraca e vulnerável, que reflete o fatalismo da época. O expectador percebe que Mike Hammer não tem profundas razões para seguir adiante em um caso que pode tirar-lhe a vida. A atuação de Meeker não é tão carismática e durona como a de um Bogart, porém reúne a experiência que ele teve em realizar papéis detetivescos e policiais.




A direção de Robert Aldrich coloca o A Morte Num Beijo como um clássico noir obrigatório em preto e branco e um de seus melhores filmes. Há um olhar preciso do cineasta em enquadrar os planos com o contraste da luz e sombra, como em uma cena na qual Velda e Mike estão conversando em um sofá e é visível a beleza do estilo visual noir, com as sombras dos personagens convivendo harmoniosamente com a de um abajur. O diretor usa a cineatografia noir a seu favor ao abusar dos recortes em partes dos corpos como os pés das vítimas e os sapatos dos bandidos, o que cria uma atmosfera misteriosa, que oculta rostos em desespero ou violentos e deixa o espectador mais tenso com tanto suspense e o que há por vir. O cineasta utiliza locações típicas do gênero como ambientes urbanos e obscuros, e lugares mais afastados, que vão desde bar e oficina de carros até uma estrada deserta e uma casa de praia. Também, há um exímio trabalho de movimento e posicionamento de câmeras, com ângulos visualmente expressivos, como por exemplo, as cenas de escadarias com Mike Hammer filmado em câmera alta e bem recortadas em um clima sombrio como se tivesse sendo observado por alguém. Enfim, mais uma ótima virtude do longa é manter o mistério até o fim, tudo guardado em uma sinistra caixa que promete um final explosivo.






Título Original: Kiss me Deadly
País/ Ano: EUA, 1955
Elenco: Ralph Meeker, Albert Dekker, Paul Stewart, Marion Carr

Com roteiro de Abil Morgan e Steve McQueen , Shame é um drama britânico sobre Brandon Sullivan ( Michael Fassbender ), um bonito, bem suce...


Com roteiro de Abil Morgan e Steve McQueen, Shame é um drama britânico sobre Brandon Sullivan (Michael Fassbender), um bonito, bem sucedido e independente executivo, que mora sozinho em Nova York e é um viciado em sexo. Ele tem que lidar com conflitos pessoais quando sua irmã, a cantora Sissy (Carey Mulligan) decide ir morar com ele, tirando-lhe totalmente a privacidade, trazendo à tona o convívio invasivo pelo qual não está acostumado e que expõe o seu vício. Interpretado de forma madura e sedutora por Fassbender, Brandon é a personificação de um homem compulsivo por sexo, incapaz de desenvolver relações afetivas duradouras e ter autocontrole sobre a sua vida. O filme usa algumas fórmulas imagéticas comuns de sex addict como masturbação a qualquer hora, sexo virtual com garotas em websites pornôs, sexo casual pós baladinha em lugares públicos e durante o expediente de trabalho, computador pessoal impregnado de material erótico, revistas de mulheres nuas e vídeos, ida a inferninhos noturnos para desafogar a vontade por sexo, flertes escancarados nos quais "se come uma mulher com os olhos". Não há nada muito hardcore, pesadíssimo e obscuramente pornográfico no filme, a não ser o descontrole psicológico de Brandon, o que o torna um homem vazio, desprovido de relacionamentos profundos e com conversas muito rasas ou monossilábicas quando está com uma mulher. Ele é um solitário com um pênis sedento por gozo, fato que o torna um personagem complexo e problemático em um filme deliciosamente provocativo.

Nesse cenário é que entra o diferencial da película, ou seja, o que há de melhor nela: o elenco. Michael Fassbender e Carey Mulligan são ótimos atores, com excelente química, e são a catarse de uma relação tensa e superficial entre irmãos que não conseguem se comunicar. Eles deixam pairar uma dúvida no ar: como foi o passado deles? Não é sabido, só imaginado. O expectador mais criativo já pensará que houve um incesto ou algo muito pertubador entre eles, tamanha a tensão entre seus olhares e diálogos, bem conduzida pela câmera realista e reveladora de Steven McQueen. A chegada de Sissy é invasiva para Brandon e possibilita dinamizar os elementos dramáticos em cena. A intimidade e o espírito livre da irmã impactam o seu dia a dia, no qual ela aparece nua perante o irmão e invade a privacidade do mesmo ao transar até mesmo em seu apartamento e insistir em um bate papo. No mais, ela é uma garota que não tem casa e nem rumo, com os braços marcados por cortes de facas, evidências de algum transtorno psíquico, provavelmente de inclinações suicidas. Ele é um homem muito sedutor, estiloso e atrativo, que seria um ótimo partido para qualquer mulher, porém incapaz de conversar profundamente em um encontro amoroso e , por natureza, um infiel e adepto a promiscuidades. Com essas nuances, é possível desfrutar desse ótimo filme que ganha mais pelo aspecto dramático pessoal e familiar que pelas sequências de sexo em si. O vício em sexo desenfreado não é único drama do personagem, mas como ele não consegue reagir contra ele e como isso impacta o seu convívio social, que se reduz a nada. Um exemplo disso é o exposto em uma cena na qual ele tem desejo de prosseguir em um encontro mais romântico com uma colega de escritório, Marianne (Nicole Beharie). Ele evita beijá-la e terminar a noite em prazeres sexuais no quarto de um hotel. Aparentemente, há uma potencial chance de engatar um relacionamento, porém mais tarde, fica evidente o aprisionamento de sua compulsiva condição, aversa a qualquer envolvimento afetivo.

A montagem de Shame é um deleite e, com uma direção que equilibra o prazer visual do sexo com o efeito dramático, ela é envolvente e provocativa. Ela reforça muito mais os silêncios do próprio drama de Brandon em seu cotidiano; como sua vida é desprovida de grandes acontecimentos. Os cortes são precisos para um anonimato regado a sexo e, visualmente, as emoções do personagem em não saber lidar com o vício. Sua fuga é o sexo. Ele se coloca por cima da situação através dele, ocultando suas vulnerabilidades e vivenciado situações de risco. Nesse ponto, o filme é sublime por trabalhar com menos palavras e mais imagens que deixam lacunas para a reflexão do espectador. Os silêncios também são uma preliminar para o gozo cinematográfico. O diretor sabe tirar proveito disso. A forma como Brandon encara uma mulher no mêtro é viril e excitante, dando espaço para o imaginário do espectador, e para o desejo de que eles se encontrem e, finalmente, gozem muito. Essa é a intenção do bom Cinema: deixar o espectador pensar e preencher esses espaços vazios, como já dizia Win Wenders em seus depoimentos de cineasta à frente do seu tempo. Tudo é possível com Shame, inclusive desejar que Brandon chegue ao limite de seu voraz comportamento sexual. Há vários momentos em que o expectador pode pensar: Quem é e quais os dramas de um viciado em sexo? O que sente Brandon? O que fará na próxima transa? Qual é o seu passado? Como conseguirá viver nesse círculo vicioso? E, enfim, a única pista verbal é o desabafo de Sissy: "Não somos pessoas ruins. Só viemos de um lugar ruim". Fica a reflexão, não a moralista, mas a de ordem mais psicológica e os efeitos devastadores em suas relações. Essa é muito mais a intenção do filme.

Sob uma análise bem mais atual, Brandon é um homem solitário, para o qual um relacionamento não dura mais de 4 meses e que não tem interesse em alimentar nenhum tipo de sentimento nas mulheres, um tema que é, no mínimo, contemporâneo. Assim, embora o roteiro pudesse ser mais dinâmico e criar situações e embates mais dramáticos, de alguma forma, faz todo o sentido o filme ser o que é: enfocar mais as pertubadoras imagens de silêncios e tensões familiares e as delícias dos prazeres de uma transa à três ou uma rapidinha com uma estranha, do que propriamente estabelecer um texto muito profundo, com outros personagens que pudessem apontar o dedo para Brandon e dizer: Você é um doente! Daí, a ótima atuação de Michael Fassbender, um macho racional a caçar suas presas, mas que se torna muito mais uma presa de uma vida sexual sem muito significado. Carey Mulligan, uma inserção fundamental para a qualidade da fita, vem a desequilibrar o seu mundo perfeito de apartamento moderno e arrumadinho e a bagunçar um pouco de sua vida por ser a única pessoa que tem um laço sanguíneo e razoavelmente afetivo com ele. Em algumas boas sequências e de forma brilhante, ela recupera o espelho do que ele é: solitária, emocionalmente instável e incapaz de dialogar com o irmão. Lidar com ela é como estar vulnerável a lidar com os seus fantasmas, com a exposição de sua vida de viciado em sexo, que é mantida em segredo. Ela também é a única pessoa capaz de romper o frio comportamento do irmão. A cena em que ela canta New York, New York é uma das mais belas do longa e dá espaço a compreender o porquê da escolha da música e de como Brandon reage a ela.


No geral, o filme é um primoroso e contemporâneo drama psicológico que bebe da fonte do vício em sexo. A edição sofisticada, a direção estilosa e o caratér erótico das cruas imagens criam um mundo urbano sedutor ao expectador, o mundo do insaciável Brandon, que se divide entre o refinamento e a pornografia; mas o filme não é só isso. Ele é um lúcido longa sobre a natureza humana e suas obscuras sombras, que são ocultadas e tidas como vergonhosas, mas que todos têm. Embora recheado de cenas excitantes com o bonitão Fassbender com nu frontal, colocando à mostra seu avantajado genital e com o tesão à flor da pele, a tendência é o filme provocar menos excitação e mais compaixão por Brandon. Sem dúvidas, é um drama muito moderno na sociedade, afinal, é intríseco ao ser humano ter alguma vergonha a ocultar, algum vício que traz consigo a pena de si mesmo, em um mundo que o prazer, urgente e perecível, é o analgésico das mazelas humanas.


Título: Shame
País/Ano: 2011/ UK
Direção: Steve McQueen
Roteiro: Abil Morgan, Steve McQueen
Elenco: Michael Fassbender, Carey Mulligan etc.

Darren Aronofksy dirige o beijo de Hugh Jackman e Rachel Weisz em A fonte da vida. Ele sabe dirigir bons beijadores! Beijar é bom demais,...

Darren Aronofksy dirige o beijo de Hugh Jackman e Rachel Weisz em A fonte da vida.
Ele sabe dirigir bons beijadores!


Beijar é bom demais, não é mesmo? Beijo de amigos que se apaixonam, beijos de desconhecidos que se atraem, beijos de amantes que se desejam, beijos de apaixonados que reatam, o que não faltam são beijos no Cinema que nos inspiram ou nos deixam hipnotizados pelo romance, sedução, amor e paixão.
MaDame Lumière selecionou 10 top beijos inesquecíveis do Cinema Moderno que não tem a pretensão de serem os melhores da História do Cinema, certamente a seleção foi deliciosa porém foi difícil; muitos ficaram de fora, principalmente os clássicos antigos, que terão uma seleção à parte, porém os escolhidos para esse post são beijos que, por algum contexto ou motivo na história, foram inseridos no roteiro e dirigidos de uma forma bem especial. São beijos que tinham que ser dessa forma para emocionar como somente o Cinema é capaz e fazem parte de uma seleção pessoal de Madame com os comentários do porquê eles são beijos de verdade.



Desejo e Reparação (Atonement)

" Em um filme de paixão, culpa e desejo,Robbie(James) e Cecilia (Keira) encarnam um beijo do desejo intenso, da explosão sexual nas penumbras de uma biblioteca na qual se despem, exalam gemidos e respirações ofegantes. Embora altamente sensual, toda a cena é trabalhada com sofisticação com picos de excitação e de confissões íntimas, do figurino a troca de olhares e diálogos."




9 - Natalie Portman e Mila Kunis

Cisne Negro (Black Swan)

"O beijo lésbico de Nina (Natalie) e (Lily) Mila em Cisne Negro não tem orientação sexual, por assim dizer. É incontrolável, sexy, intenso, excitante e deixa a plateia com vontade de ser voyeur repetidas vezes, independente de opções sexuais. Além da cena ser intensa, como uma atração explosiva que foi se desenvolvendo por duas beldades após uma balada louca, elas praticamente se pegam pra valer até o êxtase orgásmico e mostram o lado dual e obscuro de toda mulher."

Alguém muito especial (Some kind of wonderful)

" Nessa preciosidade oitentista para o público jovem, esse beijo é incrível por conta do seu contexto de amores não correspondidos no qual um amigo gosta do outro, mas não se dá conta ou não se sente seguro para confessar o seu amor. Keith (Eric) e Watts (Mary) são amigos de longa data, mas Watts gosta de Keith e ele gosta da garota mais desejada da escola. Watts simplesmente se oferece para treinar o amigo em beijo na boca. Os dois tem uma ótima química em cena, na qual efeitos como movimentação de câmera e trilha sonora são elementos coadjuvantes para torná-la especial.

A Garota de Rosa Shocking (Pretty in Pink)

"O beijo dos sonhos românticos entre a garota pobre (Andy) e o rapaz rico (Blane), após um primeiro encontro desastroso e um inesperado e alegre convite para o baile da formatura. Qual a garota que na década de 80, até hoje, não se emociona com essa cena? O beijo tem química e tem aquele leve jeito desajeitado da inexperiência dos jovens, mas aí está o seu valor de ser inesquecível: na forma como se olham, se beijam, se tocam, embalados por uma romântica trilha sonora."

Uma linda mulher (Pretty Woman)

" Uma cena maravilhosa entre Vivian (Julia) e Edward (Richard ) na qual o beijo é tão delicado e, ainda assim, muito sensual, embalado por uma trilha sonora romântica como se fosse um conto de fadas cotidiano. Essa cena é mais e mais bela em virtude da narrativa na qual uma prostituta, que nunca se deixa beijar na boca e que começa a sair com o ricaço solitário, simplesmente se apaixona por ele. O fato dela confessar o "Eu te amo" enquanto ele está dormindo na intimidade do quarto e, logo mais, o incrível beijo acontecer, é de tocar o coração."



Match Point

"Além de serem belíssimos e encenarem um suspense arrebatadoramente sexy em Match Point, Chris (Jonathan) e Nola (Scarlett) encenam um beijo cheio de desejo e do proibido, entre o tesão e a hesitação. Ele é muito sexy por contar também com elementos em cena que são uma fantasia deliciosa no imaginário das pessoas: o beijo na chuva e no meio do campo, enquanto os corpos molhados se entendem."
Drive
"Um beijo romântico, apaixonado, profundo, moderno e muito cult na forma como foi conduzido em um elevador, principalmente em um contexto narrativo de suspense e tensão que ninguém imaginava que ele iria beijá-la assim, logo ali, oniricamente. No plano fílmico, há a combinação de elementos bem selecionados como a trilha sonora, a movimentação em slow motion, o posicionamento dos atores, a química apaixonante. Narrativamente, Ryan Gosling como um herói obscuro, introspectivo e violento, que protege a sua meiga vizinha (Carey Mulligan) em um momento único é de conquistar o coração. O beijo é fascinante por ser lindamente real, poeticamente visual como se o tempo parasse nos dois."



Fonte da vida (The Fountain)


"O beijo entre Hugh e Rachel tem uma beleza e prazer únicos por ser cheio de amor, desejo, intimidade e por ela estar muito doente. Ao invés de estar deprimida, ela tem o desejo pelo seu amor, de tocá-lo por completo. Há uma urgência, uma ânsia, uma entrega arrebatadoramente sensual e amorosa na personagem de Rachel.É um beijo muito especial porque ela poderá morrer a qualquer momento, pelo casal entrar em um universo narrativo da Fonte da Vida, que é todo recortado em termos temporais e cheio de lembranças de vida e da morte."


O melhor amigo da noiva (Made of Honor)


"Um dos beijos mais lindos em comédias românticas, Patrick e Michelle encenam aquele beijo da surpresa sem palavras, da confissão tardia, do desespero de queme stá prestes a perder o grande amor. É um beijo muito especial e merece estar no topo muito em função de como ele é profundo, verdadeiro e revelador e, também, pelo momento na narrativa. Ele é a expressão máxima de quem está desesperado pela possibilidade de ver o amor, casado e nos braços de outro. Michelle está em sua despedida de solteira e Patrick, seu melhor amigo, descobre que a ama e cria coragem de beijá-la assim, na hora mais inoportuna e devotamente."




Diário de uma paixão (The Notebook)


"Um beijo inesquecível, romântico e apaixonante. É beijo do amor e do desejo que o tempo e o silêncio foram incapazes de apagar. É o beijo do retorno da esperança, de viver o que não foi vivido nesse amor cinematográfico que se aproxima tanto das emoções já vividas pelo público. Além da ótima química fascinante entre Ryan e Rachel, de toda a explosão em um beijo na chuva, das palavras urgentes que precisavam ser ditas e reveladas, esse beijo está em uma bela sequência que vai crescendo, dos olhares tímidos e impregnados de silencioso desejo a uma demonstração amorosa e sensual de uma verdadeira paixão."

"Algum dia você vai cair e chorar. E vai entender tudo. Todas as coisas" ( A árvore da vida)


"Algum dia você vai cair e chorar. E vai entender tudo. Todas as coisas"
( A árvore da vida)

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