quinta-feira, 11 de agosto de 2016

MaDame Blockbuster: Jason Bourne, de Paul Greengrass

MaDame Blockbuster:

Cinema Pipoca e no stress





Por Cristiane Costa,  Editora e crítica de Cinema MaDame Lumière e Especialista em Comunicação 




Existe uma competência natural do Cinema de grandes produções comerciais, os "Blockbusters",  que é fidelizar o espectador mesmo que seja entregando filmes aquém da qualidade e potencial esperados. Essa competência está integrada ao marketing, basta ver a quantidade de produtos que ganham versões sob o guarda-chuva de uma forte marca. É uma estratégia que prevê o investimento de milhões de dólares para manter essa marca no mercado, gerar receitas e lealdade do cliente. Essa manobra comercial e de marketing funciona bem, em termos de negócios, porque ela não corta o elo entre o espectador fã e a obra cinematográfica. É o que acontece com o lançamento de "Jason Bourne", o emblemático e imbatível agente da CIA personificado por Matt Damon.  Em mais uma parceria com o diretor Paul Greengrass (de "A Supremacia Bourne" e "O ultimato Bourne"), a Universal Pictures investe nessa fidelização que, a priori, tem sua força em apenas um elemento: Matt Damon.





Matt Damon é um cara legal e isso define muito de seu sucesso no Cinema. Se a América tivesse uma eleição a namoradinho do Cinema Americano, ele seria um forte candidato. É uma musa de calças! Boa imagem de ator competente e versátil atrelada ao seu carisma de bom moço, pai de família e cidadão que a maioria consegue dar um crédito quando ele dá voz à sua própria forma de pensar e trabalhar. Com toda essa  credibilidade, ter uma conexão leal e nostálgica com Matt Damon e o seu "Bourne" é uma natural consequência para o público que aprecia o ator.  Em sua interpretação, ele reúne três virtudes inegáveis para compor Jason Bourne: um homem comum e dedicado ao ofício, um homem solitário que sofre duas grandes perdas afetivas durante a franquia, um homem habilidoso, tanto no aspecto físico quanto no intelectual para ser um herói real.  Lamentavelmente, o novo filme não soube aproveitar essas três qualificações do personagem e muito menos Matt Damon.

Lançado em 27 de Julho nos Cinemas Brasileiros, o filme enfoca o icônico agente que está nas sombras e é desafiado a descobrir a verdade sobre o assassinato de seu pai , que teria sido morto por terroristas. Bourne, como um produto de um ambicioso  experimento militar e com intenso treinamento de elite, teve sua identidade excluída do mundo realista. É um homem perdido, com um espírito patriota e uma necessidade de pertencimento, ainda assim, não lhe é permitido viver na paz, na luz.  Embora tenha evoluído nos filmes anteriores, que enfocam na jornada do herói que se apaixona, perde a mulher que ama, descobre as intenções de seus patrocinadores e inimigos e se torna uma arma humana letal, nesse filme, ele já chega caído e sem muita motivação.  Falta paixão na história. É um personagem que não parou de atuar no auge de seu sucesso e deveria tê-lo feito.





O roteiro não investe no estratégico thriller de espionagem e ação e no desenvolvimento do conflito do personagem. Jason Bourne permanece como um homem nas sombras e, pela pobreza motivacional de seus antagonistas e das linhas desse roteiro, ele fica isolado em cena. Dessa forma, o roteiro reforça mais a ação que o suspense inteligente. Jason tem que lidar com desafetos como  o agente Asset (Vincent Cassel), está na mira de inescrupuloso diretor da CIA Robert Dewey (Tommy Lee Jones) e objeto de interesse de alpinistas estratégicos como a fingida agente Heather Lee (Alicia Vikander). Nem mesmo a amiga de Bourne, Nick Parsons (Julia Stiles) tem espaço no longa. Bourne está sozinho e tem que se defender a todo o  instante em uma intensa jornada de perseguição. Greengrass investe pesadamente em criar muitos estímulos visuais presentes em caóticas e destrutivas cenas com carros e motos e, principalmente, muita truculência  em brigas físicas regradas em porradas  que são reproduzidas com uma ênfase no som. Em resumo, resta ao público se entreter com esse caos que, aliás, não é muito eficiente na decupagem. Muito barulho e pouca qualidade no design e coreografia das cenas de ação.





Jason Bourne perde a chance de evoluir no conflito existencial do agente, que estava mais presente nos filmes anteriores.  Se a motivação do personagem é descobrir a verdade sobre a morte do pai e aliviar a angústia de tal segredo, oras, as motivações afetiva e familiar são preexistentes e ainda ganham, como bônus, um agente que persegue a manutenção de sua identidade e tem que lidar com o fato de ter sido uma cobaia de uma corrupta estrutura de poder. Boas razões para um melhor roteiro existiam e não foram aproveitadas. O personagem também tem um diferencial, que é a sua própria inteligência de combate, igualmente usada de forma precária na narrativa. Não há cérebro na narrativa e isso é imperdoável sob o ponto de vista dos fãs dessa franquia.





Com essa execução, Greengrass se preocupou com apenas uma questão: a ação. O filme é concebido para explorar ao máximo a correria, um jogo de gatos e ratos que se torna vazio e cansativo. Essa ação  não é entrecortada por um suspense habilidoso, o que é muito frustrante para quem é fã dos filmes anteriores que priorizavam o thriller robusto. Todo o elenco  está ligado no piloto automático, até mesmo a atual queridinha de Hollywood, Alicia Vikander, com um personagem travado e sem muita personalidade. Ela, Lee Jones e Cassel mimetizam personas previsíveis em uma perseguição da Cia e os flashbacks não geram uma ideia de continuidade e coesão que poderiam facilitar a tensão dos conflitos e os propósitos dos personagens.  

Com essas deficiências, principalmente o roteiro preguiçoso, se for para ver esse filme, vá pelo namoradinho da América Matt Damon! Vá pelo icônico Jason Bourne e nada mais! 




Ficha técnica do filme ImDB Jason Bourne




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