sexta-feira, 22 de julho de 2011

Metalinguagem no Cinema: Sindicato dos Ladrões (1954) e Touro Indomável (1980)

A Sétima Arte pela Sétima Arte





O grande mestre Martin Scorsese nunca escondeu a sua admiração pelo formidável Cineasta Elia Kazan, realizador de obrigatórias obras-prima como Sindicato dos Ladrões e Uma Rua Chamada Pecado. No documentário em homenagem a Kazan, Uma Carta para Elia (2010), é a voz e a inteligência enciclopédica de Scorsese que nos conduzem a se envolver afetivamente pela filmografia de Kazan ou, no mínimo, despertam o nosso interesse por seus maravilhosos filmes. Uma das metalinguagens mais sublimes da História do Cinema une no tempo fílmico do espectador duas décadas, a de 50 e a de 80, respectivamente, com duas magníficas realizações, Sindicato dos Ladrões(1954) de Kazan e Touro Indomável (1980). No clássico de Scorsese, o boxeador Jake la Motta (Robert de Niro) reproduz o emblemático discurso do ex- boxeador Terry Malloy (Marlon Brandon) em um dos mais belos, sinceros e dramáticos desabafos da Sétima Arte.









No discurso, frases próprias da decadência de um homem como "eu podia ter classe", "eu poderia ser um competidor" ,"eu poderia ter sido alguém ao invés de um vadio", marcam como Terry e Jake tem dramas existenciais mais parecidos do que a gente imagina, além da emoção do verdadeiro desabafo a Charlie, o irmão de Malloy que poderia ter ajudado o irmão a ser alguém. Essa proximidade entre ambos só enfatiza que o Cinema é um organismo vivo em crescente diálogo através da sua poderosa linguagem. A força da metalinguagem entre essas 2 cenas é tão especial e diferenciada que um espectador só poderá compreendê-la em sua beleza imagética e textual se conhecer bem o clássico de Kazan, se saber que Scorsese fez essa cena para homenagear o maravilhoso Kazan, se está sensível de que o Cinema é toda essa magia atemporal, que nos deixa sem palavras, encantados.








Para assistir à cena de Touro Indomável, clique aqui

4 comentários:

  1. Belo post! Acho essas duas obras representantes máximos daquilo que o cinema tem de melhor. São dois grandes filmes, de dois maravilhosos diretores.

    ResponderExcluir
  2. Só reitero suas descrições para o Cinema. Lindo. Uma arte de reflexão e admiração. Aqui você só me deixa com vontade de rever esses dois ótimos filmes. O que é muito bom!

    ResponderExcluir
  3. MaDame, sorry pela nostalgia, mas o ano era 1960 e o recém-inaugurado Cine Astor reprisava o aguardado Sindicato de Ladrões, filme perfeito de Kazan com Brando emocionando. E a jovem Eva, Malden, Cobb e até Tony Musante. Por falar em lutador, A Cavalaria Rusticana foi um dos mais sublimes achados do cinema em Touro Indomável. Obrigado pelas palavras entusiasmadoras.

    ResponderExcluir
  4. Os dois filmes tem mais em comum do que eu pensava. Havia me esquecido do quão Scorsese era fã de Kazan. Excelente post, Madame :D

    Bjs.

    ResponderExcluir

Prezado(a) leitor(a)

Obrigada pelo seu interesse em comentar no MaDame Lumiére. Sua participação é muito importante para trocarmos percepções e informações sobre a fascinante Sétima Arte.
Madame Lumière é um blog democrático e sério, logo você é livre para elogiar ou criticar o filme assim como qualquer comentário dentro do assunto cinema. No entanto, serão rejeitadas mensagens que insultem, difamem ou desrespeitem a autora do blog assim como qualquer ataque pessoal ofensivo a leitores do blog e suas opiniões. Também não serão aceitos comentários com propósitos propagandistas, obscenos, persecutórios, racistas, etc.
Caso não concorde com a opinião cinéfila de alguém, saiba como respondê-la educadamente. Opiniões distintas são bem vindas e enriquecem a discussão.

Saudações cinéfilas,

MaDame Lumière