Biutiful (2010), o primeiro longa-metragem do cineasta Alejandro González Iñarritu sem a participação do roteirista Guillermo Arriaga é um...


Biutiful (2010), o primeiro longa-metragem do cineasta Alejandro González Iñarritu sem a participação do roteirista Guillermo Arriaga é um soco no estomâgo. Dolorosamente visceral, ele é pertubador como a miséria e a morte. Imagine a vida de um homem mergulhado em um caminho sem volta, o de uma doença incurável em estado terminal; um homem de bom coração que mantém certa dignidade, mesmo que cometa negócios ilícitos como atravessar imigrantes chineses e africanos em condiçoes ilegais na periferia de Barcelona; um homem soturno que tem o espírita dom de comunicação com os mortos; um homem solitário, divorciado, às voltas com Marambra, sua bipolar ex-esposa (Maricel Álvarez, excelente) a qual não consegue perdoar. Um pai de dois filhos, que a qualquer momento podem se tornar órfãos do pai, entregues à misericórdia do destino. Esse herói trágico é Uxbal (Javier Bardem, em excepcional atuação), decadente física e socialmente. Para ele, a vida não é Beautiful, é Biutiful!





Aclamado como vencedor da Palma de Cannes em 2010 e indicado ao Oscar de melhor ator no Oscar 2011, Javier Bardem brinda o público com mais uma atuação que dilacera qualquer coração e não dá espaço à pieguice sentimentalista. Embora a fita esteja impregnada de desgraças suas e alheias, Javier tem tanta luz própria como um ator à frente de qualquer desafio, que o seu formidável profissionalismo não deixa o filme desandar em uma piada da miséria humana. Ele alcança uma interpretação heróica que salva o filme do começo ao fim. Uxbal é um herói obscuro e imperfeito, o que o aproxima da verossimilhança com tantos cotidianos e trágicos heróis. De comportamento intrigante, Uxbal tem uma moralidade dúbia, ou seja, se for preciso ajudar o próximo ele o faz pois tem um dom espírita de ajudar os mortos a partirem na paz e está sensível às necessidades dos imigrantes, porém é beneficiado financeiramente por tais ações para manter sua própria sobrevivência, inclusive recebendo até propinas. O interessante é que não há como julgá-lo, apontar o dedo em sua cara, pois o filme apresenta sua tragédia, a jornada rumo ao seu adeus à vida, e Iñarritu não faz questão alguma de esconder o fim do túnel. Uxbal é soturno, porém é possível contemplar sua bondade, ter afeto e piedade por ele pois há uma transparência em sua forte personalidade, em sua vulnerável condição. Ele está definhando aos poucos. Seu infortúnio em um contexto social problemático e um drama doméstico complicado é desconfortante. A morte está à sua espreita, o sofrimento é seu companheiro.





Iñarritu continua recortando sua narrativa em viscerais histórias dramáticas e paralelas, assim como fez em Babel. A diferença é que sua separação de Arriaga não lhe fez tão bem em termos de roteiro; se não fosse Javier Bardem, o resultado de Biutiful não seria tão impactante. Mesmo sem Arriaga, Iñarritu deu um jeitinho de integrar ao roteiro a jornada trágica de Uxbal e a miserável questão dos imigrantes na Europa, o que prejudica o andamento coerente da fita em alguns avanços do desenvolvimento. Nos planos que se relacionam aos imigrantes chineses e senegaleses, à corrução policial e ao comércio de produtos falsificados, há uma intenção clara no roteiro de relacioná-lo ao personagem de Uxbal, por uma necessidade lógica de estabelecer uma conexão com o herói. Depois, a projeção enfoca o drama doméstico e as tomadas mais 'espirituais' e delirantes de Uxbal, logo nem tudo é tão bem amarrado no roteiro de forma a dar uma certa fluidez fílmica. Por outro lado, era de se esperar que fazer tais relações na narrativa exigiria não só um bom trabalho de cineasta, mas a habilidade de um roteirista que esteja acostumado a unir no desenvolvimento narrativo diferentes dramas, de ricas e profundas metáforas e complexidades sociais. Iñarritu se arriscou e fez bem em fazê-lo sem Arriaga. Um cineasta reconhecido como ele, em trabalhoso como Amores Brutos, Babel e 21 Gramas, tem que andar por pernas próprias, ter a autoria do filme. Não a toa que dedicou o fime à memória de seu pai e dirigiu um dos seus trabalhos mais pessoais, com ótimo elenco, compatível direção de arte com a degradação dessa sociedade e uma fotografia impecável do competentíssimo Rodrigo Pietro. Biutiful é um maravilhoso e tocante filme sobre a morte, o sofrimento, a doença e a solidão, condições das quais nenhum homem escapa, esses são os demônios que Uxbal tem que enfrentar.






Essa é a densa e bela reflexão que agrega valor à fita: a morte e como lidar com ela. Como lidar com o sofrimento com certa dignidade? Como lidar com o fato de ser tão estranho em uma vida? Como lidar com uma realidade tão problemática que mais parece uma morte em vida? Esse sentimento de estar 'fora', de ser 'imigrante' em uma vida miserável é permanente e um das maiores dores da humanidade. A vida nem sempre é Bonita (Beautiful), ela sempre será grafada de forma errada em algumas circunstâncias desafiadoras do indivíduo e de sua família, por isso Biutiful coloca Uxbal, Marambra e filhos no núcleo do enredo. Famílias têm problemas de relacionamento, de falta de dinheiro, de perdão, de violência e de convivência. A única certeza que há é que a morte chegará e, com ela, a preocupação em dizer adeus a quem fica, de desfalecer na completa solidão e pobreza, a de morrer tão prematuramente.



Avaliação MaDame Lumière



Título original: Biutiful
Origem: México, Espanha
Gênero: Drama
Duração: 148 min
Diretor: Alejandro González Iñarritu
Roteirista(s): Alejandro González Iñarritu, Armando Bo, Nicolás Giacobone
Elenco: Javier Bardem, Maricel Álvarez, Hanna Bouchaid, Guilermo Estrella, Eduard Fernandez.

Inception: O sonho é real Inception é a origem dos sonhos cinematográficos, é a concretização de mais uma genial idéia no Cinema a serviço...


Inception: O sonho é real


Inception é a origem dos sonhos cinematográficos, é a concretização de mais uma genial idéia no Cinema a serviço de trazer o surreal e o real ao expectador. Ao entrarmos em uma sala de exibição, muito mais do que a simples intenção de ter um descontraído e/ou vibrante entretenimento, esta o desejo de sonhar através da Sétima Arte e, ao mesmo tempo, relacioná-la com a realidade do cotidiano e ter perante os olhos um filme bem realizado, com excelentes diretor, roteiro e elenco, vigor e perfeição técnica . A Origem, do fenomenal Christopher Nolan é exatamente isso; é um daqueles raríssimos filmes no qual o lúdico e o real são projetados na tela do Cinema para materializar a incrível capacidade imaginativa do indivíduo, o seu fascinante dom de criação e inovação no qual sonhar é uma magnífica experiência humana, além de que tal exercício surreal não está distante do real. Em Inception, o sonho é real!






A Origem é concebido no seu cerne a partir de uma idéia de Nolan, que levou 10 anos para elaborar esse roteiro. A idéia era unir a espionagem corporativa com os sonhos; para tal, como exímio argumentista, ele criou uma estrutura lógica dentro do surrealismo do enredo: Entrar nos sonhos de um executivo que herdará um império empresarial e implantar, através do Inception (a inserção) uma idéia para que ele divida a sua corporação, cumprindo, desta forma, o desejo do concorrente. Nesse processo estrutural no mundo dos sonhos, uma equipe liderada por Cobb (Leonardo di Caprio) parte na missão Inception entrando em vários níveis do subconsciente, na qual há regras do que é realidade e do que é sonho, do que deixa os personagens vulneráveis e do que os deixa defensivos, portanto, Nolan torna A Origem um sci-fi palpável, de um heist movie sensível, um suspense arrebatador, uma obra prima multi-gêneros que não limita a mente humana, e muito menos, a capacidade ilimitada do Cinema como criação artística, de reflexão existencial e ressonâncias psíquicas.



Apesar de ser mais uma louvável idéia de Nolan, racionalizar esse argumento construindo uma estrutura lógica de regras para a equipe de Cobb operar não era a única manobra criativa do cineasta, era preciso mover a emoção dos personagens e, principalmente sobre o público. Era preciso coletivizar o sentimento dramático de Inception, aproximá-lo de culpa, redenção, amor, perda, etc., acercar o sonho de uma real experiência humana, somente assim a emoção poderia aflorar na audiência e o sonho ser percebido como um sonho que pode ser o de qualquer um de nós. Tal brilhantismo de Christopher Nolan é tão evidente e reconhecido por quem está sensível à linguagem cinematográfica que, nem mesmo o fato de ele não ter sido indicado ao Oscar de melhor diretor fez com que ele ficasse no limbo. Nolan é o arquiteto do filme dos sonhos cinematográfico (e cinéfilos). Acima de tudo, A Origem é o ponto de vista único de um cineasta que é habilidoso conhecedor da mente humana, uma competência que já havia demonstrado em suas produções Batman - O Cavaleiro das Trevas, O Grande Truque e Amnésia. Ele é capaz de harmonizar a sua habilidade técnica e intelectual com sua sensibilidade e curiosidade e abraçar a psicologia individual e da coletividade, inclusive bebendo da fonte de mestres da Psicanálise como Jung e Freud. Ele insere uma idéia na sétima Arte emanando o poder inovativo e ilimitado da mente humana, a mesma idéia capaz de catalisar a catártica mudança em nós ao assistir esse fantástico longa-metragem e ser impactado por ele por dias e mais dias.




Nolan permanece o cineasta original, criativo, visionário pensador e sofisticado, um desenvolvedor de planos surreais em A Origem para demonstrar que, por trás de uma ficção, de um heist movie que aproxima características de James Bond a film-noir, há uma forte ressonância emocional que massifica o filme despertando a sensibilidade do público em geral, e por conseguinte, sua simpatia. Nesse sentido, o espectador compreende o drama de Cobb e como ele tem que lidar com um peso enorme durante o filme, longe de seus filhos, saudoso de sua esposa, assim como fica intrigado com a intenção do autor. Além disso, os sonhos também são esconderijos do subconsciente dos desejos mais ocultos, um mundo que criamos, no qual construímos para viver uma realidade paralela, mas também um mundo no qual desenvolvemos estratégias de autopreservação. Finalmente, a maior dádiva de A Origem é não precisar escapar do sonho para viver uma emoção real. Em mais uma obra prima de Christopher Nolan não há limites para sonhar, para transformar o sonho em uma realidade, afinal, quando dormimos, somos nós os arquitetos dos nossos sonhos. Quando assistimos a um filme, queremos que o autor compartilhe propriamente o seu sonho cinematográfico, ou seja, o filme que ele criou, a origem de mais um sonho realizado chamado Cinema.



Avaliação MaDame Lumière




Título original: Inception
Origem: USA, Reino Unido
Gênero: Ação, suspense, Crime, Sci-Fi

Duração: 148 min
Diretor: Christopher Nolan

Roteirista(s): Christopher Nolan
Elenco: Leonardo Di Caprio, Marion Cotillard, Joseph Gordon-Lewitt, Ellen Page, Tom Hardy, Ken Watanabe, Cillian Murphy, Michael Cane, Pete Postlethwaite,Dileep Rao

Colin Firth mereceu o Oscar, mas Tom Hooper.... Sabe aquele ditado que diz que quem ri por último, ri melhor? Permita-me realizar o troc...

Colin Firth mereceu o Oscar, mas Tom Hooper....




Sabe aquele ditado que diz que quem ri por último, ri melhor? Permita-me realizar o trocadilho "Quem é rei por último, ri melhor", ditado sob medida para comentar sobre a festa do Oscar 2011 realizada no último domingo (27), direto do Kodak Theatre de Los Angeles. O Discurso do Rei é o grande vencedor da premiação reinando em 4 categorias, melhor diretor, ator principal, roteiro e filme, que juntas, representam o peso da côroa da consagração de um longa-metragem no tradicional Academy Awards em sua 83ª edição. Com direção de Tom Hooper, O Discurso do Rei relata a história do rei britânico George VI e sua gagueira. Ao assumir a monarquia, George, interpretado por Colin Firth, tem que assumir também a responsabilidade pelo discurso à nação. Sendo gago, qual a nação que levaria um rei à sério? E a exímia oratória de um Rei? Assim, George tem que superar o problema da gagueira.


O argumento é interessante pois, para um chefe de Estado, discursar e influenciar é preciso. Não há como ele se esconder por trás de um problema que afeta diretamente a forma como se comunica e é respeitado por um país, portanto, faz sentido ter ganhado o Oscar de melhor roteiro original dado à David Seidler, assim como é digno de reconhecimento o Oscar de melhor ator a Colin Firth que, no ano anterior, realizou uma fascinante atuação em Direito de Amar (A Single Man) como um professor mergulhado na solidão após a perda do amado. Colin acabou perdendo o Oscar para Jeff Bridges, de Coração Louco. Mesmo que merecida, a premiação de Colin foi como um "tapa na cara" ou um "pedido de desculpas" da Academia. Dessa vez, eles tiveram que engolir Firth com gagueira, discurso e a elegância britânica que lhe é tão natural.


Não há como negar que O Discurso do Rei tem tudo a ver com o trocadilho do "Rei que ri por último". Ele chegou de mansinho, praticamente gaguejando sem causar muito alvoroço. Não conquistou a crítica como A Rede Social e nem tantos fãs como A Origem, ainda que seja uma produção qualificada. Enquanto o público apostava em diretores como Darren Aronofsky (e seu Cisne Negro), David Fincher e seu filme "Facebook" e Christopher Nolan com Inception, Tom Hooper e o seu "The King's Speech", era praticamente um desconhecido. De repente, surgiram várias indicações de O Discurso do Rei em premiações que mais pareciam coroações. A Rede Social, queridinho da crítica americana, foi ficando para trás como se fosse um plebeu na côrte do Rei. E não é que Tom Hooper foi o Rei do Oscar? Ganhou o prêmio de melhor diretor para a surpresa geral da comunidade cinéfila que poderia ter gaguejado: Ma-mas co-como a-a-asssim? To- Tom Ho-ho-hoper ? Tarde demais para tamanha indignação! Ele já está rindo essa hora.


Confesso que a direção dele não é desmerecida, mas é tradicional e combina perfeitamente com a Academia. Obviamente, ela tem uma impecabilidade na gramática fílmica, no entanto, não traz nenhuma surpresa além da contemplação visual, beleza e força do roteiro. É uma direção que tem um tênue frescor, de bom gosto, mas continua convencional, academista. Ele desloca muito pouco a câmera, trabalha com os planos e enquadramentos de forma cuidadosa como um filme de época costuma ser, além de ser bem apoiado pela ótima fotografia e direção de arte. Por ser uma direção mais tradicional em um filme sobre a monarquia, Tom Hooper foi a surpresa mais esperada e, ao mesmo tempo, inesperada da noite, fazendo côro à ambiguidade de sua premiação. Ele merece o prêmio pelos olhos da Academia e dos lobistas , mas desmerece pelos olhos dos formadores de opinião que sabem que essa direção dele não é superior aos seus concorrentes. De certo, havia possibilidades dele vencer porque a Academia não está preparada para reconhecer diretores visionários, que pensam fora da caixa e que costumam incomodar bastante com os filmes que realizam, basta pensar que David Fincher já dirigiu Clube da Luta, Darren Aronofsky realizou Requiém para um sonho, e o mais injustiçado da noite, Christopher Nolan fez a obra prima Batman - O Cavaleiro das Trevas. Aliás, Nolan nem teve a chance de concorrer com Hooper. Infelizmente, ele nem chegou a ser indicado para o Oscar de melhor Diretor.


Com isso, além da risonha zebra Tom Hooper, a festa do Oscar teve outras duas zebrinhas: James Franco e Anne Hathaway, novos mestres de cerimônia que não souberam dar à premiação o vigor e o entretenimento necessários ao evento mais aguardado do ano. Anne estava um pouco mais à vontade, mas nem isso resolveu, James Franco estava paralisado como se tivesse caído no Grande Canyon. Nem se ele ganhasse o Oscar como melhor ator em 127 horas, ele sairia daquela inércia. Por outro lado, algumas justiças foram feitas como a premiação de Natalie Portman como melhor atriz por Cisne Negro, o roteiro adaptado de A Rede Social e os prêmios técnicos de A Origem como o de som e efeitos visuais. Ainda assim, é importante repetir sem gaguejar: a festa do Oscar contina previsível, um fiasco de audiência e nada apaixonante, seguindo dessa forma os canônes da Academia, ou melhor, o absolutismo da monarquia Academy Awards colocando o excepcional Cinema como se fosse um mero súdito.

Parabéns, Natalie Portman. O oscar é seu! Confira a lista de vencedores da 83. edicao do Academy Awards. No próximo post, coment...

Parabéns, Natalie Portman. O oscar é seu!

Confira a lista de vencedores da 83. edicao do Academy Awards.
No próximo post, comentários sobre a premiação. Aguardem!

Best picture

"127 Hours"
"Black Swan"
"The Fighter"
"Inception"
"The Kids Are All Right"
"The King's Speech" - VENCEDOR
"The Social Network"
"Toy Story 3"
"True Grit"
"Winter's Bone"

Lead actor

Javier Bardem, "Biutiful"
Jeff Bridges, "True Grit"
Jesse Eisenberg, "The Social Network"
Colin Firth, "The King's Speech" - VENCEDORJames Franco, "127 Hours"

Lead actress

Annette Bening, "The Kids Are All Right"
Nicole Kidman, "Rabbit Hole"
Jennifer Lawrence, "Winter's Bone"
Natalie Portman, "Black Swan" - VENCEDORMichelle Williams, "Blue Valentine"

Supporting actor

Christian Bale, "The Fighter" - VENCEDORJohn Hawkes,"Winter's Bone"
Jeremy Renner, "The Town"
Mark Ruffalo, "The Kids Are All Right"
Geoffrey Rush, "The King's Speech"

Supporting actress

Amy Adams, "The Fighter"
Helena Bonham Carter, "The King's Speech"
Melissa Leo, "The Fighter" - VENCEDORHailee Steinfeld, "True Grit"
Jacki Weaver, "Animal Kingdom"

Best director

Darren Aronofsky, "Black Swan"
David Fincher, "The Social Network"
Tom Hooper, "The King's Speech" - VENCEDORDavid O. Russell, "The Fighter"
Joel and Ethan Coen, "True Grit"

Best animated feature

"How to Train Your Dragon"
"The Illusionist"
"Toy Story 3" - VENCEDOR

Best foreign-language film

"Biutiful" (Mexico)
"Dogtooth" (Greece)
"In a Better World" (Denmark) - VENCEDOR"Incendies" (Canada)
"Outside the Law" (Algeria)

Screenplay (original)

"Another Year," written by Mike Leigh
"The Fighter," written by Scott Silver, Paul Tamasy and Eric Johnson. Story by Keith Dorrington, Paul Tamasy and Eric Johnson
"Inception," written by Christopher Nolan
"The Kids Are All Right," written by Lisa Cholodenko and Stuart Blumberg
"The King's Speech," screenplay by David Seidler - VENCEDOR
Screenplay (adapted)

"127 Hours," screenplay by Danny Boyle and Simon Beaufoy
"The Social Network," screenplay by Aaron Sorkin - VENCEDOR"Toy Story 3," screenplay by Michael Arndt. Story by John Lasseter, Andrew Stanton and Lee Unkrich
"True Grit," written for the screen by Joel and Ethan Coen
"Winter's Bone," adapted for the screen by Debra Granik and Anne Rosellini

Music (original score)

"How to Train Your Dragon," John Powell
"Inception," Hans Zimmer
"The King's Speech," Alexandre Desplat
"127 Hours," A.R. Rahman
"The Social Network," Trent Reznor and Atticus Ross - VENCEDORBest music (original song)

"Coming Home" from "Country Strong," music and lyrics by Tom Douglas, Troy Verges and Hillary Lindsey
"I See the Light" from "Tangled," music by Alan Menken, lyrics by Glenn Slater
"If I Rise" from "127 Hours," music by A.R. Rahman and lyrics by Dido and Rollo Armstrong
"We Belong Together" from "Toy Story 3," music and lyrics by Randy Newman - VENCEDOR
Art direction

"Alice in Wonderland," production design: Robert Stromberg; set decoration: Karen O'Hara - VENCEDOR"Harry Potter and the Deathly Hallows -- Part 1," production design: Stuart Craig; set decoration: Stephenie McMillan
"Inception" production design: Guy Hendrix Dyas; set decoration: Larry Dias and Doug Mowat
"The King's Speech" production design: Eve Stewart; set decoration: Judy Farr
"True Grit" production design: Jess Gonchor; set decoration: Nancy Haigh

Cinematography

"Black Swan," Matthew Libatique
"Inception," Wally Pfister - VENCEDOR"The King's Speech," Danny Cohen
"The Social Network," Jeff Cronenweth
"True Grit," Roger Deakins

Costume design

"Alice in Wonderland," Colleen Atwood - VENCEDOR"I Am Love," Antonella Cannarozzi
"The King's Speech," Jenny Beavan
"The Tempest," Sandy Powell
"True Grit" Mary Zophres

Best documentary (feature)

"Exit Through the Gift Shop," Banksy and Jaimie D'Cruz
"Gasland," Josh Fox and Trish Adlesic
"Inside Job," Charles Ferguson and Audrey Marrs - VENCEDOR"Restrepo," Tim Hetherington and Sebastian Junger
"Waste Land," Lucy Walker and Angus Aynsley

Best documentary (short subject)

"Killing in the Name,"

"Poster Girl,"

"Strangers No More," Karen Goodman and Kirk Simon - VENCEDOR"Sun Come Up," Jennifer Redfearn and Tim Metzger
"The Warriors of Qiugang," Ruby Yang and Thomas Lennon

Film editing

"Black Swan," Andrew Weisblum
"The Fighter," Pamela Martin
"The King's Speech," Tariq Anwar
"127 Hours," Jon Harris
"The Social Network," Angus Wall and Kirk Baxter - VENCEDOR
Makeup

"Barney's Version," Adrien Morot
"The Way Back," Edouard F. Henriques, Gregory Funk and Yolanda Toussieng
"The Wolfman," Rick Baker and Dave Elsey - VENCEDOR
Best short film (animated)

"Day & Night," Teddy Newton
"The Gruffalo," Jakob Schuh and Max Lang
"Let's Pollute," Geefwee Boedoe
"The Lost Thing," Shaun Tan and Andrew Ruhemann - VENCEDOR"Madagascar, carnet de voyage," Bastien Dubois

Best short film (live action)

"The Confession," Tanel Toom
"The Crush," Michael Creagh
"God of Love," Luke Matheny - VENCEDOR"Na Wewe," Ivan Goldschmidt
"Wish 143," Ian Barnes and Samantha Waite

Sound editing

"Inception," Richard King - VENCEDOR"Toy Story 3," Tom Myers and Michael Silvers
"Tron: Legacy," Gwendolyn Yates Whittle and Addison Teague
"True Grit," Skip Lievsay and Craig Berkey
"Unstoppable," Mark P. Stoeckinger

Sound mixing

"Inception," Lora Hirschberg, Gary A. Rizzo and Ed Novick - VENCEDOR"The King's Speech," Paul Hamblin, Martin Jensen and John Midgley
"Salt," Jeffrey J. Haboush, Greg P. Russell, Scott Millan and William Sarokin
"The Social Network," Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick and Mark Weingarten
"True Grit," Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff and Peter F. Kurland

Visual effects

"Alice in Wonderland," Ken Ralston, David Schaub, Carey Villegas and Sean Phillips
"Harry Potter and the Deathly Hallows -- Part 1," Tim Burke, John Richardson, Christian Manz and Nicolas Aithadi
"Hereafter," Michael Owens, Bryan Grill, Stephan Trojanski and Joe Farrell
"Inception," Paul Franklin, Chris Corbould, Andrew Lockley and Peter Bebb - VENCEDOR

Iron Man 2," Janek Sirrs, Ben Snow, Ged Wright and Daniel Sudick

Os belos James Franco e Anne Hathaway apresentam o Oscar hoje às 22: 00 pela TNT, direto do Kodak Theatre de Los Angeles. ...


Os belos James Franco e Anne Hathaway apresentam o Oscar hoje às 22: 00 pela TNT, direto do Kodak Theatre de Los Angeles.


Dia de Oscar, é dia de Festa, por mais eu tenha uma relação de amor e ódio pela Academia, classicista e lobista. Dessa vez, fizeram a besteira do século na premiação: deixaram Christopher Nolan, o esplêndido cineasta da obra prima A Origem (Inception, 2010) de fora da categoria de melhor diretor. Por outro lado, não esqueceram de indicar ótimos filmes à acirrada competição do melhor prêmio da noite, o de melhor filme. Dentre os favoritos do bolão cinematográfico, destacam-se O Discurso do Rei, de Tom Hoooper, A Rede Social , de David Fincher, Cisne Negro de Darren Aronofsky e o meu queridinho A Origem. De maneira geral, o balanço do ano foi positivo na categoria mestra. Temos Bravura Indômita, o clássico western pelo olhar apurado dos Irmãos Coen, Toy Story 3, a emocionante despedida de Woody, Lightyear e Cia, a volta de Danny Boyle com a vibe dramática 127 horas e um James Franco brilhante, o drama de um casal de lésbicas, interpretadas por Annete Benning e Julianne Moore às voltas com a educação dos filhos em Minhas mãe e meu pai, o arrebatador suspense Inverno da Alma que corre na contramão das previsíveis indicações de drama pela Academia e o emocionante O Vencedor, com uma atuação fantástica de Christian Bale. Como podem ver, há lugar para tudo até mesmo entre os convencionais da Academia que, ao emplacarem 10 indicados na categoria melhor filme, popularizam a premiação para todos os gostos cinéfilos possíveis.



Na seara das apostas, posto abaixo quem eu quero que ganhe, quem vai ganhar e as raras mas possíveis surpresas. Desejo a todos uma ótima noite de Oscar e não esqueçam que a Maratona Oscar 2011 no MaDame Lumière continuará nessa semana, afinal, há tempo para tudo na vida de uma MaDame ocupada como eu. Há tempo para assistir filmes e tempo para escrever sobre eles debaixo desse céu lindo e estrelado da sétima Arte.



Melhor filme
Quero que ganhe: A Origem (Inception)
Vai ganhar: O Discurso do Rei (The King's Speech)
Surpresa: A Rede Social (The Social Network)
Melhor ator principal
Quero que ganhe: Colin Firth, O Discurso do Rei
Vai ganhar: Colin Firth, O Discurso do Rei
Surpresa: James Franco, 127 horas
Melhor atriz principal
Quero que ganhe: Natalie Portman, Cisne Negro
Vai ganhar: Natalie Portman, Cisne Negro
Surpresa: Jennifer Lawrence, Inverno da Alma
Melhor ator coadjuvante
Quero que ganhe: Christian Bale, O Vencedor
Vai ganhar: Christiane Bale, O Vencedor
Surpresa: Geoffrey Rush, O Discurso do Rei
Melhor atriz coadjuvante
Quero que ganhe: Melissa Leo, O Vencedor
Vai ganhar: Hailee Steinfield, Bravura Indômita
Surpresa: Helena Bonham Carter, O Discurso do Rei
Melhor Diretor
Quero que ganhe: David Fincher, A Rede Social
Vai ganhar: David Fincher, A Rede Social
Surpresa: Tom Hooper, O Discurso do Rei
Melhor Animação
Quero que ganhe: Toy Story 3
Vai ganhar: Toy Story 3
Surpresa: Como treinar o seu dragão
Melhor filme estrangeiro
Quero que ganhe: Em um mundo melhor (In a better world)
Vai ganhar : Em um mundo melhor (In a better world)
Surpresa: Biutiful
Melhor roteiro original
Quero que ganhe: A Origem
Vai ganhar: O Discurso do Rei
Surpresa: A Origem
Melhor roteiro adaptado
Quero que ganhe: A rede Social
Vai ganhar : A rede Social
Surpresa: Toy Story 3
Melhor trilha sonora original
Quero que ganhe: A Origem, Hans Zimmer
Vai ganhar: O Discurso do Rei, Alexandre Desplat
Surpresa: A Rede Social, Trent Reznor e Atticus Ross
Melhor canção original
Quero que ganhe: If I rise,127 horas
Vai ganhar : I See the Light, Enrolados
Surpresa: We belong together, Toy Story 3
Melhor direção de arte
Quero que ganhe : O Discurso do Rei
Vai ganhar: O Discurso do Rei
Surpresa: Alice no país das maravilhas
Melhor fotografia
Quero que ganhe: Bravura Indômita, Roger Deakins
Vai ganhar: Bravura Indômita, Roger Deakins
Surpresa: O Discurso do Rei, Danny Cohen
Melhor Figurino
Quero que ganhe: Alice no País das Maravilhas
Vai ganhar: Alice no país das Maravilhas
Surpresa: O Discurso do Rei
Melhor montagem
Quero que ganhe: A rede social
Vai ganhar: A rede social
Surpresa: O Vencedor
Melhor Maquiagem
Quero que ganhe: The Way back
Vai ganhar: O Lobisomen
Surpresa: The Way back
Melhor som
Quero que ganhe: A Origem
Vai ganhar: A Origem
Surpresa: Toy Story 3
Melhor mixagem de som
Quero que ganhe: A origem
Vai ganhar: A Origem
Surpresa: Bravura Indômita
Melhores Efeitos visuais
Quero que ganhe: A Origem
Vai ganhar: A Origem
Supresa: Harry Potter e as Relíquias da morte - parte 1

"Você tem que pagar por tudo nesse mundo, de uma forma ou de outra. Não há nada livre, exceto a graça de Deus". ...




"Você tem que pagar por tudo nesse mundo, de uma forma ou de outra. Não há nada livre, exceto a graça de Deus".

Ao assinarem o roteiro e a direção do contemporâneo remake de Bravura Indômita, faroeste protagonizado por John Wayne em 1969,
os irmãos Coen não fizeram somente mais um filme objetivo, fluído e divertido, mas realizaram uma excelente homenagem a esse clássico e ao gênero western, entregando ao público um filme oxigenado com o frescor e bom humor que somente Joel e Ethan Coen poderiam trazer à sétima Arte. Nessa bela refilmagem, os cineastas se mantém fiéis à literária obra prima de Charles Portis, realizam mais uma sublime parceria com o diretor de fotografia Roger Deakins (de Onde os fracos não têm vez) e contam com um atrativo elenco: Jeff Bridges, Matt Damon, Josh Broslin e a novata emergente Hailee Steinfield, revelação do Oscar ao ser indicada à melhor atriz coadjuvante com apenas 15 anos de idade.

O viés da história é um material ideal que serve como um playground para os irmãos Coen. Tem violência, drama, humor negro, punição, justiça e vingança e uma poesia rústica que, nos olhares dos diretores e de uma esplêndida fotografia, fazem de Bravura Indômita uma moderna reinterpretação do clássico dirigido por Henry Hathaway. A história gira em torno de Mattie Ross (Steinfield), uma garota de 14 anos que perdeu seu pai, assassinado por Tom Chaney (Josh Broslin) que meteu-lhe uma bala na cabeça, roubou alguns dólares e um cavalo. Sendo uma menina de personalidade decidida e madura, Mattie quer justiça e está disposta a vingar a morte do seu pai. Contrata Rooster Cogburn (Jeff Bridges), um xerife alcóolatra e decadente conhecido por ter 'True Grit' correndo nas veias. No começo, ele não quer trabalhar para a garota e, muito menos, deixá-la acompanhá-lo na jornada de vingança por terras perigosas, logo mais, aceita a bagatela de 2 moedas de ouro como recompensa pela missão, e partem para punir Chaney, com a ajuda do falastrão e corajoso Texas Ranger La Boeuf (Matt Damon).


Bravura Indômita teve um resultado surpreendente nas bilheterias considerando que é um western, um gênero para o qual muita gente torce o nariz e vira a cara. Dirigir um faroeste em um contexto atual de blockbusters facilmente descartáveis já é um ato de bravura indômita dos Coen mas também é uma atitude de quem sabe trabalhar com esse tipo de argumento e tem mais autonomia para escolher os seus projetos. Mais coragem é realizar o remake de uma lenda como John Wayne, que venceu o Oscar de melhor ator por essa performance. John Wayne é John Wayne, no entanto Jeff Bridges também é Jeff Bridges e não fez John Wayne se retorcer no túmulo de vergonha; está de novo na competição pelo Oscar de melhor ator principal, após ganhar no ano passado o prêmio por Coração Louco.





A película é um excepcional trabalho estético, um exercício de fazer Cinema a partir de imagens fílmicas que dispensam as palavras. A sequência na qual Cogburn carrega Mattie no colo é um exemplo fascinante do poder da imagem. Instantaneamente, a direção dos Coen e a primorosa fotografia de Deakins salvam o remake muito mais do que as atuações que, diga-se de passagem, são boas mas não são espetaculares. A técnica não deixa a emoção em segundo plano, no entanto é a técnica que prevalece, muito consciente. A verdadeira beleza de True Grit é adentrar o espelho que é a estética fotográfica na tela. É bem provável que o filme não teria o mesmo efeito se Deakins não estivesse no comando da direção de fotografia e não tivesse tanta proximidade aos Coen. Observamos suas texturas e cores, somos transferidos para aquele mundo distante, rústico e aventureiro, de homens bêbados e sujos e garotas solitárias e destemidas, compartilhamos da mesma jornada, torcemos pela justiça de uma orfã de pai, simpatizamos por um beberrão de um olho só, nos emocionamos com a indomável superação de Cogburn, cavalgando pela soturna atmosfera que parece não ter fim. A fita desperta emoções a partir dos antagonismos: ele é um misto de realismo e surrealismo, de não ficção e ficção, de vingança pelo preço de duas moedas de ouro e de brincadeira de velho oeste. Só há uma emoção que transita entre os dois pólos: que a punição venha a qualquer custo
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Avaliação MaDame Lumière




Chances para o Oscar:Merece ganhar o Oscar de Melhor Fotografia para Roger Deakins,categoria que tem mais mérito e oportunidade de ganhar.
Título original: True Grit
Origem: USA
Gênero: Faroeste, Western
Duração: 110 min
Diretor: Joel and Ethan Coen
Roteirista(s): Joel and Ethan Coen
Elenco: Jeff Bridges, Matt Damon, Josh Broslin, Hailee Steinfield

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