sábado, 18 de maio de 2013

Festival Varilux de Cinema Francês: Aconteceu em Saint Tropez ( Des Gens qui s'embrassent) - 2013





 Para quem aprecia  um agradável e despretensioso Cinema Francês , a comédia é um dos gêneros mais bem vindos e marcantes das produções realizadas pela França e são valorizadas pela audiência que as aprecia tanto a ponto de se tornarem fenômenos de audiência. Leves e bem humoradas, de uns anos para cá, filmes como Potiche, E agora , onde vamos? E Os intocáveis misturam questões mais sérias como a independência da mulher, a religião e a deficiência física e unem o humor como uma das matérias catalisadoras para rir da própria seriedade e se emocionar com as variadas situações que vão da amizade ao amor.


Nessa temporada de  Festival Varilux de Cinema, um dos filmes mais aguardados, devido às críticas em 2012, é Aconteceu em Saint Tropez. Sob a batuta da cineasta Danièle Thompson, conhecida por Rainha Margot e por ligeiras comédias de costumes, a diretora usa a seu favor sua veia genética de cineasta,  sua experiência como roteirista  e as influências judaicas para realizar uma divertida comédia  com abordagem familiar, que mistura romance e uma reflexão sobre o amor e a tolerância.





A história conta as desavenças de 2 irmãos de família origem judia, mas que levam a vida de formas bem diferentes.  Para viver estes dois irmãos, Danièle tem no elenco a presença de dois atores bem comediantes, o que facilitou a produção. Zef (Eric Elmosnino) é um musicista judeu, mais tradicional, que se torna viúvo após a esposa ser atropelada. Roni (Kad Merad) é um empresário hedonista do ramo de luxo. Às vésperas do casamento  da filha de Roni, a esposa de  Zef falece, situação dramática que, em um roteiro francês se transforma em motivo de riso. Para apimentar mais ainda os efeitos piadistas, as 2 primas, as belas Lou de Laâge e Clara Ponsot tem 1 amor em comum:  Sam , interpretado pelo também comediante Max Boublil. A voluptuosa Monica Bellucci faz o papel de Giovanna,  esposa de Roni e de origem católica. Ela é a personificação da mulher dona de casa  vaidosa e fútil mas de bom coração. O grande destaque cômico é Aron (Ivry Gitlis), o pai dos irmãos, já senil, que garante tiradas muito engraçadas. Também virá dele as lembranças dos filhos e a sabedoria sobre a união.





Apesar das diferenças entre os familiares, ora em irônico e suave pé de guerra, ora em demonstrações afetivas de que somente o amor e a tolerância os mantêm unidos, roteiro é desenvolvido com uma direção bem descontraída, em planos cotidianos ou advindos de momentos coletivos em família: : um jantar de aniversário, uma festa no barco, um casamento, um enterro etc. Estas situações  também  servem de contexto claro para marcar as diferenças de estilo de vida entre os irmãos. As delícias do filme são que, ainda que seja uma comédia mais americanizada com direito a momentos de comédia romântica, ele é um filme para emocionar e ressaltar que todos somos diferentes uns dos outros e erramos como família, mas ainda somos uma família que precisa ser tolerada para ser uma família de verdade. Além dos ótimos atores como Eric, Kad e Ivry, o texto piadista sem ser tão medíocre faz com que o público se torne íntimo dessa família e ria das situações que, por padrão, deveriam arrancar tensas e melancólicas expressões. 




Além da abordagem família, Aconteceu em Saint Tropez é uma comédia sobre o amor, aquele que perdemos como o da esposa que falece; aquele que ganhamos ainda que tentemos escapar dele; aquele que precisamos manter para seguir adiante. Sem dúvidas, é um filme sobre o amor e a tolerância e o seu desfecho reforça tal condição. Alguns personagens são utilizados em momentos certeiros para selar a necessidade  de união:  ainda que os irmãos Se alfinetem, as primas se mantêm unidas. Ainda que o velho patriarca esteja caducando, dele vem a sábia e lúcida paternidade. Daniele cria formas de unir a família e, automaticamente, o público é inserido nos costumes, ora hedônicos, ora religiosos. Com sua origem judia, a cineasta soube brincar com as diferenças dos laços familiares sem ofender a religião.





Aconteceu em Saint Tropez só repete a agradabilidade proporcionada por uma ligeira porém reflexiva comédia de costumes Francesa e, portanto vale o ingresso. O fato de todas as famílias terem seus desentendimentos e alternarem momentos de amor e raiva transforma o longa em um produto eficaz já que o público se identifica com ele. Também é interessante perceber que, embora Daniele poderia ter polemizado mais as rixas familiares e incluir mais humor negro no roteiro, a comédia cumpre um papel mais comercial, sendo facilmente digerido por pessoas que não apreciam o cinema Europeu em comparação ao cinema Americano, mas que podem começar a tomar mais familiaridade com  a forma francesa de realizar comédias, que costuma render boas bilheterias com muito mérito.

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