terça-feira, 20 de novembro de 2012

O amante da Rainha (En kongelig affære / The Royal Affair) - 2012





Histórias visionárias de liberdade e justiça para uma nação e românticas de amores proibidos e impossíveis sempre conquistam quando se trata de um drama histórico como O Amante da Rainha, filme Dinamarquês que conta um período da realeza Dinamarquesa no século XVIII, governada pelo insano Rei Christian VII  (Mikkel Boe Følsgaard) casado com a jovem Inglesa Caroline Mathilde (Alicia Vikander) em mais uma relação construída sem amor e com rachaduras para a traição, na qual surge Johann Friedrich Struensee (Mads Mikkelsen), charmoso e libertário médico alemão com ideias iluministas. Ele se torna médico oficial do palácio, melhor amigo do Rei e amante da Rainha, encerrando um triângulo amoroso de consequências revolucionárias e dramáticas. O filme também é uma forma de ver o Cinema Dinamarquês com outros olhos, com menos experimentalismo e  realismo contemporâneo, considerando que optaram por retratar um drama de época inspirado no romance de Bodil Steensen-Leth.
 
 
 
 
 
 
Sob a batuta de Nikolaj Arcel e representante da Dinamarca para o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2012, O Amante da Rainha tem uma ambientação inspiradora, com uma direção de Arte que privilegia a beleza da época com seus figurinos que transitam entre a elegância da aristocracia endinheirada e a decadência do povo e uma fotografia evocativa que favorece o retrato do período histórico. Embora não seja de todo um filme exclusivo pois dramas semelhantes como A outra, a jovem Vitoria, a duquesa, entre outros, de jovens rainhas que se casam sem amor, tem reis que coabitam com elas de forma violenta e protocolar e se envolvem com amantes revolucionários, o longa tem o charme visual de um drama de época e inspira à medida que o expectador vê pessoas que quebram as normas de uma sociedade convencional e que buscam o amor, a liberdade e a justiça. No caso de Johann e Caroline, ambos são estrangeiros em um país que agora lhes é uma pátria. Muito mais do que uma história de traição e de amor, eles são o casal que se une por afinidades filosóficas e por uma nação melhor, ainda que tais ideais e comportamentos lhe tragam tragédias bem particulares, portanto, o que seria um simples roteiro mais do mesmo, torna-se um belo exercício de libertação por uma Dinamarca menos prosaica.
 
 
 
 
 
No decorrer da narrativa,  o qualidade do roteiro não deixa escapar os comportamentos típicos do período como manobras políticas, traições, separações, mortes, sexo, etc, assim como a vilania de bons coadjuvantes Juliane Marie (Trine Dyrholm), a madastra do rei, e  Ove (David Dencik), aristocrata religioso e maquiavélico que são responsáveis por tramar reviravoltas na história;  além do mais, o diretor garante cenas que são filmadas com beleza ímpar como a dança entre Caroline e Johann em um momento câmera lenta de sublime romantismo e  a cavalgada nos arredores da Casa Real quando começam a se conhecer e que os tira do aprisonamento das paredes que os cercam; porém o que agrega bastante valor à história é  unir o Rei Christian VII, sua esposa e o amante da esposa em uma relação próxima de amizade que, em dado momento do longa, coloca a liberdade  de ideias e as melhores condições ao povo acima dos dramas pessoais da realeza. Johann se torna o melhor amigo e conselheiro do Rei e, embora, ame Caroline, é possível perceber como a relação de ambos é verdadeira e como ele é sensível o suficiente para cuidar e gostar de um Rei insano.  Ainda que  haja em foco um amor proibido e uma infidelidade de um amigo e de um jovem esposa ao Rei, essa amizade coopera para aproximá-los e humanizá-los, afinal, há sentimentos que não podem ser contidos.
 
 
 
 
 
 
As atuações do trio são boas e harmônicas, mas não extraordinárias, com exceção da maturidade do ator Mads Mikkelsen, que é sempre um espetáculo à parte e é um ator símbolo do Cinema Dinamarquês. Mikkel Boe faz um papel de um rei bem abobalhado que arranca alguns risos, de uma forma mais forçada, por ele ser um rei muito imbecil para dirigir uma nação. Existem momentos que sua insanidade dá pena, por isso ele não é um rei tipicamente tirano. Sua atuação lhe rendeu, por incrível que pareça, um Berlinade de melhor ator em 2012. Dentro do contexto da história e dos personagens, a interpretação de Alicia Vikander tem solidez  e delicadeza para uma jovem rainha que precisa ser também discreta e contida, mas ela não é marcante e experiente em comparação a outras atrizes que poderiam exercer um papel dessa natureza. Ela não transparece muita personalidade  para representar um papel de mulher que trai o rei da Dinamarca e inicia mudanças para uma nação, além disso talvez outra atriz europeia tivesse mais química sexual com o charmoso  e experiente Mads Mikkelsen. Apesar dessas observações, a direção de atores é competente.
 
 
 
 
 
 
Como história de amor, O amante da Rainha é uma excelente opção de filme para emocionar por motivos idealistas como o amor, a liberdade e justiça.  É convidativo ver um casal que se ama e habita em um ambiente de aparências e de convencionalismo no qual não podem ficar juntos. As impossibilidades de uma relação são atemporalmente catárticas e emotivas. O Cinema é uma bela forma de representar esse tipo de drama que acometeu várias mulheres da realeza que se apaixonaram por homens intelectuais e libertários e muitas lágrimas e sangue foram derramados. O longa é um drama que, em seu desfecho, entrega a tragédia e a esperança, despertando sentimentos distintos de que o amor é transformador mas também trágico.
 
 
 
 
 
 
 
Ficha técnica do filme no ImDB
 

4 comentários:

  1. Fiquei interessado em assistir ao filme Madame. O Mikkelsen é um baita ator. Acompanho o que ele faz um tempo, desde Cassino Royale onde interpretou um vilão marcante de James Bond.

    Beijos.

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  2. Adoro histórias sobre a corte! Adoro filmes de época! Não conhecia ainda esse filme, mas muito me interessei sobre ele, especialmente depois de ler o seu texto!

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  3. Ótimo filme e grande atuação de Mads. Nesses meses de férias de fim de ano, tenho tentado assistir aos filmes que consigo encontrar dele e esse é um dos mais bonitos... recomendo!

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  4. Elogiou bastante, hein, Madame?
    Vou procurar ver sim :D

    Madame: feliz natal e um próspero ano novo!
    Beijão!

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