sábado, 26 de março de 2016

Presságios de um crime (Solace, 2015), de Afonso Poyart





Por Renato Alves
Jornalista, historiador e escritor de quatro contos independentes.
 
 
David Fincher sacudiu o gênero suspense com serial killer ao apresentar “Seven – Os Sete Pecados Capitais”. O público ficou chocado nos cinemas e os críticos aplaudindo a ousadia e inteligência de um roteiro tão bem construído, onde herói e vilão se dão bem e mal ao mesmo tempo. A dificuldade da sétima arte é que não se cai uma “bomba nuclear cinematográfica” dessa por ano nas salas de cinema. Raramente essas explosões acontecem.

Quando Afonso Poyart apresentou “2 Coelhos” o cinema Brasileiro sentiu uma colisão, parcialmente semelhante, ao trabalho de Fincher. Como o sucesso foi bem recebido era óbvio que o diretor fosse convidado para realizar um trabalho internacional e “Presságios de um Crime” é o suspense de estreia de Poyart no mercado americano.
 
 

 
 

O filme pode ser analisado por duas perspectivas: a de quem esperava um novo “2 Coelhos” ou de quem sabia que o cineasta brasileiro teria que se adaptar às restrições, ou seja, nada de trabalho tão revolucionário.

“Presságios de um Crime” não é “Seven - Os Sete Pecados Capitais”, ou seja, não será uma produção aplaudida de pé pela maioria dos críticos ou um choque cinematográfico para o público em geral. Isso, no entanto não quer dizer que o filme não mereça elogios e algumas pontuadas críticas negativas.

Os aplausos e louvores vão para:

  •      Direção de Afonso Poyart, que funciona de forma digna; no diálogo entre o herói e o vilão numa mesa de bar se percebe o trabalho do cineasta brasileiro e sua enorme qualidade em direção de atores;

 
  •         Fotografia, em alguns momentos, na qual se mescla padrão e ousadia, natureza e pressão da selva de pedra;

 
  •         Anthony Hopkins faz um trabalho correto, mesmo não sendo espetacular;

 
  •         Trilha sonora tem bons momentos.

 
  •         Colin Farrell – ele entra e rouba o filme. No momento em que seu personagem surge na trama, a narrativa ganha alma, vida, um rosto do anjo. Seja a face angelical do bem ou do mal.


As decepções ficam com Jeffrey Dean Morgan (‘Possessão’) e  Abbie Cornish (‘Sucker Punch’).  Eles estão totalmente no automático e sem brilho, apesar do talento. Outro ponto que poderia ter sido construído de forma mais eficiente é a edição. Falta ritmo ao filme, porém esses deslizes não impedem que o suspense mereça uma visita.



 

“Presságios de um Crime” possui roteiro de Peter Morgan que não entra na lista de aplausos e gracejos por alguns clichês que deveriam ser evitados: policial em busca de parceiro experiente que fugiu da vida social por trauma pessoal, por exemplo. O filme possui dois ou três bons momentos de humor, leveza. O final em si também poderia ter tido mais coragem, ousadia. Se Fincher em seus pecados capitais derrubou heróis e vilões a história de Morgan poderia ter tido uma pitada desse atrevimento para nos apresentar. Ao não fazer atrevimentos a obra não merece vaias, apenas perde a chance de ter feito mais impacto e um barulho ensurdecedor.
 
 


Ficha técnica do filme no ImdB Presságios de um crime
Distribuição no Brasil por Diamond Filmes

5 comentários:

  1. Vi em dvd, genérico e recomendo. Boa surpresa. Daria nota 8.

    Marcelo Lubieska

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  2. Anthony Hopkins é meu ídolo....amei o trabalho dele.

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  3. Assisti e gostei. Poderia ser mais impactante. Mas, é um bom sessão da tarde.

    P. L. Rosendo

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