Gravidade é uma ficção científica que aborda basicamente a questão da sobrevivência, porém não é qualquer filme. Ocorre no espaço sideral com a direção precisa de Alfonso Cuarón, que também assina o roteiro e tem a participação de George Clooney e Sandra Bullock, respectivamente como o tenente Matt Kowalsky e a engenheira e Dra Ryan Stone. Ele é um veterano astronauta e pretende se aposentar após essa missão. Ela é novata e está em sua primeira missão no ônibus espacial Explorer. Precisam sobreviver após a nave ser danificada por detritos espaciais, o que os coloca em grave risco de vida, com pouco oxigênio e sem recursos no espaço. Caberá a Ryan Stone a esperança e os esforços de sobrevivência em excelente atuação e preparo físico de Sandra Bullock, que teve a forte responsabilidade de levar o filme nas costas e que deu a ela a oportunidade de concorrer ao Oscar 2014 como melhor atriz.
Vencedor do Globo de Ouro e do BAFTA como melhor diretor, Alfonso Cuarón fez um filme de muitos predicados que não necessariamente estão relacionados ao roteiro, mas muito mais em seu vigor técnico e precisão na direção. Considerando ser o típico filme de um personagem só e que está fincado a uma situação de desespero e sobrevivência na qual a esperança é essencial, ter o controle sob essa direção era fundamental para criar a tensão e o elo emocional com o público. A direção e edição trabalham juntas e o resultado é favorável em criar um clima de suspense em cortes certeiros, praticamente arrebatador no qual o público tem dificuldades de piscar os olhos diante da tela. A plasticidade do espaço é impecável e contribui muito para a sua qualidade visual, tanto que lhe rendeu 10 indicações ao Oscar, boa parte em categorias técnicas.
Em comparação aos seus concorrentes ao Oscar, Gravidade não é o melhor conjunto da obra, porém a direção faz a diferença substancialmente enquanto orquestrador do filme pois, a cada cena, o impecável controle criativo do cineasta é evidente. No geral, o encontro da direção, todos os aspectos técnicos e a narrativa da sobrevivência converge para uma maravilhosa experiência cinematográfica porque, no final, o grande ganho do filme é que a missão de Ryan Stone se torna a missão de qualquer um de nós. Ela evoca, em um lugar distante da Terra, que não importa onde estamos e qual a situação, a sobrevivência é uma necessidade diária e é um esforço muito mais individual e solitário. Não se escapa da solidão no infinito das muitas coisas e, portanto, estar sozinho no espaço é como estar sozinho na casa ou no trabalho, só muda o referencial geográfico.
Ótima análise.
ResponderExcluirPara mim "Gravidade" é justamente a prova de que um excelente trabalho de direção não necessariamente resulta no melhor filme do ano. Acho que "Gravidade" é um ótimo filme e naturalmente tem seu espaço em um Oscar com até dez produções indicadas a melhor filme, mas jamais lhe concederia favoritismo.
ResponderExcluirBjs
Rei,
ResponderExcluirVerdade! Pra mim é sempre interessante ver um filme que tem tantos predicados técnicos e de direção, mas que não é exatamente o melhor filme . Afinal, o que torna o filme o melhor? Eis a questão...
Bjs
Cris