segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Um filme, uma canção: Guarda-Costas (The BodyGuard - 1992), Run to you de Whitney Houston

Um filme, uma canção por Madame Lumière
a combinação inesquecível para uma nostálgica emoção




Por que nós, os grandes amantes do cinema, escutamos aquela trilha sonora de filme como se fosse a de nossa própria história de vida ou, de pelo menos, um momento dela? De ouvidos, olhos e coração bem abertos, enquanto as cenas daquele marcante filme são projetadas na tela, eis que surge aquela canção muito especial que mudará totalmente a nossa relação com o filme. Ele passa a ser mais emocionante, para o bem ou para o mal e estas emoções estão muito relacionadas ao quão nos entregamos à música do filme e como reagimos a ela.

Desde que me entendo por cinéfila e uma eclética amante da música, entendo bem o poder dela dentro de uma produção cinematográfica. É como notas em perfume, dando uma personalidade ao filme, despertando diferentes sensações, marcando minhas memórias para sempre. Por isso , um filme, uma canção é uma série de posts evocativos de minhas memórias cinéfilas musicais que passarei a postar aqui à medida que as lembranças me vêem à mente e ao coração. Quero aspirar o perfume deste filme-canção e relembrar o quanto estas produções cinematográficas tiveram um aroma único com uma marcante canção. Decerto, não vou resenhar o filme pois o post não tem este propósito, somente desejo lhes comentar o porquê da escolha da música o que, potencialmente, trará breves comentários sobre o enredo.



O filme Guarda-Costas foi um clásssico dos anos 90 para os corações apaixonados. O filme em que Frank Farmer (Kevin Costner) é guarda-costas da aclamada cantora Rachel Marron (Whitney Houston) e ambos se apaixonam perdidamente enquanto ele a protege de um psicopata é um dos romances imperfeitos mais perfeitos do cinema. E não entenda "imperfeito" de forma pejorativa, mas imperfeito porque quebra mais uma vez os velhos paradigmas das relações amorosas. Ela é rica, ele é pobre, ela é negra, ele é branco, ela é a chefe, ele é o empregado, ela é a vítima, ele é o herói. Lindo, não? Eles se amam, se atraem e se rechaçam embalados por uma trilha sonora inesquecível com destaque para o sucesso I will always love you de Whitney.

Eu estava em plena adolescência, idade que toda emoção, confusa e genuína demais, é multiplicada à décima potência e me apeguei ao meu CD The Bodyguard com todas as minhas passionais forças, já imaginando Kevin Costner me salvando do perigo iminente, inclusive me fazendo esquecer que existem caras reais e anti-ideais e que os imaginários do cinema são mais interessantes e poderiam me fazer uma adolescente mais feliz. Então, embalada por baladas românticas, cheguei a cantar muito I will always love you (por incrível que pareça até meus 20 anos, este hit era o meu sucesso em karaokês empresariais junto com o tema de Titanic de Celine Dion), no entanto Run to you , também de Whitney, marcou minha vida para sempre e, até hoje, tenho aquela compulsão musical clássica quando a ouço, aquela lá que se ouve uma faixa mais de 20 vezes, quase ininterruptamente
, incansavelmente.



Run to you tem uma intensidade maior pelo simples fato do verbo correr, esta ação mais ativa do sujeito em si é o que a torna minha canção, o correr para os braços do homem amado e simplesmente se entregar, deixar o amor aflorar. Além disso isso me fazia pensar em Frank Farmer, não mais correndo para cima e para baixo protegendo a Rachel pelo ofício, mas definitivamente, ela correria para ele, ela o protegeria também com seu amor e eles ficariam juntos, sem ameaças, sem neuras, sem formalidades. E os agudos de Whitney Houston em will you run away, run away... eram fantásticos, mais dramáticos neste ímpeto emocional de correr para o amor o quanto antes . E o vídeo? Ela vestida com um leve tecido transparente branco, correndo em uma atmosfera surreal envolvida por nuvens. Definitivamente, quem ficava nas nuvens era eu...




Créditos Photos : Bodyguard movie

sábado, 28 de novembro de 2009

Up Altas Aventuras - UP ( 2009)



Up Altas Aventuras, a mais nova animação do talentoso estúdio Pixar dirigida por Peter Doctor (de Procurando Nemo e Monstros SA) dá um UP em qualquer astral, principalmente naqueles que apreciam a magia da animação na insuperável sétima Arte. O filme da Pixar é o primeiro produzido no formato 3D Disney Digital e abriu o Festival de Cannes de 2009. É magnífico o que Pixar consegue fazer com a animação, cada vez mais criativa e cheia de realismo e, ainda trazer importantes valores humanos para nos fazer refletir sobre a vida, com direito a um empolgante riso e emocionantes lágrimas.




Up conta as aventuras de um idoso de 78 anos, Sr. Carl Fredricksen ( Edward Asner) que, após a morte de sua querida esposa Ellie, se vê prestes a perder sua tão especial casa localizada em um local no qual empresários estão construíndo modernos prédios e desejam vê-lo fora de lá o quanto antes. Após um incidente no qual ele bateu em um homem, ele é julgado e considerado uma ameaça pública a ser enviada diretamente para um asilo, no entanto, sem aceitar tal condição e, aproveitando o sonho que ele e a esposa tinham em ir à América do Sul, Mr. Fredricksen que é vendedor de balões, coloca vários deles em sua casa fazendo com que ela voe. Com esta casa-balão, ele começa suas grandes aventuras, acompanhado pelo garotinho de 8 anos chamado Russell (Jorgan Nagai) que, acidentalmente, estava na varanda da casa quando a mesma levantava vôo. Daí, também o começo de uma nova amizade que nos surpreenderá com adoráveis momentos. Eles passam por grandes aventuras, conhecem até mesmo Doug (um cachorro falante) e uma ave exótica( Kevin) com os quais têm uma verdadeira afeição e ainda tentam salvar suas próprias peles da fúria de um ex-explorador alucinado por raptar a Kevin e levá-la cativa como forma de reconhecimento público por seus atos exploratórios.



Apesar de eu adorar a criatividade e a formidável excelência das grandes animações, principalmente o quanto os estúdios Pixar inovaram a indústria do cinema, dificilmente eu as assisto. Com a falta de tempo e a lista enorme de filmes que desejo ver e rever, acabo deixando desenhos em segundo plano, o que de fato é um grande erro o qual pretendo corrigir. UP me encantou tanto desde o primeiro contato visual que tive com ele em um trailer na sala do Cinemark. Algo de mim dizia a mim mesma: "Assista este filme, de coração aberto e sem filosofar muito. Ele te dará uma mensagem muito especial relacionada aos seus sonhos e como devemos aproveitar o máximo da vida. Nunca é tarde para mudar alguns velhos comportamentos, dar chance à concretização de guardadas aspirações e escrever um novo capítulo da grande história que é a vida".
Pode parecer louco pensar assim, mas esta minha voz extra-interior me conhece bem mais do que eu a mim mesma.



Sr. Carl Fredricksen é o idoso mais jovem que eu conheci e faz todo o sentido o diretor colocar um idoso como protagonista porque ele quebra totalmente o paradigma de que, quando envelhecemos, definhamos demais para dar continuidade à qualquer tipo de projeto. Em UP, isso não existe e Carl é excepcionamente ativo, corajoso, maravilhoso. Desde o início do filme, embora ranzinza, ele tem um grande coração preenchido pelo amor por Ellie e seus sonhos. É encantador como ele ama sua esposa e está com ela até a morte. UP acaba nos mostrando esta trajetória de sua vida e de Ellie como um álbum de fotografia que passa diante de nossos olhos. Mas, como já sabemos, a vida tem perdas e Ellie falece, eles acabam não tendo filhos e muito menos indo às encantadoras cachoeiras da América do Sul, próximas às quais eles desejavam morar juntos.

Ele é tomado por uma iniciativa que chega a ser engraçada pois ele se torna um fugitivo começando sua vida do zero. É interessante ver que uma circumstância externa (o fato de ter que ir para um asilo e ver sua casa destruída), faz com que ele tome uma iniciativa, talvez ele não a tomaria se ele não tivesse neste ambiente externo pondo em risco sua própria liberdade, seu próprio lar e, neste aspecto, tem horas que precisamos de um "chacoalhão". Independente de sua idade e sua perda afetiva, ele não se rende a ficar abandonado e deprimido em um asilo. Neste ponto, o filme ilustra o valor da casa, da família, do retrato de Ellie pendurado na parede que o acompanha até onde deve acompanhá-lo. Ele corre atrás de seu sonho de aventura e leva Ellie com ele, na figura da casa.




No decorrer do filme, ele se humaniza mais e mais e o final do filme é sublime neste novo
Sr. Carl Fredricksen que começa a escrever uma nova história de sua vida. Para quem nunca teve filhos e tem um humor arisco, o desenvolvimento da relação com Russell trará benefícios a ambos, os tornando uma nova família. De uma forma emocionante, Russel se torna como o filho adotado de Carl neste desfecho, o que permite que celebremos esta vitória do garotinho pois o filme deixa nítido que ele é um garoto com pai ausente, praticamente um menino sem atenção paterna, sem carinho, sem amor. O fim parece mostrar que ele encontrou um pai em Carl, no mínimo, um grande companheiro.



UP tem esta magia de mostrar que nunca é tarde para dar um UP na nossa vida e, muitas vezes, precisamos lembrar disso para não cair na paralisia cotidiana que destrói nossos projetos pessoais.
Eu eu me vi muito na figura de Carl porque, embora ainda jovem, sou levada pelo ímpeto de não desistir facilmente das coisas, de ter um ideal de família e de liberdade, de lealdade com os meus sonhos e de, por trás da aparente casca às vezes àspera como a de Carl, me ver como uma pessoa amorosa capaz de ajudar os outros, escrever novos capítulos da minha história com mudanças de atitudes. O filme me animou muito sob este aspecto, principalmente, por ver um senhor tão cheio de iniciativa e coragem e que também precisava encontrar uma nova família, pessoas a quem dedicar-se após a morte de Ellie. Fiquei a pensar naquelas viagens nas quais quero me aventurar mas não tenho nem dinheiro, nem tempo e nem perspectiva de viajar no curto e médio prazos, então UP também renovou meus sonhos de viajar por inesquecíveis lugares que sempre fizeram parte dos meus pensamentos e o que eu preciso fazer para dar continuidade aos meus projetos. Nunca é tarde para se aventurar em nossos sonhos os tornando reais.

Por Madame Lumière

Avaliação Madame Lumière





Título Original: UP
Origem: Estados Unidos
Gênero(s): Ação, Aventura,Animação, Família
Duração: 96 min
Diretor(a): Pete Docter, Bob Peterson
Roteirista(s): Pete Docter, Bob Peterson, Thomas McCarthy
Elenco: Edward Asner, Christopher Plummer , Jordan Nagai, Bob Peterson, Delroy Lindo, Jerome Ranft, John Ratzenberger, David Kaye, Elie Docter, Jeremy Leary, Mickie McGowan, Danny Mann, Donald Fullilove, Jess Harnell, Josh Cooley


Créditos fotos: UP

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Amantes ( Two Lovers) - (2008)



Ultimamente ou eu estou muito exigente com os filmes que assisto ou eles são realmente um desastre. A vontade que tenho é desligar o DVD ou sair da sala de cinema querendo meu dinheiro de volta. Um deles é Amantes pelo qual eu tinha uma grande expectativa (e como os trailers nos enganam... às vezes, vale mais a pena assistí-los que ao próprio filme). O filme acabou sendo uma outra decepção que não agregou tanto ao meu universo cinéfilo como eu esperava, principalmente ao meu universo sobre a análise das relações humanas através do cinema aferindo se o enredo propôs algo revelador e quão profundo isso pode nos afetar.

Idéias e comportamentos que vão contra o padrão engessado e cheio de clichês é sempre mais interessante para mim e, em Amantes, os mesmos dramas dos amantes se repetem com as mesmas frustrações e os mesmos fechamentos de ciclos que só desperdiçam as expectativas de quem sofre e, no final, todos optam por viver suas vidas igualmente problemáticas que não têm nenhuma relação com o que desejam seus corações machucados, mesmo que isso traga algum potencial alívio (mas quem garantirá?). Sou uma libertária, até mesmo para despertar a mim mesma através do cinema, logo minha expectativa era que as personagens de Joaquin Phoenix e Gwyneth Paltrow não mantivessem o comodismo de suas escolhas, trilhassem um caminho novo. No final, o peixe não nadou bem e ainda morreu na praia e, a isso, refiro-me à personagem de Joaquim Phoenix.



Amantes é a história de Leonard (Joaquin Phoenix), um homem deprimido que já tentou se suicidar por conta de sua decepção amorosa do passado e, agora, se vê dividido entre duas novas mulheres : Michelle (Gwyneth Paltrow), uma mulher de problemático histórico que envolve drogas e falência familiar e, ainda tem um amante executivo que paga o aluguel de seu apartamento, a controla e promete a ela largar a esposa mas não o faz, pelo menos, não no começo do filme. A outra mulher é Sandra (Vinessa Shaw), a amável e dócil nova namorada de Leonard, cujos pais estão em vias de ter uma sociedade o que favorece ainda mais a união do casal.

Estar "dividido" não é uma informação verídica na sinopse do filme porque, desde o início, Leonard se encantou por Michelle e já se apaixonou de imediato, logo para mim é bem claro que o filme não tem uma tensão sobre suas próprias escolhas amorosas em um triângulo amoroso intenso, porque ele só namora Sandra por conta de uma pressão familiar a qual ele acabou cedendo(talvez encantado pela doçura de Sandra ou por não ter outra opção, afinal Michelle está bem ocupada com o amante e se sente muito bem tendo Leonard como amigo disponível).

No decorrer do filme, Leonard se mostra um grande amigo com um senso de dedicação à família, à namorada e também à Michelle, logo apesar de demonstrar ser um cara meio esquisito, fora do convencional, ele acaba se tornando bem convencional com estas relações. Os pais se mostram bem controladores(há momentos que é triste ver tal controle) e ele se esquiva desta autoridade quando bem lhe interessa, principalmente na aproximação dele com Michelle, uma amizade que ainda traz a Leonard certas esperanças. Neste ponto, quando digo que ele nadou, nadou e nadou mal e ainda morreu na praia, quis dizer que ele simplesmente não se relaciona amorosamente com Michelle em boa parte do filme e, ainda assim não a tem efetivamente no fechamento do enredo; somente no final, ele tem algo mais carnal com ela de forma muito repentina e totalmente sem recíproco afeto no ato sexual (entenda aqui a famosa rapidinha que, sejamos sinceros, acabou acontecendo em um momento inconveniente).

Após um aborto, Michelle reflete sobre o seu papel de amante e termina o relacionamento com o executivo, oportunidade tal que é excelente para Leonard se declarar para ela. Eles transam e, de imediato, planejam fugir juntos. Obviamente ela não tem tanta opção (e é compreensível ela ter aceitado fugir com ele) , afinal sem dinheiro, sem apto, sem homem, o que lhe restava era Leonard ingênuo e surtado falando no ouvido dela "Eu te amo, vamos fugir juntos, eu vou cuidar de você" ! Ela dá um cano nele e volta para o ex-amante que decidiu largar a esposa. Ele fica umas horas vagando pela cidade com cara de que vai se matar e, finalmente, volta para os braços de Sandra. The End!



Não me odeie por contar o desfecho do filme (às vezes eu odeio fazer isso), mas ler o Madame Lumière implica estar preparado para estes relatos finais do enredo do filme, mesmo porque, minha intenção não é seguir um modelo de resenha crítica nem formalidades escritas. Eu simplesmente falo o que sinto no meu território livre o que me força a detalhar os pormenores que justificam minha opinião. Querido(a), o que é um desperdício total em Amantes é contar com os talentosos Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow e Isabella Rossellini (no papel de mãe de Leonard) de uma forma tão irrelevante porque, embora Joaquin e Gwyneth tenham uma ótima atuação, o enredo não os ajuda, em especial Rosellini que recebeu um papel tosco e bem secundário.

Michelle é uma mulher que dá pena porque, embora o filme não tenha mostrado a vida que ela tinha, ela era bem formada e o pai dela era cheio da grana. Ele perdeu tudo e isso teve desdobramentos no psicológico dela. Ela se envolveu com drogas, virou assistente de um escritório de advocacia do qual o amante é sócio e ainda mora de favor com um apartamento no Brooklin pago pelo amante. Ela pode até amar o amante, mas tudo parece indicar que ela é vulnerável, carente, sem grandes amigos e sem um tostão no bolso, logo permanecer com o executivo que a leva a restaurantes caros e óperas ainda é a melhor opção do que Leonard que, além de ter um histórico problemático, ainda é um cara jovem, que mora e trabalha com os pais. Enfim, acabei concluindo que Michelle não é tão burra, se deu muito bem no final e o ex-amante ainda era a melhor opção que ela poderia ter. Ela se deu tão bem que no final ainda deixou seu papel periférico de amante para ter um papel central: o de Sra oficial do executivo.



Isso indica que, o maior ingênuo nesta história é Leonard e, pelo menos na minha opinião, ele se engana até o fim porque acaba ficando com Sandra após ser dispensado por Michelle. Um desfecho que não se move tanto pelo que ele queria, mas pelo que sobrou para ele e ele aceitou. Acredito que o filme tenha a intenção de mostrar que, no final, as pessoas optam pelo que lhes trará uma possível felicidade, segurança e bem - estar e, sob este ponto de vista, eu acho que o filme passou uma mensagem interessante. Michelle optou por um homem que podia lhe dar um nível de vida ao qual ela estava acostumada. Leonard acabou optando por uma mulher que podia lhe dar um nível de vida também seguro: esposa dedicada com família estruturada e, de quebra, um negócio comum entre os pais e um futuro certo com decisão presente favorável, principalmente sem stress de mais perdas emocionais.

Quantos de nós optamos pelo que nos é favorável? Talvez esta seja a melhor escolha a fazer. Talvez seja a única a fazer... para encontrar certa salvação.


Por Madame Lumière


Avaliação Madame Lumière



Título Original: Two Lovers
Origem: Estados Unidos
Gênero(s): Drama
Duração: 110 min
Diretor(a): James Gray
Roteirista(s): James Gray, Ric Menello
Elenco: Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow, Vinessa Shaw, Moni Moshonov, Isabella Rossellini, John Ortiz, Bob Ari, Julie Budd , Elias Koteas, David Cale, Nick Gillie, Carmen M. Herlihy, Samantha Ivers, Anne Joyce, Mari Koda


Créditos fotos: Two Lovers

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A saga do Crepúsculo : Lua Nova ( The Twilight Saga: New Moon) - 2009


Verdadeiras Madames nunca perdem sua jovialidade expressa além da pele bem conservada pelo uso inteligente de filtro solar. São "vampiras" maduras, modernas e sofisticadas mas que mantêm um charme jovial e cativante, um Q de Mademoiselle que, por conseguinte, tem um Q de Jeune Femme(jovem garota). Mulher de verdade não deixa escapar aspectos pueris e adolescentes da sua doce feminilidade que, incluem, adorar histórias românticas e juvenis como o casal star do cinema atual, os apaixonados Edward Cullen (Robert Pattinson) e Bella Swan (Kristen Stewart) da aclamada Saga Crepúsculo, a mina de ouro da escritora Stephenie Meyer.




Por este motivo, gosto desta Saga e, confesso descaradamente, fico enlouquecida para ver todos os filmes ainda que saiba claramente que a história é muito simples - uma história de amor entre um vampiro e uma humana - com toda a ornamentação literária do amor exaltado, com juras de amor, suas dificuldades de plena realização e conflitos entre homens, vampiros e lobisomens. Não à toa, a obra de Stephenie Meyer é um produto altamente comercial para um público que facilmente adota ídolos fantásticos, mágicos, espirituais, medievais, etc assim como foi Harry Potter e O Senhor dos Anéis, com a diferença que a Saga Crepúsculo é muito mais marketeira com um enredo não muito ativo e muito mais mediano baseado no romance. O amor sempre vende livros. Vampiros também. Humanos seduzidos e apaixonados por vampiros vendem muito mais. E, de repente, vejo-me transmutada, sendo sugada pelo espírito das massas que amam a série.




No fundo, sou uma eterna romântica e passional madame, daquelas que sempre vivem um amor como se fosse o primeiro, fiel e apaixonadamente e, por isso, entendo como é sentir-se Bella. Deixo esta febre Crepusculiana ferver meu sangue meloso pelas dóceis declarações de amor entre Bella e Edward mas, para que me apredejem um pouco por ser um tanto realista demais, ainda tenho os pés no chão para lhes afirmar (e, os Twilighters na beira da loucura idólatra podem reclamar de mim como quiserem): Tanto Crepúsculo quanto Lua Nova foram filmes que, como a maioria caracterizada por filmes com continuação, deixaram a desejar e terminam me dando a impressão de que o filme não tem nexo, nem conteúdo e nem ação e, ainda tem o azar de não criar uma coesão tão imediata quanto é possível fazer ao ler e reler as sequências nos livros.



É triste ver que Lua Nova não encantou o suficiente superando os problemas do primeiro filme Crepúsculo o qual embora tenha causado a excitante expectativa de apresentar os personagens da saga, teve um fim non sense, deixando a audiência com aquela sensação "Já acabou? Não acredito que o fim do filme é este!". Imagine que, ao iniciar Lua Nova, eu estava a contemplá-lo como se fosse uma lua, brilhante, fascinante. Após Bella levar um fora no qual Edward a dispensa friamente, a lua foi ficando dark, negríssima. Quando Bella começou a ter uma amizade mais próxima com Jakob (Taylor Lautner), a lua começou a emitir uns pontos radiantes, mas a cada vez que Jakob tentava aproximar-se dela e ela se esquivava, a lua emitiva uma luz vermelha que não é de paixão, mas de irritabilidade, afinal eu ficava irada . E adivinha por quê? Porque Bella é fofa , tem cabelos que eu adoro e tem um estilo que eu aprecio, mas ela é cansativa em Lua Nova. Muito cansativa e cansa a minha beleza e a do Jakob, enrolando o pobre do menino lobo.


Os foras dela em Jakob foram uma tragicomédia e, os relacionamentos impossíveis têm estes requintes de sado-masoquismo. Sabe aquela história clássica de desencontros? João ama Maria, Maria ama José, José ama Aninha que ama João. Aqui o padrão se repete. Jakob ama Bella. Bella ama Edward. Edward ama Bella e lida com os conflitos da relação que nem ele mesmo consegue resolvê-los. Desencontros não me irritam, pelo contrário, já tive tantos que me sensibilizo com as personagens e seus amores de idas e vindas, certezas e incertezas. No entanto, nesta altura do filme, irritei-me com aquela enrolação amorosa de meninas complicadas . Eu sou complicada, mas sou prática e sensível com homens como Jakob. Bella representa a garota que, classicamente, diz no final do filme "Jakob, Eu te amo mas não me faça escolher porque será Edward, sempre foi Edward". Sentiu a incoerência? Eu a senti e também senti um desperdício de abdômem, bíceps e tríceps sarados por Jakob que eu, a loba segundo a Psicanálise, poderia tê-los prazerosamente em minha matilha.

Ainda que eu torça para o casal Swan e Cullen a tal ponto de querer somente vê-los na minha frente quando assisto a saga, acho péssimo como Jakob é usado por Bella para que ela não se sinta sem o amigo nos momentos de fossa juvenil que ela tem. Eu, no lugar dele, viraria o lobo mau , só que não comeria nem a vovó e nem a Bella. Pra quê? Mulher não gosta de cara muito fácil, mulher gosta de caras difíceis, imprevisíveis, nada óbvios. Independente disso, penso que ela se preocupa somente com ela e as neuras dela, ter o pobre coitado ao seu lado é cômodo, gerenciando a amizade e o amor não correspondido por ela e, tendo Edward Cullen indeciso ao lado dela enquanto ela tenta convencê-lo a transmudá-la à Srta Vampira Cullen. Enfim, apesar das coisas feias que Bella faz com o pobre do lobisomen, é engraçado ver os tipos de homens que ela se envolve - muito bizarros. Qual será a próxima criatura? Se for lindos, manda um pra cá. Adoro dentes caninos, mordidas de outro mundo.



Ainda que eu goste lealmente de um drama de amor bem açucarado com frases românticas, encontros e desencontros by Twilight, o que matou Lua Nova como filme (e eu já sabia por causa do livro) é o desaparecimento de Edward Cullen em boa parte desta produção. Ele é muito importante no cast para desaparecer assim, por isso, o filme perdeu o seu sabor vermelho, apetitosamente vampírico. Seriamente pensei que roteiristas otimizariam esta triste lacuna com algumas aparições extras, mas não. Infelizmente, não há tanto de Cullen para que contemplemos o romance do casal que é a mola propulsora de toda esta veneração global e poderia render um caldo. Além disso não há nem como desfrutar o triângulo amoroso e as tensões do mesmo, logo este triângulo amoroso é praticamente irrelevante no filme, ele simplesmente não existe na prática, pelo menos, não da forma que julgo excitante, ainda que dramatizante. A frustração de ver Edward Cullen somente 20-30 minutos antes de terminar Lua Nova é uma dentada além de um bofetão na cara da audiência mais criteriosa. Basicamente umas cenas finais nas quais Bella o salva de uma exposição vampírica pública, eles se abraçam e se beijam e, depois, ele apanha um pouquinho dos Vultori(clã poderoso de vampiros que, honestamente, pensei que ia dar mais trabalho no filme, propiciar bastante perigo e maldade, mas uma pena terem sido sub-utilizados), enfim nada realmente emocionante e bem ornamentado nos efeitos especiais que justifique sentirmos a dor no lugar de Edward.

Dor é esperar tanto por um lançamento e ver a lua dando risada na minha cara mas, como boa romântica e apaixonada pelo casal Bella e Edward, aguardo esperançosamente pelo Eclipse de 2010.

Por Madame Lumière

Avaliação Madame Lumière





Título Original: New Moon
Origem: Estados Unidos
Gênero(s): Fantasia, Romance
Duração: 130 min
Diretor(a): Chris Weitz
Roteirista(s): Stephenie Meyer, Melissa Rosenberg
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lutner, Ashley Greene, Peter Facinelli, Elizabeth Reaser, Kellan Lutz, Nikki Reed, Jackson Rathbone, Bronson Pelletier, Alex Meraz, Kiowa Gordon, Billy Burke,Chaske Spencer, Edi Gathegi

Créditos fotos: Lua Nova

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

2012 (2009)


Não é a primeira vez que o Brasil ou serve de rota de fuga para criminosos ou se destaca em alguma fatalidade em algum filme estrangeiro. Os gringos adoram isso e assim reside o país, na fronteira entre o paraíso e a caos. Em 2012, o recente blockbuster apocalíptico do diretor Roland Emmerich (de Independence Day e o Dia depois de amanhã), famoso por ter uma atração misteriosa por este tipo de filme catástrofe, o Cristo Redentor no Rio de Janeiro virá pó em uma cena emblemática para os loucos pelo Apocalipse cinematográfico. Imagino que ele goste tanto do Brasil que até o pôster do filme estampa um dos pontos turísticos brasileiros mais famosos no mundo e, o público brasileiro tem se mostrado bem fiel a 2012, um dos filmes mais vistos atualmente nas salas de cinema, o que não é uma surpresa para um povo que já vive o Apocalipse cotidiano há muito tempo e está calejado pelos problemas sócio-econômicos principalmente a violência de um contra o outro antecipada nas escrituras proféticas.



2012 cansa o entusiasmo de qualquer pessoa que, no mínimo, já assistiu este tipo de filme catástrofe e conhece bem o enredo básico deste tipo de produção. Mesmo com os supremos e exagerados efeitos especiais que justificam assistí-lo em tela GG , tão gigante quanto as mirabolantes destruições do filme, basicamente, 2012 é formado por um casting previsível: um cientista (Chiwetel Ejiofor) e/ou uma equipe que identifica as alterações geológicas e/ou astronômicas da Terra, um presidente dos Estados Unidos (Danny Glover, associado ao presidente Barack Obama ) e seu staff, um herói ( John Cusack) que se envolve na história, estando ligado à uma família, normalmente uma (ex)esposa (Amanda Peet) e crianças ( Morgan Lily e Liam James, a propósito roteiristas adoram colocar crianças nestes filmes, coitadinhas!) e pessoas, prédios, carros indo terra abaixo ou pelos ares. Acrescentado a isso, há uma esperançosa expectativa de que tudo dará certo no final do filme, mesmo após assistir cenas de um Juízo altamente "terminal", mesmo que o presidente já esteja participando de um plano de evacuação que, sempre prioriza uns aos invés de outros pela lei do "salve quem interessa" e, para a irônica verossimilhança entre outros filmes desta espécie, o presidente faz aquele discurso sentimental e se recusa a fugir. Alguém me passa meu charuto cubano antes que o mundo acabe?



2012 é tipicamente a grande produção de entretenimento a partir do caos. E o caos atrai as pessoas, principalmente aquele que afeta diretamente o destino da humanidade e que esbarra em questões filosóficas, religiosas, antropológicas, geológicas e toda a sorte de pensamento controverso a respeito do Apocalipse que poucos saberão assegurar quando e como teremos o nosso fim. A catástrofe do filme é ele ser um caos apocalíptico mediócre por si só. Não é um filme horrível, mas se prende demasiado na tecnologia dos efeitos especiais, no poder de fazer o espectador fixar os olhos na tela e imaginar: Uau, como ele caprichou nestes efeitos! Uau, que mega investimento!" Uau, que filmaço ultra exagerado!" e, em paralelo, perde no próprio registro realístico da tragédia porque os diálogos são fracos, sem emoção, sem conteúdo, sem verdade. Basta somente analisar friamente a fuga de John Cusack, seus filhos, ex-esposa e o atual marido da esposa (Tom Mccarthy) que juntos, surrealisticamente, escapam da morte, fugindo de ruas que abrem crateras, prédios que caem, esvoaçantes lavas vulcânicas, etc.Os efeitos especiais, de fato, são avassaladores mesmo sendo irrealistas e barulhentos, mas a expressividade deles na fuga pareciam que estavam em um parque de diversão fazendo uma simulação do fim dos tempos, por um momento, comecei a pensar se Emmerick quis parodiar o fim do mundo. Meus Deus, isso sim é o fim do cinema, tragédia que vira riso! O único que merece o meu mais genuíno riso é
Woody Harrelson, representando o radialista de um programa que fala sobre o fim do mundo como se tivesse narrando um clássico futebolístico.




Crítica negativa à parte, vamos ao que ele tem de melhor e a lição que podemos tirar antes que o mundo se afunde em terremotos, maremotos, explosões tectônicas, etc. Emmerich é campeão em elevar à décima potência estes efeitos especiais extravagantes e cheios de sensacionalismo, no entanto, não deixa de ser uma grande diversão com direito à uma boa dose de gargalhadas tão barulhentas quanto os efeitos especiais que, infelizmente, em 2012 só perdeu em melhor veracidade porque tudo foi tremendamente ultra, mega, hiper exagerado sem amarrar um enredo com conteúdo, tanto que o esvaziamento do enredo é o que mais me incomoda sendo que poderia ser aperfeiçoado. Tamanho exagero em efeitos especiais me faz pensar se ele é um megalomaníaco nato em demonstrar sua própria grandeza como diretor através destas mega produções bombásticas como se só ele fosse sobrar no planeta Terra após as mais de 2 horas e 30 minutos de filme. Neste ponto, você irá rir do filme porque fico a imaginar Emmerich com o controle remoto do vídeo game na mão ao invés de uma câmera e, aposte, nos meus pensamentos ele estava adorando destruir o mundo.



Por outro lado, 2012 não deixa de ser um alerta e traz à memória algo que julgo válido: o "semancol" se estamos fazendo algo que deveríamos estar fazendo - explico-lhes: de certa maneira, ele nos faz refletir o que estamos fazendo antes que o mundo acabe. Há culpa neste "não fazer algo"? É provável que a culpa apareça na hora da calamidade quando você menos espera. Até mesmo o staff governamental e técnico do filme faz cara de culpa por não ter avisado a humanidade há tempo. Estamos nos perdoando diante das pessoas? Estamos tentando reestruturar alguns problemas pessoais, rever nossas responsabilidades antes que não haja mais chance para tal? John Cusack protagoniza o drama familiar de um pai ausente que, de repente, corre para lá e para cá como um super herói tentando salvar seus filhos e a relação com os mesmos. Mesmo com estes clichês dramáticos dos fins dos tempos com a previsível ditadura do medo, tipicamente usada pela cultura americana, é um bom exercício parar e pensar sobre como nos posicionamos sobre o fim do mundo. Para alguns isso nunca acontecerá e é um discurso descartável, mas julgo que é um puro engano subestimar o fim do mundo. Ele já está acontecendo e talvez as pessoas não tenham se dado conta que o Apocalipse já está materializado em várias formas: violência, corrupção, pobreza, catástrofes ambientais, guerras, destruição da família, etc.
2012 é o aqui e o agora, as calamidades que todo o dia passam diante de nossos olhos, ao vivo ou pelos noticiários, então faça algo de bom para si mesmo e para o outro e demonstre amor e união antes que sejamos consumidos por nossas próprias forças destrutivas.

Por Madame Lumière



Avaliação por Madame Lumière


Título Original: 2012
Origem:
Estados Unidos
Gênero(s):
Drama, Ação
Duração:
158 min
Diretor(a):
Roland Emmerich
Roteirista(s):
Roland Emmerich, Harald Kloser
Elenco:
John Cusack, Amanda Peet, Chiwetel Ejiofor, Thandie Newton, Oliver Platt, Thomas McCarthy, Woody Harrelson, Danny Glover, Liam James, Morgan Lily, Zlatko Buric, Beatrice Rosen, Alexandre Haussmann, Philippe Haussmann, Johan Urb.

Créditos fotos: 2012

domingo, 22 de novembro de 2009

Recém-chegada ( New in Town ) - 2009



Para as mulheres que já se viram como sendo a própria Bridget Jones, a atriz Renée Zellweger é, sem dúvidas, uma diva atemporal. Lembrar dela nesta inesquecível série de filmes é como ser amiga íntima e pessoal dela e de suas lamuriantes e engraçadas situações tipicamente de uma mulher solitária bombardeada por problemas de romance, família, dietas, vícios tabagistas, etc, fora representar tão bem o pesadelo confuso cômico depressivo da relação com os homens que fazem de mulheres eternas Bridgets Jones.

Renée Zellweger me conquista pela sua simpática acessibilidade, característica comum em raras atrizes que parecem ter carne e osso, gente normal e que trabalha, tem olheiras e gases como todos nós. Ela não tem a casca do glamour hollywoodiano e seu sorriso enrubescido pelas rosadas bochechas pueris e o espontâneo humor faz dela uma mulher cativante. De tão acessível, ela entra na minha casa pela big screen cinematográfica e fica à vontade.






Recém-chegada é a mais nova comédia romântica da atriz que vive uma executiva de Miami (Lucy Hill) enviada para uma cidadezinha fria e pacata, bem no fim do mundo do estado de Minnesota para gerenciar e reestruturar uma fábrica.Como toda grande mulher de negócios em cidades como Miami, ela colhe os benefícios do padrão de vida e estilo destas executivas - mora em espaçoso e moderno apê, disfruta a beleza da orla da praia com uma corridinha básica pela manhã, um carro do ano, belas roupas e sapatos e uma ótima e emergente carreira. No entanto, a mudança para uma cidade fria, com moradores inicialmente frios e sem os atrativos mudará totalmente seu comportamento e sua vida. No começo, ela tem penosas dificuldades porque as pessoas a ignoram como mais um gerente que não conseguirá sobreviver nem uma semana na cidade, mas no decorrer do tempo ela reverte a situação, começa a gostar das pessoas e vice e versa, ser melhor aceita , se adaptar às condições da cidade e se apaixonar por Ted Mitchell, o chefe do sindidato local representado pelo ator Harry Connick Jr.



Falta ao filme o humor mais escrachado e natural de
Renée Zellweger, além de mais ação no romance, logo o filme me dá a impressão de que Lucy Hill chegou à cidade, mas deixou Renée Zellweger lá para trás, bem distante. São poucas as cenas que ela apresenta a veia humorística e estas cenas são forçadas como se ela não estivesse à vontade com o próprio enredo que lhe foi dado ou impossibilitada de apresentar uma performance melhor. A química entre ela e Harry Connick Jr existe, mas ela é pouquíssima explorada pelo filme o que gera uma frustração clara para o gênero que mistura o romance e a comédia, então avaliando por este lado, não faz a mínima diferença o filme ter sido lançado ou não. Ainda que eu adore estes filmes de fundo romântico pincelados com água e açucar, o filme não me incentiva nem a mais uma sessão.



Sob o ponto de vista da transformação da personagem: uma mulher racional, solitária e muito focada na carreira, acostumada a cidades mais movimentadas em uma mulher amável, apaixonada e, principalmente, preocupada com os funcionários, em manter esta fábrica operante, sem corte de empregados, neste aspecto, o filme provê um importante ensinamento sendo este o pro de Recém-Chegada: A gente muda ao ir à uma cidade menor ou menos urbana que tem outros valores de amizade, família, trabalho e começa a ver que a vida não é só entrar no ritmo das grandes cidades, cujas pessoas muito naturalmente entram em um círculo vicioso de independência, individualismo e dinamismo a qualquer custo. Cidades mais pacatas nos humanizam, ainda que isso não seja uma regra, elas podem ser potencialmente um lugar de cura para os mais agressivos e arrogantes na carreira e na vida.

De fato, eu me mudei de cidade há um tempo atrás e, embora de forma temporária e para uma cidade que não era tão "dentro do nada" , esta experiência foi benéfica para enxergar o mundo de outra forma, romper paradigmas e ilusões; só tive o azar de assumir um trabalho extremamente exaustivo e complicado mesmo em uma cidade fora do eixo muito business, no entanto pelo lado da cidade e das pessoas, com certeza, elas tinham outro ritmo, outras prioridades com relação à própria vida. Elas não se exigiam demais ainda que davam um valor ao trabalho, à família, ao lazer, ao anonimato de não estar sempre à frente com sede ao pote no corporativismo e às vantagens de ser bem sucedido nos moldes urbanos. Existe vida e ela é para ser vivida sem grandes cobranças. Ainda assim, é possível ter sucesso sem afetar tanto a si próprio e, é exatamente isso que ocorre no filme. Tanto Lucy como a própria cidade conseguem vencer suas diferenças e vencer nos negócios, cada um dentro de sua posição, mostrando que todos têm valor, principalmente quando unidos, desta forma, enxergando as pessoas além delas, enxergando uma outra cidade além da delas e, assim, fomentando mais ainda a união entre todos.


Por Madame Lumière

Avaliação Madame Lumière:


Título Original: New in Town
Origem:
Estados Unidos
Gênero(s):
Comédia Romântica
Duração:
97 min
Diretor(a):
Jonas Elmer
Roteirista(s):
Kenneth Rance, C. Jay Fox
Elenco:
Renée Zelweger, Harry Connick Jr, Siobhan Fallon Hogan, J. K. Simmons, Mike O'Brien, Frances Conroy, Ferron Guerreiro, Barbara James Smith, James Durham, Robert Small, Wayne Nicklas, Hilary Caroll, Nancy Drake, Stewart J. Zully, Marily Boyle.


Créditos fotos: New in Town Movie

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A Vida Secreta das Abelhas (The Secret Life of Bees) - 2008


Toda estante de locadora de vídeo tem um segredo que todo louco por cinema desconhece. Aquele filme que você não tem idéia que exista pode estar lá, recém-chegado ou desgastado e abandonado pelo tempo, e para que o segredo comece a ser revelado basta um olhar fixo e emergencialmente curioso ao contemplá-lo antes possuí-lo por 1 ou 2 dias, ou talvez para sempre.



A vida secreta das abelhas baseado na obra homônima de Sue Monk Kidd apareceu diante de mim como se, no silêncio da locadora, uma abelha zunisse em meu ouvido tirando o meu sossego e ansiosa por contar-me um segredo. Não sabia nem que o filme existia e, ao fixar meus olhos na capa do DVD, tive uma empatia pelo elenco "black show business" de Queen Latifah, Jennifer Hudson e Alicia Keys e, também pela prodígia blond big little girl Dakota Fanning. Gosto do talento delas por diferentes razões. Queen Latifah sempre me pareceu uma rainha do povo, do gueto: Espontânea, simpática, divertida e fora do padrão de beleza comercial com suas curvas bem arrendodadas, aparentemente me transmitindo que ela é bem resolvida com sua auto-estima. Jennifer Hudson e Alicia Keys, divinas vozes do R&B/Soul music dispensam meus comentários pois suas perfeitas vozes já as elogiam por si só mesmo que ainda não as considero "tão" atrizes. Dakota Fanning é uma precoce atriz talentosa, que sempre achei esquisita e com olhos tristes; a atriz que eu sempre quis que permanecesse jovem como Peter Pan por suas inesquecíveis atuações em Chamas da Vingança (Man on Fire) com Denzel Washington e a Força do Amor (I am Sam) com Sean Penn.

Neste filme, Dakota Fanning faz o papel de Lily, uma solitária garota atormentada por uma tragédia familiar ocorrida quando ela tinha 4 anos, traumática tragédia na qual ela matou a própria mãe. Embora a morte foi acidental, o contexto da morte e os seus desdobramentos na vida adolescente deixa marcas e dúvidas profundas pois sua mãe foi morta no dia que voltara para casa para buscar algumas coisas após abandonar o violento e severo marido (Paul Bettany, em uma ótima performance). T. Ray, o pai de Lily, a cria de uma forma fria e hostil , com direito a punições e falta de diálogo. Além da culpa, da falta de amor dos pais, da solidão e tristeza de sua própria fatalidade, Lily é abusada emocionalmente pelo pai que confessa que a mãe dela a abandonou bem antes de morrer e que, no dia da morte, havia voltado para a casa para buscar somente objetos pessoais e não a filha. Lily vive com este peso na consciência, e irritada com a suposta mentira de T.Ray, mais desejosa por descobrir a verdade sobre sua mãe, ela foge de casa com a empregada Rosaleen ( Jennifer Hudson) em direção ao apiário de Nossa Senhora Negra, local cuja referência ela pôde encontrar entre os pertences de sua falecida mãe, numa esperança de resgatar o próprio passado dela.




Lily encontra em August Boatright (Queen Latifah) e suas irmãs June (Alicia Keyes) e May (Sophie Okonedo) uma nova família, um lar amoroso, um ofício na produção de mel e, principalmente, a verdade sobre sua mãe, ainda com as dificuldades e os dramas pessoais da história. Ela também desenvolve certa fé, uma faceta do filme através da figura de Nossa Senhora Negra e tem um recomeço reparador na certeza de que agora tem o amor de pessoas que zelam por ela. Vale lembrar que, sendo branca, ela encontra um lar negro em pleno ano de 1964 nos EUA, época marcada pelo racismo claramente evidenciado no filme, logo, além de descobrir a verdade através de August Boatright que era amiga e ex-babá de sua mãe, Lily vê o seu primeiro amor em um garoto negro, Zach Taylor (interpretado por
Tristan Wilds) e recebe o primeiro beijo, o interracial que diretamente confronta o preconceito da época. Sem dúvidas, ver este enfoque da amizade, tolerância e amor em um período de racismo é um relevante plus para assistir este filme e refletir sobre ele.



Com uma boa atuação de Dakota Fanning e de Queen Latifah principalmente na amizade entre ambas e em um papel mais "maduro" de Fanning, a vida secreta das abelhas é um filme que me faz pensar que nem sempre o lar no qual nascemos é um verdadeiro lar. Lares também podem ser conquistados, também nos abraçam com amor como um surpreendente presente de Deus onde e quando menos esperamos, também podem ter um vínculo maior que o genético. É exatamente isso que aconteceu com Lily: uma família a abraçou com amor e carinho lhe provendo um lar sadio e restaurador e ainda devolveu-lhe um pouco da sua origem, da vida de seus pais, do amor de sua mãe. A vida secreta das abelhas é um filme de esperança pelo amor e pela verdade; é um filme sobre o valor da família , do lar e da união; é um filme para aqueles que merecem uma segunda chance na vida superando infelizes histórias familiares; é um filme para aqueles que, ainda que guardem seus segredos mais íntimos como o segredo de uma abelha, podem despertar para a vida e produzir uma nova história tão doce e saborosa como o gosto de nobre mel.



Por Madame Lumière

Avaliação Madame Lumière:

Título Original: The Secret Life of Bees
Origem:
EUA
Gênero(s): Drama
Duração:
110 min
Diretor(a): Gina Prince-Bythewood
Roteirista(s): Gina Prince- Bythewood, baseado no livro de Sue Monk Kidd
Elenco: Dakota Fanning, Queen Latifah, Jennifer Hudson, Alicia Keys, Sophie Okonedo, Paul Bettany, Hilarie Burton, Tristan Wilds, Nate Parker, Shondrella Avery , Sharon Morris. Créditos das fotos: The Secret Life of Bees

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Inimigos Públicos (Public Enemies) - 2009


Inimigos Públicos, o meu mais novo amigo em película. Assim defino o novo filme dirigido por Michael Mann ( Colateral, Miami Vice, etc.) e estrelado por um três grandes nomes: Johnny Deep, Marion Cotillard e Christian Bale que fazem de Public Enemies o filme exato para o público que não é fora da lei mas que desejará intensamente sê-lo, pelo menos, durante as mais de duas horas de exibição.

Adaptado do romance de Bryan Burrough, o filme é sobre a história dos inimigos públicos -
criminosos gângsters durante o período da Depressão que são perseguidos pelo Bureau de Investigação do Governo Americano, a gênese do FBI. Entre os bandidos estão John Dillinger, Baby Face Nelson, Pretty Boy Floyd, etc. O foco do filme é John Dillinger e sua equipe, assaltantes de bancos profissionais que os roubam em menos de 2 minutos com disciplina, perspicácia, intensidade e charme e são perseguidos por Melvin Purvis (Christian Bale), incumbido de tal ação e apoiado pela emergente tecnologia do FBI. O papel de John Dillinger é realizado brilhantemente por Johnny Depp que concilia muito bem o seu carisma, talento e versatilidade de atuação com a personagem de John Dillinger, uma espécie de bandido carismático admirado pelo público, leal a seus amigos, apaixonado por Billie Frechette (Marion Cottilard, a perfeita Edith Piaf no perfeito Piaf - Um hino de amor) e que, até mesmo, ama cinema e diz palavras gentis e românticas.




O filme é de uma competência exemplar de Michael Manm, considerando este gênero de filme, porque o roteiro molda um John Dillinger humanista, ainda que invandindo e metralhando bancos, usando inocentes civis como escudos humanos, fugindo da polícia e morrendo tragicamente, somado a isso a construção dos personagens, delimitando bem que estes homens fora da lei e até mesmo Bale como "mocinho" tem um senso de ofício extraordinário, de alta perspicácia e qualidade que beiram também valores como justiça, comprometimento, lealdade, paixão, amor, poder, etc. a depender de cada personagem. A vibrante fotografia assinada por Dante Spinotti (de X-Men O confronto Final), os recursos gráficos de alta definição justapondo planos de luz e sombras, uma proximidade temporal e local intensa dos personagens com o espectador e o figurino sofisticadíssimo e de época fazem de Inimigos Públicos um filme especial, louvável de assistir.

Mas, como sempre, a Madame gosta de falar das facetas do filme que tocam em sua dual emoção-razão e que permitem uma reflexão sobre o filme. Serei breve para falar-lhes, porque este filme é um filme para assistir e assistir e desfrutar a atuação de Johnny Depp que é o principal destaque do filme. Eis o que penso:

Esta produção é competente já no próprio poder de inclinar-nos a gostar de John Dillinger, a estar do lado dos bandidos ao invés do lado dos mocinhos. Para mim, a maior representação de Inimigos Públicos é que estes inimigos são os inimigos do governo e não do povo, pelo menos, não os inimigos da audiência. Eles são os inimigos de um sistema que foi assolado por uma grande Depressão Americana que gerou uma decadência social e econômica nos EUA, uma depressão pela qual os bancos são culpados pelo povo. São inimigos de um sistema que é mostrado mais voltado a atender as burocráticas e interesseiras demandas do Bureau de Investigação (aqui na figura do mascarado e antipático Edgar Hoover, interpretado por Billy Cudrup, chefe de
Melvin Purvis) do que um leal interesse em proteger o próprio povo contra a criminalidade. São inimigos que conseguem ter a mídia ao seu lado. São inimigos que só querem viver o presente intensamente. Parece louco pensar assim e não estou fazendo apologia ao crime ou levantando bandeiras de violência, mas há ficções nos quais o bandido tem mais humanidade que a própria lei racional e hipócrita que acaba por não ser a lei coletiva mas a lei dirigida por individualistas como Hoover.




John Dillinger tem uma conexão diferente com o público, retroalimentada pelo excepcional talento de Depp em criar esta proximidade mais intimamente emocional. A capacidade de Inimigos Públicos em expor um John Dillinger durão, mas ainda acessível e sensível é o grande diferencial do filme que o transforma em um deleite cinematográfico. Ainda que Christian Bale demonstre um comportamento centrado, compromissado e expert em levar esta caça até o fim, há também um senso de humanidade e de ser mortal neste personagem que se encaixa perfeitamente nesta relação inimiga entre eles os aproximando em um mesmo nível , que ora faz com que eles se rechacem ora se aproximem, afinal ambos são experts e intensos em suas ações, gostam de suas equipes, se sensibilizam com as perdas.



Ainda que isso não justifique o público adorá-lo e compartilhar de suas ações criminosas, John Dillinger tem um histórico de vida que sensibiliza a audiência e/ou, ao menos, possibilita que ela não seja tão dura em rejeitar o bandido, sua triste história é um elemento impulsionador para uma vida mais intensa e glamourosa na qual ele passa a ser admirado ainda que caçado como inimigo nº 1, indo totalmente na contra-mão da difícil vida que teve. Ele ficou orfão de mãe aos 3 anos, apanhou muito do pai, cresceu na marginalidade até que, ao ser preso por um crime tolo que lhe rendeu somente USD 50,00, conhece na cadeia homens que o ensinam a grande arte de roubar bancos, uma arte que o torna um líder e uma lenda na bandidagem dos anos 30.

Por ter sido desprovido de uma vida abastada, de família e amor, ele encontra em seu grupo seleto de bandidos sua grande família e se apaixona por
Billie Frechette que, coincidentemente, forma um casal perfeito com ele já que ela também sofre preconceito de uma sociedade, sendo uma simplória e bela mestiça de origem índia-francesa, trabalhando em chapelaria, fazendo bicos e vestindo vestidos baratos. Dillinger promete a Billie amá-la e cuidar dela para sempre, o que demonstra que ele é capaz de amar, de ser um real gentleman quebrando a figura do gângster que só frequenta prostíbulos. Esta relação amorosa cria uma empatia cada vez maior com Dillinger, recurso que move a platéia nesta dualidade - ele é um bandido, mas quero que ele se dê bem, seja feliz, fuja e fique com a garota!



John Dillinger e Billie
Frechette fazem parte do grupo dos ignorados dentro de uma tradição socialmente "correta" e elitizada que não vale nada. Solitários em seus corações que vêem a possibilidade do amor, eles se permitem amar e Dillinger, após estar na cadeia por tantos anos e fugir, vê a possibilidade de se aproximar das mulheres até encontrar sua "Graúna" Frechette, morena e bonita, como ele cita no filme. Este amor dura pouco, mas é intenso porque, pela primeira vez, Dillinger pensa no futuro, algo que não era tão comum no "viva o aqui e o agora" dos Inimigos Públicos. Ambos vivem este amor vendo no outro a possibilidade de uma felicidade maior, mesmo quando Dillinger perde seus amigos, todos mortos e se vê um solitário fugitivo, distante de Billie que se encontra sob custódia.

Em uma das cenas finais mais magníficas, Dillinger está no cinema, assistindo o também fora da lei Clark Gable em uma interpretação de gângster em
Vencido pela Lei, como se fosse o espelho de Dillinger. É encantador ver Johnny Depp em frente de Clark Gable, ambos charmosos e adoráveis bandidões. A personagem de Gable evidencia aquela fala mágica do tipo "viva intensamente e não pela metade", palavras tão John Dillinger, tão Inimigos Públicos e, por que não, tão nós, presos em nossas próprias prisões, cárceres do cotidiano.

Por Madame Lumière


Avaliação Madame Lumière:


Título Original:
Public Enemies
Origem:
EUA
Gênero(s):
Drama, Crime, Ação
Duração:
143 min
Diretor(a):
Michael Mann
Roteirista(s):
Ronan Bennett, Michael Mann, Ann Biderman, Bryan Burrough

Elenco:
Johnny Deep, Christian Bale, Marion Cotillard, Channing Tatum, Emilie de Ravin, Leelee Sobieski, Billy Crudup, Giovanni Ribisi, David Wenham, Stephen Dorff, Rory Cochrane, Lili Taylor, Stepehn Lang, Shawn Hatosy, Stephen Graham.


Créditos de fotos: Public Enemies Film