sexta-feira, 31 de julho de 2015

Magic Mike XXL (2015) , de Gregory Jacobs



Se você gosta de corpos masculinos malhados e danças insinuantes na telona,  prepare a pipoca e divirta-se com os boys magia do momento!





Por Cristiane Costa



Continuação de Magic Mike (2012) de Steven Soderbergh, MAGIC MIKE XXL é o lançamento divertido da semana, pelo menos,  tem de tudo para agradar mulheres e homens que gostam de apreciar um belo corpo masculino delineado com hipnotizantes músculos e, em movimentos dançantes que simulam uma transa "caliente".  Com produção de Soderbergh que, desta vez, passa o bastão da direção para Gregory Jacobs, o vencedor do Emmy por "Minha vida com Liberace", o longa é encabeçado por um elenco masculino atrativo e para todos os gostos: do mais romântico ao mais galanteador, do mais jovem ao mais velho. Formado por Channing Tatum, Matt Bomer, Joe Manganiello, Kevin Nash e Adam Rodriguez, respectivamente, como Mike, Ken, Big Dick Richie, Tarzan e Tito, todos estão bem à vontade  para apreciarmos uma deliciosa combinação: beleza masculina, senso de humor e um imaginário sexual com direito a danças e músicas ousadas.



Channing Tatum: dança bem e gostoso!



A história se torna menos dramática que a do seu antecessor que foca nos amigos strippers, conhecidos como os Reis de Tampa, mas também na vida pessoal de Magic Mike (Channing Tatum) e sua relação com este trabalho e um novo amor. Agora a narrativa é mais divertida e descolada, com tiradas cômicas e outras situações nas quais eles fazem novas amizades, relembram do passado e aprendem eletrizantes passos de dança. Magic está livre, leve e solto. Sem mulher no encalço e com o negócio próprio em bom andamento, ele reencontra os amigos e tem um desejo de "revival" dos tempos de stripper . Antes de se aposentarem das reboladas, eles decidem fazer uma incendiária apresentação em uma convenção de bailarinos strippers que ocorre em Myrtle Beach e é voltado para o prazer visual apenas de mulheres. Antes de chegar ao destino, eles fazem uma "road trip" com paradas em Jacksonville e Savannah. O filme reúne mais atrizes em comparação ao primeiro filme: Amber Heard (paquera de Mike), Andie MacDowell (paquera de Big Dick Richie), Jada Pinkett Smith ( ex- affair de Mike e a M.C do grupo) e Elizabeth Banks 
( apresentadora da convenção).



Joe Manganiello:  Uma vez lobo, sempre um lobo!


Independente da histeria que possa tomar conta do público que adora segundas intenções e uma sensual exibição de homens sarados ao ritmo de R & B,  Magic Mike XXL funciona como uma boa comédia com clima de amizade e alto astral. É como uma ida ao paraíso de homens gostosos que não necessariamente precisam falar muita coisa na história, pois a intenção aqui é entreter as mulheres do filme, fazê-las contentes por algumas horas e não há mal nisso, tudo é provocadoramente levado na esportiva e no bom humor, sem julgamentos e puritanismos. Com um roteiro de cria mais momentos dançantes fora do palco, os amigos se divertem em outros ambientes como na casa de Nancy Davidson, interpretada com um encantador sotaque local pela querida Andie MacDowell, além do castelo de delícias fundado por Rome (Jada Pinkett Smith) no qual belos e musculosos homens negros se apresentam como se fossem um colírio fabricado por Deuses de ébano.






A melhor brincadeira desta franquia é que o homem vira objeto de contemplação e desejo , totalmente ali disponíveis a dançar para várias mulheres e curtir o que faz.  Neste aspecto, o politicamente correto da não objetificação do corpo  é deixado em segundo plano e,  as mulheres acabam tendo o prazer de deleitar-se com o visual de homens quase nus, vê-los dançando como se estivessem transando, jogar notas de dólares em seus corpos suados e dar risadas com toda a diversão. Eles podem rebolar à vontade e simular diversos movimentos fálicos que, por mais ousados que sejam, são hilários e bem pensados em cena. Certamente, tudo será levado com descontração porque este filme é uma grande zoeira. Quanto mais eles dançam, mais divertido o filme se torna, como um jogo sedutor visualmente apetitoso. O bem da verdade é que, pouco interessa a melhoria deste roteiro, Magic Mike XXL é muito mais um guilty pleasure voyeurista para quem gosta de ver homens dançando da forma mais descarada e bem humorada possível.









Para complementar a provocação sensual do longa, destacam-se as habilidades de dança de Channing Tatum e TWitch, uma apresentação final mais elaborada sob o ponto de vista da técnica e criatividade da dança, além da trilha sonora, muito bem selecionada e alinhada ao clima quente, com músicas de conteúdo explicitamente sexual e romântico,  melodias sedutoras e  influências pop, R&B e hip hop.   A trilha sonora dialoga com várias cenas em uma sensual mistura para atiçar os sentidos durante as performances irresistíveis, com destaque para as canções cantadas por Matt Bonner ("Heaven" e "Untitled (How does it feel)"), Donald Glover ("Marry You"), Nick Waterhouse  ("Ain't there something money can't buy"), Jacquees ("Feel it"), Backstreet boys ("I want it that way") e Ginuwine ("Pony"). Com toda esta sedução, eis uma pergunta que não quer calar: será que um dia teremos uma convenção com estes boys por aqui? Também queremos ser adoradas(os)!





Ficha técnica do filme ImDB Magic Mike XXL
Distribuição: Warner Bros Entertainment 



Extra: Vídeo com Matt Bommer cantando "Heaven"






quinta-feira, 30 de julho de 2015

Jogada de Mestre ( Kidnapping Mr. Heineken - 2014), de Daniel Alfredson




Por Cristiane Costa



Um dos atores mais intrigantes e sofisticados para thrillers está de volta: Anthony Hopkins. Em Jogada de Mestre, ele interpreta Freddy Heineken, magnata holandês e dono da famosa cervejaria HEINEKEN. Com direção do sueco Daniel Alfredson, conhecido por filmes baseados nos best sellers da série Millenium de Stieg Larsson, o longa também é inspirado  por fatos reais, com roteiro adaptado a partir da obra do jornalista Peter R. de Vries que investigou o sequestro de Heineken, considerado um dos maiores da história, e no qual foi pago a maior quantia como resgate.






Na história ambientada em Amsterdã, em 1983, um grupo de amigos sem muita perspectiva de uma vida melhor, acostumados a ser golpistas em armações pequenas e interessados em grana fácil decidem sequestrar o bilionário. Mesmo sem terem nenhuma experiência em crimes graves e de alto risco, eles planejam e executam toda a ação com determinação. Os cabeças do plano, Cor Van Haut (Jim Sturgess) e Willem Holleeder (Sam Worthington)  são muito amigos e cunhados, além de Cor ser um líder reconhecido pelos demais,  o que facilita a percepção de seu comando e influencia, e da sua importância na manutenção da coesão e harmonia entre integrantes de perfis bem distintos como o ansioso Jan "Cat" Boellard (Ryan Kwanten), o  impulsivo Frans "Spiker" Meijer (Mark van Eeuwen) e o inseguro Martin "Brakes"  Erkamps (Thomas Cocquerel). 






A narrativa enfoca o planejamento e a execução  do sequestro em maior parte da projeção, prioritariamente, desenvolvendo melhor  as ações em como o  grupo interage sob pressão e, como a inexperiência e diferenças entre eles podem colocar em risco a operação. A dinâmica do grupo com suas dúvidas, inseguranças e conflitos são o ponto mais forte que pode ser aproveitado pelo público. Ainda que estes personagens não sejam individualmente bem desenvolvidos no roteiro, o que importa aqui é  a dinâmica do sequestro, como eles reagem às complicações , ao novo, ao imprevisível. Como destaque, as melhores atuações entre sequestradores cabem à Jim Sturgess e Sam Worthington que personificam uma amizade que ainda se sustenta, apesar das consequências do crime e das diferenças de opiniões. Mas, uma das observações interessantes nesta relação interpessoal do grupo é analisar o seguinte: após um sequestro, como fica a relação entre sequestradores? Como criminosos reagem entre si após colocarem a mão na grana? Como agem quando são perseguidos pela polícia e não estão mais juntos?



Neste sentido, embora Jogada de Mestre não seja um filme marcante,  não emociona e pode ser facilmente esquecido, ele é um bom entretenimento para observar os personagens, em especial, o amadorismo dos sequestradores.  São tão amadores que chega uma hora que dá para se perguntar: "Este foi mesmo o mais caro sequestro da história?". Combina suspense com ação, porém de forma mais sofisticada e tênue, sem uso de muita violência física, sem grandes reviravoltas e diálogos perspicazes. A direção não compromete o resultado e faz a lição de casa. Mantém a lógica da narrativa com a interação do grupo e com uma ênfase no personagem de Cor Van Haunt que, além da liderança, traz um componente mais afetivo através da esposa Sonja (Jemina Wes) e das emoções que o dominam e o colocam em risco.








A atuação de Anthony Hopkins dá um toque de sofisticação, racionalidade e inteligência sob a perspectiva do sequestrado mas,  também, é pouco tensa e explorada. Dificilmente Heineken perde o controle. Ele demonstra ser um homem tão poderoso e certo de si que não se deixa afundar emocionalmente pela situação. Há momentos que deixam claro que, se ele foi tão racional no seu sequestro, faz todo o sentido ele ter se tornado um dos empresários mais ricos da Europa e ter construído um dos maiores impérios da cerveja. Ele não se deixa destruir. Como consequência, o ator encarna similares trejeitos de jogo psicológico em cena e sua enigmática presença que tanto o consagraram, e não encontra espaço para evoluir na narrativa em função de que está em um cativeiro. Os sequestradores são emocionalmente instáveis e inseguros e pouco contribuem nas cenas com Hopkins . Diferente do padrão comum de pessoas no cativeiro,  este personagem é peculiar. É uma muralha. Não há desespero em Heineken. Se houve alguma fraqueza, ela foi bem controlada como a de um executivo poderoso que personifica uma inabalável máscara de ferro.




 Ficha técnica do filme ImDB Jogada de Mestre
Distribuição :  Imagem Filmes

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Um Reencontro ( Une Rencontre ) , de Lisa Azuelos




Por Cristiane Costa
 

"Um Reencontro" (Une Rencontre) é um filme de desencontros. Para o novo longa de Lisa Azuelos, o título em inglês "Quantum Love" é mais apropriado: é uma comédia romântica ambientada em Rennes (França), que enfoca dois protagonistas em idade madura e um argumento mais original que explora a metafísica do amor quântico. Em plena boa forma física, bela e encantadora, Sophie Marceau interpreta Elsa. Divorciada e mãe de dois filhos, eventualmente, ela tem encontros sexuais com um homem mais jovem, Hugo (Niels Schneider). Com seu vigor, Elsa dedica-se à carreira de romancista, gosta de sair com as amigas e é amorosa com os filhos. Certo dia, na festa de um amigo, conhece Pierre (François Cluzet), um advogado charmoso e gentil. A atração entre eles é irresistível. Ela encontrou um homem aparentemente perfeito? Não. Ele é  casado com Anne (Lisa Azuelos). Elsa não tem como propósito de vida ser uma amante.





A boa vontade do argumento está em propor uma história sobre ética amorosa.  A dúvida existe para os dois lados: Elsa vai destruir um casamento em troca de sua potencial felicidade afetiva? Pierre abandonará a esposa e filhos que tanto ama? O reencontro é uma possibilidade de deixar a porta aberta para as idas e vindas do amor, o que é óbvio, no entanto, neste roteiro, ele não leva a relacionamento real algum e, nisto reside um dos seus aspectos falhos: desenvolvimento da narrativa. Azuelos não aprofunda os personagens e se preocupa mais em construir planos que funcionam como respostas para recorrentes perguntas "e se isso acontecesse, como seria?".  O filme se torna uma fantasia entre duas pessoas que já passaram da idade para agir como adolescentes e, quando espera-se algo mais palpável e realista, nada acontece entre os amantes. Desta forma, o longa é uma experiência imaginária,  bem fantasiosa, pois, dificilmente, um homem resistiria a Sophie Marceau e seria tão travado com o personagem de François Cluzet, mesmo os bem casados.  Também, considerando os comportamentos de Elsa e Pierre, imersos no "what if" da paixão, esta história funcionaria melhor se os protagonistas tivessem entre 20 e 30 anos.



 


Para uma melhor experiência com "Um Reencontro", ele tem que ser degustado sob a perspectiva da direção de Lisa Azuelos, para este caso em específico, já que ela é o tipo de diretora  "Ame ou odeie" e que parece gostar de infantilizar seus filmes, basta assistir a "LOL" (Morrendo de rir) que não  teve boa recepção pelo público e crítica. Aqui, ela evolui um pouco mais na batuta da direção e aprecia a inventidade de elaborar sequências de planos nos quais ela mescla música com cortes de vídeos marcados por mudanças na relação tempo - espaço, como por exemplo, uma mulher entra pela porta de um cômodo da casa e saí em uma festa em outro local, como usado na vídeo clipagem. Este tipo de recurso funciona bem nessa história por causa do fluxo imaginário dos protagonistas, além de combinar uma direção que brinca com os planos com uma comédia romântica que tem o carisma de Sophie Marceau e François Cluzet e uma boa vibração no seu visual. Embora pouco aproveitados pela história, eles têm experiência em comédias ligeiras,  luminosidade em seus sorrisos, uma simpatia natural e uma química charmosa  que seduz o público a ter vontade de que eles se envolvam amorosamente. Nas melhores cenas de paixão entre os dois, a vontade é dizer: dane-se a ética amorosa! Carpe diem!



 



Ficha técnica do filme ImDB Um Reencontro
Distribuição : Pandora Filmes

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Campo de Jogo (Sunday Ball - 2015), de Eryk Rocha



Por Cristiane Costa


O documentário Campo de Jogo, dirigido por Eryk Rocha, é uma poesia visual futebolística em uma das mais sublimes evocações cinematográficas da paixão que move o esporte. Sua força audiovisual é levada a um patamar de autenticidade desta paixão, amparado por um competente trabalho de fotografia, desenho de som e montagem que dá uma dimensão bastante sensorial ao longa. Ambientado na várzea de uma periferia do Rio de Janeiro, em um campeonato de futebol com 14 times das comunidades, o diretor enfoca a final entre dois times, o Geração e o Juventude, os principais lances do jogo, os bastidores e a energia insana entre os jogadores e técnico, o espírito de trabalho em equipe e a competitividade e a torcida e expectativa do público.  Em paralelo, na montagem, ele inclui recortes de partidas com outros times e  trilha sonora clássica, apresentando um universo audiovisual inspirador sobre a importância do futebol na cultura Brasileira.





A câmera conduz o público aos detalhes que constroem a dimensão coletiva da narrativa: rostos vidrados em cada lance, corpos em movimento slow, a tão desejada bola rolando na lama ou na poeira, o grito insano do treinador, crianças, mulheres e homens atentos e  à espera de um gol, entre outros. Tudo está ali como parte da linguagem de um povo que não precisa das aparências egoicas  do meio futebolístico profissional e da cartolagem dos bastidores, um povo para o qual o mais importante é torcer pelo seu time e apreciar a competição. Neste sentido, embora bem executado com uma mescla do  lado mais cru e visceral do documentário com uma estética visual mais poética,  Campo de Jogo é  futebol e raça. De certa forma, apesar de sua evocativa arquitetura estética, ele recupera o mais importante: o futebol de raiz , uma simplicidade, muitas vezes esquecida ou adormecida, em meio a tantas decepções com o Futebol Brasileiro atual. 






Muito mais do que uma poesia visual, o documentário pode ser comparado a uma dança, em especial, quando a trilha sonora clássica entra em ação e os movimentos dos jogadores  evocam a paixão intensa pelo seu time. Eles perseguem um objetivo que não lhes trará necessariamente uma recompensa financeira mas uma  psicológica, ligada a um prêmio afetivo, emocional, apaixonante.  São como bailarinos que se motivam para uma competição e, ainda assim, encontram mais prazer em celebrar sua Arte.  Neste aspecto, Eryk Rocha não deixou passar desapercebido  o processo de desenvolvimento do documentário sob uma perspectiva bastante fotográfica. O processo do jogo foi mais relevante do que a comemoração em si, tanto que, em cada imagem, ele se apega aos detalhes como um fotógrafo que deseja clicar as expressões faciais, mãos, pés, costas e os giros de um bailarino. Felizmente, ele consegue equilibrar a espontaneidade do jogo com a tecnicidade da estética. Não recorre ao padrão documental de realização de entrevistas, mas consegue preservar a intensidade das emoções, criar um elo afetivo entre o público, o futebol e os personagens reais.





Na paisagem empoeirada de um precário campo de futebol, em meio à pobreza das favelas, simplicidade do povo,  jogadores que nem tem um boa chuteira, Campo de Jogo é um belo trabalho que recupera a essência do esporte no Brasil. Não há limites  ambientais, físicos, emocionais e nem econômicos para perseguir o gol, vibrar com a comemoração, conquistar a taça após tantos esforços. Depois da vergonha que a seleção Brasileira de Futebol passou na última Copa do mundo com os traumáticos 7 gols que levaram da Alemanha, para o povo Brasileiro,  o documentário funciona como uma ida à uma roda de samba de raiz,  sentir a boa música à flor da pele e voltar a acreditar que bom samba ainda existe. Com este longa, ainda é possível acreditar que o verdadeiro futebol está além da vaidade e do dinheiro, ele está no meio do povo.






Ficha técnica do filme ImDB Campo de Jogo
Distribuição Tucuman Filmes

sábado, 25 de julho de 2015

Um Plano Brilhante ( The Love Punch - 2013), de Joel Hopkins

Rapidinhas no MaDame:
Porque o que importa é o prazer da Cinefilia






Por Cristiane Costa



Sobre a história: Richard (Pierce Brosnan) e Kate (Emma Thompson) são divorciados e têm uma relação amigável. Quando a empresa de Richard é roubada, colocando a segurança financeira e estabilidade dos funcionários em risco, assim como a aposentadoria do ex-casal, Richard pede a ajuda de Kate para elaborar um plano brilhante e recuperar seus ativos. Com o apoio de seu filho hacker e o casal de amigos Pen e Jerry (Celia Imrie e Timothy Spall), Kate e Richard partem para a França para colocar o plano em ação.


Opinião Geral sobre o filme:   Uma agradável e divertida comédia Britânica que combina romance e aventura com um toque de ação em belíssimas paisagens de Paris e Sul da França. Dirigida por Joel Hopkins, que trabalhou com a maravilhosa Emma Thompson em Tinha que ser você, e com um elenco afiado e em ótima sinergia, Um plano brilhante é parte da leva de filmes com protagonistas mais maduros (acima dos 45 anos) que vivem mais intensamente suas vidas e redescobrem novos caminhos para a  felicidade.  Este longa traz o charme britânico de Emma Thompson e irlandês de Pierce Brosnan que formam um ex-casal que, de uma hora para outra, decide recuperar um patrimônio em uma louca e inesquecível viagem.  Além de momentos hilários que colocam Richard e Kate em perigo e exigem jogo de cintura, o bom acerto do roteiro é  contar uma história com duas facetas narrativas, o romance e a ação:  dois divorciados têm a chance de rever o afeto que têm um pelo outro e um plano mirabolante que faz com que eles tenham energia, criatividade e superação para recuperar o próprio patrimônio.

O desprazer:  O vilão é péssimo e esquecível. Poderiam ter colocado um melhor ator no seu lugar.



Por que vale a rapidinha?   Pelo entrosamento entre Pierce Brosnan, Emma Thompson,  Celia Imrie e Timothy Spall.  A participação de Imrie e Spall torna o desenrolar do plano bem mais interessante e enfatiza o belo círculo de amizade que os une.









Ficha técnica do filme ImDB Um Plano Brilhante

Quero matar meu chefe 2 (Horrible Bosses 2 - 2014), de Sean Anders


Rapidinhas no MaDame:
Porque o que importa é o prazer da Cinefilia






Por Cristiane Costa



Sobre a história:  Nick, Kurt e Dale decidem abrir um negócio próprio e contam com a proposta de um investidor, porém as coisas não saem como combinadas e eles estão em um fria. Decidem fazer um sequestro para conseguir uma grana. 

Opinião Geral sobre o filme:  Continuação de Quero matar meu chefe (2010), este é um longa que deu certo e evolui no entretenimento desta franquia. Com atores coadjuvantes atrativos e de peso como Kevin Spacey e Christoph Waltz , que caem como uma luva para personagens vilões e o trio de amigos carismáticos e idiotas intepretados por Bateman - Sudeikis - Day, cada um com seu jeito e espaço suficiente  para fazer sua atuação, o filme tem uma história bem melhor elaborada que mescla mais reviravoltas, sequências de ação com carros e perseguições, boas piadas, mentirinhas e idiotices, e coloca incógnitas nos comportamentos de  Rex  (Chris Pine), o desequilibrado filho do ricaço  Bert Hanson (Waltz) , e do bandido "camarada"  Dean "MF" Jones (Jamie Foxx) que pode ajudar Nick, Kurt e Dale a se livrar da enrascada.  Como no primeiro filme, Jennifer Aniston continua pervertida e viciada em sexo e, com pequena participação, ela garante um toque feminino hilário  e desbocado.
Como diferencial, a ficção amplia a  divertida questão de querer "matar o chefe" por uma boa razão.  Ainda que os amigos tenham tentado ser empreendedores e ter a própria empresa, eles acabam se prejudicando após a falsa promessa de um  cliente, um homem capaz de "puxar a o tapete" de qualquer um para ficar mais rico, afinal "business are business" e os canalhas estão em todo o lugar, o que indica que , nesta sequência, a ideia de desejar matar o chefe vai além de uma hierarquia empresarial.


O desprazer:  Christoph Waltz e sua emblemática vilania em filmes poderiam ter sido melhor aproveitados na história.


Por que vale a rapidinha?   A boa energia cômica, química e camaradagem entre  Jason Bateman,  Jason Sudeikis e Charlie Day ,  o ritmo e, principalmente, as reviravoltas que mantêm o engajamento e a curiosidade com o filme.








Ficha técnica do filme ImDB Quero matar o meu chefe 2 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Sentimentos que curam ( Infinitely Polar Bear - 2014), de Maya Forbes




Com produção executiva do influente de J.J. Abrams conhecido por Star Trek, Star Trek - Além da Escuridão e série Lost, Sentimentos que curam (Infinitely Polar Bear) é o primeiro longa-metragem da roteirista Maya Forbes. Para sua estreia na batuta da direção, ela optou por uma história bem pessoal de sua família e realiza um drama com toques de humor ambientado em Cambridge. Quando era criança, Maya  vivenciou uma fase que seu pai, um maníaco-depressivo, teve um forte colapso. Além de ela e sua irmã conviverem com a bipolaridade dele e dificuldades como a falta de emprego, dinheiro e mudanças de escola, seus pais se separaram. Com o objetivo de buscar melhores condições de educação e qualidade de vida para as filhas, sua mãe foi morar em Nova York. Maya e sua irmã ficaram sob os cuidados do pai, recebendo a visita da mãe apenas aos finais de semana.







A história segue este argumento: filhas que são criadas pelo pai bipolar durante a ausência temporária da mãe. Cameron (Mark Ruffalo) é apresentado no meio de uma crise maníaca. Seu casamento com Maggie (Zoe Saldana) está por um triz. Ele precisa superar o colapso, ela está desempregada e precisa sustentar as filhas Amelia (Imogene Wolodarsky) e Faith (Ashley Aufderheide). Apesar do momento crítico da família, a energia entre eles é amorosa, incrivelmente de superação, de tomar algumas decisões difíceis  e deixar a vida acontecer. Nisto está o crédito que deve ser dado à Maya Forbes. Ela sentiu na pele este drama e opta por um texto leve e não estereotipado porque, verdadeiramente, ela aprendeu a conhecer um bipolar de verdade e, o melhor, sabe o valor do seu pai. Ainda que use algumas situações comuns do transtorno em nível mais severo de mania, como tomar atitudes embaraçosas em público ou perda temporária de um senso de realidade, situações que impactam o convívio com os outros, a roteirista  preza pelo afeto, pelo humor, pela honestidade na narrativa.



 


Muito mais do que um filme com elementos biográficos, Sentimentos que curam é um belo  exemplo de drama eficiente que abraça uma questão universal: aceitação de que somos quem somos, não importa quais transtornos mentais ou deficiências temos, todos merecemos ser aceitos e não subestimados em nossas capacidades intelectuais, físicas e afetivas. Não somos limitados por uma X ou Y doença. Não somos melhores ou piores do que outros, somos apenas seres humanos que têm talentos e, também, desafios pessoais em nossas personalidades,  temperamentos etc. Com a atuação  consistente de Mark Ruffalo, excelente ator em dramas mais realistas e independentes,  a bipolaridade é tratada com dignidade. As jovens atrizes e Zoe Saldana cooperam com atuações bem alinhadas ao ator e com o cotidiano de quem convive com um bipolar. Aqui, o mais positivo na relação da família é que ela não o trata como uma "vítima". A sinceridade existe nos diálogos.



Ainda que a diretora opte por equilibrar o humor com o drama e o lado mais obscuro da bipolaridade é pouco demonstrado, é possível observar as leves nuances comportamentais que se relacionam à alterância entre a mania e a depressão de Cameron. Mark Ruffalo é tão bem sucedido na interpretação, que ele não deixa o personagem cair no descrédito, reforçando que foi uma ótima escolha e um dos poucos em Hollywood que seriam realmente bons para este papel. ´É importante considerar que, mesmo que esta seja uma ficção baseada em fatos reais, a roteirista foi muito competente em fugir ao máximo do estereotipo do transtorno e não ridicularizar e/ou ofender quem é bipolar. A sociedade, em geral, usa o termo bipolar com irresponsabilidade, equívocos e falta de conhecimento sobre os diferentes graus de severidade da alteração de humor. Além de existir muito preconceito com a bipolaridade por pura ignorância.  O filme ajuda a compreender parte dos comportamentos de bipolares que têm mais episódios maníacos do que depressivos, também ajuda a perceber a sensibilidade e inteligência de Cameron.







Com uma narrativa agradável, o filme acerta em desenvolver um núcleo familiar e colocar Cameron em um convívio com as filhas que o ajuda a ter uma rotina e  a colocar mais e mais em prática sua missão como pai. Ela faz uma boa montagem, com recortes de imagens filmadas com câmera na mão  como se fossem vídeos caseiros de uma família e inclui cenas bem cotidianas desta convivência com tomadas internas no apartamento e com os novos amigos da filha. Também,  ao diluir no texto um desafio pessoal para Cameron sem que ele perca sua essência bipolar, que tem inúmeras qualidades e ótimos momentos afetivos no longa, Maya Forbes transmite ao público um dos melhores aprendizados do filme: Não há o que esconder! A bipolaridade é desafiadora e tem seus momentos dolorosos, mas, ela é gerenciável. Amigos e família aprendem o valor do verdadeiro Amor nestas circunstâncias, um Amor que tudo vence e tudo tolera, e são os sentimentos que curam que realmente importam.





Ficha técnica do filme ImDB Sentimentos que curam 
Distribuição: Imagem Filmes

terça-feira, 21 de julho de 2015

Um filme, uma canção: 10 Filmes, 10 Músicas em Francês


Um filme, uma canção por MaDame Lumière:
a combinação inesquecível para uma nostálgica emoção



ZAZ: umas das cantoras da nova geração da música Francesa e 
destaque na trilha sonora de Belle e Sebastién

Preparei uma seleção especial de 10 músicas em Francês em 10 filmes para tocar o seu coração cinéfilo. Músicas que são como personagens. Conectadas com as emoções da história e, em grande parte, com o argumento e desdobramentos dos relacionamentos no filme, estas músicas  valem a pena tocar no seu celular, computador ou som e vão te levar ao universo dos filmes de língua ou referências Francesas.

Há músicas para todos os gostos. De cantoras icônicas como Edith Piaf e Juliette Gréco a nomes jovens da cena pop ou folk como Louane, ZAZ e Emilie Simon, além de trazer filmes de diretores que gostam de usar ótimas canções em seus longas como François Ozon  e Xavier Dolan.

A seleção  levou em conta considerar apenas músicas cantadas, com belas letras e  delicadas melodias que intensificam a carga emocional da história, além de priorizar filmes e cantoras francesas, com algumas exceções como Mommy (Canadá) e Educação (UK/USA).
Esta seleção está imperdível! Aproveite-a!

Abraços da MaDame




 Canção: Non, Je ne regrette rien por Edith Piaf








Uma Nova Amiga (2014), de François Ozon
Canção: Une femme avec toi por Nicole Croisille









As canções de Amor (2007), de Christophe Honoré
Canção: La Bastille pelo elenco

 








8 Mulheres (2002), de François Ozon
Canção: Toi, mon  Amour, mon amie por Virginie Ledoyen








Mommy (2014), de Xavier Dolan
Canção: On ne change pas, de Céline Dion 








 Belle e Sébastien (2013) , de Nicolas Vanier
Canção: L'oiseau, de ZAZ








 A Família Bélier (2014), de Eric Lartigau
Canção:  Je Vole, de Louane






A delicadeza do Amor (2011), de David e Stéphane Foenkinos
Canção: Mon Chevalier, de Emilie Simon





PAS son Genre (2014), de Lucas Belvaux
Canção: C'etait une histoire D'Amour por Emilie Dequenne








Educação (2009), de Lone Scherfig
Canção: Sous le ciel de Paris por Juliette Gréco


segunda-feira, 20 de julho de 2015

Cine Família: Meu Verão na Provença (Avis de Mistral - 2014), de Rose Bosch




Por Cristiane Costa
 


Depois de Amor e Ódio (2010), Rose Bosch realiza nova colaboração com Jean Reno em  Meu Verão na Provença (Avis de Mistral), uma comédia dramática sobre segunda chance, perdão e reconciliação familiar. Com uma atmosfera solar, ambientado em região provinciana da França, o longa  apresenta um elenco de diferentes gerações que resulta em uma boa conjunção de personagens para a agradabilidade da história.



Paul (Jean Reno) vive na Provença com sua esposa Irène (Ana Galiena). Dedicado à plantação de oliveiras e à labuta no campo, Paul costuma ser um homem turrão, assim como guarda uma mágoa e uma perda familiares que contribuíram para seu comportamento fechado. Quando seus netos Léa (Chloé Jouannet), Adrien ( Hugo Dessioux) e Théo (Lukas Pelissier) chegam à sua casa para passar férias, os conflitos surgem e a oportunidade de conhecê-los.





Meu Verão na Provença não inova no roteiro e nem na direção, embora apresente uma bela história e tem como brilho estelar o veterano  Jean Reno. A experiência com o longa é como receber uma visita deste carismático ator que agrega valor a qualquer projeto. Seu personagem  Paul possibilita reviver a nostalgia de vê-lo na Tela Grande com seus olhos  marcantes e dóceis e atitude protetora que tanto cativaram cinéfilos em "Léon, o profissional". Agora, ele é  um avô que precisa tirar a casca dura para conquistar os netos. Jean Reno realiza uma atuação minimalista, com tiradas cômicas e transita no personagem com um estilo rústico e autoritário que, aos poucos, mostra novas e boas nuances comportamentais que engrandecem o seu papel . Embora o roteiro o limite em todo o seu potencial de interpretação, o ator é a razão de ser do filme. Como exemplo, suas cenas com o gracioso e belo ator mirim Lukas Pelissier são adoráveis e carregam a poesia do relacionamento entre netos pequenos e avós.


Sempre é positivo pensar em como o Cinema é um campo fértil para conhecer variadas narrativas sobre família e seus problemas de relacionamentos. O Cinema ajuda a observar a tolerância com o outro e como um "livro não pode ser julgado pela capa", que o amor tira as correntes da prisão egoica e cura mágoas, que é possível ser otimista ao final da sessão e pensar em superar as crises familiares. Meu Verão na Provença é uma história que cativa pela chance de dar-se uma segunda chance. Tudo isso em uma cenografia bucólica que torna a atmosfera mais suave, solar, inspiradora.





O Cinema Francês apresenta boas histórias nas quais as pessoas saem de Paris e vão para o interior para encontrar a si mesmas ou, quem vive em regiões como a Provença, aprende a reconhecer o valor de seu estilo de vida e das conquistas no campo. No roteiro , também elaborado por Rose Bosch,   ela não esquece de referenciar a estes elementos na composição da narrativa. Ela  acerta em prover a uma geração mais jovem o convívio com os avós e com o campo, em trazer ao público a França que não é apenas o cartão postal da glamourosa Paris e as paisagens com lavandas que aparecem em propagandas de perfumes e folhetos de viagens. A França campesina  tem suas festas e tradições pictóricas, uma França mais simples nas quais os valores familiares são resgatados. Assim, a jovem geração tem a oportunidade de desvincular-se da loucura da metrópole e das implicâncias imaturas para ter contato com outras experiências geracionais e locais. Neste aspecto, este é um belo filme, revigorante como uma paisagem ensolarada de um verão inesquecível.







Ficha técnica do filme ImDB Meu Verão na Provença
Distribuição: Pandora Filmes

domingo, 19 de julho de 2015

Cidades de Papel (Paper Towns - 2015), baseado em best-seller de John Green





Por Cristiane Costa



Quentin (Nat Wolff) e  Margo (Cara Delevingne) são vizinhos e amigos desde a infância. Quando chega a época do colegial, eles não tem mais a mesma amizade próxima. Quentin ainda cultiva o mesmo amor platônico por ela, por mais que tente esquecê-la. Em certo dia, após uma noite pontual de aventuras com Margo, ela desaparece. Ele decide embarcar uma viagem para procurá-la, apoiado pelos seus grandes amigos Ben (Austin Abrams) e Radar (Justice Smith). Esta é a história de Cidades de Papel,  uma adaptação do livro Paper Towns de John Green, conhecido pelo sucesso do best-seller  "A Culpa é das estrelas".







A linguagem acessível e cativante de John Green, ao mesmo tempo, envolvente, profunda e capaz de se conectar com os jovens o tornou um fenômeno de tiragem de livros. Desta vez, a produção do filme (Marty Bowen e Wyck Godfrey, de "O Crepúsculo") repete a parceria de "A Culpa é das Estrelas" com os roteiristas Scott Neustadter e Michael H. Weber. Eles têm experiência com narrativas cômicas e dramáticas com nuances românticas, tanto que escreveram os roteiros de "500 dias com ela" e "O Maravilhoso Agora". 


Dirigido por Jake Schreier ( "Frank e o Robô"), o longa oferece muito mais do que um mero blockbuster para um público  jovem. Acaba funcionando bem para todas as idades, é agradável e tem um grande mérito:  desconstrói expectativas românticas, ou seja, pessoas lidam com decepções que podem trazer mais benefícios para o amadurecimento do que ilusórios idealismos e pueris fantasias.  Parte disso se dá pela obra humanizada de John Green que reflete experiências comuns aos jovens. Aqui, ele evoca o rito de passagem da vida adolescente para a vida adulta, inclui novas experiências como uma viagem com um apelo de coragem, autoconhecimento e busca por um amor, além de ter uma trama mais elaborada que adiciona elementos misteriosos através de uma investigação feita por Quentin.  
 


Além de uma "feel good" cinematografia assinada por David Lanzenberg que capta a atmosfera da história assim como fez bem em "A incrível história de Idaline", o elenco jovem carismático é o carro-chefe, com destaque para Nat Wolff,  escolha bem acertada para o papel por ser um tipo de galã teen comum. Ele personifica o garoto estudioso, simpático e fofo, mas também, tímido e deslocado em suas dúvidas, inseguranças e temores. Na mesma linha da boa escalação de Ansel Elgort para "A Culpa é das estrelas", Nat Wolff se revela com um dos jovens e carismáticos atores. Como um ponto interessante, o roteiro inclui momentos bacanas entre amigos, amizade masculina que ainda é pouco explorada no Cinema, e oferece cenas de camaradagem e diversão, com destaque para Austin Abrams. As cenas entre eles em um ambiente escolar às vésperas da formatura são uma bela e nostálgica referência aos filmes de John Hughes






Margot é apresentada com uma eficiente atuação de Cara Delevingne por dois motivos: é uma personagem enigmática e de distanciamento, logo a sua escolha para o papel é compreensível. Ela não é carismática neste filme. A atriz a encarna com o "pé no chão", como uma moleca que ninguém pode controlar, uma jovem que não segue convenções sociais.  Embora  Margo mobilize ações de Quentin para dinamizar a história, ajude a compreender  o por que as coisas não precisam ser exatamente como desejadas,  ela é mais fria em cena, tanto que aparenta ter mais idade, ser um bicho solto no mundo que não mantém vínculos com quase ninguém.







Cidades de Papel é uma história honesta com o público em geral, principalmente com o jovem. Fica  melhor nos últimos 30 minutos quando se torna mais adulto, com o velho ciclo que se fecha para Quentin e o faz abrir-se à uma nova visão da vida. A ideia de que "é preciso se perder para se achar" é incrível, inspiracional, reflexiva e serve para todas as idades, além do conceito de "cidade de papel"  ser uma ideia genial na contação deste tipo de história.  Conceito que você poderá compreender melhor  no filme, caso não o saiba, pois faz parte da magia do Cinema descobrir esses detalhes especiais.








Ficha técnica do filme ImDB Cidades de Papel
Distribuição: Fox Film