A inclusão do diário é interessante pois um objeto relacionado à leitura e à escrita cria uma ponte comunicativa entre Rousseau e Candice, ambos escrevem, ambos lêem um ao outro. Quando viva, ela já o tinha como fã, embora não se conhecessem pessoalmente. Agora, ela está morta, ele está vivo e obcecado pela beleza e sentimentos da falecida e suas anotações íntimas e reveladoras. Além do mais, o diário assume uma função de personagem coadjuvante, uma testemunha, um registro cujas informações ajudam Rosseau a investigar o crime e ter alguns insights sobre a possibilidade de assassinato. Ele realmente acredita que Candice não se suicidou. O filme se desenvolve com bastante flashback e narração em off com a trajetória de Candice: da descoberta de sua encantadora beleza e o trabalho como modelo e garota propaganda para o queijo "Belle de Jura" até a sua morte. O roteiro é mediano e tem a deficiência de ter uma "viagem narrativa" do roteirista que foi misteriosamente colocar Rousseau na trilha de Candice, como um chamado sobrenatural, um amor platônico que surgiria nas fronteiras da vida e da morte, o que é bem forçado, diga-se de passagem, mas compreensível para ocupar o tempo e o coração de Rosseau. É perceptível que a recriação do mito Marilyn Monroe por Sophie Quinton não é extraordinário embora a atriz tenha o seu charme blondie e tem uma atuação regular, não comprometedora, deixando a Jean-Paul Rouve boa parte da responsabilidade por levar o filme.
A escolha de colocar uma Marilyn comum, uma garota do cotidiano que teve a chance de ser modelo é boa, pois recriar o mito aproxima o mítico do que é o real, o diário. Faz imaginar que há várias Marilyns que morrem em circunstâncias misteriosas, belas e abandonadas na solidão após serem tão admiradas, basta ver duas cenas tocantes do filme, um no início no qual ela está morta e a final que revela como foi a sua morte. Neste sentido, é de partir o coração lembrar que Marilyn brilhou na sua carreira e curta vida, mas foi uma mulher usada pelos homens, atraídos somente pela sua beleza e vulnerabilidade. O filme se encarrega de mostrar cenas com a voz de Candice narrando o próprio diário e se vê, como nas biografias de Marilyn Monroe, que ela não tinha somente um corpo e rosto bonitos, ela era uma mulher inteligente e sensível que dá vontade de simplesmente dizer: Marilyn, não havia ninguém além de você!
Avaliação MaDame na Mostra
3 estrelas
tenho visto poucos filmes este ano, mas achei interessante a temática deste filme... recriar o mito marlyn de outra forma? gostei da ideia. uma pena que não seja tão bom assim.
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